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ESSE É UM BLOG PARA QUEM PRETENDE LER E APRENDER RACIOCINANDO, SOBRE TEMAS COMO UMBANDA, MEDIUNIDADE EM GERAL E AUTO-AJUDA. SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI, ACREDITE, NÃO FOI POR ACASO. TALVEZ AS RESPOSTAS PARA ALGUMAS DE SUAS DÚVIDAS ESTEJAM EM ALGUNS DOS TEXTOS POSTADOS.

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terça-feira, 24 de junho de 2008

PROCESSOS OBSESSIVOS I


AUTO-OBSESSÃO

Pois muito bem. Já falamos mais de uma vez sobre obsessões e, aprofundaremos um pouco mais ainda do que foi exposto no Capítulo V de Umbanda Sem Medo Vol I - Obsessões e Obsessores - que seria até bom ser consultado ainda antes que se lesse esta parte, ou lessem no Blog Umbanda Sem Medo os tópicos constantes dos seguintes endereços:
http://umbandasemmedo.blogspot.com/2007/05/ao-das-obsesses-e-o-combate-que-exigem.html - Ação das Obsessões e o Combate que Exigem
http://umbandasemmedo.blogspot.com/2007/07/obsesses-e-obsessores-parte-i.html - OBSESSÕES E OBSESSORES - PARTE I
http://umbandasemmedo.blogspot.com/2007/07/obsesses-e-obsessores-parte-ii.html - OBSESSÕES E OBSESSORES - PARTE II


Ainda antes de iniciarmos esta parte e para ficar melhor explicado, vamos ter que considerar MÉDIUM aquele ou aquela que consegue, de uma forma ou outra, comunicar-se com Espíritos e, sendo por eles utilizados, funcionarem como INTERMEDIÁRIOS entre esses Espíritos e Encarnados das mais diversas formas (incorporação, psicografia, xenoglossia, etc).

De outra forma, entenderemos SENSITIVO como aquele ou aquela que consegue perceber ou até ver os Espíritos e o universo paralelo que os cerca, pode sentir influências positivas ou negativas advindas de outros planos existenciais, sentir influências até mesmo de encarnados, mas que, não necessariamente ou obrigatoriamente, sirvam ou possam vir a servir de INTERMEDIÁRIOS entre ESPÍRITOS E ENCARNADOS.

Isto posto, percebemos logo de início, que todo VERDADEIRO MÉDIUM é, antes de mais nada, um SENSITIVO (inclinando-se cada um para um ou mais tipos de SENSIBILIDADES), mas nem todo SENSITIVO tem que vir a ser MÉDIUM - servir de intermediário entre Espíritos e Encarnados.

E já que para se poder vir a ser um BOM INTERMEDIÁRIO (MÉDIUM) precisamos treinar essa sensibilidade paranormal (além da normal) que todo SENSITIVO possui, para efeito de compreensão também, focalizaremos mais especificamente o SENSITIVO neste texto, desde já considerando que MÉDIUNS, se não bem treinados e informados, podem caminhar pela mesma estrada e até com piores conseqüências, se forem daqueles que acham que, por terem Espíritos Protetores e mesmo os chamados "orixás" aos seus lados, nada têm a temer - estes conseguem "emburacar-se" muito mais e de formas bastante complicadas, já que, garantindo-se nesses escudos, podem acabar exagerando e enfiando a mão em cumbucas apertadas de onde pra tirar ...

Uma característica comum, tanto a SENSITIVOS quanto a MÉDIUNS é a de terem enlaces energéticos menos rudes com a matéria, o que determina a possibilidade de sofrerem (por assim dizer) maiores influências dos mundos paralelos, diferentemente dos mais enraizados energeticamente, pois as influências de fora sobre estes, quase não existe (são como que fortalezas neste sentido), ou melhor, NÃO É PERCEBIDA pelos próprios, ainda que em muitas vezes lhes afetem as vidas truculentamente.

Entre os mais SENSITIVOS (conscientes ou não disso) encontramos uma grande parte que, exatamente por terem enlaces energéticos mais frágeis com a matéria, também possuem um sistema nervoso relativamente ou bastante frágil (sensível) e, observando-se pelo lado psíquico, costumam até ter comportamentos não muito compreensíveis para os "normais".

Falaremos aqui de um problema que alguns conhecem, outros intuem e uma grande parte nem imagina e mesmo assim, muito pouco se comenta. Este problema enquadra-se na categoria da AUTO-OBSESSÃO que, em resumo, se dá por culpa do próprio obsidiado envolvendo necessidade de tratamento, não só espiritual, como também acompanhamento psicológico.

Talvez seja este o problema mais complicado entre os obsessivos já que, na maioria das vezes, é muito difícil (senão impossível) convencermos alguém de que é ele ou ela mesmo o(a) culpado(a) pela situação que está vivenciando. O pior disto é que este tipo de obsessão chega a constituir 60 a 70% dos casos de obsessão em geral, senão mais.

Problemas de auto-obsessão podem se dar por causas diversas. Provavelmente não conseguiremos enfocar todos eles, mas pelo menos as causas principais serão mencionadas.

Consideremos um SENSITIVO que, além das influências extra-corpóreas que recebe (e às vezes nem entende), ainda possua fraquezas de personalidade e até mesmo complexos do tipo de inferioridade.
Este problema que acompanha SENSITIVOS de uma forma geral (não todos, é claro), às vezes é difícil de ser detetado, mesmo por médiuns experimentados porque, numa primeira visita ao Terreiro, a pessoa é percebida, mesmo por entidades espirituais, como ACOMPANHADA ou por Espíritos obsessores ou mesmo por energias e larvas astrais. A partir do primeiro tratamento e consequente liberdade (nem sempre tão fácil) os AUTO-OBSEDÁVEIS, no caso de não terem recebido informações sobre necessidade de mudanças em suas vidas e até mesmo em suas maneiras de vê-la, continuarão a "fabricar encostos" e apresentarem "novos problemas", uns atrás dos outros.
Como assim? Analisando:

1- Pessoas auto-obsedáveis são normalmente aquelas que costumam trazer consigo problemas psíquicos provocados por traumas ou mesmo fragilidades emocionais cultivadas ao longo da vida e quem sabe, até mesmo advindos de outras encarnações;
2- Traumas e fragilidades emocionais, quando não controlados determinam, não raramente, APREENSÕES, MEDOS e até mesmo a já conhecida SÍNDROME DE PÂNICO em processos mais adiantados;
3- Traumas e fragilidades emocionais, por criarem APREENSÕES, MEDOS E PÂNICO, causam desequilíbrio, não só no SISTEMA NERVOSO CENTRAL (SNC), como também e principalmente no SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO (SNA), determinando com isto, por conseqüência, DESORDENS INTERNAS, já agora ao nível do mal funcionamento dos órgãos internos controlados pelo SNA - coração, fígado, rins, estômago, intestinos ...

Já por aí você pode perceber o que SIMPLES FRAGILIDADES EMOCIONAIS podem provocar em toda a parte interna do CORPO FÍSICO. Alguns exemplos no geral, podem ser desordens no Aparelho Digestivo, no Aparelho Circulatório, no Aparelho Gênito-Urinário, Respiratório, acarretando doenças dos tipos: Desequilíbrio de Pressão (ora alta, ora baixa), Taquicardias, Diabetes Nervosas, Labirintites, Descontrole Motor, Enxaquecas e outras mais, chegando às vezes até mesmo a afetar a própria pele com eritemas, feridas e manchas "inexplicáveis" que acabam se fixando como "patologias", sendo tratadas como tal sem que o motivo real que as faz existir seja, em muitas vezes, sequer tocado.

Em decorrência dessa "desordem geral" que vai se instalando, as INSEGURANÇAS e MEDOS vão crescendo e, neste ponto, também já se pode perceber que os fatores iniciais que geraram as desordens físicas acabam aumentando pelo agora, MEDO DAS PRÓPRIAS "DOENÇAS".

Vamos rever: SENSIBILDADE OU FRAGILIDADE PSÍQUICA => INSEGURANÇAS, MEDOS, PÂNICO => DESEQUILÍBRIO DO SNC e SNA => DESORDENS NO FUNCIONAMENTO DOS ÓRGÃOS INTERNOS => DOENÇAS DAÍ DECORRENTES.

Este processo de deterioração interna provocado inicialmente por uma sensibilidade ou fragilidade psíquica, já constitui um processo auto-obsessivo ainda que para ele não haja interferência de qualquer Entidade Espiritual (kiumba ou mesmo algum espirito sofredor) e, pessoas muito FACILMENTE SUGESTIONÁVEIS, as que tenham COMPLEXO DE INFERIORIDADE, aqueles que estão sempre dizendo coisas como: "Estou doente"; "Sinto-me fraco"; "Nada consigo"; Tudo é difícil"; "Preciso de ajuda"; Ninguém me ama"; Ninguém me dá atenção"; ou mesmo aquelas que usam deste subterfúgio para atraírem as atenções alheias, estão no rol dos incluídos, ou pelo menos ameaçados de passarem por este problema.

Acontece porém, que estas mesmas pessoas, se forem SENSITIVAS (por menos que sejam) além de sofrerem as causas que eles mesmos produzem, ainda trazem o risco de sofrerem com a atuação de, aí sim, Entidades Espirituais que com elas se sintonizem em formas de pensar e agir, o que acaba por intensificar todas as síndromes antes relacionadas e outras mais, já que "fecham-se circuitos" entre eles, somando-se a uns os sintomas dos outros e criando-se aqueles "quadros clássicos" dos que se apresentam com sintomas de doenças que verdadeiramente não têm. Nestes casos, considerando-se o obsedado ainda um SENSITIVO, uma das hipóteses é a de que "alguém" (algum tipo de Espírito) que tenha atraído para si através da sintonia com suas FRAGILIDADES, sinta ou carregue consigo a impressão da doença que o acompanhava quando em vida, ou seja, além de "suas próprias doenças", ainda reflete uma ou várias que não condizem com seu REAL ESTADO FÍSICO.

Uma pessoa neste estado poderá ir a vários médicos e jamais descobrirá a causa de seu mal já que seu caso é psíquico e, por ser sensitivo, recebe também impressões de entidades que o possam estar acompanhando por se coadunarem com suas FRAGILIDADES, INSEGURANÇAS, MEDOS, PÂNICO, intensificando-os ainda mais!

Que fique claro aqui que, quanto maior for a SENSIBILIDADE para o lado Astral, maiores influências esta pessoa receberá daquele ou daqueles a quem atraiu, o que, por decorrência, poderá levar alguns ou até mesmo muitos, em caso de não serem atendidos convenientemente (organizando essa sensibilidade e aprendendo a trabalhar com ela) até a internações em manicômios.

