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ESSE É UM BLOG PARA QUEM PRETENDE LER E APRENDER RACIOCINANDO, SOBRE TEMAS COMO UMBANDA, MEDIUNIDADE EM GERAL E AUTO-AJUDA. SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI, ACREDITE, NÃO FOI POR ACASO. TALVEZ AS RESPOSTAS PARA ALGUMAS DE SUAS DÚVIDAS ESTEJAM EM ALGUNS DOS TEXTOS POSTADOS.

ATENÇÃO: VOCÊ PODE COPIAR OS TEXTOS QUE CONSTAM DESTE BLOG E USÁ-LOS EM OUTROS LOCAIS, MAS NÃO DEIXE DE INDICAR A FONTE, POR FAVOR!

Acompanhantes do Blog

domingo, 17 de julho de 2011

PUBLICAÇÃO DOS LIVROS IMPRESSOS

Meu SARAVÁ a todos em primeiro lugar e até mesmo minhas desculpas por parecer estar meio que afastado do Blog, embora isto não seja bem a verdade - tenho respondido a todas as indagações a mim dirigidas nos comentários de diversas matérias. Apenas compromissos de outras ordens têm-me mantido bastante ocupado, o que espero não acontecer tanto doravante.

Em decorrência da enquete sobre a publicação dos livros sob forma impressa ter sido acentuadamente a favor, acabei fazendo-a através de um site que me permite fazê-la de graça (O AGBOOK em http://www.agbook.com.br/) e, conforme explicado na página PESQUISA SOBRE OS LIVROS , sem qualquer ganho por minha parte, até para que os preços finais ficassem bem acessíveis.

E como vocês não são obrigados a acreditar piamente no que digo ou escrevo, aproveitei e copiei lá no site mesmo, detalhes sobre os livros publicados que incluem, além do preço final,  as comissões por direitos autorais, o que poderão observar e constatar olhando as figuras abaixo e atentando para onde apontam as flechas vermelhas.


Clique no link UMBANDA SEM MEDO VOL I e veja como comprar

Clique no link UMBANDA SEM MEDO VOL II e veja como comprar

Clique no Link UMBANDA SEM MEDO VOL III e veja como comprar.

Por enquanto vamos ficando por aqui, mas aguardem novos temas em breve tempo porque consegui, depois de muito "fuçar", aprender a colocar sons neste Blog para lhes trazer as falas (mais claras do que as ouvidas até agora porque já as apurei) do senhor Zélio de Moraes sobre a Alabanda, Aumbanda e depois UMBANDA que trouxe à Terra por ação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, sendo este um dos próximos temas.

Enquanto isto ... acessem a página DIVULGAÇÃO DE TERREIROS e, SE VOCÊS FOREM DAQUELES QUE REALMENTE CONFIAM NA UMBANDA QUE PRATICAM, leiam o texto e ajudem as pessoas que necessitam de amparo a encontrar os seus Terreiros ou Centros seguindo as instruções ali contidas.

Recebam todos um FORTE E SINCERO ABRAÇO FRATERNO!!

sábado, 7 de maio de 2011

OGUM - O Guerreiro Aposentado.

Há poucos dias atrás (23 de abril) umbandistas e candomblecistas comemoraram a data festiva referente a Ogum - nome do orixá nagô que "batizou" uma das LINHAS DE UMBANDA criada como culto ou religião a partir do ano de 1908, como já estamos cansados de saber.



Sincretizado com o Santo São Jorge da ICAR, o Inkice Roxi Mucumbe dos Bantus e o Vodum Gu dos Gêges, esse "orixá", para os umbandistas que assim o entendem e os candomblecistas, é o VERDADEIRO SENHOR DOS CAMINHOS e das Guerras, desde há muitos anos assim reconhecido.



É aquele que pode nos "abrir os caminhos" (facilitando ou retirando as dificuldades de nossas vidas) para que En - cru - zi - lha - das (dificuldades de escolhas ou INDECISÕES) não se apresentem a todo momento enquanto por ele somos guiados.

Fato é, infelizmente, que uma ala umbandista moderna parece ter se esquecido dos reais valores, tanto os relativos ao orixá (entidade ou energia) quanto aos espíritos que integram esta LINHA de TRABALHO e, na sombra desta imensa Exumania (clique no link) que ora assola as mentes ditas umbandistas, resolveram eleger Exu (ESPÍRITOS NESTA CONDIÇÃO), não só como "donos ou senhores dos caminhos" mas também "executores de karmas", "guardiães dos umbrais", "justiceiros divinos", "executores das leis", "guerreiros de umbanda" e por outros qualificativos mais que as mentes lhes permitem, numa exaltação que, além de quase cega, parece visar destituir OGUM (e seus comandados) de "seus afazeres".


Se é exu quem abre caminhos agora, se é exu o guardião dos portais, se é exu o "espadachim de umbanda" (sim, já existe uma classe de "exus espadados"), se é exu o guerreiro de umbanda ... O QUE SOBROU PRA OGUM ?

RESPOSTA: ESTÁ SENDO APOSENTADO!!


Só se lembram dele agora como um vovozinho, provavelmente, de vez em quando (nas festinhas em comemoração), e ainda há quem diga que sua energia é PASSIVA!?!?!?!?!



Provavelmente se apassivou pela idade porque esse negócio de ser guerreiro deve tê-lo cansado em demasia ... quem sabe?



Mas como eu já estou kakurucaia demais pra sair batendo paô pra tudo o que se cria no presente, vejo-me no dever e até obrigação de avisar aos verdadeiros filhos de fé da Umbanda: CUIDADO, MUITO CUIDADO e VÃO DEVAGAR, BEM DEVAGARINHO.

Sigam o exemplo dos PRETOS VELHOS e caminhem devagar, sempre prestando muita atenção em onde vão pisar e, principalmente, nunca esqueçam de que o PÉ DE TRÁS (o que fica no chão até que o da frente se apoie devidamente) é que é a base para o caminhar firme e para a frente; aquele que, se estiver bem embasado, pode livrá-los(as) de muitos e muitos tombos que possam vir a ser provocados por FALSAS FUNDAMENTAÇÕES À FRENTE.


