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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sincretismos Religiosos Brasileiros - PARTE II


OS BANTOS

A partir do século XV inicia-se uma das maiores migrações forçadas da história da humanidade, na qual milhões de africanos que haviam sido capturados em seus territórios ancestrais, na maioria das vezes por outros africanos de tribos rivais, foram levados para o litoral e vendidos como escravos para os europeus e brasileiros em portos específicos na África e trazidos nessas condições para o Brasil.

Durante o final do século XVI e final do século XVIII, a principal etnia (40) trazida para o Brasil foi a dos bantos, povo que durante o período de colonial brasileiro ocupava a maior parte do continente africano situado ao sul do Equador, na região onde hoje estão localizados o Congo, a República Democrática do Congo, Angola e Moçambique, entre outros.


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40 Etnia designa um grupo de origem e cultura comuns.
41 Figura disponível em
http://www.multirio.rj.gov.br/portal/popup/rotas_escravidao/index.htm
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Apesar de os bantos dominarem praticamente toda a África Subsaariana nos séculos citados acima, pesquisas arqueológicas recentes indicam que a provável área de origem ancestral desta etnia é o sudeste da atual Nigéria, ao longo do vale do Cross River, e que por volta de 2.000 a.C. eles teriam iniciado uma grande migração para o sul, através da qual difundiram suas tradições.(43)

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42 Figura disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:African_languages.png
43 DORLING KINDERSLEY LIMITED, 2005, p. 160.
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Figura 13 – Provável área de origem e rotas de migração da etnia banto.(44)



Parece que a grande maioria dos bantos que foram trazidos para o Brasil cultuavam um deus supremo chamado de Nzambi (45), Nzambi Mpungu (46) ou Anganga Nzambi (47) e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Inquices. Entre as línguas faladas por esta etnia estão o quicongo (Congos e Norte de Angola), o quimbundo (centro de Angola) e o umbundo (sul de Angola).

Durante o período colonial brasileiro, os africanos vendidos no litoral eram classificados em nações, as quais estavam relacionadas ao porto ou região em que era realizado o comércio de escravos com os europeus. Assim, com base nesse sistema, a etnia banto foi dividida em “nações”, sendo algumas delas: Angola, para os embarcados em Luanda; Benguela, para os embarcados em Benguela; Cabinda, para os embarcados em Cabinda; Congo, para os embarcados em Loango e Malemba; e Moçambique, para os embarcados em Moçambique e Maputo.

Assim que chegavam ao Brasil, os africanos escravizados eram logo submetidos a aculturação portuguesa, traduzida principalmente na catequese católica: eram batizados e recebiam um nome “cristão”, pelo qual seriam conhecidos a partir daquele momento.
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44 Adaptado da figura disponível em http:\\images.encarta.msn.com\xrefmedia\aencmedtargetsmaps\mhi000f2413.gif
45 Nzambi significa Deus.
46 Nzambi Mpungu significa Deus Supremo.
47 Anganga Nzambi significa Senhor Deus.
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48 - Mosaico criado com base nas figuras feitas por Rugendas,
disponível em: http://www.brevescafe.oi.com.br/trafico_ rugen.htm
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OUTROS SINCRETISMOS SURGIDOS NO PERÍODO COLONIAL

CALUNDU


Assim como os tupis, os bantos também tentaram preservar suas tradições religiosas no Brasil, adaptando suas crenças às condições de escravidão a que estavam submetidos. A principal forma encontrada por eles (a semelhança do que foi feito pelos tupis décadas antes) foi associar os santos católicos aos seus deuses, no caso os Inquices, de acordo com as características que ambos (santos e Inquices) possuíam em comum. Foi a partir deste sincretismo, ocorrido no interior das senzalas a partir do final do século XVI, que nasceu a primeira manifestação sincrética da religiosidade banto-católica no Brasil: o Calundu.

Seu nome foi originado da palavra banto calundu, que até o século XVIII foi utilizada para designar genericamente a manifestação de práticas africanas relacionadas a danças e cantos coletivos, acompanhadas por instrumentos de percussão, nas quais ocorria a invocação e incorporação de espíritos e a adivinhação e curas por meio de rituais de magia. (49) Como manifestação sincrética banto-católica, o Calundu era organizado basicamente em torno de seu chefe de culto e englobava uma grande variedade de cerimônias que associavam elementos bantos (atabaques, transe mediúnico, banhos de ervas, trajes rituais, sacrifícios de animais), católicos (cruzes, crucifixos, hóstias, anjos e santos) e crenças espiritualistas européias (adivinhação por espelhos, espíritos que transmitem mensagens através de objetos).(50) Por causa disso é possível afirmar que cada unidade de culto do Calundu era único, diferindo dos demais por um ou mais elementos ritualísticos.

