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domingo, 13 de novembro de 2011

EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE V



PEDINDO AGÔ, ANTES DE QUALQUER COISA, MAS, interessante a figura acima, não?
Não lhe dá uma sensação de coisa misteriosa, lúgubre, poderosa e até mesmo infernal?

Não lhe passa uma idéia de que possa representar uma entidade cheia de mistérios não desvendáveis ou apenas desvendável por quem a tem por companhia ou foi capaz de tal feito?

No entanto posso lhe afirmar que é apenas uma representação criada e montada por mim a partir de uma figura que roda na Net e a superposição de um gif animado para criar a sensação de que a "entidade" está no meio do fogo ou "possui plenos poderes sobre este elemento". Enfim, é apenas uma figura que se cria e se espalha e que muitas vezes passa a infestar a mente de muito humanos como se ela fosse a própria realidade.

Não o fiz, mas se tivesse dado um nome a essa "entidade", como por exemplo Exu Pinga Fogo (pra sair das mesmices atuais), não tenho a menor dúvida de que, se repetida em vários sites, ela passaria a representar o já meio esquecido Exu Pinga Fogo (maleime). E também não tenho a menor dúvida de que, com o passar dos tempos, o reforço e a continuidade desta crença sem constatações, haveria até quem discutisse defendendo a ferro e fogo a tese de que o senhor Pinga Fogo se apresenta exatamente assim como na figura.

Se a partir desta figura eu criar uma ou algumas lendas sobre seus "poderes incontestáveis", sobre alguns de seus "milagres constatados" (por quem não importa), sua capacidade de ser amigo de quem é seu amigo e inimigo de quem é seu inimigo ... não tenha a menor dúvida de que o senhor Pinga Fogo sairia do ostracismo (não total) em que se encontra e iria disputar com Tranca Ruas e Tata Caveira (hoje em dia os mais falados), o posto de Exu principal na "cabala umbandista", quiçá "quimbandista".

Em outras palavras, íamos  começar a ver muito mais "médiuns" dando cabeça para Pinga Fogo do que vemos hoje.

Esta é uma das formas de se criarem MITOS e esses se enraizarem no psiquismo grupal a ponto de se criarem fanáticos defensores de causas e teses que não conhecem a fundo mas apenas por ouvirem falar!

Assim como criei uma imagem para exaltar uma entidade ou falange, criar mitos e lendas não é nada difícil. Difícil mesmo é conscientizar a muitos que esses mitos e lendas (que quando sérios têm no máximo a intenção de exaltar algumas características conhecidas) não podem virar fundamentos para que mais mitos mistérios e lendas se criem em torno de, seja uma entidade, uma falange ou mesmo de uma Linha de trabalho, porque as pessoas começam a levar ao pé da letra cada palavra, cada imagem, cada conto, como se realidades fossem e, para se desfazer esta "realidade" depois ...

O pior desta situação é que é aí mesmo que "mora o perigo" ou parte dele.

Como os nomes Pinga fogo, Tranca Ruas, Sete Encruzilhadas, Barabô (ou Marabô), etc, são nomes de falanges (grupos, escuderias) e não de espíritos particularmente, assim como em todos os grupos que se reúnem na matéria, nunca se sabe profundamente como funciona a cabeça de cada um deles ou quem foram na realidade, como já vimos, e qualquer lenda ou "história" que se escreva sobre um dos que assumem esses nomes, ainda que possa ser verdade, será relativa a apenas UM MEMBRO DA FALANGE e nunca a todos os outros, de forma que se eu, por exemplo, tiver ao meu lado um espírito que tenha sido um mago tibetano e que se apresente hoje como Exu do Lodo, isto nunca vai querer dizer que todos os Espíritos Exus que se apresentem como Exu do Lodo tenham sido tibetanos ou sequer magos, inclusive.

Obter as características pessoais das entidades que se apresentem por você será sempre uma possibilidade que terá, ou não, de acordo com o bom entrosamento que haja entre você e elas e, principalmente delas quererem, ou não, lhas repassar.

Aliás, é sempre bom lembrar que quando uma entidade se enaltece muito, dá muitas "dicas" sobre quem foi, principalmente se colocando sob títulos pomposos, CUIDADOOOOO!

Não há caminho mais fácil para se  deixar um humano encarnado debaixo dos pés, se babando todo de vaidade, do que o método de fazê-lo crer que tem junto de si um rei, uma rainha, um "supermegablaster" destruidor de inimigos, um mago que deixaria Merlin ao nível de Madame Mim e até, por que não dizer, um deus que comande todos os exércitos da terra ...

Oh, como isto fascina!

Aliás, falando-se em fascinação, para não me dar muito trabalho de ter que explicar a importância do conhecimento sobre este aspecto, vou lançar mão de ensinamentos trazidos pelos espíritos a Alan Kardec que, mesmo tendo sido passados no século 19, nunca foram observações tão atuais e dignas de serem ensinadas aos mais novos na Umbanda LEAL e SINCERA!

Observe pelo texto e suas observações "em campo" (locais em que possa avaliar), como podem haver por aí médiuns se iludindo, com espíritos e "suas doutrinas" por conta do que vem abaixo:

Livro dos Médiuns CAPÍTULO XXIII, da Obsessão

"Fascinação

239. A fascinação tem conseqüências muito mais graves. É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente. A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais ridícula. Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem.

Já dissemos que muito mais graves são as conseqüências da fascinação. Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única expressão da verdade. Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas.


Compreende-se facilmente toda a diferença que existe entre a obsessão simples e a fascinação; compreende-se também que os Espíritos que produzem esses dois efeitos devem diferir de caráter. Na primeira, o Espírito que se agarra à pessoa não passa de um importuno pela sua tenacidade e de quem aquela se impacienta por desembaraçar-se. Na segunda, a coisa é muito diversa. Para chegar a tais fins, preciso é que o Espírito seja destro, ardiloso e profundamente hipócrita, porquanto não pode operar a mudança e fazer-se acolhido, senão por meio da máscara que toma e de um falso aspecto de virtude. Os grandes termos - caridade, humildade, amor de Deus - lhe servem como que de carta de crédito, porém, através de tudo isso, deixa passar sinais de inferioridade, que só o fascinado é incapaz de perceber. Por isso mesmo, o que o fascinador mais teme são as pessoas que vêem claro. Daí o consistir a sua tática, quase sempre, em inspirar ao seu intérprete o afastamento de quem quer que lhe possa abrir os olhos. Por esse meio, evitando toda contradição, fica certo de ter razão sempre."


Pois é! Tente você explicar para um fascinado que ele está cego, inventando ou seguindo teorias sem base, criando deuses e divindades, mistérios onde não existem, dogmas para esconder o que não sabe explicar ... !


Simplesmente não dá. O máximo que se pode fazer é deixar as sementes plantadas e esperar que em algum dia elas tenham a capacidade de florescer em terras tão áridas, e rezar ao mesmo tempo para que essas mesmas sementes possam servir de alerta para os casos de outros que possam estar indo pelos mesmos caminhos, dando-lhes, desta forma, a oportunidade de repensarem sobre seus atos e possíveis "viagens mentais" que possam estar assumindo como "verdades".


Sobre os Espíritos Exus que, volto a dizer (a despeito de saber estar quebrando muitas fascinações), são Espíritos como quaisquer outros, com todos os acertos e defeitos de muitos de nós que ainda estamos aqui dentro da matéria, alguns buscando evolução, outros não, também como nós que aqui estamos, vou findando por aqui, deixando aberto, no entanto, o espaço para que qualquer um faça seu comentário, venha tirar outras dúvidas ou até mesmo complementar o já exposto por seus conhecimentos.


Só não me venham com essas "viagens" de que Exu manobra os átomos da criação, que é o "dono dos misteriosos mistérios da humanidade", controla o tempo através das eras, o ar, o fogo, a terra e a água porque além disto não proceder, fica claro que quem assim pensa não passa de mais um fascinado ou exumaníaco, com todo o respeito que devo e presto a esses amigos que desde há muito deveriam ser cognominados por outros vocábulos como GUARDIÃES, PROTETORES, AMIGOS DO PEITO e até mesmo por COMPADRES E COMADRES, como também já foram chamados, deixando-se o vocábulo EXU de lado, para uso apenas pelos manos dos cultos africanos.


