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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Umbanda e a Torre de Babel - Parte VI

Retornado então e logo de início pedindo até desculpas aos que nos acompanham  pela demora na continuação deste tema, vamos à esta primeira parte do que seriam a compreensão de ORIXÀS como POTÊNCIAS ou ENERGIAS DIVINAS ou CÓSMICAS. Mas adianto-lhes que a nossa demora está diretamente ligada ao fato desse tema ser normalmente conhecido apenas superficialmente e como estamos tentando aprofundá-lo bem mais, ao mesmo tempo que tornando os textos o mais fáceis de entender possível, estamos também tendo dificuldades neste sentido, de forma que eles são escritos, lidos, relidos, modificados, relidos, modificados de novo e ...
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INICIANDO

E agora vamos à última corrente de pensamento abordada anteriormente, a que julga os Orixás como Potências Divinas, Energias Divinas, Energias Cósmicas, Energias de Raiz ou Vibrações Originais que são vários termos para praticamente o mesmo conceito.

Segundo essas Escolas que se inclinam para o lado Esotérico, Orixá seria uma pura ENERGIA (assim como tudo e todos somos) IMPESSOAL emanada da Energia-Mãe que atua e "polariza" diversos Planos de Existências ditas Espirituais, inclusive o nosso Plano Material.

Esses Planos de Existências seriam mais ou menos densos, assim como "seus habitantes" (a partir de um certo momento em que a impessoalidade deixa de existir e as energias tomam formas mais definidas) de acordo com suas maiores ou menores proximidades da Fonte Energética Original – DEUS.

Mas observe a figura abaixo.



 
Isso aí, que parece um disco voador composto de pequenos grãos coloridos é só o que se conhece por Via Láctea – uma parte ínfima do universo e apenas uma de muitas outras galáxias.
 
Viu só aquela setinha apontando para uma coisa que significaria o nosso Sistema Solar dentro desta imensa estrutura? Ele está tão pequenino que nem se vê se não for apontado, não é mesmo? E olha que a gente, daqui da Terra, sabe que esse tal de Sistema Solar é composto pelo nosso sol (que enorme ele é pra gente, não é mesmo?) e eu já nem sei mais quantos planetas (antes eram 9), incluindo-se entre eles a Terra – um pequeníssimo grão de areia perdido nesta imensidão.

Julgam os cientistas que o Sistema Solar encontra-se a cerca de 40.000 anos luz de distância do centro da Via Láctea e que esta teria um tamanho de mais ou menos 100.000 anos luz, o que nos leva a crer que nosso "imenso Sistema Solar" encontra-se mais ou menos por ali, onde a seta aponta e, portanto, bem mais perto da borda da galáxia.

Além da Via Láctea existem inumeráveis outras galáxias, todas com planetas, sóis, luas ... e todos, por um comando energético (inconsciente?) que ninguém sabe de onde vem ou nasce, interagindo: ora atraindo, ora repelindo, aglomerando matéria, aquecendo, esfriando, irradiando energias ainda desconhecidas, absorvendo-as ...

E a ENERGIA DEUS, pra que você se situe dentro dessa concepção, seria a Mãe de todas essa energias, a FONTE GERADORA de todas as galáxias criadas por aglomeração de energias condensadas que formaram matérias em diversos níveis.

Percebeu a pequenez de nosso Sistema Solar, de nosso sol, de nossa Terra e mais ainda de nós mesmos dentro do que intuímos como UNIVERSO?

Em vista disto, segundo essa Corrente de Pensamento, não podemos pensar, sequer, que o DEUS UNIVERSAL, a fonte geradora de tudo o que existe, inclusive nossas vidas, tem a Terra como "menina dos olhos" e só olha por nós, os terráqueos, e mais egoisticamente por você ou eu? Não é mesmo?

Mas vamos a mais uma representação gráfica:


O que você está vendo acima é a representação de nosso Sistema Solar separado da Via Láctea, com o sol à esquerda e uma idéia do posicionamento e tamanho de cada planeta em relação a este. A nossa Terra é aquela terceira "bolinha" à direita, ou seja, uma coisa mínima em relação ao sol, mais ínfima ainda em relação à Via Láctea e menos que um grão de areia no deserto em relação ao Cosmo ou Universo e, conseqüentemente, quase "um nada" em relação ao que se considera DEUS, ainda sob esta abordagem.