Relembrar aqui que NEM TODO SENSITIVO é verdadeiramente MÉDIUM, mas sim em sentido inverso, nos leva à seguinte apreciação: Existem muitos SENSITIVOS que procuram Terreiros ou Centros Espíritas e são dados como MÉDIUNS, o que nem sempre é verdade e eles poderiam muito bem, ao invés de ficarem buscando ser INTERMEDIÁRIOS DE ESPÍRITOS, trabalharem com suas sensibilidades de outras formas. Além disto, como ter sensibilidade não significa SEMPRE SER MÉDIUM, muitos ficam anos e anos esperando os Espíritos incorporarem e acabam desiludindo-se pela NÃO NECESSIDADE (e até impossibilidade), em seus casos.

Um SENSITIVO que apareça no Terreiro acompanhado de obsessores, sofredores, "doentes", deveria, além do tratamento de "libertação", OBRIGATORIAMENTE ser orientado sobre suas maneiras de ser e ver a vida, porque, lembremo-nos: isto é a MOLA-MESTRA de todo o processo auto-obsessivo pelo qual está passando que, por sua vez, se não for modificado, fará com que todo o esforço mediúnico e espiritual seja apenas um PALIATIVO, de efeito temporário até que suas DESORDENS PSÍQUICAS acabem por atrair outras entidades semelhantes.

Qualquer esforço do tipo, sessões de desobsessão ou expurgo, "fechamento de corpo", uso de "contra-eguns", etc, terá o mesmo efeito TEMPORÁRIO.

Um outro agravante que também devemos levar em consideração é o fato do sensitivo ainda possuir, mesmo que inconscientemente (esses são os piores), FORTE PODER DE PENSAMENTO, situação que, descontrolada, pode levá-lo ainda mais rapidamente ao caos já que, pelo lado Astral, ainda estará criando suas FORMAS-PENSAMENTO e até mesmo elevando-as ao nível de ELEMENTAIS ARTIFICIAIS (ou FALSOS ELEMENTAIS) que nestes casos, agirão como verdadeiros VAMPIROS sobre quem os criou e provocarão, mais aceleradamente, todas os sintomas de esquizofrenia possíveis (Vejam abaixo possíveis sintomas).

SINTOMAS DE ESQUIZOFRENIA


Abaixo estão enumeradas algumas dicas. Elas servem de parâmetro para observação e análise num possível conjunto em uma mesma pessoa:

- Dificuldade para dormir, alternância do dia pela noite, ficar andando pela casa à noite, ou mais raramente, dormir demais;
- Isolamento social, indiferença em relação aos sentimentos dos outros;
- Perda das relações sociais que mantinha;Períodos de hiperatividade e períodos de inatividade;
- Dificuldade de concentração chegando a impedir o prosseguimento nos estudos;
- Dificuldade de tomar decisões e de resolver problemas comuns;
- Preocupações não habituais com ocultismos, esoterismo e religião;
- Hostilidade, desconfiança e medos injustificáveis;
- Reações exageradas às reprovações dos parentes e amigos;
- Deterioração da higiene pessoal;
- Viagens ou desejo de viajar para lugares sem nenhuma ligação com a situação pessoal e sem propósitos específicos;
- Envolvimento com escrita excessiva ou desenhos infantis sem um objetivo definido;Reações emocionais não habituais ou características do indivíduo;
- Falta de expressões faciais (Rosto inexpressivo);
- Diminuição marcante do piscar de olhos ou piscar incessantemente;
- Sensibilidade excessiva a barulhos e luzes;
- Alteração da sensação do tato e do paladar;

- Uso estranho das palavras e da construção das frases;
- Afirmações irracionais;
- Comportamento estranho como recusa em tocar as pessoas, penteados esquisitos, ameaças de auto-mutilação e ferimentos provocados em si mesmo;
- Mudanças na personalidade;
- Abandono das atividades usuais;
- Incapacidade de expressar prazer, de chorar ou chorar demais injustificadamente, risos imotivados;Abuso de álcool ou drogas;
- Posturas estranhas...

Quem já lidou com obsedados de todos os tipos, vai perceber, de imediato, que esses sintomas costumam se apresentar em conjunto (mas não todos de uma vez) e intensamente também nestes, seja por influência externa (quando não existe SÓ auto-obsessão tendo esta vindo "de fora") ou interna (quando o agente é o próprio psiquismo).

Quando uma pessoa entra em um processo de agressividade, isolamento (às vezes) ou de virar "o coitadinho" , através da FORÇA DE SEU PRÓPRIO PENSAMENTO usada às avêssas (sempre enfatizando as derrotas e doenças), muito provavelmente já terá criado, ao nível astral, formas energéticas bem mais densas que as formas-pensamento iniciais, provenientes do acúmulo sucessivo de energias que desprendem de sua Aura e são moldadas pelos pensamentos negativos gerados por seu medos. Importante destacarmos ainda que quando essas formas-pensamento começam a se criar, principalmente nos momentos de crises iniciais ou não, elas já se tornam sinalizadores claros para entidades (espíritos e elementais ainda rudimentares) avisando-os de que "esse poderá ser um bom alvo" e, na medida em que forem se intensificando, mais claramente atraem esses tipos de entidades.

A Umbanda através dos trabalhos de Pretos Velhos e Caboclos, pode livrar o auto-obsedado de todas as influências EXTERNAS e, às vezes, quando na casa houver entidades ou encarnados preparadas para tal, fazer os aconselhamentos necessários para a também "auto-cura" que muitas vezes acontece apenas pelo fato do antes auto-obsedado passar a nutrir uma fé (confiança) bastante forte naqueles que o(a) ajudaram a sair do processo crítico em que se encontrava. Neste caso temos de considerar a chamada "cura pela fé" que, em síntese, faz com que o humano antes prejudicado, tendo encontrado alguém em quem possa confiar, abre-lhe os sentimentos e emoções, praticamente apoiando-se numa provável força de quem o(a) curou.

Enquanto sentir-se seguro pela "força das entidades" (ou até mesmo de uma divindade a quem tenha atribuído sua cura) estará, de certa forma, protegido(a). Em outras palavras, enquanto tiver FÉ em alguém (espírito ou divindade) e crer que esse "alguém" o amparará sempre que necessário for, sentir-se-á seguro(a) e não facilitará, nem mesmo recriando suas formas-pensamento negativas pois sua mente estará, por este tempo, convicta de que "nada de mal lhe pode acontecer".

Este comportamento (FÉ em alguém ou numa divindade) é válido e em muitas vezes consegue apresentar resultados importantes, desde que esta pessoa, ou entre para esse grupo que "a salvou" e deste modo refaça sua FÉ a cada dia, o que em síntese, obriga de certa forma, que a pessoa abrace a FÉ dos que a salvaram dos obsessores, comportamento este bastante estimulado em nosso dia a dia por diversas religiões e/ou seitas. Mas se por qualquer motivo esta FÉ for abalada, não tendo o antes SENSITIVO SOFREDOR recebido informações claras sobre seu processo de auto-cura, mais cedo ou mais tarde tudo começa de novo e, dependendo do dissabor que a tenha levado a afastar-se dessa FÉ, o processo pode se inicair imediatamente após o abandono.

Onde quero chegar?

Percebam que no tipo de "cura" acima citado, a pessoa, depois do descarrego, deve ter se sentido melhor e por isto acreditou ter sido totalmente curada, naquele momento, pela intercessão de, ou espíritos ou "deuses" e por isto passou a acreditar que, estando eles ao seu lado, nada de mal lhe aconteceria mais, o que a levou a sentir-se segura e com isto não mais gerar energias negativas que atraíssem mais negatividade além de mais encostos ou obsessores. Aliado a isto, irmanando-se a um grupo espiritual (ou mesmo igreja), acabou, mesmo que inconscientemente, se beneficiando das egrégoras que se criam nesses ambientes, só que ... não lhe tendo sido explicado que, embora tenha assumido comportamentos que a beneficiaram (fé, bons pensamentos, orações, etc) por todo este tempo, independentemente de estar no grupo ou não, sua CURA REAL estaria, verdadeiramente, amparada no fato dela não mais gerar energias propíciatórias a novos encostos e/ou obsessões, fato este que costuma mudar de rumo sempre que alguém se sente iludido(a) em sua crença, por qualquer motivo, principalmente se for do tipo que gosta de ser "o coitadinho".

Observemos que em grande parte das vezes, essa transferência de responsabilidade da cura (auto-cura nestes casos), faz com que o motivo de bem-estar pareça possível, SOMENTE pelo fato da pessoa estar frequentando este ou aquele grupamento religioso e muitos chegam a pensar que, se sairem dali, seus males podem voltar ...

E podem sim! Mas não porque lhes fizeram qualquer mal (como alguns costumam intuir) e sim porque, erradamente, não lhes informaram que suas MENTES sempre foram as culpadas pelos males por que passaram.

Não lhes informaram que, independentemente de estarem ligados a qualquer grupamento religioso, SUAS MENTES não deveriam mais propiciar estado de medos, angústias, inseguranças, pânico e que, estas sim, deveriam ser vigiadas diuturnamente e sempre que necessário, aparecendo qualquer sinal de estado depressivo, serem desviadas para MENTALIZAÇÕES (criações mentais) POSITIVAS que lhes fizessem gerar energias opostas ao negativismo atrativo de mais negativismo - o que fizeram, sempre inconscientemente, enquanto estavam ligados às crenças.

Resumindo: Ao creditarem suas "curas" APENAS a outros e não levando em conta seus esforços pessoais (ainda que inconscientes) em mudarem os rumos de suas vidas e de seus pensamentos, fatos esses que eliminaram suas fragilidades por algum tempo, caem em desânimo, chegam a estados depressivos e, consequentemente, a novas auto-obsessões assim que crêem terem perdido o pilar sustentador de suas fés e conseqüentes "curas"!

Já não viram isto em muitos que abandonaram suas crenças religiosas, fossem elas quais fossem?


PAZ, SAÚDE E HARMONIA em suas vidas!

Este texto já faz parte e estará no Volume III de UMBANDA SEM MEDO ainda não publicado.

Os Livros, Vol I e II em PDF podem ser baixados clicando-se nos links com seus nomes que estão sob título: LIVROS PARA DOWNLOAD (logo abaixo da figura, no alto e à esquerda) e seguindo-se os procedimentos naturais de download.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

ALGUNS COMENTÁRIOS E CONSIDERAÇÕES



Foram deveras interessantes as mais diversas reações relativas à postagem do questionário à Dona Lygia e tanto que, havendo antes resolvido não comentar, acabamos entregando os pontos e resolvendo abrir mais esta postagem tentando, talvez, fazer entender o que por si já está explicado, bastando para tal, que as leituras sejam feitas sem IDÉIAS PRECONCEBIDAS, como sempre indicamos que sejam.

É claro que uma grande maioria compreendeu bem a mensagem (graças a DEUS) e percebeu, não só a importância da matéria em si, como também a oportunidade que estavam tendo de conhecerem como a UMBANDA, anunciada como querem alguns, criada como querem outros, pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas foi determinada e é preservada pela família de Zélio de Moraes, independentemente de como ocorrem as demais. Agradecemos a todos os que assim entenderam.