Seria bom que você, se ainda não leu, acessasse este link : EXUMANIA e raciocinasse mais um pouco sobre  o que veio lendo até agora!


FIM DA MATÉRIA ... 

Mas até quando?

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Clique no título DIVULGAÇÃO DE TERREIROS e informe-se pela matéria sobre como fazer este tipo de CARIDADE.


Vamos! ANIME-SE!


MOSTRE QUE VOCÊ ACREDITA NO QUE FAZ E AJUDE A QUEM PRECISA!!!

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E veja também em PUBLICAÇÃO DOS LIVROS IMPRESSOS como poderá adquirir os Livros da Série UMBANDA SEM MEDO, agora também impressos pelo AGBOOK, se for de sua vontade.


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Os links para acesso direto aos livros em formato MP3 já estão disponíveis na coluna ao lado do texto tema.
Precisando baixá-los, é só ir clicando em cada link e depois seguir o que determinam as páginas do 4Shared.


Mais uma vez nossos agradecimentos ao senhor Marcos Fernandes que nos brindou com esta possibilidade!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE IV

Antes ainda de dar continuidade a este tema, abro aqui um parêntese para indicar que leiam (apenas os que são sedentos por aprendizagens de valor) as matérias destes dois links no Blog do amigo Edenison "UMBANDA APRECIE COM MODERAÇÃO"

LINK 1 - Puxada, ou quando a corda não precisa carregar caçamba extra - I

LINK 2 - Puxada, ou quando a corda não precisa carregar caçamba extra - II

Este tipo de trabalho que alguns chamam de "transporte", que é efetivo, de resultados quase que imediatos (imediatos em muitas ocasiões), inserido nas práticas auxiliares da UMBANDA e ao mesmo tempo tão temido por uma boa ala umbandista, está sendo exposto após debatido em Comunidade do Orkut  (Umbanda sem Medo) por vários membros ali citados, de uma forma bem acessível, com algumas explicações que certamente ajudarão, e muito, tanto aos iniciantes quanto aos mais antigos a entenderem um pouco mais do mecanismo utilizado, bem assim como sobre os cuidados a serem levados em conta para esta prática.

Leiam, comentem ou perguntem, lá mesmo, mais alguma coisa que pretendam saber sobre PUXADAS/TRANSPORTE.

Gostaria de dizer também que graças a um de nossos acompanhantes, o senhor MARCOS FERNANDES, que teve imensa paciência e vontade de colaborar, estão disponíveis para DOWNLOAD gravações de áudio dos três primeiros livros da série UMBANDA SEM MEDO nos LINKS QUE SE ENCONTRAM AO LADO DO TEXTO PRINCIPAL, bem abaixo do quadro de ACOMPANHANTES DO BLOG.


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Ao senhor Marcos Fernandes, meus sinceros agradecimentos e, tenho certeza, de todos aqueles que por algum motivo necessitarem ouvir os textos.

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CONTINUANDO ENTÃO ...

Infelizmente, creio eu, para alguns, Espíritos Exus (OS APELIDADOS DE) são, como todos os outros, apenas ES-PÍ-RI-TOS, podendo pertencer tanto ao gênero humano quanto ao elemental, mas espíritos e não deuses, orixás, senhores do sobrenatural, etc.

Como por seus apegos à matéria permanecem em planos vibracionais bastante densos, próximos ao Plano Físico, a matéria astral que compõe seus corpos tende a ser densa, condensada, e, por isto mesmo, a exemplo de outros mais densos ainda e de menor nível evolutivo espiritual, têm uma certa facilidade de acesso, de tangência à matéria física de que somos formados e, desta forma, no caso de não se tratarem de Espíritos Exus Coroados ou Batizados SOB O PONTO DE VISTA DA UMBANDA (ponto de vista este que não é de agora e sim de muitos e muitos anos atrás), sendo amorais portanto, costumavam (e costumam ainda, infelizmente, por uma certa casta de humanos tão ou mais amorais que eles) ser buscados para trabalhos de "baixo-espiritismo" com efeitos mais rápidos. Também por esta facilidade de acessar a matéria física são contatados mais facilmente pela mediunidade, bem assim como podem dominar seus médiuns mais facilmente quando em processo de incorporação.

Pelas afirmativas acima explica-se o porquê de ser tão mais fácil "dar-se passagem" a espíritos desta categoria, deste nível evolutivo, do que a "Medalhões do Astral" - os verdadeiros, porque o que tem de mistificador se passando por medalhão por aí, passando mensagens que não passam pelo menor crivo de razão e sendo "engolidos" pelo que apresentam de fachada e não pelo que são de verdade ...

A todos esses que julgam conhecerem profundamente quaisquer das personalidades que se apresentam como Exus ou mesmo que assim não se apresentem mas são Exus por seus comportamentos, ideais, objetivos, eu faria uma simples pergunta:

- Você tem certeza de que conhece profundamente seu ou sua filha? Seu marido? Sua esposa e até mesmo seu pai ou mãe?

Claro que não! Ninguém pode dizer, racionalmente, que conhece profundamente qualquer outro ser que esteja encarnado e que, inclusive, viva sob seu próprio teto diuturnamente. Se disser que sim está sendo, ou ingênuo demais ou hipócrita!

E se não podemos conhecer profundamente sequer os encarnados que podemos ver e tocar todos os dias, quem é que pode dizer que conhece perfeitamente "seu" Exu, Pomba Gira, que são difíceis de serem conhecidos e compreendidos a fundo como seres independentes que são, e também qualquer outra entidade espiritual que pense por si e aja de acordo com seus próprios princípios e idéias de realidade (livre arbítrio)?

Isso você até poderia apelar para dizer que é um mistério, só que não é "um mistério exu" mas sim um mistério da vida, embasado nos mais diversos tipos de personalidades que se formam ao longo da existência de cada um.

Como se aprofundar no conhecimento sobre um determinado ser?

Só mesmo o acompanhando nas mais diversas situações (quanto mais melhor), analisando o que fala, o que prega no dia a dia e, principalmente, se seus atos estão de acordo com o que fala e prega em todas as ocasiões ou se a pregação é uma e as atitudes são outras.

Será que se pode fazer isto em relação a qualquer entidade espiritual? Acho "um pouco meio muito difícil demais", se é que você me entende.

Vamos tratar a partir de agora de LINHA ESPIRITUAL ou só LINHA a todos esses grupamentos de Espíritos que se enquadram na categoria de EXUS que, da mesma forma que Caboclos e Pretos Velhos, trabalham em falanges com diversos nomes, atraídos que são por semelhanças e sintonias, da mesma forma que nós aqui, os encarnados, costumamos nos reunir em grupos que "tenham algo a ver conosco".

Você sabe como, em princípio, criam-se diversos grupos de espíritos (falanges)?

Por assemelhação de intenções, de idéias, de forma de agir e reagir, de entender isto ou aquilo pela forma que aprenderam, e, dessa forma, por essas semelhanças, se criarem as amizades que os fazem trabalhar em harmonia uns com os outros ...

É da mesma forma que se juntam aqui em grupos, pessoas de mesma religião, que torcem por um mesmo time, que costumam se reunir para aquela cervejinha todos os dias a uma determinada hora e num mesmo local e que, a partir dessas semelhanças e reuniões, passam a conviver mais profundamente uns com os outros e até mesmo a criarem objetivos para o grupo, como nos casos em que se formam clubes sociais de amigos, times de futebol (ou outro esporte qualquer) para disputas entre amigos, podendo acontecer também daí as formações de pequenas empresas, cultos e até quadrihas criminosas se o pessoal for "da pesada".

Uma coisa é certa e deve ser OBSERVADA ATENTAMENTE: Nenhum espírito vai se unir a uma falange e, PRINCIPALMENTE ASSUMIR O NOME DELA se não tiver algo em comum com a filosofia/doutrina padrão desta falange. Isto não teria a menor lógica.

Ou você se sentiria à vontade unindo-se a um grupo religioso, por exemplo, que não tenha algo em comum com o que você tem como religião? Ou time? Ou idéias políticas? Ou a grupos em que os padrões de moralidade sejam muito diferentes dos seus?

Parou? Pensou bem sobre isto? Então continuemos.

Se você ainda não entendeu porque eu enveredei por estes caminhos vai perceber agora.