Se conseguirmos compreender que DEUS é, na verdade, a ENERGIA DEUS, criadora e mantenedora de todas as estruturas do Universo, ao invés de ser aquele senhor de barbas longas, com aquela roupinha "à la antigamente", começaremos também, a perceber que essa Energia, aí sim, ONIPRESENTE, está e faz parte de tudo o que podemos ver e do que não podemos também, atuando de formas, ora similares, ora diferentes em cada átomo, em cada molécula formadora de Galáxias, Sistemas, Sóis, Planetas e todos os tipos de "seres" que possam existir em cada um deles, desde a mais ínfima.bactéria.

E como, por que meios essa ENERGIA MÃE age sobre tudo isto?

Meios Energéticos! Sempre energéticos e através da interação de diversos tipos de energias, tão diversas que nossa ciência ainda não conhece u'a mínima parte.

Você já deve ter ouvido falar que TUDO É ENERGIA em formas e vibrações diversas, inclusive nós mesmos, não é?

Agora reflitamos: Entender que DEUS consiga condensar energia em matéria densa e daí criar planetas, sóis, sistemas, galáxias, até que não é muito difícil (mais ou menos). Mas a partir do momento em que tentamos entender como é que essa energia gera seres "vivos" como no Reino Animal com seus instintos mais ou menos apurados e depois "ENERGIA PENSANTE" (consciente) que adentra um corpo animal gerando seres pensantes que são capazes de decidirem por si se vão para a esquerda, para a direita, para cima ou para baixo, que desenvolvem outros tipos de raciocínio cada vez mais complexos ...

"Energia Pensante", que decide por si o que fazer, ou não ...

Será que os planetas, sóis, galáxias pensam por si também? Ou somente alguns seres minúsculos que habitam algumas das estruturas galácticas, assim como nós?

De onde nasce essa "ENERGIA PENSANTE"? Que Fonte Energética é esta que gera essa outra Energia que assume LIVRE ARBÍTRIO e toma decisões próprias na medida em que se desenvolve?

Bom tema para darmos "nós nos miolos", não? Mas como não estou aqui pra isto, voltemos ao tema principal e vejamos que, se tudo é Energia interagindo de formas diversas, os "vivos", encarnados como estamos, também sofremos a atuação de diversas energias, sendo que umas perfeitamente observáveis, outras nem tanto e outras, menos ainda.

Pois muito bem. Partindo desta premissa de que todas as energias que atuam na formação dos Sistemas, do nosso Sistema, de nosso planeta e de nós mesmos são provenientes dessa ENERGIA-MÃE (Deus) e passando pelo conceito de que sem essas energias não haveria vida, seja espiritual ou física, teremos que entender que deve haver um certo número de energias específicas que são diretamente ligadas ou atuam mais diretamente na formação de uma espécie de MÔNADA (um átomo pequeníssimo já com atividades espirituais mas de características puramente instintivas), dando origem, a seguir e por "evolução descendente"(7), através de agregação de outras energias, às ALMAS (princípio de vida) que, posteriormente, se revestem de novas energias (quando já mais próximas ao Plano Físico, mas sem formas definidas, normalmente em formas de bolas ou ovóides em princípio) dando origem a Espíritos Elementares(8) (já mais densos) que passarão a ter, um dia, a possibilidade de habitar um corpo animal já antes criado.

Segundo algumas crenças, esses Espíritos, ainda na fase de Elementares e movidos apenas por instintos, começam seus caminhos de "evolução física" habitando corpos vegetais, depois o de animais ditos irracionais, desde os insetos, quando em suas formas mais elementares até chegarem aos mamíferos, tomando-lhes a forma física e mantendo as experiências adquiridas na experiência de vida a cada vez que "morrem" e depois, num certo momento, depois de muitas "encarnações" em diversos tipos de animais ainda do gênero dos irracionais, de apurarem seus instintos mais primitivos e adquirirem algumas potencialidades de comunicação e alguma experiência de vida una – fora de bandos - adquirem a capacidade de habitarem os corpos, também animais, do que entendemos como seres humanos onde, aí sim, por fatores genéticos desenvolvidos neste gênero e conseqüente maior capacidade de aprendizagem, vão apurando seus sentidos, deixando de ser tão instintivos, tão primitivos e vão passando a usar mais a capacidade de raciocínio desde que lhes seja ensinado (sejam treinados) e que estejam dispostos a aprenderem, porque se forem criados na selva, entre animais, aprenderão e agirão de formas tão selvagens quanto qualquer outro animal – instintivamente - tendendo posteriormente, após muitas encarnações já dentro desse gênero humano, a alcançarem suas próprias INDIVIDUALIDADES.