O Calundu foi uma manifestação sincrética nacional, existindo relatos dessa prática na Bahia, em Pernambuco e em Minas Gerais, inclusive em várias cidades coloniais da região mineradora, tais como Arraial de São Sebastião, Itapecerica, Campanha e Mariana. Um dos relatos escritos mais antigos sobre o Calundu é o Compêndio narrativo do peregrino da América, obra de Nuno Marques Pereira publicada em 1728, no qual esse viajante português ao indagar o dono da fazenda onde encontrava- se hospedado o que seriam calundus, obteve a seguinte resposta:


“São uns folguedos ou adivinhações que dizem estes pretos que costumam fazer nas suas terras, e quando se acham juntos também usam deles cá, para saberem várias cousas, como as doenças de que sofrem, e para adivinharem algumas cousas perdidas, e também para terem ventura em suas caçadas e lavouras, e para outras cousas.” (51)

Pelo texto dos parágrafos acima, chama atenção a aparente tolerância ao Calundu manifestada pelos proprietários de escravo. Muito provavelmente essa atitude devia-se a crença deles de que com essa prática os africanos manteriam vivas, dentro da senzala, as rivalidades tribais existentes na África, o que dificultaria a formação de rebeliões ou fugas. É importante ressaltar que, apesar dessa tolerância, os aspectos ritualísticos do Calundu ligados à magia e à incorporação de espíritos eram frenquentemente combatidos por serem consideradas coisas malignas, surgindo daí a expressão magia negra para designar a magia voltada para o mal, que na mentalidade da época era “coisa de negro”.
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49 SILVA, 2005, p. 43.
50 SILVA, 2005, p. 45-46.
51 CALAINHO, 2005, p. 69.
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CATIMBÓ OU CULTO À JUREMA

Ao longo de todo o período de escravidão negra no Brasil, inúmeras foram as tentativas bem sucedidas de fugas das senzalas empreendidas pelos africanos. Os relatos dos inúmeros quilombos existentes no país ao longo dos períodos coloniais e imperiais são a prova mais marcante disso. Entretanto, no início, antes do surgimento dos primeiros quilombos, os africanos que conseguiam sucesso em suas fugas só conseguiam abrigo nas aldeias indígenas do interior.

Mais do que abrigar os primeiros africanos bantos fugidos das senzalas, as aldeias indígenas abrigariam toda a cultura e religiosidade deles, que acabaria por influenciar sua própria cultura e religiosidade.

Foi muito provavelmente no nordeste do século XVII, que uma pequena parcela de religiosidade banto acabou se misturando ao sincretismo ameríndio-católica do interior, levando ao surgimento da primeira religião sincrética brasileira surgida da fusão religiosa dos três povos formadores do país: o Catimbó, também conhecido como Culto à Jurema.

O Catimbó é uma religião que existe até os dias de hoje e pode ser encontrado em praticamente todo o nordeste, principalmente no interior. Sua principal matriz religiosa é a ameríndia, misturada a elementos católicos portugueses e com menor ou maior influência africana dependendo do lugar de reunião. Sobre suas práticas religiosas, nos diz Luiz Assunção:




“(...) é um culto de possessão, de origem indígena e de caráter essencialmente mágico-curativo, baseado no culto dos “mestres”, entidades sobrenaturais que se manifestam como espíritos de antigos e prestigiados chefes de culto, como juremeiros e catimbozeiros. Tem por base um sistema mitológico no qual a jurema é considerada árvore sagrada e, em torno dela, dispõe-se o “reino dos encantados”, formado por cidades, que por sua vez são habitadas pelos “mestres”, cuja função, quando incorporados, é curar doenças, receitar remédios e exorcizar as “coisa-feitas” e os maus espíritos dos corpos das pessoas. O culto da jurema caracteriza- se, ainda, pela ingestão de uma bebida sagrada, feita com a casca da árvore e que tem por finalidade propiciar visões e sonhos, e pelo intensivo do fumo, utilizado na defumação feita com a fumaça dos cachimbos.”(52)


Apesar de também existirem a incorporação de Caboclos no Catimbó, seu culto baseia-se principais nas entidades conhecidas como Mestres da Jurema (ou apenas Mestres). É através deles que se realiza o principal trabalho das entidades do Catimbó, a cura de doenças e a receita de remédios para os males físicos, podendo também ocorrer trabalhos para solucionar alguns problemas materiais e amorosos. Cabe também aos Mestres e aos Caboclos realizar a limpeza espiritual dos adeptos e a expulsar maus espíritos das pessoas.