Repare que no início a LINHA dos ekuruns apelidados de exus dividia-se em diversas falanges que assumiam nomes como:  Tranca Ruas, Sete Encruzilhadas, Marabô, Tronqueira, Sete Covas e outros mais, e os espíritos que se apresentavam davam como "nome próprio" O NOME DESSAS  FALANGES sem que nenhuma delas demarcasse claramente os aspectos da personalidade de cada um desses espíritos ou mesmo da filosofia central da falange em si. O que os punha como EXUS eram suas idéias e comportamentos que, estes sim, demonstravam o quanto se assemelhavam ao descrito como Exu africano.

De uns tempos para cá formaram-se falanges com nomes como MALANDROS, MALANDRINHOS, PELINTRAS (esta adotada dos Catimbós) que, claramente, pelo nome que assumem, já apresentam, de cara, o tipo de formação e filosofia que têm como central, ou seja: a malandragem, a pilantragem, porque não me venha dizer que um espírito passa a se chamar de pilantra ou malandro ou se unir a uma falange destas SE NÃO HOUVER ALGO EM COMUM entre ele e os demais, como já vimos acima, pois ninguém o faria de boa vontade.

Não vamos dar uma de "mães enganadas" que mesmo vendo seus "queridos filhinhos ou filhinhas" aparecerem em casa quase sempre com uma roupa novinha em folha, tenis da onda, chegam em casa em altas horas e sempre em estado alterado de consciência (leia-se bêbado ou drogado), sem estudar às vezes, ou trabalhar quase sempre, continua achando que "É MUITO NORMAL", é "COISA DA ADOLESCÊNCIA" e "quando ele crescer" vai mudar tudo isto!


Se acontecer é EXCEÇÃO e não REGRA; e que se agradeça muito a DEUS por esta exceção.


Já diziam os mais antigos, com muita sabedoria: "Diga-me com quem andas [ou o que fazes, complemento eu] que te direi quem és!"


Da mesma forma que as "mães enganadas" procuram sempre alguma coisa que não as leve a encarar a realidade e tentam justificar todos os atos desregrados de seus filhinhos pelo fato de que assim agindo entenderem erradamente que "os estão amando acima de qualquer coisa", há muitos entre nós que, mesmo estando de frente a um espírito que se auto-intitule MALANDRO, PELINTRA (pilantra), só pelo fato de os "amarem", normalmente por algum ou alguns êxitos que através deles conseguiram obter, passam a entender que eles não têm defeitos, que são divindades e até orixás, como já vi comentarem.

Desde quando um grupo de ESPÍRITOS DE LUZ, VER-DA-DEI-ROS, assumiriam como grupamento e nome, estes acima citados ou outros que poderiam criar como Zé TRAFICANTE, Joâo DOIDÃO DE PEDRA, Chico ASSALTANTE ... o que cairia mais ou menos no mesmo nível dos Malandros, Malandrinhos e Pilantras?

O que os levaria a assumir estes nomes que revelam categorias de comportamentos não adequados, que eu não compreendo?

Você, de sã consciência, se for alguém de caráter e personalidade reta, criaria ou se uniria a um grupo que tivesse o nome de "BANDIDOS DO ALÉM", por exemplo? Será?

Mas, como isso pode voltar a insuflar a Pelintromania principalmente, é sempre bom lembrar que existe evolução, mesmo dentro dessas falanges e que alguns espíritos podem, muito bem, crescer espiritualmente:

a) na medida em que adquirirem compreensão de suas condições atuais;

b) na medida em que deixarem de ser amorais;

c) na medida em que passarem a entender e praticar a filosofia da Umbanda por terem-na aprendido estando em contato com outros espíritos já BATIZADOS NA BANDA e com dirigentes e médiuns que saibam que trabalham com estes espíritos para os alavancarem para cima e não para baixo e que não se deixam enfeitiçar pelos fenômenos que eles podem produzir por suas situações de adensamento de matéria, como já explicamos antes, fenômenos estes que acabam criando DEVOTOS E FANÁTICOS deslumbrados que daí pra diante, seja o que lhes for "ensinado" por seus ídolos, passa a ser "verdade irrefutável".

Foi por isto que expliquei, ainda na PARTE III deste trabalho, que podemos encontrar até espíritos de uma certa boa condição evolutiva em falanges como estas, até porque É POR SINTONIA TAMBÉM, que os espíritos se achegam a nós para trabalharem e, dependendo do médium ...

O que não se pode é, por esses espíritos já "umbandizados", avaliarmos todos os da mesma falange que só pelo nome já nos traduz a que vieram, dizendo por conseguinte, que os demais, por seus comportamentos, ou não existem (são médiuns mistificando) ou são kiumbas disfarçados, porque "a coisa" não é bem por aí não e os que destoam disto são justamente os "umbandizados" (iniciados e aceitos como tal na Banda, pelo menos). Os demais continuam pensando e agindo de acordo com o padrão da falange que é AMORAL, lembre-se disto.

O que se sabe é que os espíritos, na medida em que se modificam interiormente e passam a aceitar e praticar a doutrina/filosofia da Umbanda, tendem a abandonar antigas falanges (grupamentos) e se acertar com novas outras. Neste caso, ou abandonam também seus médiuns (se eles permanecerem estáticos em suas crenças) ou passam a trabalhar como se outros espíritos fossem com estes mesmos médiuns, ou seja, dando outro nome, agora da falange a que se uniram, ocasião em que fica parecendo para os médiuns que "outros Espíritos apareceram em sua guarda"
E se abandonam os médiuns é, principalmente, porque nunca foram GUIAS DE FATO e sim PROTETORES enquanto com eles estiveram.

Vem daí, exatamente, o ensinamento de que o espírito Exu, ao evoluir e se desprender de sua falange, deixa de ser um Exu (isto fica muito claro pelo que já foi explicado sobre o porquê serem chamados de exus) e passa para outras falanges (outros grupos), podendo vir com outros nomes, novos comportamentos e ideais....

E que falanges poderiam ser estas para as quais passariam os antes Exus?

Da mesma forma que antes se uniam por semelhanças de idéias e ideais (aqueles antigos e em acordo com suas compreensões anteriores) às falanges antigas, serão aceitos (ou se unirão) agora, em vista de tudo o que aprenderam sobre suas situações de ESPÍRITOS e também dos NOVOS OBJETIVOS que entendam estar em harmonia com seus jeitos de serem, em falanges nas quais melhor se adaptarem.

Levando-se isto em consideração, vemos que poderão adentrar a uma falange de Pretos Velhos, de Caboclos, de Oguns, de Xangôs, etc., LINHAS ESTAS de ESPÍRITOS TRABALHADORES e não DE ORIXÁS, como somos levados a entender pelos nomes a elas dados.

O que podemos observar então, por estas apreciações?

Que as diversas LINHAS de trabalho que atuam na Umbanda, também compostas de INÚMERAS FALANGES DE ESPÍRITOS, mantém nessas falanges espíritos de diversas categorias (inclusive ETNIAS) sendo muitos deles antigos espíritos Exus que, por terem evoluído, deixado de ser amorais, terem assumido novos e mais retos comportamentos, já podem assumir os nomes das falanges a que vão se unir e desenvolver novas formas de trabalho com isto.

Mas esta é apenas uma faceta da "coisa", porque mesmo dentro de LINHAS como de Ogum, Xangô, Oxossi, etc., ESTAGIAM diversos espíritos ainda em condição de EXUS, como auxiliares diretos dos que são de fato merecedores de suas posições dentro dessas LINHAS e suas FALANGES.

A gente quase não os nota como Exus porque, ou atuam por fora (sem incorporarem) no auxílio direto a este ou aquele espírito Ogum confirmado, ou, mesmo que incorporem, já não agem mais como Exus (bebendo marafo, ou sendo amorais...). Agem sim, como mais um elemento da falange a que estão unidos, fazendo entender aos mais preocupados com as exteriorizações e menos com as vibrações energéticas, que são tão Oguns como qualquer outro, se bem que por observações sem idolatrias, podemos muito bem diferenciar um "Ogum Ogum", de um Ogum metá Exu ou Ogum Cruzado como os chamamos, valendo a mesma nomenclatura, tanto para Xangôs (metá Exu ou Cruzados), Pretos Velhos (idem), Caboclos (idem), etc.