É importante compreender no entanto, que quando já na existência em corpo humano, as experiências vividas, boas ou más e os instintos primitivos, não morrem ou se dissipam totalmente e, pelo contrário, ficam como que guardados numa parte qualquer do inconsciente, sujeitos a "virem à tona" em momentos específicos, desses em que vemos seres ditos "humanos" praticarem atos que nem nossos animais domésticos, desde que adestrados, seriam capazes de cometer. E diga-se de passagem que, seguindo este raciocínio, podemos concluir que quanto menor o número de encarnações e/ou experiências positivas quanto às formas de raciocínio por que passou um certo Espírito, menores serão suas capacidades de autocontrole, e mais achegado aos instintos primitivos (animais) ele será, justamente pelo fato destes instintos ainda estarem bastante aflorados em sua consciência.
 
Esse Espírito Elementar, durante sua primeira encarnação como humano, se amoldaria a esta nova formatação e, ao "morrer" pela primeira vez já levaria consigo esta aparência.

A essas energias que acabam compondo a MÔNADA e depois, por aglutinação de mais energias a ALMA, e depois ainda o Espírito, chamaremos de ENERGIAS ORIGINAIS, em princípio, mas você pode chamar também de ENERGIAS DE RAIZ (já que partem da mesma Raiz ou Deus), RAIOS DA CRIAÇÃO, VIBRAÇÕES ORIGINAIS, ou até mesmo de ORIXÁS que, provavelmente são em número de milhares mas, para que não nos percamos, consideraremos apenas um certo número das que julgamos mais atuantes sobre nossas características humanas.

Até aqui deu pra entender que essas Energias Originais seriam classes de energias que existem dentro da inumerável gama de energias que compõem o Universo? É preciso que isto fique bem claro para o acompanhamento do restante.

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(7) "evolução descendente" – DESCENDENTE no sentido dessa mônada estar se encaminhando cada vez mais para o Plano Material ou Físico, tendo se originado na Energia Matriz ou MÃE. Para que chegue ao nível do Plano Material, será preciso que absorva ou agregue energia dos diversos Planos por que passar o que, por decorrência, fará com que seu PADRÃO VIBRATÓRIO decresça, diminua e, EVOLUÇÃO, no sentido de que é passando por esses estágios que o futuro Espírito irá, um dia, adquirir CONSCIÊNCIA.

(8) Espíritos Elementares – Espíritos (humanos ou elementais) com características energéticas básicas, iniciais, instintivas para existirem em Planos energéticos bem próximos ao Material.


CONTINUA BREVEMENTE

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Umbanda e a Torre de Babel - Parte V

CONTINUANDO NOSSO PAPO SOBRE ORIXÁS E AS DIVERSAS MANEIRAS QUE SÃO COMPREENDIDOS ...



Estava eu a analisar as postagens anteriores e acabei percebendo que boa parte do que deveria falar sobre ORIXÁS vistos pela ótica da Umbanda Original já tinha sido escrito antes na postagem sob o título de Umbanda e a torre e Babel - Parte III .

De qualquer forma, vale aqui uma repetição e uma continuidade, só pra você, que nos acompanha, não ter que voltar lá atrás e ler tudo de novo.

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Abordadas então as três correntes de pensamentos sobre Orixás Africanos, passemos ao conceito de Orixás = Espíritos Humanos de grande poder, Chefes de falanges, etc., como era ensinado por Leal de Souza e, naturalmente aceito pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas e Zélio Fernandino de Moraes que, inclusive, indicavam o Livro "O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda" como uma das fontes orientadoras para os que seguissem a Linha Branca de Umbanda e Demanda.