Lembrem-se dos mais velhos (antigos) em seus cultos e dêem ouvidos a eles e lembrem-se de que só podemos acessar o cume da montanha APÓS termos vencido todos os entraves, dificuldades, desde a sua base.



Evolução da Umbanda é uma coisa. Invenções e inserções descabidas já são outras bem diferentes.





SALVE O SANTO GUERREIRO - SALVE O ORIXÁ GUERREIRO - SALVE O INKICE GUERREIRO - SALVE O VODUM GUERREIRO.














Que OGUM lhes abra os caminhos da vida e os acompanhe em PROTEÇÃO E GUARDA e que Oxalá os ilumine para que nunca lhes falte a LUZ e as VITÓRIAS!!!



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Chefes de Terreiros honestos, de QUALQUER ESTADO DO BRASIL, que acreditem na Umbanda que praticam e que gostariam de ajudar às pessoas que procuram bons Terreiros e Centros para desenvolverem suas mediunidades e/ou trabalharem, também honestamente, sob as Leis de Umbanda, acessem este link (DIVULGAÇÃO DE TERREIROS ) e anunciem lá, GRATUITAMENTE, suas Casas.



E se não for incômodo, acessem também este link PESQUISA SOBRE OS LIVROS os que já conhecem os livros da série UMBANDA SEM MEDO e depois votem na pesquisa sobre se os livros devem ou não devem ser publicados via alguma editora.


Agradeço por antecedência.

domingo, 3 de abril de 2011

PESQUISA SOBRE OS LIVROS

Meu Fraterno SARAVÁ a todos os vistantes e seguidores deste Blog.

A razão deste primeiro tópico, que ainda não é daqueles que normalmente estamos acostumados a colocar, se deve a um fato que vem acontecendo e que está me deixando meio que sem jeito.

Os livros da série Umbanda Sem Medo por mim assinados, não foram ou estão sendo escritos no sentido de auferir qualquer tipo de lucro mas apenas para que se divulgue Umbanda em geral com muitas "coisinhas" que parecem estar esquecidas em função de "novas teorias e teses" e divagações que se espalham no mundo virtual, principalmente, por conceitos distorcidos até, como se pode notar ao ler, aqui mesmo, na série UMBANDA E A TORRE DE BABEL (página inicial clique aqui) à qual, "se dermos corda", parece tema infindável.

O caso é que, por e-mail, tenho recebido alguns pedidos de publicação do livro por alguma editora (que para facilitar, já foi diagramado para que se imprimisse em folha tamanho A5 e que, para quem não sabe ou tem dificuldade de encontrar, é aquela folha de 33x21,5cm dobrada e cortada ao meio) o que não estava dentro de minhas pretensões.

Conversando há pouco tempo com o amigo Renato Guimarães do site REGISTROS DE UMBANDA, este que há pouco publicou seu livro SINCRETISMOS RELIGIOSOS BRASILEIROS que aqui divulgamos em tópico sob título "Uma excelente fonte de estudos" verificamos a possibilidade de tentar publicá-los pelo AGBOOK, um site que nada cobra do autor e faz ele mesmo seu próprio preço em função das despesas necessárias.

Como a pretensão continua a mesma (não auferir lucros) mas sabendo que algum valor será cobrado (nem consultei ainda), resolvi fazer esta enquete que se encontra agora, logo abaixo do ítem  ACOMPANHANTES DO BLOG, que foi inclusive comentada e aceita como "boa idéia" antes, por alguns dos que me pediram a publicação.

Então, enquanto não damos partida para novos temas que já estão sendo preparados, que tal você, que já baixou e leu os livros ou até mesmo que nem baixou e nem leu ainda mas que se interessa em colaborar, dar seu votinho na enquete para que saibamos se vale a pena proceder à publicação ou deixamos como está e cada um que imprima o seu se assim desejar, heim?

A bem da verdade entendo que só seria válida a publicação por alguma editora se um bom número de interessados se apresentasse e, por isto mesmo, a enquete estará aberta até o dia 29 de junho do corrente ano. Os ítens que dela constam são os seguintes:

Título: Interessaria a você que os livros da série UMBANDA SEM MEDO também fossem publicados por alguma Editora?

SIM, PORQUE IMPRIMÍ-LOS DÁ MUITO TRABALHO
INTERESSARIA PARA PODER PRESENTEAR MEUS AMIGOS
NÃO, PREFIRO LÊ-LOS EM PDF MESMO
NÃO, SIMPLESMENTE
SIM, SIMPLESMENTE
Agradeço de antemão a colaboração sincera e, seja lá o que Deus quiser!

Até breve e um fraterno abraço a todos.

Claudio

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MENSAGEM DE FIM DE ANO

UMA LIÇÃO DE VIDA

Um menino vivia dizendo a respeito de um colega: "Desejo tudo de ruim para ele. Quero matar esse cara!".

Seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:

O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito isso! Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.

O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado. Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:

- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amigo Juca, e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele.

- Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou. O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa.O pai que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:

- Filho, como está se sentindo agora?

- Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa. O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:

- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.

O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo.

Que susto! Só se conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então, lhe diz ternamente:

- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você.

O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

Desconheço o autor ou autora.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

SACRIFÍCIO DE ANIMAIS NA UMBANDA - CONTINUAÇÃO

Havíamos deixado pendente aquela pergunta sobre se deveríamos tirar das listas das Umbandas os terreiros em que Exu pede cortes e vamos tentar, pelo menos, explicar por mais exemplos, como é que se formam essas TORRES DE BABEL, sobre as quais já nos referimos em postagens anteriores, todas, ou quase todas, criadas em função do desrespeito aos conceitos iniciais, tanto de palavras, quanto de ritos específicos deste ou daquele culto, religião, etc., conceitos estes que não podem mudar com o tempo por fundamentarem (embasarem, servirem de apoio, esteio, arrimo) esses mesmos cultos e religiões, o que parece não ser compreendido por uma grande maioria de adeptos que sequer entende o que sejam FUNDAMENTOS DE UM CULTO e por isto também não entendem que: MUDANDO-SE OS FUNDAMENTOS, ESTÁ-SE MUDANDO O PRÓPRIO CULTO.