Daí eu repetir aqui que o simples fato de se estar em frente a uma entidade que dê um determinado nome (que é o da falange e não o dela) não ser segurança total de que se está em frente a uma entidade da Lei (já totalmente enquadrada na filosofia/doutrina da Umbanda). Podemos muito bem estar em frente a um metá, um cruzado ou ainda quimbandeiro estagiário, sem que estejamos nos dando conta disto, pelo acima exposto.

****************


Continua brevemente.

Enquanto isto, que tal você que é honesto na Umbanda que pratica, disponibilizar o endereço e/ou telefone de seu terreiro para que ajudemos às pessoas que buscam uma Umbanda Séria para darem início ou sequência às suas vidas dentro da espiritualidade/mediunidade?

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domingo, 18 de setembro de 2011

EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE III

Continuando então, a esses Ekuruns fêmeas que começaram a se apresentar, foi dado o título de Pomba Giras e ambos (ekuruns machos e fêmeas) também foram chamados, generalizadamente, de Compadres e Comadres, Povo da Rua, das Encruzas e possivelmente até de outras coisas das quais não tenho conhecimento.

Confesso a vocês que este título - "Pomba GIra" -  eu não posso especificar com toda a certeza de onde surgiu. Alguns afirmam ter sido uma corruptela de uma outra corruptela, já que Mpambu Njilla (Mpambu=cruzamento, encruzilhada; e Njilla=rua) seria o nome original que teria dado orígem a Bombogira que por sua vez gerou Pomba Gira (ou Pombo Gira, como chamam alguns outros) por, digamos, "interpretação auditiva", só que, o Mpambu Njilla era (e continua sendo) na realidade um Inkice também MACHO cultuado pelos Bantus (Angola) e Bombogira, segundo o livro "CANDOMBLE - RELIGIÃO DO CORPO E DA ALMA" de Carlos Eugênio Marcondes de Moura, um termo CONGO só que também para Inkice Macho, de forma que prefiro ficar devendo este detalhe do que tentar me infiltrar por caminhos que não conheço e que podem ser "furados".

Consideremos então que, por seja lá qual tenha sido o motivo, os mais antigos resolveram chamar essas entidades que eram tidas como Ekuruns fémeas de Pomba Giras e que você já deva ter entendido o porquê delas terem sido consideradas Exus Fêmeas, bem assim como compreendidas como Mulheres dos Exus. Se ainda não, é só rever algumas das características, tanto do Exu Orixá quanto do Exu Ekurun nas partes anteriores (PARTES I e II deste tema) e entender que, embora fêmeas, tinham comportamento e atitudes semelhantes em vários aspectos, com foco maior no aspecto sensual e sexual, através do quais exibiam toda a liberalidade que nenhuma mulher da alta ou baixa sociedade de então ousaria e pelos quais eram preferencialmente procuradas para trabalhos de envultamento (feitiço) - estas eram as Ekuruns fêmeas, Exus fêmeas e finalmente Pomba Giras.

Enquanto estiveram apenas nas Macumbas, Canjerês primitivos e semelhantes, tanto Exu/Ekurun quanto Pomba Gira/Ekurun, eram procurados para serviços sobre os quais hoje, até os que os procuravam teriam vergonha de falar. Muitos deles, pelo tanto de suas ferocidades, chegavam a trabalhar acorrentados, tal a ira que traziam dentro de si, talvez pelos maus tratos que teriam recebido quando ainda em vida carnal.

Com a criação do NOVO CULTO em 1908 que viria a se chamar primeiramente ALABANDA (1908), depois AUMBANDA (1909) e que acabou sendo conhecido como UMBANDA, nome pelo qual já chegou oficializado em 1939 por ocasião da criação da PRIMEIRA FEDERAÇÃO DE UMBANDA DO BRASIL por Zélio Fernandino de Moraes, esses espíritos/ekuruns/exus, que também passaram a rondar nesta Banda embora não com tanta expressão quanto nos demais cultos (na Umbanda de Origem não existiam Sessões ou Giras específicas para Exus), passaram a ser compreendidos como Espíritos que estariam ou deveriam estar EM EVOLUÇÃO - muito primitivos ainda por seus comportamentos amorais, mas em evolução, e não mais como continuaram sendo compreendidos pelos cultos mais primitivos: "aqueles a quem tudo poderíamos pedir desde que fossem bem pagos".

Sobre isto, aliás, vamos transcrever abaixo, a título de orientação inicial ainda, um depoimento dado pelo senhor Zélio de Moraes sobre o que lhe havia ensinado o Caboclo das Sete Encruzilhadas a respeito dos espíritos/ekuruns/exus.

Preste bastante atenção!!

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Pergunta: Sr. Zélio, é sobre o trabalho dos Exús. Existem tendas que dão consultas com Exús em dias especiais além das consultas normais de Pretos Velhos e Caboclos. Como o Sr. vê isso?

Zélio: Eu sei disto, que há muitas tendas que trabalham com Exús, eu não gosto porque é muito fácil se manifestar com Exú, qualquer pessoa médium, um mal médium se manifesta com Exú, basta ter um espírito atrasado; ou também fingindo um espírito, por isso não gosto e fujo disto, na minha tenda não se trabalha com Exú por qualquer motivo.

Comentário: Percebamos, então, que na visão da Umbada Original proposta, já era observada a facilidade de exus se manifestarem ou até mesmo a possibilidade de haver mistificação (os famosos Ekês) nestas "manifestações".
Quando ele diz: "na minha tenda não se trabalha com Exu por qualquer motivo", fica claro que Exu só era chamado em casos especiais e na condição de "soldados da Umbanda", como eram compreendidos, conforme se poderá ver mais abaixo.

Pergunta: Mas o Sr. não considera o Exú um espírito trabalhador como todos os outros?

Zélio: Depois de despertado, porque o Exú é um espírito admitido nas trevas. Depois de despertado, que ele dá um passo no caminho da regeneração, é fácil ele trabalhar em benefício dos outros. Assim eu acredito no trabalho do Exú.

Comentário: Esta, poderíamos dizer, é uma resposta chave para a compreensão do que vem a ser Exu/Ekurun de um modo geral, ou do porquê esses Ekuruns passaram a ser chamados de Exus. Esse "depois de despertados" nos transmite muito bem que, pelos comportamentos e decisões inadequadas ao NOVO CULTO (comportamento este até incentivado nos cultos mais primitivos, tanto pelos seguidores quanto pelos que só os procuravam em busca de vantagens particulares), Exus chegaram a ser entendidos como "Espíritos admitidos das trevas", ou, em outras palavras, trevosos que buscam "caminhar", ainda que a seus modos. Portanto, quando admitidos na Umbanda, antes ainda de se lhes fazerem homenagens dever-se-ia acordá-los para a luz - despertá-los das trevas - o que significaria trabalhar sobre a amoralidade geral desses espíritos, orientando-os por conceitos cristãos (amor, desprendimento, caridade...), pois cristã era a Umbanda anunciada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Pergunta: Não haverá casos em que outros Orixás vibrando em outras linhas não possam resolver de imediato alguns problemas de filhos e, não seria o Exú aí o mais indicado para resolver, por estar mais perto materialmente, por estar mais aceito nos trabalhos materiais?

Zélio: O nosso chefe, "o Caboclo das Sete Encruzilhadas" nos ensinou assim, isto faz 60 anos, que o Exú é um trabalhador. Como na polícia tem soldado, o chefe de polícia não prende, o delegado não prende, quem prende são os soldados, cumprem ordens dos maiorais, então o Exú é um espírito que se encosta na falange, que aproveita para fazer o bem, porque cada passo para o bem que eles fazem vai aumentando a sua luz, de maneira, que é despertado e vai trabalhar, quer dizer, vai pegar, vai seduzir este espírito que está obsedando alguém, então este Exú vai evoluir. É assim que o Caboclo das Sete Encruzilhadas nos ensinava.

Comentário: Repare o posicionamento claro de "soldado da Umbanda" dado nesta explicação de Zélio que, chamando-os de soldados, definia Exu como um trabalhador, um auxiliar que exercia suas funções ordenado ou coordenado por seus superiores, ocasião em que, pelo contato e aprendizagem com estes, começava a fazer a caridade e a se enganjar no NOVO CULTO que já se chamava Umbanda.