Já havíamos dito que:

Vamos voltar a 100 anos atrás (1908), quando o Culto de Umbanda foi criado (ou anunciado) pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas e, apelando para o que se tem de testemunhos escritos e gravados, vamos ver que na UMBANDA ORIGINAL não havia qualquer tipo de Culto a "Orixás" - como não existe até hoje na Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a primeira Tenda de Umbanda fundada pelo Caboclo e que se mantém até hoje trabalhando nos mesmos moldes.

Em 1933 o escritor Leal de Souza, aquele que primeiro escreveu e publicou qualquer coisa sobre UMBANDA, já dividia os grupamentos de Espíritos trabalhadores da Umbanda em Espíritos de SETE LINHAS, como já foi explicado em outro volume, inclusive uma dessas LINHAS chamando-se LINHA DAS ALMAS (ou DE SANTO), absolutamente nada tendo de semelhança ao culto a Obaluaiê/Omolu que foi inserido muito após por aqueles que se auto-rotularam de Umbandas mesmo mantendo em seus cultos as práticas e princípios das ritualísticas de cunho africano.

Nesta época assim nos explicava Leal de Souza sobre o que seriam Orixás para a Umbanda Original que também era chamada de Linha Branca de Umbanda e Demanda:

"O Orixá é uma entidade de hierarquia superior e representa, em missões especiais, de prazo variável, o alto chefe de sua linha. É pelos seus encargos, comparável a um general, ora incumbido da inspeção das falanges, ora encarregado de auxiliar a atividade de centros necessitados de amparo, e, nesta hipótese fica subordinado ao guia geral do agrupamento a que pertencem tais centros.

Os Orixás não baixam sempre, sendo poucos os núcleos espíritas que os conhecem. São espíritos dotados de faculdades e poderes que seriam terríficos, se não fossem usados exclusivamente em beneficio do homem. Em oito anos de trabalhos e pesquisas, só tive ocasião de ver dois Orixás, um de Euxoce (Oxóssi), o outro de Ogum, o Orixá Mallet."(1)

Repare bem você que para a Umbanda Original, Orixás eram ESPÍRITOS HUMANOS com certas peculiaridades em essência e não ELEMENTOS ou ELEMENTAIS da Natureza, e sequer ANCESTRAIS DIVINIZADOS, conceito este que se estende até hoje em boa parte das Umbandas NÃO AFRICANIZADAS."

Reparemos, relendo lá atrás, que sob esta ótica, desde o início a Umbanda Original não adotou os conceitos africanistas de Orixás, embora entidades como Pai Antonio (que segundo soube, por integrantes da própria TENSP, era quem usava este termo ao se referir ao Ogum Malê como Orixá Malê, ou Malet) usassem a palavra Orixá para distinguirem certas Entidades Espirituais de outras.

Sob este aspecto, nem muito há para se comentar porque Orixá aqui, na origem da Umbanda é ESPÍRITO HUMANO e fim de conversa.

Essa forma de ver não foi só a da Umbanda Original não! Muitos Terreiros, por muito tempo, ao se referirem aos Caboclos chamavam-nos "Oxossis" também, assim como fazem até hoje em relação aos "Oguns", aos "Xangôs", às "Yemanjás", etc., pelo fato de nessas outras LINHAS DE TRABALHO ou FALANGES DE ESPÍRITOS, as entidades não se identificarem sempre como Caboclos ou Caboclas, o que acontecia mais amiúde na LINHA DE OXOSSI.

E como eu falei de LINHAS (de Oxossi, Xangô, etc.) e não de ORIXÁS, vamos ao conceito ou significado que essas LINHAS (ou falanges) DE TRABALHO têm para a Umbanda Original Segundo Leal de Souza:

"A Linha Branca de Umbanda e Demanda, compreende sete linhas: a primeira de Oxalá; a segunda de Ogum; a terceira, de Euxoce (Oxóssi); a quarta, de Xangô; a quinta de Nha-San (Iansã); a sexta de Amanjar (Iemanjá); a sétima é a linha de Santo, também chamada de Linha das Almas."(2)

Observe que neste enquadramento por Linhas de Trabalho cabe a LINHA DAS ALMAS ou DE SANTO (e não Orixá das Almas) sobre a qual ele nos fala à seguir:

"A missão da Linha de Santo, tão desprezada quanto ridicularizada até nos meios cultos do espiritismo, é verdadeiramente apostolar.