Pois muito bem. Partindo da UMBANDA ORIGINAL (a que se iniciou pelo Cab. das Sete Encruzilhadas e Zélio de Moraes), estudando as gravações em áudio que foram feitas com o médium, a entrevista citada na primeira parte deste tema e outros tantos textos que se espalharam pela Internet, veremos que até o 1º Congresso de Espiritismo de Umbanda realizado em 1941, a UMBANDA ORIGINAL (bem assim como as que dela derivaram) nasceu tendo como FUNDAMENTOS:

1- LEMA BÁSICO: Trabalho com Espíritos para a Caridade no sentido de amor fraternal;

2- ISENÇÃO de sacrifícios animais, rito este AUSENTE até hoje em quaisquer das VERDADEIRAS DERIVAÇÕES DA UMBANDA;

3- Humildade, tanto nos comportamentos dos médiuns, quanto nas vestimentas utilizadas durante os rituais;

4- Aberta para que se pudesse aprender com os Espíritos que soubessem mais e ensinar aos Espíritos que soubessem menos;

E ... sem pressa, como sempre deve ser ... vamos tentar entender o porquê de dizerem (erradamente) que em algumas Umbandas existe o rito de cortes.

O que se sabe (é só acompanhar a história) é que logo após o 1º Congresso acima referido, que teve como tema de discussão o ESPIRITISMO DE UMBANDA, começaram a pulular autores de "livros de umbanda" (antes somente Eliezer Leal de Souza havia escrito algo), cada um tentando impingir aos seguidores de suas seitas e ao público, suas formas de culto misturados como aconteciam nas MACUMBAS CARIOCAS que era uma mistureba de tudo e qualquer coisa (leia-se de João do Rio - AS RELIGIÕES DO RIO, publicado em 1904). E isto foi tão marcante - esta ânsia de se escrever e divulgar o que seria umbanda segundo suas crenças - que o senhor Lourenço Braga, por exemplo, publicou em 1942 (logo após o Congresso) o seu livro "UMBANDA (magia branca) e QUIMBANDA (magia negra).", tendo na ocasião, inclusive, feito sua própria proposta sobre quais seriam as 7 Linhas de Umbanda (vide http://registrosdeumbanda.wordpress.com/2009/10/04/as-sete-linhas-segundo-lourenco-braga/), tendo depois, em 1955, ele mesmo feito modificações tipo RECALL, como os que hoje vemos a toda hora anunciados por fabricantes que, na ânsia de venderem seus produtos rapidamente, só vão fazer as correções algum tempo depois e mesmo assim se alguns notarem as falhas.

Paralelamente, e como já dissemos antes, muitos praticantes de cultos mistos (pra não chamá-los de macumbas), já antes do Congresso e principalmente após este, passaram a adotar o rótulo de "umbandas" por conta de diversos fatores, tendo-se entre estes o fato de a Umbanda ter arregimentado para suas hostes pessoas de certo destaque social, digamos assim, o que de certa forma a tornou menos perseguida pela polícia que naquela época já invadia terreiros africanistas e mistos que acabavam auto-denunciados pelo ruído que provocavam com seus tambores, o que a Umbanda então criada não usava.

Nesta leva de cultos mistos o chamado Culto Omolocô, trazido para o Brasil por Maria Batayó, e que desde sua orígem já seria um culto misto por ter se originado numa região africana entre Angola e a terra dos Yorubás (Lokojá, parte Yorubá e Lunda-Quioco, parte Angola) teve aqui uma disseminação maior por conta de Tancredo da Silva Pinto que por sua vez, cismou que Omolocô era Umbanda, apenas porque, como muitos ainda pensam e defendem como tese, em seus cultos eram permitidos os chamados CATIÇOS, que seriam os Espíritos de Pretos Velhos, basicamente, Caboclos e Exus, esquecendo-se este que antes de ser só pela presença destas entidades, Umbanda já nasceu com DIRETRIZES e FUNDAMENTOS que nenhum culto Omolocô, Ketu, Angola, Jêje, Fon, etc., tinha em suas bases, destacando-se a relação ESPÍRITO/CARIDADE, pois todos esses cultos, mistos ou não, não tinham a CARIDADE ATRAVÉS DOS ESPÍRITOS (Catiços para eles) como fundamentação, como base de suas ritualísticas, sem querer adentrar por mais fundamentos até contrastantes.

Só por não assumirem este fundamento acima, já não deveriam se auto-rotular umbandas .... mas muitos o fizeram. E o que começou a ser passado a público por essa auto-rotulação?

Que em umbanda havia TOQUES de atabaques; que em umbanda havia roupas especiais para Espíritos trabalharem; que em umbanda exu era orixá; que em umbanda havia "saída de santo"; que em umbanda se cortava ou se imolava pra isto ou aquilo e tantas outras coisas mais que, na verdade, eram práticas dos cultos mistos que se auto-rotularam mas que acabaram entrando para a CRENÇA POPULAR como Umbanda pelo tanto de "sabedoria" que se espalhou e foi amplamente divulgado através de livros dos "autores pós Congresso".

Bem, como hoje quase todo mundo está inclinado a aceitar tudo o que se mistura como umbanda, o que podemos concluir?

Que na verdade a Umbanda, que nasceu para ser diferenciada das Macumbas Cariocas desde seu mais básico fundamento, hoje pode ser considerada A PRÓPRIA MACUMBA CARIOCA, de tantas misturas de crenças, práticas e ritualizações que se vê serem apregoadas como "de umbanda".