A partir do advento Umbanda é que se criaram depois entre os adeptos, as caracterizações de Exus Pagãos (os que não estavam ligados à Umbanda e continuavam tão amorais quanto antes); Exus Batizados (os que já em contato com espíritos mais evoluídos teriam aprendido com eles conceitos mais cristãos e inclusive deixado de trabalhar apenas por barganhas); Exus Coroados (aqueles que já teriam aceito todos os conceitos cristãos adotados pela Umbanda e que, além de não mais se venderem, teriam aprendido também a trabalhar sem os cortes (copagens), tão comuns aos Pagãos e ainda meio que inseridos entre os Batizados "aqui e ali").

Pergunta: De que modo o Exú é um auxiliar e não um empregado do Orixá ou vice-versa?

Zélio: Eu não digo empregado, mas é um espírito que tende a melhorar, então para ele melhorar ele vai fazer a caridade junto com as falanges, correndo em benefício daqueles que estão obsidiados, despertando e ajudando a despertar o espírito para afasta-lo do mal que ele estava fazendo, então ele se torna um auxiliar dos Orixás

Comentário: É importante salientar que a prática da caridade, seja ela como for, tem por objetivo básico e subliminar, fazer com que o ser (encarnado ou não) se desprenda um pouco, pelo menos, de si mesmo e seus problemas e passe a ver todos à sua volta como humanos que nem ele, ao mesmo tempo em que faz ver aos caridosos que eles não são as piores pessoas do mundo - os esquecidos por Deus, em linhas gerais - por piores que se sintam.

Subliminarmente, então, praticar a caridade sem ansiar por retornos significativos de quaisquer espécies (até porque se não for assim não é caridade real, chegando a ser às vezes pura demonstração de "bondade(?)"; em outras palavras VAIDADE) chega a ser um tratamento para aqueles que estão sempre centrados em seus próprios problemas e que por isto mesmo sofrem cada vez mais.

FONTE DAS PERGUNTAS E RESPOSTAS: CASA BRANCA DE OXALÁ TEMPLO UMBANDISTA  


COMENTÁRIOS MEUS.

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Em vista do que já foi exposto, creio não haver motivo algum para se fazer mistérios em torno de entidades espirituais que são, antes de mais nada, ESPÍRITOS/EKURUNS/ EGUNS/NTANGIS que receberam este APELIDO de EXUS apenas por suas similaridades morais e comportamentais com o, como disse antes, VERDADEIRO EXU - O AFRICANO.

Importante que se saiba que QUAISQUER ESPÍRITOS (sejam eles humanos ou elementais) que tenham essas mesmas similaridades com o EXU AFRICANO, mesmo que não dêem os nomes mais conhecidos (Tranca Ruas, Sete Encruzilhadas, Caveira ... etc.) são considerados IGUALMENTE EXUS, sendo por isto mesmo que basicamente, na orígem de suas falanges (bem estabelecidas, inclusive pelos próprios nomes delas), Espíritos Pelintras (pilantras), Malandros, Cangaceiros (que já estão povoando as Bandas por aí) Crianças "encapetadas" (também chamadas de EXUS MIRINS, ERÊS DA POEIRA) e possíveis outras, TODOS SÃO EXUS, porque se assemelham em comportamento ao O EXU AFRICANO.

- Mas, e quando uma entidade, mesmo se chamando Zé Pelintra, já não se comporta mais como o Exu Africano e, pelo contrário, trabalha na caridade e na fé?

Pelo fato dele ainda assumir o nome ritualístico de uma falange que é AMORAL em seus princípíos desde o Catimbó, culto no qual seria(m) mestre(s), ele ainda é Exu e só deixará de sê-lo quando desta falange se afastar, assumindo por conseguinte, o nome de uma falange que não seja reconhecidamente amoral (de Exus). Mas como o comportamento dela é bem diferenciado da média dos Exus, podemos concordar que deva ser um Exu Coroado (vide explicação acima). Mas veja bem que estamos nos referindo a ESTA ENTIDADE EM PARTICULAR e não TODOS OS OUTROS que usam o mesmo nome destas falanges acima citadas.

Só pra lembrar: A falange das MARIAS PADILHAS, tão festejada como Ekuruns/Pomba Giras, exatamente como as falanges de Zés Pelintras, com a mesma "maturidade espiritual" e seguindo os mesmos comportamentos amorais, também veio do Catimbó no qual essas entidades são mestras, para a Umbanda. No entanto, ninguém fica brigando por aí afirmando que elas não são Exus Pomba Gira, o que aliás, fazem questão de afirmar que sim: são Pomba Giras Marias Padilhas, com muita honra!!!

- Ah, mas você sequer tocou nas "grandes magias" às quais estas entidades são afetas, seus "grandes poderes" e "domínio sobre o elemento fogo", quiçá água, terra, ar, átomos, Terra (enquanto planeta), sistema solar, via láctea, universo ...

Se é isto aí acima que você pensa sobre EXU, principalmente Exu "de Umbanda" ou, em outras palavras: os trabalhadores Exus que adentraram a Faixa Vibratória da Umbanda para trabalharem na caridade ... nem é bom comentar agora. Vamos deixar isto para mais adiante.

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Continua brevemente.

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sábado, 27 de agosto de 2011

EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE II

Dando prosseguimento a esta nossa análise sobre a situação de EXU NA UMBANDA e desenvolvendo o raciocínio sobre os porquês de ESPÍRITOS (Eguns/Ntangis) terem sido apelidados de EXU, afianço que fica muito claro para quem estudou o passado dessas entidades aqui no Brasil e comparou ao que era o EXU DE VERDADE advindo dos cultos africanos.

Vejamos alguns detalhes:

Sobre o Exu africano.

Em princípio cada tribo ou grupamento tinha o seu, "plantado" em algum determinado local, cujos assentamentos (principalmente o material que era exposto aos olhos comuns), antes de mais nada serviam como totens(*) ou como carrancas(**) com a finalidade de "aviso aos mal-intencionados" de que ali havia um guardião a ser respeitado e reverenciado e, portanto ... CUIDADO! Não se meta a besta que esse solo tem proteção.

Cada tribo criava então, fábulas sobre esses seus Exus dando-lhes qualificativos gerais e particulares de acordo com seus modos de entenderem e suas necessidades mais imediatas, ou seja, necessidades diretamente ligadas às suas vicissitudes (seqüência de fatos do dia a dia), o que fez entender, por interpretação posterior, que EXU seria uma espécie de semi-divindade qualificada para ser intermediária entre os homens e as verdadeiras divindades (Orixás) de cada tribo. Aquele que atendia às necessidades mais imediatas de cada ser, repetindo!

Como a MORAL(***) dos africanos de então era totalmente desligada da MORAL dos europeus que por lá aportaram e tanto divindades quanto "semi-divindades" respondiam de acordo com os comportamentos e crenças das diversas tribos (o que aliás era fato comum não só na África mas em todos as civilizações e culturas em que se criavam deuses, "todos sempre dispostos a atender e comandar os mortais de acordo com o que estes - OS CRIADORES E/OU SEUS INTERMEDIÁRIOS - achavam correto") e não de acordo com o que os europeus entendiam ser MORAL, entendeu-se então que não só Exu, mas principalmente este (ou estes) seria, antes de tudo um ser AMORAL, ou seja, o que os europeus compreendiam como SATÃ, que na verdade significa opositor, inimigo, até porque o próprio deus europeu seria então, "o venerável guardião da moral e dos bons costumes" segundo suas crenças, mas nem sempre atitudes.

Percebeu? Se o "MEU DEUS" preserva a moral (como a compreendo) e o "SEU DEUS" não (ou preserva outro tipo de moral), então o "SEU DEUS" é oposto ao meu e portanto é SATÃ. E por ser satã, automaticamente é diabo, título este que acabou se espalhando e até criando raízes oportunistas como já escrevi na primeira parte, entre os próprios africanos e seus descendentes já estabelecidos aqui.