Como mesmo com todas as explicações, ainda parecem ter permanecido dúvidas quanto a isto ou aquilo, vamos tentar dirimi-las na medida do possível, de antemão pedindo desculpas para os que, ainda assim, não conseguirem entender.

Abordemos como primeiro tema ORIXÁ MALET, que parece ter sido motivo de inúmeras incompreensões.

Interessantíssimo como o termo "orixá" adotado por uma entidade que era um ESPÍRITO e não um "ORIXÁ DE NAÇÃO" causou reações até esquisitas. Interessante porque existe um grupamento dentro das Umbandas que ainda acha que espírito (qualquer deles, seja na Umbanda, Quimbanda ou Kardecismo) não pode dar o nome que bem entender e acham, inclusive, que esse nome tem a ver com o nome real do espírito (na imensa maioria das vezes) ou o que teria tido quando em qualquer "vida" e que não sejam de grupamentos (falanges) que eles mesmos criam e com as quais trabalham.

Interessante porque ao lerem "Orixá Malet", talvez por escassos conhecimentos ainda, nem sabiam que a Linha de Malei, Malê ou mesmo Malet (apenas formas diferentes de escrever, mas a mesma linha) é de entidades sabidamente quimbandeiras (metá-exu, como dizemos) que, por isto mesmo encontram, quando trabalhando sob comando ou coordenação de não quimbandeiros, acesso, tanto aos Planos de Umbanda como de Quimbanda, exercendo funções de intermediários entre os dois planos, trabalho este que entidades não mais quimbandeiras já não fazem por não precisarem - uma questão de especialidade e não de demérito para uns ou outros. E mais interessante ainda quando se percebe que parecem desconhecer que os Exus da Lei de Umbanda - os espíritos das falanges de Exus já consagrados como tal (nem todos o são) - fazem hoje o mesmo tipo de trabalho que fazia Orixá Malet - intermediam ou "giram" nos dois planos executando seus trabalhos sob ordens e/ou coordenação de entidades maiores, porque se não for assim e eles exigirem ordens de comando total, aí a coisa pega. Volto a afirmar taxativamente, sem qualquer medo de poder estar errado: Terreiro que se diz de "Umbanda" e que é comandado por Exus ou outros quimbandeiros, não é de Umbanda e sim de Quimbanda, por mais que respeitemos esses auxiliares de valor. NADA CONTRA, desde que trabalhem para a CARIDADE, a não ser quanto às complicações de entendimento em relação a rituais e práticas que esses terreiros adotam como tônica de seus trabalhos que NÃO SÃO DE UMBANDA e que passam a ser entendidos como tal pelo fato de chamarem-se de "Umbandas".

Numa analogia até bem grosseira, mas explicativa, se uma Clínica for aberta e nela trabalharem açougueiros e não médicos cirurgiões especialistas, por mais que se digam Clínica de Cirurgia Plástica, não o serão. Podendo até virem a ser um dia, se esses açougueiros forem aprendendo com os especialistas e sob suas tutelas, porque se não for assim...

Estou desmerecendo o trabalho de um ou de outro? Não! Estou apenas colocando cada um em seu devido lugar, como também deve ser na Umbanda e Quimbanda - cada um em sua especialidade e trabalhando com os instrumentos e técnicas que conhecem e para os quais foram treinados!

Como bom quimbandeiro, Orixá Malet, com toda certeza, trazia em sua falange entidades ainda mais "densas", ESPECIALISTAS em travarem confrontos ou mesmo em se imiscuírem nesses planos e conseguirem, através disto, melhores resultados em trabalhos de demanda e magia, exatamente como nos diz Dona Lygia, o que, por si só, já explicaria o sarapatel para Ogum (pra quem conhece Umbanda e Quimbanda).

Ogum de Malei, Malê ou Malet que, como todos deveriam saber, é um tipo de linha, falange ou grupamento que recebe ofertas em ENCRUZILHADAS inclusive e principalmente, naquelas em que passam linhas de trem. Ou será que isto mudou? Ou será que isto não foi repassado aos mais novos?

Quanto ao fato ainda dele ter se apresentado como malaio e isto ter causado "estranheza" para alguns, para que se entenda é preciso que aprendam-se que no astral não existem FRONTEIRAS como aqui e o espírito que viveu na África, na Índia ou mesmo na China, pode atuar sobre médiuns aqui mesmo. Aliás, se houvessem fronteiras na espiritualidade, provavelmente os "orixás", voduns e inkices, todos africanos, também não aportariam por aqui ... ou só eles poderiam por serem africanos?

Será que pode haver algum tratado de exclusividade África/Brasil no Mundo Astral?

E lembremos ainda que, se levarmos em conta ter sido o Padre Malagrida na posição de um Caboclo quem anunciou Umbanda, este (Gabriel Malagrida) também não era nem africano e nem brasileiro. Será que isto muda alguma coisa?

Uma pessoa nos chegou e, com ar de "doutor", quis explicar que os malaios nem sequer eram chegados aos cultos africanos e tinham em maior parte, se não me engano, o islamismo como religião, por isso achava muito estranho...

Mas e daí? Quem foi que afirmou alguma vez que para trabalhar na Umbanda algum espírito tenha que ter tido relações com o africanismo? Onde isto está afirmado? Se fosse assim, ainda nos prendendo ao padre Gabriel Malagrida (Caboclo das Sete Encruzilhadas), teríamos que concluir que ele também não era "espírito umbandista" e nem poderia trabalhar na Umbanda que criou, anunciou ... e nem mesmo a imensa maioria dos Caboclos que nunca pisou ou ouviu sequer falar em África e seus cultos, pelo menos quando em vida.

Então, não percamos mais tempo com isso.

Houve também, como já era de se esperar, uma reação muito estranha em relação ao não uso de atabaques (e nem de palmas, como pude observar) nas giras da TENSP e alguns chegaram intuir (por conta própria, já que não existe nada no texto que isto afirme) que "suas umbandas", neste caso, não seriam então mais "umbandas".

Creio que é pura compreensão de cada um, em acordo com seus conceitos próprios e/ou adquiridos (e um pouco de indignação inútil), já que o fato de na Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas este instrumento não ser usado, nunca ter desmerecido quaisquer das outras Umbandas. Eu, pelo menos, não consigo ver assim. Talvez até visse se me sentisse agredido pela prática alheia de alguma forma, o que não aconteceu ou acontece em qualquer momento do questionário.

É interessante também observarmos um detalhe da resposta de Dona Lygia que TEM FUNDAMENTO, É VÁLIDO COMO OBSERVAÇÃO e percebe-se em quase todas as vertentes de quase todas as Umbandas : "Se houve mudanças em Tendas criadas por meu avô, isto não é de nossa alçada."

Quem acompanha alguns autores atuais sobre assuntos de Umbanda e sabe de suas procedências, percebe que, ainda que tenham sido "iniciados" por "este" ou "aquele", apresentam hoje teses, não só complementares como também totalmente díspares das que certamente receberam em vista de terem sido "iniciados" desta ou daquela maneira, a ponto de seus "iniciadores", com certeza e em sã consciência, não adotarem esses novos caminhos. Se as Tendas criadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas também adotaram novos rumos, práticas e técnicas, isto não constitui anomalia alguma e é quase regra geral.

Onde eu quero chegar? Simples: Não se conhece a nascente analisando-se apenas as águas de suas derivações! Espero que compreendam!

Um trecho que vale a pena comentar está em quando Dona Lygia nos responde sobre o possível reaparecimento do Caboclo das Sete Encruzilhadas (estamos falando aqui do mesmo espírito - Gabriel Malagrida - e não de um falangeiro com o mesmo nome ritual) em uma outra médium, com novas orientações sem que o mesmo sequer lhes tenha avisado sobre.

Uma certa pessoa afirmou ser muita pretensão e até uma tentativa de posse da entidade ao ler este trecho: "O Caboclo continua tendo o seu Centro, a TENSP, com excelentes médiuns incluindo a filha carnal de Zélio de Moraes, sem qualquer mudança nas suas diretrizes e práticas desde a sua criação. Assim sendo me causa certo estranhamento que ele possa ter escolhido um médium sem nenhum contato com esta casa para se manifestar. Além disso, segundo informações recebidas através de outras entidades que com ele trabalhavam na TENSP, o Chefe, após cumprir sua missão junto a Zélio de Moraes, já estaria em esferas ainda mais elevadas do astral superior, não mais realizando trabalhos em nosso plano."

Ou estava de brincadeira ou demonstrou muito pouco conhecimento sobre espíritos que se tornam "FAMILIARES" e seus cuidados para com essa "família".

Só sintetizando: Chico Xavier deixou uma "chave", uma senha com os seus, segundo eles mesmos, que o identificará em caso de sua aparição em algum outro lugar de forma que possam reconhecê-lo e, mesmo assim, sem o saberem, já houve quem tentasse dizer que o Chico estaria "baixando" por aí.

Compreenderam onde quero chegar? Já tem gente querendo as "glórias" de estar trabalhando com o bom velhinho e bem longe da família.

Na Umbanda temos o Ponto Riscado de uma entidade que é PARTICULAR e, como já expliquei, pode até sofrer algumas PEQUENAS modificações em casos de mudanças de médium e em relação à coroa, de formas e objetivos de trabalho, MAS NUNCA RADICALMENTE, porque se fosse assim, não haveria razão de ser como ELEMENTO IDENTIFICADOR - seriam apenas rabiscos transitórios.

Esta "CHAVE", esta "SENHA" tem que ser imutável e qualquer tentativa de "explicações" sobre mudanças radicais é totalmente infundada e segue uma tendência atual de se tentar justificar "mudanças" no que era obrigatório de uma forma e agora, só porque querem ou precisam, "pode ser de outra".

Não pode! E se "puder", NÃO É UMBANDA ou NÃO É O MESMO ESPÍRITO!

Não sei se já disse aqui ou foi objeto de debate, mas se não disse, aí vai.

A importância de um PONTO RISCADO é tanta no reconhecimento de uma entidade, que ATÉ A FORMA DE RISCAR (a ordem em que riscam cada elemento que o compõe - uns após outros) identifica ou não o verdadeiro dono do riscado.

Aprofundamentos sobre isto, se preciso forem, à parte. E se você ainda não atentou pra isso, comece agora, porque assim como existem na terra falsificadores de assinaturas, no Astral também os há!

Esperamos ter explicado um pouco mais, embora praticamente tudo o que está explicado agora estivesse implícito, nas entrelinhas, como bem gostam de nos ensinar nossos amigos lá do outro lado.