Mas ... voltando à REAL e sendo até bastante flexível no que pode ser considerado Umbanda e o que não pode, e passando a considerar alguns adendos como técnicas de terreiro (mas não fundamentos porque não existem em todos), sem fugir dos fundamentos verdadeiros da Umbanda podemos aceitar o uso de atabaques, bem assim como a entrada dos exus (entre outros) nas Umbandas como Povo Auxiliar, por sinal de grande valia quando são orientados para trabalharem de acordo com a Lei, até porque essa foi u'a máxima também deixada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas quando falou de ENSINAR AOS QUE MENOS SOUBESSEM.

Aceitando então a presença de nossos COMPADRES e sabendo que eles vieram (e vêm) da QUIMBANDA, culto no qual A LEI PROVÉM DELES MESMOS e que também se difere da Umbanda em seu fundamento mais básico (ESPÍRITO/CARIDADE), desde o início os cultos mistos que aceitavam exus, e se auto-rotularam umbandas, sabiam que exus viriam para a umbanda principalmente para aprenderem com a Lei e as entidades que já a obedeciam e no intuito de largarem as práticas de escambo às quais estavam totalmente ligados e pelas quais trabalhavam sem refletirem no fato de estarem fazendo bem ou mal, mantinham-nos sob vigilância de diversas formas evitando que as práticas mais pesadas de Quimbanda, às quais estavam acostumados, fossem praticadas nos terreiros que acabaram sendo reconhecidos como Umbandas Cruzadas.

Cruzadas por que? Porque em suas giras, CRUZAVAM LINHAS (formas) DE TRABALHO (Umbanda/Quimbanda) de acordo com a necessidade, dando a esses Espíritos a oportunidade de trabalharem sem as antes obrigatórias trocas de favores e "presentes" (escambo) ao mesmo tempo em que iam se aclimatando à nova realidade - TRABALHO PARA A CARIDADE!!!

Na medida em que um exu se adaptava mais à nova Lei, era considerado (por nós, encarnados) BATIZADO NA LEI DE UMBANDA e na seqüência, quando o exu já tinha se adaptado totalmente à nova Lei e já não fazia jogo de interesse de forma alguma, era então considerado COROADO NA LEI DE UMBANDA, o que, como já expliquei antes, não queria dizer que ele traria uma coroa em sua cabeça, até porque este título lhe era dado por nós, os encarnados, apenas.

Outros cultos mistos, no entanto, sequer se preocuparam em entender que exu estava ali, principalmente para aprender sobre a Lei, e as novas técnicas de trabalho, e os deixavam trabalhar em seus terreiros da mesma maneira que trabalhavam em suas Quimbandas e, embora esses outros cultos também se auto-rotulassem umbandas e fossem reconhecidos como UMBANDAS CRUZADAS, passaram a receber maiores influências e domínios do povo da rua e das calungas, como também eram conhecidos os compadres, justamente pelo poder de sedução que esses Espíritos são capazes de exercer, principalmente sobre pessoas mais necessitadas de "uma força", como se costuma dizer, e mais ainda sobre os IMEDIATISTAS que, antes de sequer pensarem em mudarem em si muitos dos fatores que os levam a decaír, preferem dar logo uma solução aos problemas causados ou criados muitas vezes por eles mesmos, pelo caminho mais curto, o caminho do "EU LHE PRESENTEIO E O SENHOR ME QUEBRA O GALHO"!!!

Como conseqüência deste comportamento, vemos ainda hoje alguns terreiros que se dizem de umbanda serem dirigidos por Exus, Pomba Giras, Pelintras, etc., que mantém "Pretos Velhos", "Crianças" e "Caboclos" sob suas tutelas e fazem suas próprias leis.

Como a gente sabe que isto é uma completa INVERSÃO DE VALORES, só podemos concluir que essas entidades que se apresentam como "pretos velhos", "caboclos" e "crianças" nestes terreiros, estando sob a tutela de exus, só podem ser menores que eles ou, por outro lado, tão exus (em termos energéticos, vibracionais) quanto eles.

Pois muito bem. Nesses terreiros em que exu trabalha como aprendeu na quimbanda junto aos seus, é claro que os cortes, principalmente dos animais de duas patas, costumam ser "remédio" para grande parte dos males que afligem os necessitados, porque foi assim que exu aprendeu a trabalhar e nada lhe foi ensinado de outras técnicas que, mesmo mais lentas, não tão imediatistas, acabam chegando aos mesmos fins sem a menor necessidade de menga, ejé, sangue. Mas o problema é que esses terreiros também são chamados de umbandas e muitas vezes nem se tratam por CRUZADAS, donde advém o início de toda essa confusão que leva a crer que em umbanda há cortes e menga nos trabalhos.

Mas agora vamos organizar e tentar entender como funcionam as coisas dentro de um terreiro CRUZADO de verdade, que tenha giras específicas de exus comandadas por Coroados ou apenas Batizados na Lei de Umbanda, sendo este terreiro DE UMBANDA DE FATO E DIREITO por se fundamentar nas bases lá atrás citadas - ESPÍRITOS - CARIDADE.- HUMILDADE EM TODOS OS SENTIDOS.

Ainda em relação a esta classificação dos exus dadas por nós, os Coroados são os que não exigem mais a menga para seus trabalhos - isto é um fato por já terem aprendido a trabalhar sem. Os Batizados apenas, dependendo de cada situação, podem ou não usar o corte e a menga, mas os que são considerados PAGÃOS NA LEI DE UMBANDA, com certeza vão pedir cortes e trabalharão ainda por "trocas de favores", não sendo isto uma maldade deles especificamente, mas sim uma TÉCNICA DE TRABALHO que aprenderam e com a qual estão sintonizados por não terem tido a oportunidade de estar em contato com entidades que lhes poderiam ensinar outras técnicas.