Observe-se que para a cultura européia teoricamente "muito cristã" de então, qualquer divindade, de qualquer outro culto, automaticamente era compreendida como opositora de "SEU DEUS" e, portanto, não foram só Exus e Orixás africanos que foram assemelhados a Satã e ao Diabo por decorrência, mas sim todos os outros deuses de todas as outras culturas, só que nem sempre só pela oposição no quesito moral, mas também porque não eram admitidos outros deuses a não ser o, segundo eles, "único, onisciente, onipotente, criador de tudo e de todos" que inclusive, segundo a crença na ocasião em que os diversos livros foram compilados, pasme agora: "fazia o sol girar à volta da Terra"(sic). 


Vamos refletir? Será que "o único e verdadeiro DEUS" não sabia que isto não era verdade?

Mas voltando ao caso específico do Exu africano, ainda havia um qualificativo deste(s) que a hipocrisia de então não entenderia de forma alguma: era um ser ou divindade FÁLICA. Suas representações (totens) mostravam claramente o falo (membro sexual masculino), o que para os africanos simbolizava algo como um princípio de virilidade (também muito procurado nas culturas mais antigas porque a reprodução era fator imprescindível para a continuidade das espécies) e que para os europeus cristianizados ou pseudo-cristianizados era "significado claro de que satanás reinava entre eles".

E para não ser muito extenso, só pelo que foi destacado acima como "qualificativos do Exu africano" e mais as duas lendas (Itans) que foram destacadas na primeira parte desta matéria e mais o que se conhece sobre essas entidades "endiabradas" que começaram a aparecer ainda no meio dos cultos Bantus já aqui no Brasil, vamos às similaridades.

NOTA IMPORTANTE: Por enquanto, antes ainda de chamá-los de EXUS e para não confundir com o verdadeiro Exu, o africano, estarei tratando essas entidades/espíritos que começaram a baixar aqui no Brasil por EKURUNS, como aliás ainda são conhecidos por muitos.

Exu africano - toma lá dá cá (atua bem desde que receba suas oferendas a contento) -     Ekuruns, IDEM;

Exu seria capaz de diversas artimanhas até contra aqueles que o cultuam se não fosse atendido em suas vontades - Ekuruns IDEM;

Exu seria convocado principalmente para resolver situações emergentes e ligadas ao dia a dia -  Ekuruns, IDEM;

Exu seria convocado para resolver assuntos diversos ligados ao sexo - Ekuruns IDEM;

Exu seria um ser que não segue a moral européia basicamente oficializada no Brasil  -  Ekuruns IDEM;

Exu, por não seguir regras de conduta morais, segundo as oficializadas, é considerado AMORAL -  Ekuruns, IDEM.

E quando se fala de conduta amoral, inclua-se aí o fato de Exu (e Ekuruns), bem ao estilo humano, ser capaz de entrar numa briga por alguém de quem goste (ou que lhe "alimente") a despeito dele estar certo ou errado em suas propostas - pura FIDELIDADE em princípio, mas condenada por todos os que julgam atos dos outros por suas crenças e enraizamentos morais particulares mas que nem sempre agem segundo elas.
E estranhamente criticada também por seres que usam "DEUS" especificamente no sentido de minorar seus problemas diários de todas as espécies, inclusive sociais e sexuais, visando enriquecimentos pessoais também.

Não estou defendendo a amoralidade dos Exus e nem dos Ekuruns, mas que é muito mais fácil se enxergar e se escandalizar com a amoralidade alheia do que com a própria, lá isto é, não é mesmo?

Pois é. Por tantas (estas citadas e muito mais) similaridades comportamentais, a maioria dos antes chamados Ekuruns (espíritos de diversas procedências) passaram a ser identificados como Exus e assim intitulados. E este título passou a ser tão usado que, pela "lei da repetição" os ESPÍRITOS Exus viraram, na atualidade, e para quem é mediador (intermediário) de ES-PÍ-RI-TOS e não de O-RI-XÁS, mensageiros para uns, divindades para outros e portanto, por extensão de entendimentos sobre DI-VIN-DA-DE, SERES DE LUZ(?).

E ainda mais: ignorando totalmente os qualificativos dos Exus de fato e direito - OS AFRICANOS - colocam viseiras e não querem entender que PARA SER INTITULADO EXU o Espírito tem que ter, pelo menos, TRAÇOS COMPORTAMENTAIS com o ORIGINAL.

Se não tiver, se for só "bonzinho", se não for amoral (às vistas do que se compreende como tal), se não mais "fizer das suas", se não atuar mais por trocas, se ao invés de ativar a sexualidade desvanecê-la, e, principalmente se tudo isto for verdade e não mais uma estratégia de Exu para criar seguidores crentes .... então, o Espírito NÃO É MAIS UM EXU e pode até aceitar que o chamemos assim, mas EXU mesmo ele não é mais.

Mas .... aconteceu também de no passado, muito antes da Umbanda existir no Brasil, junto com os Ekuruns Machos aparecerem Ekuruns Fêmeas baixando nas Macumbas que, por serem FÊMEAS, mesmo que em aspectos comportamentais se assemelhando aos Exus africanos, não puderam ser incluídas na titulação de EXU já que EXU sempre foi o ser criado para ser MACHO (lembra-se do falo representativo?). O que aconteceu então, em relação a esses Espíritos Fêmeas?

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* TOTEM - animal, planta ou objeto que serve como símbolo sagrado de um grupo social (clã, tribo) e é considerado como seu ancestral ou divindade protetora.

**CARRANCA - tipo de escultura com feições nem sempre humanas que se crê ter por finalidade "espantar maus espíritos".

***MORAL - conjunto de valores, individuais ou coletivos, considerados como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens.

***********************

Continua brevemente.

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE I

Vamos iniciar agora uma matéria sobre Exus na Umbanda que, desde o início já é bom avisar, que visa analisar esta Linha de Trabalho dentro de parâmetros racionais, sem as MITIFICAÇÕES bastante comuns em algumas literaturas o que, muito certamente, poderá parecer aos mais afoitos (principalmente aos exumaníacos) , por conceitos que serão expostos, que seria uma tentativa de menosprezar estes falangeiros em vista de tanto endeusamento que se alastra como "ensinamentos" nos dias de hoje e que são absorvidos como tal, principalmente pelos mais novos que chegam a entender (talvez até mesmo para "benefício próprio") que TODO EXU É UM ORIXÁ E PORTANTO QUASE UM DEUS.

É muito interessante como essa tal de tradição oral se torna tão benfazeja para muitos na medida em que permite "ajustes", "interpretações pessoais", "adequações interpretativas", moldagens de acordo com o que se entendeu ou pensou-se entender com decorrentes permissões para adaptações de "conceitos finais" que se tornam trampolins para novas teorias que logo se tornam "teses" e se alardeiam, de tão repetidas que são, como "sabedorias" e até "doutrinas teológicas" muitas vezes sem qualquer racionalidade.

Como se não bastasse a "tese(?)" do Exu-Orixá na Umbanda, mais recentemente tenho encontrado pessoas que falam até de "Orixá Exu-Mirim" e nem vou mais me assombrar, em vista dos fatos, se começar a escutar ou ler sobre "Orixá Pomba Gira", "Orixá Malandro" e possivelmente outros tantos que possam vir a aparecer em função da DIVINIZAÇÃO (que já batizei de EXUMANIA [clique no link] que ocorre em função da EXULATRIA*) de Espíritos que adentraram à Umbanda como AUXILIARES para que aprendessem com os mais evoluídos novos caminhos e formas de trabalho, desligados, desta feita, das barganhas e interesses pessoais indiscriminados (lembre-se de que estou escrevendo sobre UMBANDA DE FATO) conforme lhes era natural nos Canjerês, Quimbandas, etc.

Mas que mistério é este que está se criando em relação aos Espíritos Exus que vieram das Quimbandas e Canjerês pra trabalharem nas Umbandas?

Por que, de uns tempos pra cá, resolveram DIVINIZAR os Espíritos aos quais se dá a alcunha (APELIDO) de Exus (que já foram e ainda são simplesmente EKURUNS**), que desde há muito tempo foram migrando para a Umbanda como AUXILIARES/APRENDIZES de grande valor dos Pretos Velhos e Caboclos, e até Crianças que já estavam dentro da Lei?