Que a PAZ DE OXALÁ nos equilibre, a todos, agora e sempre!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

ENTREVISTA COM DONA LYGIA CUNHA

UMA ENTREVISTA COM DONA LYGIA CUNHA, NETA DE ZÉLIO DE MORAES E RESPONSÁVEL PELA CONDUÇÃO DAS SESSÕES NA TENDA ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA PIEDADE




No final do ano de 2007, descobri, por pura sorte, o perfil de um rapaz chamado Marcelo, que vinha a ser filho de Dona Lygia, neto de Dona Zilméia e bisneto de nosso já conhecido Zélio Fernandino de Moraes, a quem coube, ainda que alguns rejeitem, a CRIAÇÃO DE UMA NOVA RELIGIÃO, através da entidade que se apresentou como CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, nos idos de 1908, como já é do conhecimento de todos os que já passaram por este Blog ou leram esta parte da história da UMBANDA em outros lugares.


De início confesso que fiquei meio tímido para contatá-lo, tanto que levei alguns dias pensando se deveria ou não, como seria recebido, se teria alguma resposta, embora achasse que deveria fazê-lo pois, "viajando" por Comunidades como Orkut, MSN e outras, pude perceber que ainda são muitas as dúvidas que existem, não só sobre a figura de Zélio, do Caboclo e principalmente do CULTO RELIGIOSO que este batizou de UMBANDA. Além disto ainda havia encontrado, nessas viagens, as informações mais disparatadas sobre certos rituais que alguns afirmavam, até com "certa certeza"(?), que existiam nas práticas das Tendas fundadas por Zélio e o Caboclo Das Sete Encruzilhadas, a quem passarei a chamar de "CHEFE", como carinhosamente até hoje ele é tratado pela família e por aqueles que com eles se alinham.


Pois bem. Tomei coragem e entrei em contato com o Marcelo que me respondeu até além de minha expectativa, fornecendo-me endereços e telefones que, é óbvio, não serão aqui divulgados, de forma que eu pudesse me contatar com sua mãe, Dona Lygia Cunha, o que fiz. E quando o fiz pela primeira vez, por telefone, ela deve se lembrar que cheguei a me espantar por ficar sabendo que a família residira por muitos anos em um prédio bem defronte ao que eu moro (local em que ela estava neste momento e se preparava para a última gira do ano que ocorreria dois dias após) e, por coisas que a vida não explica, eu nunca soubera.


Conversamos por um bom tempo, minha proposta de preparar este questionário que se segue foi muito bem aceito e cheguei a combinar de estar presente nessa próxima sessão - o que infelizmente, por motivos particulares, não me foi possível - ficando eu de enviar-lhe as perguntas por e-mail para que sobre elas refletisse e escolhesse sobre o que gostaria de escrever, acrescentar, modificar ou não, e tivesse tempo suficiente para até mesmo, em caso de necessidade, buscar subsídios junto a sua mãe, Dona Zilméia, sobre assuntos de que talvez não tivesse conhecimento - coisas que teriam acontecido quando ainda muito jovem e não tinha assumido seu cargo atual dentro da Tenda.


Com todas as suas ocupações de mãe, avó, dona de casa, da Tenda, etc., etc., Dona Lygia, pacientemente, nos forneceu respostas às principais perguntas que, de acordo com minhas "viagens" antes citadas, me pareciam necessárias para melhores informações, já que como vemos, muitos têm os acontecimentos de 15 e 16 de novembro de 1908 como marco inicial da Umbanda, mas mesmo entre esses, uma grande parte não sabe como foi ou é a Umbanda preconizada pelo CHEFE.

As perguntas e respostas que se seguem foram as que de mais importância via eu no momento, e as estou colocando da mesma maneira que foram e vieram, ou seja, SEM INTERPRETAÇÕES PESSOAIS MINHAS.


Peço a todos que tiverem acesso a este Blog que leiam, pensem, repensem, comparem com o que têm lido por aí, compreendam e divulguem o valor histórico deste testemunho, bem assim como sua seriedade e agradeço verdadeiramente à Dona Lygia, seu filho Marcelo e sua esposa Simone, Dona Zilméia e toda a família por tão bem terem recebido esta proposta.


QUESTIONÁRIO




PERGUNTA: Há pouco tempo em uma revista de Umbanda saiu uma reportagem na qual D. Zilméia teria dito que matavam um porco para Ogum uma vez por ano e que isso era feito desde os tempos do senhor Zélio. Por tudo que já conhecia da Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilahdas, sempre soube que sacrifícios animais eram proibidos pelo Caboclo . Como se explica então essa "imolação de um porco para Ogum" , se nem seria este o animal adequado, de acordo com os rituais afro?


OBS: Esse comentário deu origem a diversos debates em que os africanistas afirmavam que o Caboclo das Sete Encruzilhadas também fazia sacrifícios.


RESPOSTA: O ritual para elaboração da comida de Ogum foi trazido por Orixá Malet (uma das entidades que atuavam junto ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, também através de meu avô) que seria obrigatoriamente um sarapatel.
O sarapatel era feito com os miúdos de um porco castrado, por isso usava-se o animal c/ esta característica. Ele era morto por uma pessoa de fora do terreiro, fora da TENSP, habilitado e contratado p/tal. A carne era usada como alimento para qualquer refeição.
Isto seria sacrifício?
Hoje não mais existe esta contratação e a comida é feita, como para todos os orixás, compra-se os ingredientes nos mercados.
E quanto a sua dúvida, não ser o porco adequado nos rituais afro, nada sei, nós estamos falando da Umbanda do Caboclo.


NÃO FAZEMOS SACRIFÍCIOS, qualquer dúvida é só visitar-nos.


PERGUNTA: Sobre Exus: Como eram e são agora compreendidos os Exus na visão da Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas? Já trabalham com eles? O que os fez mudar, se assim procedem?
Pergunto isso porque há um texto na Internet em que o próprio Zélio explicava como o CHEFE e ele viam os Exus e o porquê de não trabalharem com eles.


RESPOSTA: Os Exus eram e são compreendidos da mesma forma, desde a fundação da TENSP, não houve qualquer mudança. Não há sessões de Exus. Continuam sendo, como dizia o Caboclo, os soldados, os trabalhadores do nosso Terreiro, são chamados somente quando necessário, normalmente nas descargas ou em outros trabalhos de defesa contra a magia.


PERGUNTA: Iniciei em um Centro Espírita que, embora kardecista em sua raiz, tinha sessões de umbanda mesa branca e que dizia seguirem a Umbanda preconizada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Nesse Centro não havia velas, atabaques, fumo ou Congá. Era assim na TENSP? O que mudou desde então para vocês que estão mais próximos da Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas?

RESPOSTA: A TENSP sempre trabalhou com velas, pemba, ponteiros, fumo, defumadores, temos gongá, que nada mais é que um altar c/ imagens de santos, nunca usamos atabaques. Trabalha-se também com pontos firmados que são usados nas sessões e os pontos cantados, sem qualquer acompanhamento instrumental, só voz. Para o nosso entender nada mudou na TENSP. Se houve mudanças em Tendas criadas por meu avô, isto não é de nossa alçada. Nós continuamos fiéis aos ensinamentos e preceitos do Chefe (como também chamamos o Caboclo das Sete Encruzilhadas) e esta será sempre a nossa luta.




PERGUNTA: Como é feita a iniciação de médiuns na Tenda? Quando eles são considerados prontos?

RESPOSTA: Existem na TENSP as chamadas Sessões de Desenvolvimento sob a responsabilidade de um Babá da casa, ajudado por outros médiuns antigos. As sessões dividem-se em duas partes, uma teórica e outra prática, na qual a incorporação dos médiuns em desenvolvimento é trabalhada. Após algum tempo participando desses trabalhos são considerados semi-prontos pela indicação do Guia Chefe. Após esta indicação, deverão ser burilados nas Sessões de Caridade, muitas vezes trabalhando como médiuns de atração, até receberem ordem p/ trabalharem na casa, dando passes.

Não há tempo marcado e cada um tem o seu tempo p/desempenhar tal tarefa.






PERGUNTA: Tendo a Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas tomado como ponto de partida os ensinamentos kardecistas, eu perguntaria em que momento as oferendas e/ou obrigações com comidas ou de outro qualquer tipo começaram a fazer parte dos rituais?

RESPOSTA: Apesar da primeira manifestação pública do Caboclo da Sete Encruzilhadas ter se dado na Sede da Federação Espírita de Niterói, as práticas da Umbanda não partiram de ensinamentos kardecistas, até porque os kardecistas de então, rejeitavam as manifestações de pretos velhos e caboclos por considerarem "espíritos pouco evoluídos". Aliás, o próprio Caboclo foi convidado a deixar o recinto na ocasião de sua incorporação. Não quero dizer com isto que rejeitemos os ensinamentos de Kardec. Os usamos para entender as questões relacionadas aos processos de evolução espiritual, reencarnação, etc. ... e temos profundo respeito pelas práticas dos kardecistas.
Nossas práticas partiram dos ensinamentos que foram trazidos pelo próprio Chefe, por Pai Antonio e posteriormente por Orixá Malet (entidades recebidas por meu avô).

E quanto a sua pergunta sobre oferendas, etc. ..., foi a partir da chegada do Orixá Malet (segundo informações da minha mãe ).

PERGUNTA: Orixá Malê - Vocês devem ter tido bastante contato com essa entidade. Poderiam me responder se era uma entidade ligada ao africanismo? Seria ele um desses que se acostumou a chamar de "capangueiro de orixá"? Ou apenas uma entidade da linha de Ogum Malê? Ele era um espírito (que tivesse vivido antes na terra) ou um elemental/orixá como compreendem os ritos de candomblé?

RESPOSTA: Eu infelizmente não tive muito contato com Orixá Malet, pois era muito jovem e não freqüentava assiduamente as suas sessões, os seus trabalhos.
Orixá Malet não era ligado ao africanismo, nem "capangueiro de orixá", como você questiona. Ele era malaio e se apresentou com este nome, foi o guia que veio p/ resolver "as demandas" do Centro e da própria Umbanda em seu nascedouro. Falava pouco e sua comunicação se dava predominantemente por gestos, era bastante rápido e exigente nas suas ações e nos trabalhos que realizava. Como se apresentava como malaio e pelas descrições de sua aparência, acredito que tenha tido uma existência terrena como o Chefe e Pai Antônio.

PERGUNTA: O que vocês teriam a dizer dessas falanges que estão aparecendo na Umbanda como: Ciganos, Malandros, Boiadeiros, Lixeiros, Mendigos, Caipiras ...?

RESPOSTA: Sobre as falanges que você pergunta:
Ciganos, malandros e boiadeiros------- temos conhecimento.
Lixeiros, mendigos e caipiras----------- nunca ouvi falar, nada sei sobre elas.

Na TENSP não trabalhamos com nenhuma delas, embora eventualmente alguma entidade possa se manifestar c/ trejeitos típicos de malandros e também com movimentos de um boiadeiro.