Primeiro ponto a ser observado - Os terreiros ditos CRUZADOS são aqueles que adotam GIRAS DE EXUS, sejam elas em dias específicos ou como parte da Gira Geral, como continuidade das GIRAS DE CABOCLOS E PRETOS VELHOS;

Segundo ponto a ser observado - Sendo a Gira de Exu uma continuidade da Gira dos Velhos e Caboclos, no momento em que ela acontece, diz-se estar VIRANDO A BANDA (claro que você já deve ter ouvido isto). E diz-se isto por que? Porque neste momento está-se SAINDO DA UMBANDA (ou fechando-a) E INICIANDO A PARTE QUIMBANDA da Gira Geral. A partir daí, qualquer pedido de corte que possa existir está acontecendo NA GIRA DE QUIMBANDA que o terreiro de Umbanda está realizando.

Como a Gira de Quimbanda está sendo realizada no terreiro de Umbanda (Cruzada), a maioria dos observadores confunde as coisas e, não entendendo que a partir daquele ponto é Quimbanda e NÃO UMBANDA, acredita que possíveis cortes pedidos fazem parte da Umbanda, quando NÃO FAZEM!

Em outros terreiros, já se anuncia a Gira de exus para tal dia e, esquecendo-se também de que GIRA DE EXU é o mesmo que GIRA DE QUIMBANDA, se a banda for comandada por exus apenas Batizados na Lei de Umbanda ou os não Batizados (Pagãos na Lei), os cortes (as copagens) podem fazer parte das práticas rituais, pelos motivos já expostos acima.

Ora, se você acompanhou bem o exposto e passar a observar que na grande maioria das vezes quem pede cortes é exu, seja em terreiros de Umbanda Cruzada, seja em terreiros de Quimbanda pura, entenderá a confusão que se forma por não entenderem (e alguns fazerem questão de não entender) que a Umbanda, nos terreiros Cruzados, termina onde começa a Quimbanda e que a partir daí, dependendo da direção da chefia espiritual e material do terreiro, podem OU NÃO acontecer ESCAMBOS E COPAGENS.

Um outro exemplo que explica melhor ainda encontramos nos terreiros que fazem Giras específicas de Ciganos. Veja bem e analise friamente que você vai entender direitinho porque, além desse povo não ser povo de Umbanda e sim agregado, quando se faz Giras específicas para ciganos seguindo-se a ritualística, as crenças, as divindades, as lendas,etc., que esse povo traz como "seus fundamentos", fica claro que a Umbanda está fora, ainda que esta Gira ou Sessão esteja acontecendo dentro de um terreiro de Umbanda, por vontade de seus dirigentes.

Partindo-se deste princípio, então, se as ciganas ou ciganos pedirem ouro e pedras preciosas pra enfeitarem seus médiuns (e isto acontece sim, em alguns locais) será que podemos dizer que PEDIR OURO é princípio de Umbanda ou que Umbanda exige ouro em seus trabalhos?

Voltando então àquela pergunta que tenho certeza que muitos fariam sobre o tirar da lista das Umbandas os terreiros onde exus pedem cortes ...

A resposta é ... não sei! Cada um que reflita e julgue por si se deve ou não porque o mais importante que se deve entender é que Gira de Exu é Gira de QUIMBANDA e, sendo Coroado, Batizado ou não, se exu pedir corte vai fazer pelo que aprendeu NA QUIMBANDA e não na UMBANDA!

-"E o caboclo lá do terreiro que também pede corte, Claudio? Ele se apresenta como caboclo e não exu e também pede! E aí, como é que fica?"

Ele é caboclo, certo? Mas não se engane porque ele, antes de ser um Caboclo (índio como deve estar se apresentando) da Lei de Umbanda é, verdadeiramente, evolutivamente e energeticamente, tão quimbanda quanto os outros exus. A diferença é que não se apresenta como tal, apenas isto. As técnicas e táticas de trabalho de uma entidade servem para que se note seu grau de conhecimento e de aplicação da Lei de Umbanda. Se ele necessita e faz uso de cortes e menga ele é um Quimbanda ou Quimbandeiro e não um Umbanda.

E como tem gente que se fere à toa e tem a tendência de ver sempre ataques às suas crenças quando alguém tenta colocar as coisas nos devidos lugares, principalmente não sendo estas as orientações que têm por pura crença (muitas vezes sem qualquer embasamento), é importante dizer aqui que não se está menosprezando o trabalho desta ou daquela entidade, trabalhe ela como Quimbanda ou como Umbanda, mas apenas separando o que é da Umbanda, o que é da Quimbanda, o que é do Ciganismo, etc., para que não se diga mais que Umbanda tem cortes (da Quimbanda) ou que adore a Santa Sara (do Ciganismo), só porque alguns terreiros assim ajam. Sabendo separar até onde vai a Umbanda nos terreiros e onde começam as outras práticas que esses terreiros adotam, complica-se menos a Umbanda e entende-se melhor esse emaranhado de cultos e crenças.

Num resumo que creio, vai tornar tudo mais fácil ainda de se entender, veja bem:

1- Entidades da Lei de Umbanda (Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Exus e Pomba Giras Coroados na Lei) NÃO PEDEM CORTES, não trabalham com menga;

2- Entidades da Quimbanda (Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Exus e Pomba Giras não batizados na Lei) podem pedir (ou não) cortes, seja trabalhando no terreiro específico de Quimbanda ou na Quimbanda dentro do terreiro de Umbanda Cruzada.

Espero que possa tê-lo(a) ajudado a entender o que muitos parecem não querer!

Fraterno SARAVÁ a todos!