Que novidade é esta de que os Exus de Umbanda são Orixás? E se fossem mesmo, Espíritos Humanos que são em maioria nas falanges, porque também não seriam ORIXÁS os Caboclos, Pretos Velhos, Crianças, Baianos, Boiadeiros, Mineiros...? Por que só aos APELIDADOS de Exus estão dando status de Orixá de uns tempos para cá, buscando confundí-los com os Exus dos cultos de Nação afro-brasileira?

E como já está se tornando comum chamarem-se as Crianças de Umbanda de ERÊS (sem qualquer conhecimento de causa, mas por simples VICÍO DE LINGUAGEM), também não será nada difícil que daqui pra frente comecem a instituir o ERÊ-ORIXÁ, não é mesmo? Por que não? E, possivelmente também, mais pra frente ouviremos até sobre os Xirês dos novos orixás criados pelas "umbandas". Por que não, também?

Mas vamos a uma afirmação de base aqui, para que, na seqüência, possamos nos nortear a partir de uma base sólida.

SÓ EXISTE EXU DE VERDADE (seja ele um intermediário, seja um "orixá") A SER REVERENCIADO, NOS CULTOS AFRICANOS DE ORIGEM YORUBÁ (Nagô), mais especificamente na Tradição Ketu. Em cultos de outras raízes a palavra EXU serve apenas para SINCRETIZAR seus intermediários (como também fazem com os voduns e Inkices em relação aos Orixás) com o Exu Ketu, numa forma claríssima de FACILITAR O RECONHECIMENTO DE PROPRIEDADES desses elementais para o público não iniciado ou os profanos, como poderíamos chamar, pelo fato da palavra EXU e seus qualificativos terem sido muito mais difundidos no meio "Candomblecista" e de uma forma geral para o público. Desta forma, entidades como Mavambos, Pambu Injilas, Aluvaiás, Elegbarás, de acordo com a raíz afro, acabaram, aqui no Brasil, sendo chamadas também de Exus.

Dentre os muitos tipos de umbandas (nem todas Umbandas DE FATO E DIREITO) que encontramos por aí, podemos observar que existe uma ala das Umbandas Africanizadas, popularmente chamadas de UMBANDOMBLÉS, que, julgando estarem apoiadas em raízes africanas para montarem seus conceitos sobre Orixás, seus fundamentos práticas e rituais, entendem também que a palavra EXU tem, na Umbanda (em seu todo), a mesma conotação da palavra Exu para os Cultos de Nação Ketu.

Vamos analisar os FATOS ainda antes dos escravos aportarem no Brasil (e até depois em alguns casos) para que possamos desvendar mais esse tal "Mistério Exu" ora tão propalado?

Pelo que consta, muito bem esplanado por Pierre Verger em seu livro "Os Orixás", sabemos, em linhas gerais, que lá na mãe África nunca houve o que aqui chamamos de Candomblé (palavra que na realidade significa apenas reunião e festa para as divindades, sendo de origem Bantu) e que cada aldeia, cada cidade, cada tribo tinha sua própria divindade a ser cultuada; sabemos também que numa determinada tribo, TODOS ERAM CONSIDERADOS protegidos, afilhados, seguidores e até eleguns (os que são tomados) DE UMA SÓ DIVINDADE - a que era cultuada por aquela aldeia específica - não havendo "filhos" de outras divindades numa mesma aldeia.

Não havendo "filhos" de outras divindades cognominadas "orixás", "inkices", "voduns" numa mesma aldeia, também não seria possível, na África, o que foi criado aqui no Brasil como o XIRÊ DE ORIXÁS, que é, nos "Candomblés", uma ordem de chamada e entrada dos orixás para que cada um dance e seja louvado.

Percebe? Se em Oyó, por exemplo, o "santo" era só Xangô, como poderiam fazer lá uma roda de Candomblé com a presença de Oxuns, Yemanjás, Oguns, etc, se até hoje, como se sabe e já foi exposto aqui neste Blog, Oxum, cultuada na região de Ijexá, é uma solene desconhecida na região de Egbá, local em que o culto se dirige a Yemanjá, acontecendo o mesmo para outras diversas tribos e suas divindades (orixás)?

Exu (a verdadeira entidade africana que recebia esta denominação) era considera-do como uma entidade ou "divindade" intermediária entre os humanos e suas divindades (orixás) principais e era assentado (firmado) no chão e não nas cabeças de quaisquer eleguns, como até hoje também não é nos cultos de raiz Yorubá/Ketu ou Ketu/Nagô (exatamente os que usavam e usam o termo Exu para designar este intermediário) aqui mesmo no Brasil, até onde se sabe. Em outras palavras, NÃO SE INICIAM FILHOS PARA EXU exatamente nas tradições onde este nome - EXU - foi criado para esses mensageiros.

O Exu Yorubá, possuia (e possui), contado por seus próprios crentes, algumas qualidades comportamentais bem "interessantes", digamos assim, "divindade mensageira" que era e por isto mesmo, tão mais ligado à materialidade da vida dos humanos que a ele recorriam tentando agradá-lo para que seus pedidos à verdadeira divindade (orixá da tribo) pudessem ser levados sem os tropeços ou artimanhas que Exu sempre soube tão bem engendrar quando não se via satisfeito com qualquer coisa.

Para melhor explicar aos seguidores do culto sobre o temperamento do Exu africano existem diversas Lendas dentre as quais vou destacar algumas para que se veja o quanto de "humanidade", principalmente nas artimanhas, existia (e existe) nesta figura tão debatida e tão pouco compreendida.

PRIIMEIRA LENDA.

Exu sempre foi ranzinza e encrenqueiro, adorava provocar confusões e fazia brincadeiras que deixavam a todos confusos e irritados. Certa manhã acordou desalentado, afinal quem era ele? Não fazia nada, não tinha poder algum, perambulava pelo mundo sem ter qualquer motivação. Isso não estava correto. Todos os orixás trabalhavam muito e tinham seus campos de atuação bem definidos e para ele nada fora reservado. Essa injustiça ele não iria tolerar. Arrumou um pequeno alforje e colocou o pé no mundo. Iria até o Orun exigir explicações. Depois de muito andar, finalmente chegou ao palácio de Olorun. Tudo fechado. Dirigiu-se aos guardas do portão e exigiu uma audiência com o soberano. Eles riram muito.

Quem era aquele infeliz para vir ali e exigir qualquer coisa?

Exu ficou enfurecido nem os guardas daquela porcaria de palácio o respeitavam. Passou então a gritar impropérios contra o grande criador. Imediatamente foi preso e jogado em uma cela onde ficou imaginando como sair daquela situação. Já estava arrependido de ter vindo, mas não daria o braço a torcer. Iniciou novamente a gritaria e tanto barulho fez que Olorun decidiu falar com ele.

Exu explicou o que o trazia ali, falou da injustiça que se achava vitima e exigiu uma compensação. Pacientemente o pai da criação explicou que todos os orixás eram sérios e compenetrados, mas que ele, Exu, só queria saber de confusões e brincadeiras. Então como ousava tentar se igualar aos companheiros? Que fosse embora e não o aborrecesse mais.

Era assim? Não prestava para nada? Era guerra? Resolveu fazer o que mais sabia: Comer!

Todos sabiam de sua fome incontrolável desde o nascimento. Desceu do Orun e começou a atacar os reinos dos orixás.

Comeu as matas de Oxóssi. Bebeu os rios de Oxum. Palitou os dentes com os raios de Xangô. O mar de Iemanjá era muito grande e ele foi bebendo aos poucos. A terra tornou-se árida e prestes a acabar. Por conta disso todos os orixás correram ao palácio em completo desespero. Exu imediatamente foi preso e arrastado novamente até o Orun, desta vez, porém, sentia-se vitorioso. Exigiu ser tratado com respeito e assumir um lugar no panteão divino. Se assim não fosse, nada devolveria e comeria o restante do mundo.

Foi feita então uma reunião para se resolver o grande problema. Olorun não poderia julgar sozinho e todos que ali estavam tinham muito a perder.

Depois de muita discussão chegaram a um consenso. Exu seria o mensageiro de todos eles, o contato terreno entre os homens e os deuses. Ele gostou, mas ainda perguntou:

- E vou morrer de fome?

Nova discussão. Decidiram então que todos os orixás que recebessem oferendas entregariam uma parte a ele. Exu saiu satisfeito, agora sim tinha a importância que merecia, desceu cantarolando e devolvendo pelo caminho tudo que tinha comido e a paz voltou a terra, mas ficou o recado: Com Exu ninguém pode!"