PERGUNTA: Qual a opinião de vocês quanto ao uso de paramentos, vestimentas que caracterizam certas entidades (boiadeiros, exus, caboclos), como cocares, chapéus de couro, chicotes, laços e outros dentro dos rituais de Umbanda?

RESPOSTA: Esta Umbanda com paramentos não conheço, não usamos e particularmente não vejo necessidade de roupas, adereços ou qualquer tipo de fantasias.


PERGUNTA: Qual a opinião atual de vocês sobre as vestimentas que devem usar os médiuns para trabalhos dentro da Umbanda? O que mudou desde o CDSE para cá?

RESPOSTA: A nossa Umbanda continuará a usar um uniforme simples, como é desde a sua fundação. Para as mulheres um vestido branco c/ comprimento normal complementado com um calção por baixo até o joelho e, os homens calça comprida branca e camisa branca. Por praticidade esta camisa vem sendo substituída por um jaleco branco simples.

Trabalhamos descalço. Os médiuns usam uma fita vermelha na cintura e os cambonos uma fita verde.







PERGUNTA: O Ponto riscado do Caboclo das Sete Encruzilhadas é uma encruzilhada encimado por um coração transpassado por uma flecha?
Mais algum detalhe?


RESPOSTA: O ponto riscado do Caboclo é um coração transpassado por uma flecha somente.

PERGUNTA: Qual a opinião de vocês sobre essa volta do CDSE anunciada pela médium Adriana Berlinsky que escreveu recentemente dois livros aos quais ainda não tive acesso, que teriam sido psicografados pelo CHEFE?

RESPOSTA: O Caboclo continua tendo o seu Centro, a TENSP, com excelentes médiuns incluindo a filha carnal de Zélio de Moraes, sem qualquer mudança nas suas diretrizes e práticas desde a sua criação. Assim sendo me causa certo estranhamento que ele possa ter escolhido um médium sem nenhum contato com esta casa para se manifestar. Além disso, segundo informações recebidas através de outras entidades que com ele trabalhavam na TENSP, o Chefe, após cumprir sua missão junto a Zélio de Moraes, já estaria em esferas ainda mais elevadas do astral superior, não mais realizando trabalhos em nosso plano.

PERGUNTA: Após o falecimento de Zélio, já tiveram alguma notícia dele, do Caboclo das Sete Encruzilhadas ou de Pai Antônio, ou de qualquer outra entidade que com ele trabalhasse?


RESPOSTA: Sim, o meu avô já esteve conosco, a sua última mensagem foi em novembro de 2007 na abertura da Sessão do Amaci.
O Caboclo aparece para nós, em momentos muito especiais em nosso Terreiro e os médiuns videntes percebem sua presença manifestada na forma de um clarão de luz azul. Os seus recados são trazidos através de caboclos e/ou pretos em algumas ocasiões.
Pai Antônio já incorporou algumas vezes com minha mãe, também em nossas sessões, trazendo muita alegria e uma imensa saudade.


PERGUNTA: Há pouco tempo tive a oportunidade de ler em uma certa Comunidade do Orkut que talvez lhes interessasse (aos membros dessa comunidade) comprar a casa onde morou o Sr. Zélio, em Neves, para que ali fosse criado uma espécie de marco do início da Umbanda, mas que alguém que teria ido ao local teria se deparado com uma pessoa que, embora da família, seria evangélica e nada interessada em Umbanda ou qualquer coisa parecida. Vocês têm conhecimento desses fatos (da possível compra e da pessoa que lá reside)?


RESPOSTA: Freqüenta hoje o terreiro da TENSP uma das pessoas da comitiva que esteve em visita a casa. Existia sim esta idéia, mas não sei como surgiu. A pessoa que os recebeu é católica (sic) e não evangélica e é bisneta da tia Zilka (única irmã de meu avô). São os atuais moradores da casa, seus pais e irmãos.
O meu avô nunca foi favorável a qualquer culto a sua personalidade ou a valorização de algo material ligado a Umbanda, como um imóvel, por mais importante que seja para a nossa história.
Assim sendo nos arrepia a idéia de um "Museu da Umbanda" ou coisa parecida, com fotos, objetos de meu avô ou algo similar. Uma "casa de Umbanda" só tem sentido para nós se for para a prática da caridade e para isto, como diria o Chefe, basta a copa de uma árvore.


PERGUNTA: A que fatos ou interpretações vocês atribuem essa diferenciação tão grande de Umbandas hoje existentes e a essas afirmações de que: "Já existia Umbanda antes do Caboclo das Sete Encruzilhadas e que ele não teria criado a Umbanda e sim anunciado ou mesmo, como afirmam outros, socializado?".


RESPOSTA: Em relação às diferenças acredito no lema "cada cabeça uma sentença". A Umbanda não é dogmática porque o Chefe assim o quis. Não foi criada uma doutrina, talvez para permitir que aquele que seja dotado de mediunidade e afeito aos seus ideais possa se tornar um trabalhador de suas causas. A coisa mais importante é que paute suas práticas na humildade, no amor e na caridade.
Nós na TENSP procuramos manter as práticas como nos foram ensinadas pelas entidades recebidas por meu avô. Para cada uma delas existe uma razão, uma justificativa nem sempre muito clara.
Procuramos ser um esteio do que foi preconizado por estas entidades, entretanto sem termos a pretensão de sermos melhores que quaisquer outros.
Quanto a existência da Umbanda antes do Caboclo, só podemos falar por aquilo que está na nossa história e o que nos foi ensinado: A Umbanda é uma religião brasileira que incorpora elementos de todos os povos constituintes de nossa nação, especialmente do índio, do negro e do branco europeu, nascida por ordem do astral superior, através do Caboclo das Sete Encruzilhadas voltada principalmente para a prática da caridade. Seu nascimento se deu em São Gonçalo – RJ em 15 de novembro de 1908 no bairro de Neves.





PERGUNTA: Que tipo de mensagem vocês gostariam de deixar para os Umbandistas de todas as vertentes atuais?


RESPOSTA: Importante é que tenham pureza em seus corações. A fé é a maior alavanca. A Umbanda para nós sempre será baseada na simplicidade, no amor, na caridade e principalmente na humildade. Nunca se afastem desses ensinamentos.



Façam sempre suas orações pedindo orientação aos mestres espirituais.



Salve Oxalá e que Ele os abençoe.
Lygia Cunha





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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:



1- Todo este texto, após montado, foi remetido para Dona Lygia para que tivesse sua aprovação e recebesse qualquer emenda que bem achasse necessária.


2- As fotos que acompanham a matéria (algumas das muitas que foram enviadas à família) foram feitas em 26/04/2008, durante a Sessão em homenagem a Ogum e com permissão de Dona Lygia por quem fui muito bem recebido.

3- Que se observem, através das fotos, o tipo de indumentária utilizada pelos médiuns, bem como a ausência de atabaques no recinto do terreiro, o que desmente peremptoriamente muitos dos comentários expostos em mídias.

4- Como fiquei sabendo lá mesmo, em breve a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade terá seu Site na Internet e, assim que ficarmos sabendo o endereço, ele será aqui exibido.

Que OXALÁ NOS ABENÇOE E ILUMINE A TODOS, são também meus sinceros votos !
AINDA SOBRE A TENDA ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA PIEDADE, O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS E UMBANDA SIGAM LINKS ABAIXO:
E UM BOM TEMA PARA PESQUISAS
BOA LEITURA A TODOS!!

quarta-feira, 19 de março de 2008

FATOS INTERESSSANTES DE SEREM ABORDADOS

Estávamos a pensar noutro dia sobre algumas perguntas que recebo em relação a quais seriam os orixás que se cultua na Umbanda, assunto em que normalmente evito tocar, já que há Umbandas e Umbandas, todas com diferentes formas de entender e absorver ensinamentos que lhes chegam das mais variadas formas. No entanto, fazendo uma análise "fria e crua" do que vemos neste sentido, não só agora, mas desde há muitos anos atrás, também eu acabo ficando confuso (se me deixar levar pelas crenças) no meio de tantas afirmações "consistentes" de que a Umbanda tem que reverenciar este, esta, aquele, aquela e também aqueles outros orixás ... Isto confunde. Isto deixa qualquer neófito que resolva pesquisar, meio que "de orelha em pé", tal é a variação de "orixás" que se sugere às vezes, e se impõem outras vezes.

Encontramos Umbanda com 14 "orixás", com 16 "orixás" e às vezes até mais quando resolvem incluir mais alguns Inkices, Voduns, além dos "Orixás" que são Nagôs, mesmo sabendo que desde sua CRIAÇÃO ou ANUNCIAÇÃO o número 7 (sete) foi eleito como base para AS SETE LINHAS DE TRABALHO e não para SETE ORIXÁS ou DIVINDADES, embora esta terminologia ("orixá") tenha se infiltrado fortemente na crença umbandista posteriormente, principalmente com o advento do "VAI LÁ "FAZER CABEÇA" E VOLTA PRA TOCAR UMBANDA", como já dissemos em outras postagens. O pior é que mesmo estes que diziam ter ido "fazer cabeça", em sua maioria, o máximo que faziam era um BORI, porque para se "fazer cabeça" mesmo e receber ordem de chefia com o DEKÁ, teriam que passar pela obrigação de SETE ANOS de "feitura".

Mas qual ... foram instruídos de que bastaria se recolherem e colocarem um Oxu em seus camatuês que a "firmeza" estava pronta e já eram "pais di santu" ...

O fato é que com essas "idas e vindas", conceitos e mais conceitos sobre orixás, principalmente baseados em ITANS (LENDAS), foram introduzidos em muitas umbandas que acabaram por trocarem as LINHAS DE TRABALHO por ORIXÁS de Linha Nagô, resultando numa imensa confusão e até mesmo contradições quando se tenta saber "quem são os orixás da Umbanda"! Por causa disto vemos alguns afirmarem que cultuam em sua Umbandas "orixás" como Ewá, Tempo, Ossanhe, Oranian, Logun Edé, Wungi, Matamba, e até Egunitá que deixou até de ser qualidade ou espécie de Oiá pra virar "orixá" ... e por aí vai.

Sei que este é mais um tema crítico e por isso mesmo vou tentar encaminhá-lo da maneira mais serena possível.

Em primeiro lugar os Itans que tentam justificar ou explicar ou mesmo divinizar ex- heróis como "orixás", nada mais são que parábolas criadas pelos africanos e acredito que até mesmo já aqui no Brasil onde ouve a maior miscigenação com conseqüente mistura das crenças que vieram a compor os Candomblés, sendo que as de uns grupamentos afro eram absorvidas por outros, bem assim como suas divindades. Tanto é assim que Omolu/Obaluiaê e Nanã, de Nação Jêje (pra não falar de outros mais), nem eram divindades Nagôs, mas acabaram sendo também cultuados por eles e adquiriram aqui, Itans que os relacionavam com Orixás, o que, se pensarmos bem, não deveria ter acontecido.