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LEIA TAMBÉM : IMOLAÇÃO NA UMBANDA? (basta clicar no link)

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

SACRIFÍCIO DE ANIMAIS NA UMBANDA

Por questão de necessidade quase que premente, e até porque hoje, 15 DE NOVEMBRO DE 2010, comemora-se oficialmente 102 anos de UMBANDA NO BRASIL, estou interrompendo a seqüência de postagens de estudos sobre Orixás Cósmicos e a aplicação desses conceitos na compreensão de alguns fenômenos mediúnicos para, mais uma vez (destas que a gente pensa não serem mais necessárias) elucidar um assunto que parece até hoje não ter sido compreendido por uma boa parte dos que se dizem umbandistas, mormente por aquela ala de africanistas (eu diria, mais acertadamente, pseudo-africanistas) que ainda insiste, embasada numa entrevista dada por Dona Zilméia a uma dupla de "repórteres umbandistas" há alguns anos atrás, que a palavra SACRIFÍCIO, que teria sido usada por ela para descrever o ritual que era pedido por Orixá Malê deveria fazer entender, por extensão de compreensão, que na Umbanda Original ou mesmo em qualquer Umbanda existisse essa ritualização - SACRIFÍCIO DE ANIMAIS!

Por que eu coloquei entre parênteses PSEUDO-AFRICANISTAS?

Porque, logo de cara, qualquer VERDADEIRO AFRICANISTA, qualquer conhecedor dos rituais de imolação nos Cultos Africanos (de onde eles também insistem que nasceu a "Umbanda"), tanto os realizados no intuito de Iniciações, quanto os de "troca de favores" (generalizando) perceberia que a ritualização descrita logo à seguir, segundo a tal revista, não têm absolutamente NADA a ver com IMOLAÇÕES ou SACRIFÍCIOS.

Qualquer um que diga que o exposto à seguir se trata de um Sacrifíco Ritual, de uma Imolação, só pode, ou estar de brincadeira, ou ser um beócio em termos de práticas ritualísticas africanas.

Desde quando ABATER um porco fora do Terreiro pode ser considerado um ritual de IMOLAÇÃO (sacrifício ritual)?

Desde quando ofertar um Sarapatel pode ser considerado um ritual de imolação (sacrifício ritual)?

Já pensaram agora se os VERDADEIROS ARICANISTAS (Babás, Dotés, Donés, Yalorixás, etc) resolverem fazer suas Iniciações desta forma? Mandando abater os 4 patas lá fora, com o ato realizado pelo dono do abatedouro ou outro qualquer que não um iniciado preparado para o ritual?

Já pensaram naquele "Exu" pedindo a menga e mandando abater o bichinho no açougue? É pra rir ou pra chorar?

E o pior de tudo isto é que os que afirmam que o que Dona Zilméia descreveu à seguir era realmente uma imolação, ainda se acham no direito de se dizerem "os defensores das tradições africanas dentro das Umbandas". Nem percebem que ao defenderem tal tese, além de demonstrarem que NÃO CONHECEM UMBANDA, ainda estão RIDICULARIZANDO A RITUALÍSTICA AFRICANA, tanto para iniciações, quanto para outro qualquer fim e desta forma, também nada conhecem do que dizem estarem "defendendo".

Suas ânsias em quererem ver CABELOS NASCENDO EM CASCAS DE OVOS e IMOLAÇÃO NA UMBANDA é tão intensa que nem se dão conta do despropósito de suas afirmativas.

Mas ... qual será, em verdade, a intenção de verem SACRIFÍCIO RITUAL onde nunca existiu, principalmente apoiando-se num claro tropeço linguístico de uma senhora de mais de 90 anos já naquela ocasião (sacrifício, se havia, era dos médiuns que ficavam em vigília das oferendas)?

A resposta é simples: "Se conseguirmos provar que Zilméia fazia Sacrifício de porco pra Ogum (como nos parece na tal revista), estaremos tranquilos para podermos afirmar que em Umbanda sempre houve sacrifícios e, melhor ainda, que quando sacrificamos galinhas, galos, bodes, cabras, etc, ESTAMOS FAZENDO UMBANDA".

Pobres cegos guias de mais cegos ainda!!!

A começar pelo animal escolhido (porco pra Ogum) e adentrando pelo ritual descrito por ela logo após, só vê imolação quem ainda acha que 2+2=16, 24, 32 ... etc.

Ao analisarmos esses comportamentos, o sentimento que nos causa é de pelo menos pena.

- Pena por tanto desconhecimento;

- Pena por tantas ilações sem fundamentos;

- Pena pelas distorções que acabam causando nas mentes de outros, principalmente os que estão conhecendo (ou tentando conhecer) UMBANDA agora, e também sobre como se procede um ritual de imolação nos Cultos aos Orixás Africanos, seus preparativos de antes e depois, bem assim como seus objetivos em cada situação;

- E mais pena ainda pelo EMPORCALHAMENTO (foi proposítal sim!) a que reduzem as tradições africanas que dizem defender.

Sobre este tal sacrifício, que seria então de porco pra Ogum como querem fazer crer aos inexperientes (já está bisonho por aí, porque porco não se dá pra Ogum em qualquer tipo de Culto de Nação e muito menos em Umbanda), teríamos que analisar os seguintes parâmetros:

1- Os repórteres nada conheciam sobre Sacrifícios de animais e reproduziram, simplesmente e sem qualquer maldade, o TROPEÇO LINGÜÍSTICO de Dona Zilméia (o que pode acontecer com qualquer um);

2- Os "repórteres" sabiam que NÃO SE MATA PORCO PRA OGUM, e, maldosamente, antecipando que seus leitores nada sabiam disto, publicaram este despautério, já pra criarem polêmica;

3- Os "repórteres", pegando Dona Zilméia "num contra-pé", como chamamos, e usando a palavra SACRIFÍCIO, trataram logo de ir publicando, com os mesmos objetivos citados anteriormente.

De minha parte prefiro acreditar no desconhecimento sobre a matéria por parte dos entrevistadores, porque no segundo caso, se fossem honestos, como pressuponho que sejam, e sabendo da impossibilidade, pelo menos deveriam ter dado uma chance à entrevistada (de mais de 90 anos) de corrigir-se, perguntando-lhe à seguir:

- "A senhora tem certeza de que SACRIFICA PORCO PRA OGUM?"