Os Mestres são entidades que se especializam em determinada erva ou raiz e que guardam muitodo comportamento e personalidade de sua última encarnação, o que os torna muito naturais e espontâneos, além de possuírem uma forte ligação com a sua caracterização física. Seu símbolo é o cachimbo e em seus assentamentos é sempre encontrado um fumo de rolo. Uma característica que chama a atenção é que não existem Mestres do bem ou do mal: eles tanto podem trabalhar para um quanto para o outro, dependendo da orientação do local de culto e do médium.

Assim como outras religiões sincréticas, nesta não existe um padrão escrito que torne todos os rituais idênticos em cada local de culto. Além dos fundamentos básicos dessa religião, que são comuns a todos os locais de culto, existem pequenas variações ritualísticas nesses lugares, as quais estão intrinsecamente relacionados aos seus dirigentes, o que faz de cada um deles único em seu formato ritualístico.

Comum a todos os locais de culto do Catimbó é a Mesa de Jurema, altar junto ao qual são consultados os espíritos e onde são oferecidas as obrigações que a eles se deva. Nelas podem ser vistos recipientes de barros contendo troncos de plantas, simbolizando as cidades dos principais Mestres da casa, juntamente com imagens de alguns santos católicos, maracás, cachimbos, taças ou copos cheios de água, chamados de Príncipes e vasilhas redondas de vidro ou louça, chamadas de Princesas. É nas Princesas que são preparadas a bebida jurema e onde são oferecidos alimentos ou bebidas aos Mestres.(53)


Um ritual comum a praticamente todos os locais de culto é a juremação, que consiste na implantação de uma semente da jurema por baixo da pele do discípulo. Existem três diferentes formas para que isso ocorra: na primeira, um Mestre promete ao discípulo e após algum tempo surge a semente por baixo da pele dele; na segunda, o dirigente de culto realiza um ritual onde o discípulo recebe uma semente e o vinho da jurema para ingerir e após sete dias consecutivos, durante os quais ocorre abstinência sexual e nos quais o discípulo é levado em sonhos pela entidades para conhecer as cidades e aldeias onde eles residem, a semente ingerida aparece embaixo de sua pele; na terceira, o juremeiro implanta a semente da jurema, através de um corte realizado na pele do braço.(54)


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52 ASSUNÇÃO, 2006, p. 19.
53 WWW.CATIMBO.COM.BR, 2005.
54 WWW.CATIMBO.COM.BR, 2005.

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CASAS DE CANDOMBLÉ



Ao longo dos séculos XVII e XVIII, cresce o número de cidades em todo o país, particularmente na região mineradora, em parte devido as características dessa atividade econômica. Devido a esse fato, surge uma situação completamente nova em todo o território colonial: o aumento do número de negros e mulatos alforriados (livres) e de escravos circulando com relativa liberdade nessas áreasurbanas. É a partir das residências desses negros e mulatos livres, localizadas em sua grande maioria em casebres e cortiços, que as manifestações religiosas de origem africana encontraram condições mínimas para se desenvolverem, locais onde os afro-descendentes poderiam realizar suas festas com certa frequência e construírem e preservarem os altares com os recipientes consagrados aos seus deuses.(55) E são nessas residências que surge, em fins do século XVIII e início do século XIX, uma nova manifestação sincrética brasileira, que ficou conhecida na Bahia como Casas de Candomblé.

O Candomblé surge com base no fortalecimento das tradições religiosas bantos preservadas no sincretismo do Calundu e a assimilação de algumas poucas práticas indígenas que sobreviviam nos quilombos e nas aldeias indígenas dos arredores deles. É interessante notar a importante relação de ajuda mútua que existia entre as Casas de Candomblé e os quilombos que se localizavam mais próximo das zonas urbanas.

Devido a servirem como moradia e também como local de culto, as Casas de Candomblé se estruturam com base nas famílias-de-santo, que estabeleceu entre seus adeptos uma espécie de parentesco religioso, característica que foi um importante legado a outras religiões sincréticas que se originaram a partir dele.