Numa analogia para se entender porque não deveria ter acontecido, observemos que, por serem originários de outra Nação que não a Yorubá, juntá-los numa mesma crença seria mais ou menos como juntar Deuses Egípcios com Deuses Gregos e criar lendas para que PARECESSE que sempre estiveram em contato. E antes que alguém me venha falar de Gregos e Romanos, repare que neste caso os Deuses foram sincretizados e não existe, pelo que sei, nenhuma lenda em que Zeus interaja com Jupiter ou Aires (ou Ares) com Marte, ou seja, não existem lendas em que, os Deuses gregos interajam com Deuses Romanos - cada um de sua Nação tem suas próprias lendas.

Fato é que, com fins de adaptações e não perda de certos "poderes" que esses "orixás" teriam, foram feitas adições ao panteão e os Candomblés (tão brasileiros quanto a Umbanda), escolheram entre um número que ainda não se sabe bem ao certo (alguns falam de 400 e outros de mais de mil) de inkices, vodunces e orixás, os que deveriam aqui ser cultuados. E todos receberam essa nomenclatura - "orixás" - em número de 16 para os que se dizem de raiz Nagô.

Revendo então: Umbanda com suas SETE LINHAS e Candomblé com seus 16 "ORIXÁS"!

Aí é que começa toda a trapalhada porque as SETE LINHAS receberam nomes dos patronos (orixás E santos) numa clara demonstração, desde o início, de que nela haveria influências, tanto católicas quanto afro, mas com filosofia claramente espírita, inclusive com indicações claras, por parte do CDSE, para que os livros de Allan Kardec fossem lidos e tidos, desta forma, como base.
Aí danou-se! Parece que o CDSE já fez isto pra confundir mesmo!

Fato é, no entanto, que desde os primeiros passos da Umbanda, já se tentava codificar algumas coisas, o que, pelo que vemos hoje, não foi possível, exatamente porque nem à época e nem mesmo hoje, tenha-se conseguido irmanar cultos e religiões, ainda que uns usem ritualísticas, conceitos e até mesmo filosofias de outros, já que o ser humano, este "ser perfeito"(?), basicamente não admite que "sujem" suas crenças que normalmente tomam como "verdades indiscutíveis". Desse modo, mesmo tendo a Umbanda se utilizado de nomes africanos EEEE católicos para designar suas Linhas de Trabalho, também não consegue fazer entender a seus adeptos, tanto os mais europeizados (ditos cristãos), quanto os mais africanizados, que as Linhas de Santo/Orixá preconizadas pelo CDSE, não eram necessariamente nem Culto a Santo e nem Culto a Orixás e provavelmente foram adotadas em função do que mais se conhecia na época ligado a religiões e, principalmente, que essas LINHAS, seriam como por exemplo, divisões, setores ou grupamentos de espíritos, que viriam e trabalhariam, cada um com seus estilos e técnicas, em prol do que sempre foi objetivo desta Umbanda - CARIDADE ATRAVÉS DOS ESPÍRITOS.

Repare você que nos lê, que a figuras principais na Umbanda são OS ESPÍRITOS - gente que já viveu antes na Terra.

Fiquei pensando também, se do meio de todo esse povo que praticava Umbanda "nas antigas", além dos que foram FAZER SACERDÓCIO NOS CANDOMBLÉS, tivesse havido os que fossem se CONSAGRAR PADRES, seguindo a idéia de que a Umbanda, "por ser cristã e adotar os Santos Católicos", deveria ter sacerdotes deste naipe também, na mesma linha de pensamento dos que pensaram que, "por ser a Umbanda Africana e adotar orixás", teriam que bater cabeça nos Candomblés. Já pensou no que isso iria dar?

Voltando às tentativas de codificação, vimos que desde o início tivemos o já conhecido Leal de Souza que, tentando estipular quais seriam as Linhas de Trabalho da Umbanda, determinou-as assim: OXALÁ (Nosso Senhor do Bonfim), OGUM (São Jorge), EUXOCE/Oxossi (São Sebastião), SHANGÔ/Xangô (São Jerônimo), NHAN-SHAN /Iansã (Santa Bárbara), YEMANJÁ (Nossa Senhora da Conceição) e ALMAS.

Depois dele tivemos vários outros autores que tiraram as Almas de lado e colocaram Oxum, mais alguns que inseriram Ibejis, mais alguns que arrumaram um lugarzinho para Omolu que acabou dando entrada para Obaluaiê, mas antes ainda coroaram Nanã como sendo Santa Ana ... A partir daí abriram-se as portas e cada um elegeu seus orixás preferidos e passou a cultuá-los, esquecendo-se totalmente DAS SETE LINHAS DE UMBANDA. E mesmo cantando pontos de abertura como o que vem abaixo, esqueceram-se de observar que suas Umbandas JÁ NÃO TINHAM MAIS SETE LINHAS.

Quem está de ronda é Ogum, Megê
Quem rola pedra é Xangô, Kaô
Quem está nas matas é Oxossi, é!
E, é, é, Oxalá que é meu senhor.
SETE LINHAS DE UMBANDA
SETE LINHAS E ORIXÁS
Iansã na cachoeira, Yemanjá no alto mar
As crianças quando descem, vêm aqui pra saravá
Preto Velho quando arria, ele vem descarregar.

- "Pô, Claudio, aí "babou"! - diriam alguns - porque eu contei 8 citações neste ponto aí" ...

É, mas não "babou" não, porque as crianças são falanges de espíritos e não especificamente Linhas de Trabalho (se fossem estariam sempre presentes, atendendo aos necessitados, como fazem Caboclo e Pretos Velhos de diversas LINHAS) que sempre estiveram presentes em todas as Linhas, desde Oxalá até Exu, muito depois, quando começaram a adentrar aos terreiros de Umbanda, como já disse antes, apresentando-se como Linhas de Trabalho e não mais como apenas auxiliares/quimbandeiros. E Pretos Velhos eram separados e considerados LINHA DAS ALMAS - o que foi aproveitado, depois, para que inserissem Omolu, como o Senhor das Almas e responsável por todas as falanges de Pretos Velhos, numa adaptação de LINHA para ORIXÁ (que no caso deveria ser VODUN e não ORIXÁ).

Pode recontar agora que vai cair exatamente nas sete Linhas propostas por Leal de Souza.

Hoje sabemos que nossos Pretos Velhos não integram somente a Linha das Almas e podem vir por qualquer outra dessas Linhas de Trabalho que antes eram dominadas apenas por CABOCLOS e CABOCLAS. Mas que todos têm um pezinho nas Almas, lá isso têm!

Mas Oxum, Claudio? Como é que fica? E Nanã? E Obaluaiê? E Omolu? E ... ?

Pois é! Aí começamos a entrar pelo universo das inserções e começando a fazer da Umbanda Original um cabide de "Orixás", a ponto de jurarem que também Ossanhe, Ewá, Tempo, Logun Edé, Oxumaré, etc, fazem parte do panteão Umbandista. Neste ponto entramos fundo na UMBANDOMBLÉ que muitos até atacam, esquecendo-se de que estão nela inseridos, não só por adotarem panteões parecidos com os dos Candomblés, como também práticas ritualísticas de iniciação semelhantes.

Gente! Vamos pensar? Vamos parar para olhar mais para nós mesmos, nos corrigir e deixarmos de ver tão bem os possíveis defeitos, apenas dos outros?

Com todas essas inserções, dá pra se discutir Orixás, Santos ou Linhas de Trabalho?

-"Mas Claudio, eu não sigo essas Linhas de Trabalho e considero "Orixás" como parte importante da "minha Umbanda". Você está querendo dizer que eu não faço Umbanda"?

Aí é que está. Se você adota o culto e crença nos orixás africanos, é um direito seu, embora deva ficar ciente de que, como eu disse na postagem anterior, Orixá Africano tem formas bastante definidas para seus cultos que, muitas vezes, contrariam fundamentos da Umbanda original. Eu perguntaria antes de responder: Você sabe mesmo cultuar um Ogum africano? Você sabe mesmo cultuar um Oxossi africano? Você sabe mesmo cultuar um Logun Edé, um Ossanhe, Obá, etc?

Se sua resposta for sim, com toda a convicção, então não vejo mal algum de você levar sua fé por esses caminhos desde que se lembre sempre do objetivo principal da Umbanda: TRABALHOS COM ESPÍRITOS (ex-encarnados) PARA A CARIDADE! Porque se sua "umbanda" se voltar para fazer apenas CULTOS A "ORIXÁS", esquecendo-se que quem trabalha mesmo na Umbanda são ESPÍRITOS (e não Orixás) e para a CARIDADE ... aí deixou de ser UMBANDA.

Gostaria de reforçar aqui uma tese através da qual essa adoções de conceitos e práticas, seja de que religião ou filosofia forem, bem assim como estudos mais aprofundados sobre a mediunidade e suas formas de utilização, além da tão conhecida incorporação e seus consequentes usos, com a finalidade de facilitar o alcance dos objetivos propostos pela Umbanda, a meu ver deveriam ser muito bem vistos pela maioria dos Umbandistas, levando-se em conta, é claro, que tanto as práticas e técnicas ortodoxas, quanto as mais recentemente criadas em função de novas pesquisas no campo mediúnico, estejam dentro de conceitos aceitáveis e "testáveis" e, principalmente, que não firam ou deturpem a ortodoxia das crenças adotadas ou não se mostrem contraditórias em si, como no caso de alguns "ensinamentos" que hoje correm a "vento solto" como "verdades".

Mais do que nunca é necessário que se RACIOCINE, antes de ir aceitando quaisquer "novos rumos" para a Umbanda ou mesmo outras religiões, até porque, o que existe de espíritos querendo se mostrar, de lá pra cá, é uma enormidade e se um crivo honesto e radical não lhes for aplicado, veremos (como já vemos) muita gente "comendo gatos por lebres".

O que eu quero dizer com isso?

Que se você não tem vidência ou sensibilidade suficiente e aceitar uma entidade como " o Espírito Santo", por exemplo, só por assim querer crer, assim ela vai se apresentar;
Se como "Orixá", assim ela vai se apresentar;
Se como divindade egípcia, idem;
Se como a própria deusa Lua, idem.

Cuidado, irmãos:
Com o ANIMISMO;
Com as ILUSÕES e FANTASIAS;
Com as criações e alimentações de ELEMENTAIS ARTIFICIAIS;
Com as CRENÇAS CEGAS;
Com as MISTIFICAÇÕES DE ESPÍRITOS e ELEMENTAIS;

O trato com entidades (espíritos e elementais) do Astral, seja pela Umbanda, Kardecismo, Candomblé e outros é coisa séria para gente MUITO SÉRIA, porque, mesmo com boas intenções, estamos vulneráveis a presenças não indicadas, principalmente se nos deixarmos levar pelos "EFEITOS ESPECIAIS" neste blog já citados.