- A senhora tem certeza de que o que nos relatou é um SACRIFÍCIO DE PORCO PRA OGUM?"

- Seu Pai, o Sr. Zélio de Moraes, e o Cab. das Sete Encruzilhadas compactuavam com essa idéia de que faziam "SACRIFÍCIO DE PORCO PRA OGUM"?

Como não houve pedidos de confirmação deste tipo, só nos resta entender que, nem Dona Zilméia sabia como se procede um Sacrifício Ritual (e não sabia mesmo porque nunca fez) e muito menos os seus entrevistadores, a menos que ... a intenção tivesse sido esta mesma: a de deixar esse "gancho furado" para que nele os pseudo-africanistas, os desconhecedores das ritualizações que dizem defender, se mostrassem em toda a plenitude, desmascarando-se para que verdadeiros umbandistas começassem a entender por que caminhos proliferam as tais "vertentes pseudo-africanistas", tão defendidas por aí afora, comandadas por oborizados "de primeira viagem" em sua maior parte (com excessões), quando muito.

Se foi isto valeu mesmo, porque o que se viu de "experts" em "africanismo", o que se viu até agora de defesa do indefensável, apenas para que se tentasse justificar, dentro de Umbandas como a que eles praticam, uma ritualização que não é E NUNCA FOI DE UMBANDA ... foi uma enormidade.

Se estavam tentando defender a tese dos Sacrifícios embasados em uma prática que a TENSP desenvolvia, com certeza ganharam o tiro pela culatra e acabaram mostrando que não conhecem o que dizem defender e achincalhando o que dizem defender, por extensão!

-"Mas Claudio, e nas Umbandas em que os Exus pedem copagens (cortes)? A gente tem que retirá-las da lista de Umbandas?"

Eis aí, muito certamente, uma das grandes chaves para que se adentre ao conhecimento sobre: Até onde vai a UMBANDA e onde começa a QUIMBANDA, num Terreiro Traçado.

Este é, sem dúvida, o ponto onde a grande maioria se embola toda, confunde uma coisa com outra e acaba afirmando que TUDO É UMBANDA.

Mas isto é tema para próximas postagens.

Vamos finalizar esta matéria com uma entrevista dada por Zélio de Moraes feita por Lília Ribeiro, Lucy e Creuza para a revista Gira da Umbanda, ano 1 – numero 1 – 1972.

A revista foi editada por Atila Nunes Filho e traz na capa a chamada:

EXCLUSIVO: "Eu Fundei a Umbanda"

Essa mesma matéria foi reproduzida em 2008 (outubro de 2008) no Jornal de Umbanda Sagrada, após pesquisa realizada por Alexandre Cumino.

Quem sabe assim, depois de lerem esta reportagem e depois ainda de terem lido a entrevista que fizemos com a atual Dirigente da TENSP, Dona Lygia, aqui exposta na matéria ENTREVISTA COM DONA LYGIA CUNHA,(clique no link) os pseudo-africanistas, defensores do indefensável, consigam se convencer de que EM UMBANDA NÃO EXISTEM SACRIFÍCIOS ANIMAIS?

Vamos à matéria, com alguns realces meus.



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Reportagem de : Lília Ribeiro, Lucy e Creuza.

Com 82 anos de idade, este homem é considerado por um pequeno grupo de umbandistas "o funda­dor da Umbanda".

Cabelos grisalhos, fisionomia serena e simples, Zélio de Moraes, através do seu guia espiritual, o Caboclo das Sete Encruzi­lhadas, só sabe praticar o amor e a humil­dade.

"- Na minha família, todos são da mari­nha: almirantes, comandantes, um capitão-de-mar- e-guerra... Só eu que não sou nada..." – comentava sorrindo Zélio de Moraes, aos amigos que o visitavam, nessa manhã ensolarada.

E a repórter, antes mesmo de se apre­sentar, retrucou:

"- Almirantes ilustres, capitães-de-mar- e-guerra há muitos; o médium do Caboclo das Sete Encruzilhadas, porém, é um só".

Levantando-se, Zélio de Moraes – ma­grinho, de estatura mediana, cabelos grisalhos, fisionomia serena e de uma simplicidade sem igual – acolheu-me, como se fôssemos velhos conhecidos. Nesse ambiente cordial, sentindo-me completa­mente à vontade, possuída de estranho bem-estar, esquecendo, quase, a minha função jornalística, iniciei uma palestra, que se prolongaria por várias horas, deixando-me uma impressão inesquecível.

Perguntei-lhe como ocorrera a eclo­são de sua mediunidade e de que forma se manifestara, pela primeira vez, o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

"- Eu estava paralítico, desenganado pelos médicos.

Certo dia, para surpresa de minha família, sentei-me na cama e disse que no dia seguinte estaria curado.

Isso a foi a 14 de novembro de 1908.

Eu tinha 18 anos.

No dia 15, amanheci bom.

Meus pais eram católicos, mas, diante dessa cura inexplicável, resolveram levar-me à Fede­ração Espírita de Niterói, cujo presidente era o Sr. José de Souza. [neste ponto Zélio pode ter se confundido pelo fato de que nas reuniões Espíritas Kardecistas, PRESIDENTE era o título temporário dado a qualquer um que PRESIDISSE A MESA na ocasião, fato este que conheci pessoalmente].

Foi ele mesmo quem me chamou para que ocupasse um lugar à mesa de trabalhos, à sua direita.

Senti-me deslocado, constrangido, em meio àqueles senhores.

E causei logo um pequeno tumulto.

Sem saber porque em dado momento, eu disse:

"Falta uma flor nesta mesa; vou buscá-la".

E, apesar da advertência de que não me poderia afastar, levantei-me, fui ao jardim e voltei com uma flor que coloquei no centro da mesa.

Sere­nado o ambiente e iniciados os trabalhos, verifiquei que os espíritos que se apre­sentavam aos videntes como índios e pretos, eram convidados a se afastar.