Os espíritos que a constituem, mantendo-se em contato com a banda negra, de onde provieram não só resolvem pacificamente as demandas, como convertem, com hábil esforço, os trabalhadores trevosos.

Esse esforço se desenvolve com tenacidade numa gradação ascendente.

Primeiro, os conversores lisonjeiam os espíritos adestrados nos maléficos, gabam-lhes as qualidades, exaltam-lhe a potencia fluídica, louvam a mestria de seus trabalhos contra o próximo, e assim lhes conquistam a confiança e a estima. [E isto não lhes lembra algo?]

Na segunda fase do apostolado, começam a mostrar aos malfeitores o êxito de alcançar a Linha Branca com a excelência de seus predicados.

Aproveitando para o bem um atributo nocivo, como a vaidade, os obreiros da Linha de Santo passam a pedir aos acolhidos para a conversão, pequenos favores consistentes em atos de auxílio e benefício a esta ou àquela pessoa, e, realizado esse obsequio, levam-nos a gozar, com uma emoção nova, a alegria serena e agradecida do beneficiário.

Convidam-nos, mais tarde, para assistir os trabalhos da Linha Branca, mostrando-lhes o prazer com que o efetuam em cordialidade harmoniosa, sem sobressaltos, os operários ou guerreiros do espaço, em comunhão com homens igualmente satisfeitos, laborando com a consciência e paz.

Fazem-nos, depois, participar desse labor, dando-lhes, na obra comum, uma tarefa à altura de suas possibilidades, para que se estimulem e entusiasmem com o seu resultado.

E quando mais o espírito transviado intensifica o seu convívio com os da Linha de Santo, tanto mais se relaciona com os trabalhadores do amor e da paz, e, para não se colocar em esfera inferior àquela em que os vê, começa a imitar-lhes os exemplos, elevando-se até abandonar de todo a atividade maléfica." (3)

Fiz questão de trazer esses períodos aqui para que o(a) leitor(a) possa, entendendo melhor a ótica da Umbanda Original, perceber uma das formas de trabalharem os Espíritos em relação à doutrinação de certos tipos de entidades que, como se sabe, é feita lá "do outro lado" em se tratando de Umbanda.

Analisando, então, pela ótica da Umbanda Original, os nomes que para os Yorubás são de ORIXÁS, para esta Umbanda e suas sucessoras são de LINHAS DE TRABALHO ou grupamento de ESPÍRITOS que trabalham sob o comando de outros mais entendidos no que a Umbanda deve, pode ou não fazer.

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(1), (2) e (3) Trechos do Livro "O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda" do escritor Leal de Souza - 1933

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PRÓXIMO TEMA:
Umbanda e a Torre de Babel VI - Orixás como ENERGIAS IRRADIADAS DE DEUS

domingo, 20 de setembro de 2009

SEGUNDA CAMINHADA PELA LIBERDADE RELIGIOSA




Desculpem-me a quebra do assunto atual mas este é um evento que não pode esperar pra ser divulgado.
Hoje, 20 de setembro de 2009, realizou-se a Segunda Caminhada em defesa da LIBERDADE RELIGIOSA aqui no Rio de Janeiro. Foi um evento emocionante e dígno de ser mostrado a todos vocês que seguem os temas de nosso Blog, tendo contado com a participação de uma grande multidão (mas grande mesmo como vocês poderão ver nas fotos) além de representantes de diversos grupos religiosos, inclusive da Igreja Presbiteriana que em um ATO DE GRANDEZA, DE NOBREZA MESMO e reconhecimento do fato de que as religiões não foram feitas para separar mas sim para unir a todos, ainda que por diversos caminhos na busca do crescimento espiritual e a comunhão com o DEUS MAIOR da forma que cada um o vê, sente e busca, exaltou o movimento ao mesmo tempo em que expôs o engano daqueles que acham e insistem SEREM OS ÚNICOS ATEREM A POSSE DE DEUS.
Não vou tecer maiores comentários a não ser que o que lá ocorreu em termos de comunhão de fé foi deveras emocionante.