Quando começam a aparecer as doenças curáveis e até incuráveis, os atrasos de vida em geral, os conflitos em família e outros entraves, está na hora de repensar sobre quem ou o que está realmente ao nosso lado nos orientando, como pensamos, ou sobre o que podemos estar fazendo de errado, barrando com isso, a influência de VERDADEIROS GUIAS ESPIRITUAIS - os que podem realmente nos conduzir por caminhos evolutivos, SEM PREJUÍZOS DE NOSSA VIDA MATERIAL.

Que OXALÁ ilumine, hoje e sempre, seus caminhos!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

IMOLAÇÃO NA UMBANDA?

Volta e meia nos deparamos com aquela velha ladainha de que a Umbanda é africana, tem raízes africanas e cultua orixás (que também são africanos) e ainda mais: por cultuar "orixás" tem o direito (ou seria dever?) de imolar animais de 2 ou 4 patas em louvor a estes. É claro que essas afirmativas nos são apresentadas por pessoas, ou que praticam o africanismo (candomblés, umbandomblés) ou que deles são simpatizantes, e mesmo os que nada entendam do que pretendem pregar, mas acham tudo um fascínio e pretendem justificar imolações como um Culto à Natureza Divina dos "Orixás".

Se eu tiver que voltar ao assunto "Umbanda no Brasil e sua Criação pelo CDSE" a leitura vai ficar enfadonha, mas quem nos acompanha já percebeu pelo menos alguns pontos básicos:

1- A UMBANDA ORIGINAL foi criada e fundamentada em bases cristãs e espíritas com alguma conotação africana relativa tão e somente ao nome DAS LINHAS DE TRABALHO que tiveram como PATRONOS, nomes de alguns "Orixás"assemelhados imediatamente a Santos Católicos;

2- Que mesmo tendo sido usados nomes de alguns "Orixás Nagôs" como PATRONOS das Linhas de Trabalho, não existia qualquer tipo de CULTO A ORIXÁS determinado pelo CDSE;

3- Que essa correlação primeira que o Caboclo fazia entre "Orixás" e "Santos", provavelmente tinha como objetivo criar uma espécie de ponte entre duas religiões totalmente distintas mas que poderiam, ao longo do tempo, tornarem-se irmãs, além do fato claro de que naquela ocasião, tudo o que não fosse cristão (como o espiritismo de Kardec, por exemplo) era perseguido política e policialmente. Inclusive o fato que levou o Caboclo a batizar suas primeiras tendas de TENDAS ESPÍRITAS e não de TENDAS UMBANDISTAS (observaram isto?), se prendia ao fato do Espiritismo não ser tão perseguido (tinha até Federação - FEB) e depois, durante a ditadura Vargas, isto SER OBRIGATÓRIO, sendo o Espiritismo, que era Cristão, até apreciado por Vargas, segundo o que se conta.

4- Que desde o início qualquer tipo de sacrifício animal era combatido pelo CDSE e seus seguidores de UMBANDA;

5- Que como já afirmamos antes, após a divulgação do nome UMBANDA, seu fortalecimento através da Federação (1936), do primeiro Congresso (1941), ou até antes, muitos foram os cultos que se rotularam como tal, possivelmente até mesmo para escaparem da perseguição policial que invadia terreiros e casas de cultos, animalescamente, como estão tentando fazer ainda hoje alguns fanáticos pseudo cristãos, acontecendo no entanto, que mesmo se rotulando como de Umbanda, permaneciam nas práticas africanistas e até mesmo outras (sei lá) que nada tinham a ver com o que foi determinado pelo CDSE.

Foi bem a partir desta auto-rotulação, que começaram a acontecer o que hoje chamamos as "diversidades umbandistas". Não que a Umbanda Original permitisse tantas, pelo que já se pôde ler aqui, mas como se proliferaram os "CULTOS UMBANDISTAS POR AUTO-ROTULAÇÃO", todos acabaram sendo reconhecidos como Umbanda - é aquele fato de que se repetirmos e repetirmos, quase tudo acaba virando "verdade".

No meio destes "cultos umbandistas" (as macumbas) existiam (e ainda existem) aqueles fortemente africanizados que não pretendiam deixar suas raízes culturais e seus Cultos a "Orixás" da forma que aprenderam e sempre cultuaram. Esse fato, se não me engano, foi um dos que induziu o famoso Tata ti inkice, senhor Tancredo da Siva Pinto a trazer para o Brasil, como dizem, o Culto Omolocô que em sua base já era um culto onde havia trabalhos com entidades ditas de Umbanda (Caboclos, Pretos Velhos) e Culto aos Orixás através dos rituais ensinados pelos africanos, com direito a imolações, borís, feituras, etc. - provavelmente o primeiro Umbandomblé oficial verdadeiro no Brasil.

Nos dias de hoje, até mesmo o Omolocô Original sofreu tantas modificações, tanto em seus rituais como em sua filosofia, que já vemos alguns Terreiros ditos de Omolocô até mesmo meio "esoterizados", com culto aos elementais e mais alguns que se rotulam de Umbanda Omolocô - isto não é uma depreciação e sim uma constatação, já que em minha opinião pessoal seria até melhor que todos os tipos de culto de raizes afro que se rotulassem Umbanda, deveriam se rotular também com suas raízes (Umbanda Omolocô, Umbanda Jêje, Angola, etc.) evitando essa generalização que confunde a maior parte, tanto de iniciantes como de antigos.

Por que disso?

Porque está exatamente aí a confusão que se faz quando se diz que em UMBANDA (generalizando) existe imolação de animais. É devido a essa generalização aplicada ao vocábulo UMBANDA que acontece essa confusão, e para que não aconteça para quem nos lê, vamos deixar bem claro que em UMBANDA NÃO AFRICANIZADA (acho que fica melhor assim) NÃO EXISTE IMOLAÇÃO DE QUALQUER TIPO DE ANIMAL, seja para trabalhos de demanda, de saúde ou outros quaisquer, principalmente para Culto a "Orixás" ou Feituras que também não existem nessas Umbandas.


Quando você encontrar uma "Umbanda" em que o elemento sangue (ejé, menga) por imolação esteja presente em qualquer um de seus rituais, pode ter certeza de que você estará de frente para uma Umbanda Africanizada ou Umbandomblé com raíz em alguma "Nação Afro" ou até mesmo uma Quimbanda auto-rotulada de Umbanda.

E por que não se usa imolação nas outras Umbandas?

Em primeiro lugar, exatamente pelo fato delas não seguirem tradições dos cultos afro e se adaptarem mais a outras filosofias e técnicas de trabalho em que o ejé e a energia contida nas vísceras deixam de ser necessários.

Em segundo lugar, porque, mesmo que alguns creiam assim, não cultuam "ORIXÁS NAGÔS OU VODUNS JÊJES" que têm suas formas de serem cultuadas bem definidas pelos africanos e sempre ou quase sempre com a presença do ejé. Neste caso, para que cultuassem Orixás Nagôs ou os Voduns Jêje teriam, obrigatoriamente, que fazê-lo como o fazem os africanistas, ou será que podemos acreditar que cultuamos um Ogum Nagô sem lhe oferecer sangue no seu assentamento?

Será que ele (o Ogum Nagô) entende que o umbandista é diferente e por isso passa a aceitar assentamentos ou firmezas sem sangue? Só com flores e velas? Perfumes? Seria muito estranho, não?
Vamos raciocinar?

A respeito disso, li um comentário sobre o Jeová Bíblico que era um adorador de ejé da melhor qualidade, para o qual se matava não UM animal, mas DEZENAS de cada vez, sendo inclusive a bíblia, (Antigo Testamento) um almanaque em que até o ritual de imolação nos é ensinado.


Dizía-nos o postulante, tentando nos fazer crer que seria possível cultuar os mesmos "orixás" mas sem sangue na Umbanda, que o Jeová Bíblico, que antes adorava sangue, depois do mito Jesus e sua crucificação, deixou de gostar e que os que acreditavam em Jesus como filho de Deus adoravam o mesmo Jeová de antes... sem imolações!

Bem, se for assim, coitados dos israelitas judeus que continuaram dando sangue pra Jeová muito tempo depois da crucificação, não? Estavam matando bois e carneiros pra quem tinha virado vegetariano?

Até a Bíblia pretende confundir seus seguidores quando tenta passar esta idéia de que Jeová e o Deus (ABBA) de Jesus eram o mesmo DEUS. Basta uma releitura dos ensinamentos Crístãos (nos 4 Evangelhos) e uma comparação com o que era pregado como "palavras de Jeová" (Torah ou Antigo Testamento) para percebermos o quanto eram até contraditórios, sinalizando claramente a troca de "deuses", bem assim como da própria doutrina.

Sintetizando então: nem o Deus-Pai de Jesus era o mesmo Deus dos Judeus e nem Umbandistas não africanistas cultuam orixás nagôs ou voduns jêje. Tudo é muito diferente e afirmar isto é pura "forçação de barra"!

Agora nos prendendo especificamente à Umbanda, vemos que a maioria entende serem os "orixás" seres ou energias de "muita luz", querendo dizer com isso que são seres ou energias de um padrão vibratório muito além do nosso em evolução ou proximidade com o criador. Estou certo?

Pois muito bem. Com essa idéia acima, como podemos então entender que esses seres iluminados, essas energias quase que vizinhas ao próprio Deus Maior, aceitem ou peçam, como oferenda, sangue animal que como todos devem saber (ou deveriam) entra em decomposição quase que imediatamente após sua retirada e por seu padrão energético vibratório atrai os elementais mais elementares - vampiros astrais - para sugar-lhe a "energia viva"?

Como entender que "meu orixá"(o senhor de minha cabeça), sendo um iluminado (segundo a crença acima citada), precise ser fixado com sangue, tanto na minha cabeça como em suas "ferramentas" (assentamentos)? Se eu aceitar isso como natural, vou ter que aceitar também que todos os "iluminados" (espíritos e elementais) que estão do outro lado têm também essa necessidade e que, no futuro, quando EU (ou você que lê agora) estiver lá na luz, também terei essa necessidade e provavelmente estarei, servindo de encosto e pedindo que me matem umas galinhas, uns patos ...

E mais ainda: Se for verdade que os "iluminados" precisem de sangue, acho que podemos afirmar que se não fôssemos nós e os animais a serem imolados, eles (os "iluminados") provavelmente não existiriam ou teriam que caçar suas próprias vítimas e por isso nos mantém aqui, encarnados, para serví-los ...!

Mas será que não podemos RACIOCINAR junto com nossos irmãos UMBANDISTAS passando pela premissa de que, se formos considerar que os nossos GUIAS, os Espíritos de LUZ, os ORIXÁS, os "Medalhões do Espaço", os que se dizem MAIS EVOLUÍDOS, MAIS "ILUMINADOS", OS QUE JÁ TERIAM ALCANÇADO A GLÓRIA DOS CÉUS precisam receber oferendas de sangue para poderem atuar, então é porque os instintos animais, as necessidades animais, se perpetuam no espaço e em todos os Planos de Existência, inclusive os divinos?