Foi então que, impelido por uma força estranha, levantei-me outra vez e perguntei porque não se podiam manifestar esses espíritos que, embora de aspecto humilde, eram trabalhadores.

Estabeleceu- se um debate e um dos videntes, tomando a palavra, indagou:

- "O irmão é um padre jesuíta. Por que fala dessa maneira e qual é o seu nome?"

Respondi sem querer:

- "Amanhã estarei em casa deste aparelho, simbolizando a humildade e a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas" .

Minha família ficou apavorada.

No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na Rua Floriano Peixoto, onde eu morava, no número 30.

Parentes, desconhecidos, os tios, que eram sacerdotes católicos e quase todos os membros da Federação Espírita, naturalmente em busca de uma comprovação.

O Caboclo das Sete En­cruzilhadas manifestou-se, dando-nos a primeira sessão de Umbanda na forma em que, daí para frente, realizaria os seus tra­balhos.

Como primeira prova de sua pre­sença, através do passe, curou um para­lítico, entregando a conclusão da cura ao Preto Velho, Pai Antonio, que nesse mes­mo dia se apresentou.

Estava criada a primeira Tenda de Umbanda, com o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como a imagem de Maria ampara em seus braços o Filho, seria o amparo de todos os que a ela recorressem.

O Caboclo determinou que as sessões seriam diárias; das 20 às 22 horas e o atendimento gra­tuito, obedecendo ao lema: "daí de graça o que de graça recebestes".

O uniforme totalmente branco e sapato tênis.

Desse dia em diante, já ao amanhecer havia gente à porta, em busca de passes, cura e conselhos.

Médiuns que não tinham a oportunidade de trabalhar espiritualmente por só receberem entidades que se apresentavam como Caboclos e Pretos Velhos, passaram a cooperar nos traba­lhos.

Outros, considerados portadores de doenças mentais desconhecidas revela­ram-se médiuns excepcionais, de incor­poração e de transporte".

Citando nomes e datas, com precisão extraordinária, Zélio de Moraes relata o que foram os primeiros anos de sua ativi­dade mediúnica. Dez anos depois, o Cabo­clo das Sete Encruzilhadas anunciou a se­gunda fase de sua missão: a fundação de sete templos de Umbanda e, nas reuniões doutrinárias que realizava às quintas-feiras, foi destacando os médiuns que assumiriam a direção das novas tendas: a primeira, com o nome de Nossa Senhora da Con­ceição e, sucessivamente, Nossa Senhora da Guia, São Pedro, Santa Bárbara, São Jorge, Oxalá e São Jerônimo.

"– Na época – prossegue Zélio – imperava a feitiçaria; trabalhava-se muito para o mal, através de objetos materiais, aves e animais sacrificados, tudo a preços elevadíssimos. Para combater esses trabalhos de magia negativa, o Caboclo trouxe outra entidade, o Orixá Malé, que destruía esses malefícios e curava obsedados. Ainda hoje isso existe: há quem trabalhe para fazer ou des­man­char feitiçarias, só para ganhar dinhei­ro [e que se dizem UMBANDAS]. Mas eu digo: não há ninguém que possa contar que eu cobrei um tostão pelas curas que se realizavam em nossa casa; milhares de obsedados, encami­nha­dos inclusive pelos médicos dos sana­tórios de doentes mentais... E quando apresentavam ao Caboclo a relação desses enfermos, ele indicava os que poderiam ser curados espiritual­mente; os outros dependiam de tratamentos material..."

Perguntei então a Zélio, a sua opinião sobre o sacrifício de animais que alguns médiuns fazem na intenção dos Ori­xás.

Zélio absteve-se de opinar, limi­tou-se a dizer:

"- Os meus guias nunca man­da­ram sacrificar animais, nem permitiriam que se cobrasse um centavo pelos trabalhos efetuados. No Espiritismo não pode pensar em ganhar dinheiro; deve-se pensar em Deus e no preparo da vida futura."

O Caboclo das Sete Encruzilhadas não adotava atabaques nem palmas para marcar o ritmo dos cânticos e nem objetos de adorno, como capacetes, cocares, etc.

Quanto ao número de guias a ser usado pelo médium, Zélio opina:

"- A guia deve ser feita de acordo com os protetores que se manifestam. Para o Preto Velho deve-se usar a guia de Preto Velho; para o Caboclo, a guia correspon­dente ao Caboclo. É o bastante. Não há necessidade de carregar cinco ou dez guias no pescoço..."

Considera o Exu um espírito traba­lhador como os outros:

"- O trabalho com os Exus requer muito cuidado. É fácil ao mau médium dar manifestação como Exu e ser, na realidade, um espírito atrasado, como acontece, também, na incorporação de Criança. Considero o Exu um espírito que foi despertado das trevas e, progredindo na escala evolutiva, trabalha em benefício dos necessitados. O Caboclo das Sete Encru­zilhadas ensinava o que Exu é, como na polícia, o soldado. O chefe de polícia não prende o malfeitor; o delegado também não prende. Quem prende é o soldado que executa as ordens dos chefes. E o Exu é um espírito que se prontifica a fazer o bem, porque cada passo que dá em benefício de alguém é mais uma luz que adquire. Atrair o espírito atrasado que estiver obsedando e afastá-lo, é um dos seus trabalhos.

E é assim que vai evoluindo. Torna-se portanto, um auxiliar do Orixá [lembremo-nos do que significa esta palavra - ORIXÁ - para a Umbanda Original, o que já explicamos em matérias anteriores].


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Existe uma seqüência nesta matéria, mas o que aí está já dá muito bem para que entendamos sob que pilares de conhecimento foi anunciada a UM-BAN-DA, (Original, como costumo chamá-la)


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A gente ainda volta pra complementar este tema.

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LEIA TAMBÉM : IMOLAÇÃO NA UMBANDA? (basta clicar no link)

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