Fonte:LENDA DE EXU (clique no link)
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Como se pode perceber pela interação entre divindades citadas no texto, fica claro que esta lenda (Itan) foi criada aqui mesmo no Brasil, não sendo, portanto, uma real descrição do que era cultuado como Exu na África. No entanto, pode-se perceber o posto de Exu como MENSAGEIRO das outras divindades.

Vamos a uma outra.

"Certa vez, dois amigos de infância, que jamais discutiam, esqueceram-se, numa segunda-feira, de fazer-lhe as oferendas devidas.

Foram para o campo trabalhar, cada um na sua roça. As terras eram vizinhas, separadas apenas por um estreito canteiro. Exu, zangado pela negligência dos dois amigos, decidiu preparar-lhes um golpe à sua maneira.

Ele colocou sobre a cabeça um boné pontudo que era branco do lado direito e vermelho do lado esquerdo. Depois, seguiu o canteiro, chegando à altura dos dois trabalhadores amigos e, muito educadamente, cumprimentou-os:

- "Bom trabalho, meus amigos!"

Estes, gentilmente, responderam-lhe:

- "Bom passeio, nobre estrangeiro!"

Assim que Exu afastou-se, o homem que trabalhava no campo à direita, falou para o seu companheiro:

- "Quem pode ser este personagem de boné branco?"

- "Seu chapéu era vermelho", respondeu o homem do campo à esquerda.

- "Não, ele era branco, de um branco alabastro, o mais belo branco que existe!"

- "Ele era vermelho, um vermelho escarlate, de fulgor insustentável!"

- "Ele era branco, tratas-me de mentiroso?"

- "Ele era vermelho, ou pensas que sou cego?"

Cada um dos amigos tinha razão e estava furioso da desconfiança do outro.

Irritados, eles agarraram-se e começaram a bater-se até matarem-se a golpes de enxada.

Exu estava vingado!

Isto não teria acontecido se as oferendas a Exu não tivessem sido negligenciadas."

(Do livro Lendas Africanas dos Orixás) Pierre Fatumbi Verger/Caribé - Editora Corrupio"

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Esta é uma outra lenda que pretende ensinar aos seguidores do culto o quanto o Exu africano pode ser ranzinza e o quanto pode engendrar de artimanhas para se vingar daqueles que o contrariam e o quanto age segundo suas próprias "leis".

Em resumo, ambos os itans trazidos demonstram bem o quão AMORAL (não é IMORAL, vejam bem) o Exu africano pode ser, dependendo do que pretenda alcançar.

Por esta amoralidade natural deste ser "divinizado", além de suas outras claras ligações com a sexualidade, sendo tanto o Ogó (aquele bastão de forma fálica que dizem trazer na mão) quanto os elementos também fálicos que são colocados em seus assentamentos, claras alusões a esta sexualidade, o Exu africano foi logo sincretizado com o tal demônio da ICAR desde muito cedo.

Fixando-nos agora aqui no Brasil desde o "princípio do fim da escravatura" e mais precisamente aqui no Estado do Rio, berço da UMBANDA, veremos, ao consultarmos João do Rio em "As Religiões do Rio" [clique no link], que antes dela aparecer, já existiam vários e vários cultos e práticas africanistas eivadas de apêndices buscados e misturados de outros cultos, inclusive com rezas e trechos de livros como a Bíblia e o Alcorão, além das práticas "mágícas", divinatórias e iniciáticas a seus modos e, segundo os "sacerdotes" de então, "conhecimentos trazidos da África".

Nesses cultos, já em 1904, Exu - o que hoje é tido como "orixá" - já era sincretizado e aceito pelos próprios sacerdotes das "Macumbas Cariocas" como "o diabo" e sob este mesmo sincretismo se ufanavam os que o tinham em culto, com claros fins de se tornarem pessoas "respeitáveis pelo poder" que teriam. Afinal, para os leigos e a maior parte dos iniciandos (Abians/ Ntanjis) "eles teriam o próprio demônio aos seus dispores".

Eta "poder", não?

Não entre os de cultura Yorubá, mas entre os Bantus mais especificamente, começaram a se apresentar Espíritos (Eguns/Kilenjis) de índios principalmente, que a princípio foram tidos como ancestrais aqui da terrinha e também outras entidades meio que "endiabradas" que, posteriormente, pela semelhança comportamental com o Exu Nagô (mas também com seus Mavambos, Pambu Injilas, etc.) e a partir do momento em que os próprios Bantus passaram a se utilizar de terminologias Nagôs para identificarem suas "divindades", foram APELIDADAS DE EXUS.

E por que, mais detalhadamente, esses Espíritos foram chamados (apelidados) de Exus sem serem ORIXÁS e sim ES-PI-RI-TOS?

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OBSERVAÇÕES
* - EXULATRIA = excesso de admiração pelos Exus; idolatria aos Exus.

** - EKURUNS = assim eram chamados espíritos que se julgavam "morarem" nas matas, rios, cachoeiras, encruzilhadas, pelos de descendência bantu, antes ainda que fossem reconhecidos como grupos de Espíritos humanos e/ou elementais, sem qualquer conotação com o que seriam Orixás, Inkices(MIkice) ou Voduns.

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Continua brevemente. Enquanto isto, que tal você que é honesto na Umbanda que pratica, disponibilizar o endereço e/ou telefone de seu terreiro para que ajudemos às pessoas que buscam uma Umbanda Séria para darem início ou sequência às suas vidas dentro da espiritualidade/mediunidade?

Clique no título DIVULGAÇÃO DE TERREIROS e informe-se pela matéria sobre como fazer este tipo de CARIDADE.

Vamos! ANIME-SE!

VAMOS AJUDAR A QUEM PRECISA!!!

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E vejam também em http://umbandasemmedo.blogspot.com/2011/07/publicacao-dos-livros-impressos.html como poderão adquirir os Livros da Série UMBANDA SEM MEDO, agora também impressos pelo AGBOOK.

domingo, 17 de julho de 2011

PUBLICAÇÃO DOS LIVROS IMPRESSOS

Meu SARAVÁ a todos em primeiro lugar e até mesmo minhas desculpas por parecer estar meio que afastado do Blog, embora isto não seja bem a verdade - tenho respondido a todas as indagações a mim dirigidas nos comentários de diversas matérias. Apenas compromissos de outras ordens têm-me mantido bastante ocupado, o que espero não acontecer tanto doravante.

Em decorrência da enquete sobre a publicação dos livros sob forma impressa ter sido acentuadamente a favor, acabei fazendo-a através de um site que me permite fazê-la de graça (O AGBOOK em http://www.agbook.com.br/) e, conforme explicado na página PESQUISA SOBRE OS LIVROS , sem qualquer ganho por minha parte, até para que os preços finais ficassem bem acessíveis.

E como vocês não são obrigados a acreditar piamente no que digo ou escrevo, aproveitei e copiei lá no site mesmo, detalhes sobre os livros publicados que incluem, além do preço final,  as comissões por direitos autorais, o que poderão observar e constatar olhando as figuras abaixo e atentando para onde apontam as flechas vermelhas.


Clique no link UMBANDA SEM MEDO VOL I e veja como comprar

Clique no link UMBANDA SEM MEDO VOL II e veja como comprar

Clique no Link UMBANDA SEM MEDO VOL III e veja como comprar.

Por enquanto vamos ficando por aqui, mas aguardem novos temas em breve tempo porque consegui, depois de muito "fuçar", aprender a colocar sons neste Blog para lhes trazer as falas (mais claras do que as ouvidas até agora porque já as apurei) do senhor Zélio de Moraes sobre a Alabanda, Aumbanda e depois UMBANDA que trouxe à Terra por ação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, sendo este um dos próximos temas.

Enquanto isto ... acessem a página DIVULGAÇÃO DE TERREIROS e, SE VOCÊS FOREM DAQUELES QUE REALMENTE CONFIAM NA UMBANDA QUE PRATICAM, leiam o texto e ajudem as pessoas que necessitam de amparo a encontrar os seus Terreiros ou Centros seguindo as instruções ali contidas.

Recebam todos um FORTE E SINCERO ABRAÇO FRATERNO!!