Essa matéria será apenas visualmente expositiva, deixando por conta de cada um de vocês que lá não puderam estar, a imaginação do belo ambiente em que tudo ocorreu.



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CONTINUA

SEGUNDA CAMINHADA PELA LIBERDADE RELIGIOSA PARTE 2

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sábado, 5 de setembro de 2009

EM BREVE




PRÓXIMO TEMA :


A TORRE DE BABEL NA UMBANDA


"ORIXÁS" (continuação)
































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Umbanda e a Torre de Babel - Parte IV

CONTINUANDO SOBRE O TEMA ORIXÁS

Comecemos pelo que seria Orixá pelo lado dos Candomblés que, como já expliquei, são, em resumo, adaptações de diversos CULTOS A ORIXÁS AFRICANOS, INKICES E VODUNS, dependendo da tradição que as Roças, Ilês, Abaçás, etc., sigam.

Por que usei o termo ORIXÁ AFRICANO? Ora, por que ...

Isto já está e estará mais ainda, implícito no contexto daqui pra frente.

Três correntes básicas: Uma que diz serem os Orixás Encantados ou Espíritos da Natureza (neste caso Espíritos Elementais), outra que diz serem as próprias manifestações da Natureza (trovão, raios. fogo, águas, etc.) e outra mais ainda que diz serem Ancestrais Divinizados, também Encantados porque não chegaram a morrer, mas foram, de certa forma, "transformados" de humanos para divindades. Mas .... (e esse mas tem eró ou awô) ao mesmo tempo, consideram "receber", "incorporar" ou entrar em ESTADO DE ORIXÁ (o que neste caso poderia ser entendido como um transe anímico, nada espiritual ou mediúnico) após as devidas "feituras".

Como ninguém incorpora, recebe ou entra em "estado de" qualquer tipo de Força da Natureza ou, em outras palavras, ninguém recebe, incorpora ou entra em estado de vento, fogo, trovão, etc., cai por terra, acredito eu, a hipótese de serem essas entidades incorporantes, qualquer tipo de Força da Mãe Natureza.

E para quem conhece mais a fundo os rituais de "feituras" nas diversas tradições, comparando-os aos rituais de criação de Elementais Artificiais nas diversas Escolas Ocultistas, verá que praticamente as bases são as mesmas. Além disto, sabe-se que essas entidades incorporantes a que também chamam "orixás" (o "meu" orixá, como costumam dizer) são totalmente particulares e intransferíveis, o que significa que não "baixam", incorporam ou colocam em "estado de" mais ninguém que não seja a própria pessoa que fez o pacto tendo-os "feito" ou criado em parceria com seus Babás ou Yayás. Importante que se diga aqui que o ritual de "feitura" é considerado o ritual de "NASCIMENTO" do ORIXÁ PESSOAL, ou seja: é por esta ritualização que esse tipo de orixá nasce e passa a acompanhar o seu Yawô, protegendo-o até o fim da vida, ocasião em que é separado dele ou dela pela cerimônia do AXEXE.

Comparando essas características às de Elementais Artificiais criados nas seitas ocultistas, veremos semelhanças indiscutíveis – eles costumam ser criados para acompanhar e proteger o "mago" e devem, ou deveriam ser "despachados", desagregados, por ocasião do falecimento.

Se é coincidência ou não, deixo a seu cargo concluir. Se tiver vidência, melhor ainda.

Sob esse aspecto, qualquer umbandista que diga que "recebe" esse mesmo tipo de "Orixá Africano", só pode mesmo é estar errado pois, como já disse antes, esse tipo de "orixá" não nasce, se cria ou é feito sem ejé. E volto a afirmar que qualquer um que diga que sim, ou está totalmente enganado por "novos conceitos" que se espalham bizarramente (com insolência e arrogancia) ou está, subliminarmente, querendo passar atestado de bobo para qualquer praticante das raízes africanas de verdade.

Já pensou, você que conhece os rituais de "feitura", se os neo-umbandistas "receberem de verdade" esses mesmos "orixás" sem aqueles rituais e aqueles sacrifícios pessoais?

Brincadeira, não é não?