Estranho, não?

Com todo o respeito pessoal a quem pretende continuar a pensar assim, mas nada vejo de verdade nisso aí. Nada há de racional, em minha opinião, em "possibilidades" como estas.

Deuses, Guias, Mentores, Orixás, Santos ou sei lá mais o que, para que SEJAM REALMENTE e NÃO SOMENTE SE ALARDEIEM COMO TAL, têm que estar DESLIGADOS, NÃO DEPENDENTES, do que de material (terráqueo) existe, até porque, se a matéria de que precisam não está lá onde eles estão, então devemos repensar essa tal de EVOLUÇÃO, não acham?

Mas ainda há uma corrente de pensamento afirmando que não se imola para os "orixás" e sim para nós mesmos e que o ejé sobre o ori seria uma forma de fortalecimento deste ... Não é não!

O ejé e outras coisas mais que compõem o oxu (sobre o que não cabe aqui falar) tem como objetivo (por crença) fazer nascer ou acordar o orixá individual ou o gênio individual (usando-se outra nomenclatura) como pensam alguns, ou atrair o orixá (também gênio particular) individual para aquele ponto sobre a cabeça do iniciando, como pensam outros. Por isso acontecem outros fatos nesse tipo de iniciação, que também não cabem aqui, mas que deixam bem claros seus objetivos.

A "feitura" no Candomblé é uma sintonização vibratória, uma afinação da coroa para que a energia densa do que chamam de "orixá" se conecte ao ori (cabeça) do iniciando que, fundamentalmente, a partir daí, só receberia energias através desta canalização, o que excluiria, naturalmente, a presença de todo e qualquer egun (espírito, catiço) dessa situação - esse é o fundamento e o ejé é um dos elementos sintonizadores.

E ainda há uma outra corrente que nem aceita as Umbandomblés, mas acreditam que às vezes é necessário uma mengazinha aqui ou ali para que determinados trabalhos surtam efeito.

Aqui já encontramos fundamentos de Quimbanda e quem costuma se utilizar desta TÉCNICA DE TRABALHO são os Exus e Pretos Velhos ou Caboclos QUIMBANDEIROS desde priscas eras, já que, na maiorias das vezes, trabalham sob regime de trocas (escambo) - dando ao obsessor vampiro o que ele quer, para afastá-lo e conseguir seu(s) intento(s).

No africanismo do Candomblé, pelo que sei, só se imolava em casos de "feituras", "boris", "assentamentos" e fortalecimento, tanto das "obrigações" quanto dos "assentamentos", nos casos de pedidos a serem alcançados, MAS SEMPRE NA INTENÇÃO DOS DITOS "ORIXÁS". Essa situação de trocas, dando-se ao obsessor para que se afaste, (comprando-se a liberdade de alguém) já é prática proveniente das Quimbandas adotadas por algumas Umbandas e também por alguns Candomblés e Umbandomblés mais recentemente.

Em relação ainda ao sangue, encontramos uma "linha de pensamento" em que afirmam serem também as plantas (ervas) seres vivos e que portanto a retirada destas para banhos e amacis tornar-se-ia também uma forma de imolação na intenção ...

Irmãos! Até onde se sabe, a seiva (que seria o sangue vegetal no entender comparativo) não contém hemoglobina, leucócitos ou outros componentes que fazem parte da composição do sangue animal; não dá vida a um ser claramente mais evoluído, com claros sinais de reações emocionais, direcionais, comportamentais e muitos até mesmo, ainda que rudimentares, sentimentos, e, principalmente, não possibilita a criação (por degenerescência da matéria) da "energia viva" (tipo ectoplasma) que é a utilizada pelos "obsessores vampiros" para, às vezes, até mesmo se materializarem - nunca se soube de obsessores pedirem, por exemplo, um prato do suco de alguma planta para seus "delírios".

Mas vamos ao significado radical da palavra IMOLAR.

Segundo o Houaiss seria "Matar em sacrifício a uma divindade";
Segundo o Aurélio, seria: "Matar em sacrifício; sacrificar, Oferecer em sacrifício";
Segundo o Michaelis seria: "Matar vítimas para as oferecer em sacrifício".

Se levarmos criticamente os significados acima em consideração, veremos que a retirada de uma planta para um amaci, ou banho, por exemplo, NÃO SERIA IMOLAÇÃO, já que, nesse ato, não se oferece a planta a divindade alguma, mas o oferecimento de flores para Yemanjá ou outro santo qualquer, aí já seria, como também seria o oferecimento de frutos a qualquer divindade, já que ao retirarmos os vegetais de suas fontes de vida já os estaríamos "matando" para oferecê-los a "divindades"e nesse caso, nossas passagens de ano, com farto oferecimento de flores no mar, não passaria de um ritual "holocáustico" devido às milhares de "mortes" de flores de todas as espécies ... em oferecimento às divindades.

Se você quiser pensar assim, o lívre arbítrio é seu, mas convenhamos que se continuarmos nessa linha de raciocínio, até matarmos insetos (baratas, cupins, mosquitos, por exemplo) poderá ser considerado um absurdo.

Vamos à conclusão.

1- O sangue cerimonial que é usado ainda quente por quem imola é apenas o do animal que, estando vivo, é abatido na hora, com técnicas específicas - esse sangue deteriora e projeta ectoplasma a ser utilizado ;
2- O sangue frio (a seiva) não atrai elementos do baixo astral, não produz ectoplasma, podendo, no entanto, atrair larvas astrais se a deixarem apodrecer;
3- A Umbanda não africanizada não se utiliza de sangue animal (e portanto não imola) para quaisquer de seus rituais;
4- E os que ainda acharem que ao oferecerem flores e frutos também estarão imolando, então que parem com isso, até porque, se alguma divindade realmente necessitar de flores para sua subsistência, então vamos cair exatamente naquela pergunta: Será que lá no Plano em que estão não existe o material energético que os mantenha existindo? Se evoluirmos também vamos ficar assim, ... dependentes?


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LEIA TAMBÉM : SACRIFÍCIO DE ANIMAIS NA UMBANDA PARTE I (É só clicar no link)
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domingo, 30 de dezembro de 2007

PARA TODOS VOCÊS

PARA TODOS VOCÊS QUE NOS VISITARAM DURANTE ESSES MESES EM QUE ESTE BLOG ESTÁ NO AR, E TAMBÉM PARA OS QUE AINDA VIRÃO, DESEJO UM SUPER, HIPER, ULTRA FELIZ ANO NOVO.

QUE EM 2008 ACONTEÇAM TODOS OS DESFECHOS DE SITUAÇÕES ESPERADAS

P - O - S - I - T- I - V -A - M - E -N - T - E

QUE EM TODOS OS SETORES DE SUAS VIDAS, SEJAM ELES O MATERIAL, FAMILIAR, ESPIRITUAL, ETC., VOCÊS TENHAM ÊXITOS ABSOLUTOS.

QUE A GRANDE ENERGIA CÓSMICA QUE NOS GEROU À QUAL DAMOS DIVERSOS NOMES
(DEUS, OLORUN, TUPÃ, JEOVÁ, ALÁ, ZAMBI, ETC.,)
POSSA RESPLANDECER INTENSAMENTE EM SUAS VIDAS, ILUMINANDO CADA PASSO DE SUAS CAMINHADAS POR ESTA PRESENTE ENCARNAÇÃO, DE FORMA A QUE NÃO SE PERCAM JAMAIS E ENCONTREM SEMPRE, AINDA QUE DURANTE AS MAIORES TEMPESTADES, O ABRIGO CERTO ONDE POSSAM DESCANSAR O CORPO E A MENTE, PREPARANDO-SE PARA OS NOVOS RUMOS QUE VIRÃO!

LEMBREM-SE QUE SUAS MENTES, SUAS CONSCIÊNCIAS SÃO PRESENTES DIVINOS E, DESSE MODO, TRABALHEM-NAS SEMPRE E SEMPRE PARA QUE CRIEM ENERGIAS POSITIVAS PARA VOCÊS E ÀS SUAS VOLTAS E, POR DECORRÊNCIA, POSSAM ATRAIR AINDA MAIS ENERGIAS POSITIVAS, TANTO PARA VOCÊS QUANTO PARA OS QUE COM VOCÊS SEGUEM NESSA CAMINHADA.

MANTENHAM-SE ALERTAS!
NÃO SE DEIXEM LEVAR APENAS POR IDÉIAS MAL PENSADAS! REFLITAM ANTES DE AGIREM !

EVITEM TANTO QUANTO POSSÍVEL, DEIXAREM-SE DOMINAR PELAS IRAS, PELAS INVEJAS, PELOS SENTIMENTOS DE VINGANÇA - ISTO SÓ LHES TRARÁ MALES FÍSICOS E PSICOLÓGICOS, ALÉM, É CLARO, DOS ESPIRITUAIS.

PARA VOCÊS, NESTE FINDAR DE 2007 E INICIAR DE 2008, DEIXO ABAIXO, MAIS UMA VEZ, ESTAS PALAVRAS DE UM HUMILDE PRETINHO VELHO AMIGO MEU QUE NA SUA BRANDURA, NA SUA POUCA FALA, SEMPRE MANSA E QUASE SEMPRE SUSSURRANTE, DEMONSTRA O TANTO DE SABEDORIA QUE PODE EXISTIR NOS MAIS HUMILDES.

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SE QUERES SER FELIZ


Não deixes que de teu coração partam para outrem sentimentos que não gostarias que partissem para ti;

Não deixes de "tocar a lama" se for em proveito de ti ou de alguém que o mereça;

Não recues diante das dificuldades senão por momentos, enquanto sabiamente te recuperas e aprendes como vencê-las;

Não deixes que de tua boca saiam palavras que levem o gume afiado da espada que fere - se nada tens de bom a dizer, cala-te sabiamente e reflete;

Não procures ouvir àqueles que de outros e da própria vida só trazem palavras amargas - eles são negativos e ao se achegarem a ti, procuram apenas alguém que com eles comungue em pensamentos e obras;

Procures ser sempre um instrumento de paz e concórdia;

Evites discussões que certamente te levarão a nada, principalmente com pessoas de idéias pré-concebidas;

O que eles querem é provar a si mesmos uma superioridade e segurança que não existe, e que no fundo, sabem ser uma real inferioridade.

Eles alardeiam suas idéias em altos brados procurando convencer a si próprios de que carregam consigo a verdade das verdades;

Fales apenas o necessário e sobre assuntos de que tenha real conhecimento;
Combatas sempre que possível o ódio com o amor;

Evites deixar-te levar pelo rancor - ele só lhe trará distúrbios de conseqüências imprevisíveis;

Procura na tua fé, no teu credo, a comunhão com DEUS e com os exemplos deixados por seu filho amado, nosso mestre JESUS;
E desse modo... tu serás feliz !

Pai Congo de Aruanda



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