Aí, quando são "xoxados" (gozados) pelos africanistas, querem pular que nem pipocas em panela quente achando um ultraje a seus "conhecimentos", ritualizações e práticas.

Irmãos Umbandistas, mas Umbandistas mesmo, parem com isto!

Querem "receber" ou ostentar Orixás de Nação ou Africanos? Então sejam humildes, saiam da Umbanda e vão "fazer" seus orixás em uma boa Casa de Nação e depois, por experiência própria, voltem dizendo se é a mesma coisa. Vocês não sabem o que estão falando quando dizem ser "tudo a mesma coisa", apenas cultuados por formas diferentes.

Mas não é dar só um borí não! É "fazer o santo" meeeesmo!!!

Desculpem-me mas alguém tem que lhes dizer isto para que acordem os que puderem e quiserem!

Saindo dos Orixás Particulares (os que "descem" nos médiuns) e passando ao conceito de Orixá = Forças ou Elementos da Natureza, há aqueles que crêem poderem oferendar esses elementos com objetos materiais no intuito de "estarem de bem" com esses elementos ou forças e com isto alcançarem seus objetivos, normalmente também particulares.

Mas aqui entre nós. Será que vento, água, trovão, etc., vai receber em oferenda qualquer tipo de objeto material, mesmo uma flor que seja? Já pensou numa "arriada" pra fazer chover ou parar o trovão? Ou para pedir que uma pedreira não role sobre a casinha que você comprou sob risco?

Que tal dar flores às águas achando que Yemanjá é a própria água do mar e não um ser elemental ou divinizado que pode até controlar essas águas, conforme o conceito a nós passado, lá em cima, pelo escritor Pierre Verger?

A não ser por muita insistência, fica difícil entender ou aceitar esse conceito de que Orixás são os próprios Elementos ou Forças da Natureza e ao mesmo tempo quererem oferendá-los sob qualquer circunstância ... Ou não?

E agora vamos falar do conceito Orixás = Espíritos da Natureza, Encantados, Elementais Naturais neste caso.

E aí, os de pouquíssimos conhecimentos sobre o Universo Elemental, ao se depararem com essa possibilidade, que para mim é a menos fantasiosa, aparecem com aquela "base literária" apreendida dos livrinhos de contos de fadas que provavelmente lhes chegaram às mãos em algum período de suas vidas ou até mesmo lhes foram lidos por seus genitores, perguntando, em tom galhofeiro se os Orixás, então, seriam os silfos, salamandras, gnomos, elfos...

Lembrando que estamos falando de Orixás NÃO pessoais e NÃO incorporantes ou NÃO rodantes (como dizem os dos Candomblés), os chamados Espíritos da Natureza ou Espíritos Elementais existem em número e classificações não contáveis e sim: nas Seitas e/ou Escolas Ocultistas são tidos como os controladores das Forças da Natureza ou dos Elementos da Natureza, exatamente o que dizem sobre Orixás aqueles que os crêem como Encantados ou Espíritos da Natureza.

Mais uma coincidência? Será?

Só que essa "coincidência" nos permite entender melhor o porquê de alguns acharem que oferendando às Forças da Natureza estarão oferendando aos Orixás, sendo que, naturalmente, estão mesmo é oferendando aos Elementais que atuam sobre esta Natureza, mesmo que não se dêem conta disto!

Seria muito bom se antes de levarem certas idéias pelo lado da galhofa, procurassem estudar um pouquinho mais sobre esses tipos de Espíritos Naturais e depois fizessem comparações com o que se diz dos Orixás quando o conceito é o de que são Espíritos da Natureza, conceito este também muito difundido.

Ah! Você não acredita em Elementais e por isto não aceita que os Orixás não rodantes cultuados pelos Candomblés como Espíritos da Natureza sejam exatamente eles?

Como eu disse antes, acreditar ou não é problema particular de cada um. Só não se pode é negar sem ter pesquisado a possibilidade, tendo entrado antes "de cabeça" nos estudos sobre o tema. Afinal de contas, não é preciso nem que você acredite que existam Orixás!!!
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AGUARDEM
NA CONTINUAÇÃO, ORIXÁS SOB A ÓTICA DA UMBANDA ORIGINAL
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