Assim como outras manifestações sincréticas, nestas não existia uma doutrina formal de culto, um padrão. Além dos fundamentos básicos dessas manifestações, que são comuns a todos os locais de culto, existem pequenas variações ritualísticas nesses lugares, as quais estão intrinsecamente relacionados aos seus dirigentes, o que fez de cada um deles único em seu formato ritualístico.


OS SUDANESES


A partir da década de 1840(56) intensifica-se o tráfico de escravos da etnia sudanesa através da Rota da Mina, que tinha como origem os portos africanos de Lagos, Calabar e, principalmente, São Jorge da Mina, superando no período todas as demais em termos de escravos trazidos ao Brasil.

A etnia sudanesa era originada principalmente da África Ocidental, na região onde hoje estão localizados Nigéria, Benin, Togo e Gana e é formada pelos povos iorubá, ewe, fon e mahin, entre outros. À semelhança do que ocorreu com a etnia banto, muitos escravos da etnia sudanesa ficaram conhecidos como mina no Brasil, em virtude do porto em que embarcavam na África: São Jorge da Mina.

Apesar de inicialmente muitos terem ficados conhecidos apenas como mina, ao longo do século XIX os escravos da etnia sudanesa passaram a ser conhecidos sobre outra nomenclatura, devido a rivalidade e a diferença cultural existente entre os povos iorubá e ewe/fon, que foi transportada da África para o Brasil junto com eles. Dessa forma, o povo iorubá passou a ser conhecido no Brasil como mina-nagô ou nagô, enquanto os povos ewe, fon e mahin ficaram conhecidos como mina-jeje ou jeje, termo este que advém do iorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro e era usada de forma pejorativa pelos iorubás para designar as pessoas que habitavam a leste de seu território. Os nagôs que foram trazidos para o Brasil tinham como idioma a língua iorubá e cultuavam um deus supremo chamado de Olorun ou Olodumaré e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Orixás. Apesar de na África existirem cerca de 400 Orixás, a grande maioria deles era cultuada em apenas uma cidade, aldeia ou tribo, sendo poucos os que possuíam um culto em várias localidades. Os jejes que foram trazidos para o Brasil cultuavam uma divindade suprema chamada de Mawu e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Voduns. Apesar de na África existirem cerca de 450 Voduns, e a exemplo do que ocorreu com os Orixás, a grande maioria deles era cultuada em apenas uma cidade, aldeia ou tribo, sendo poucos os que possuíam um culto em várias localidades. Assim como ocorreu com os bantos, os escravos sudaneses trouxeram para o Brasil parte de sua cultura e de suas crenças religiosas, que foram pouco a pouco levadas para dentro de algumas manifestações sincréticas aqui existente, devido aos negros alforriados e aos escravos fugidos que buscavam refúgio nos quilombos, levando ao aparecimento de diversas religiões sincréticas em solo brasileiro no século XIX, muitas delas com base nas Casas de Candomblé.


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55 SILVA, 2005, p. 48.
56 SOARES, 2006, p.47.
57 Mina ou Nagô fotografada por Auguste Stahl em 1865
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OS SINCRETISMOS SURGIDOS NA BAHIA DURANTE O PERÍODO IMPERIAL

CANDOMBLÉ DE NAÇÃO


Com a intensificação da adição de elementos sudaneses às Casas de Candomblé no séc. XIX, estas acabaram por dar origem a uma nova religião sincrética brasileira conhecida como Candomblé de Nação(58), a qual encerra dentro de si três modelos de culto relacionados as principais etnias e povos trazidos como escravos para o Brasil: a banto, a sudanesa nagô e a sudanesa jeje.

O modelo de culto banto é o mais difundido em todo o Brasil, podendo ser encontrado principalmente nos estados da Bahia, do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Pernambuco, de Minhas Gerais, de Goiás e do Rio Grande do Sul. Ele é formado pelas nações Angola, Congo e Muxicongo, cuja principal diferença reside na língua de origem banto utilizada nos rituais. Apesar dessa diferença na língua, existe uma grande semelhança entre os rituais, o que faz com que atualmente alguns pesquisadores considerem todas as nações fundidas na Nação Angola.


O modelo de culto sudanês nagô é formado pelas nações Ketu (ou Queto), Efã e Ijexá. O Candomblé de Nação Ketu é praticado em quase todo o Brasil, principalmente na Bahia, sendo o que apresenta atualmente a maior divulgação nacional entre todos os Candomblés de Nação, devido ao grande número de escritores e cantores baianos que passaram a divulgá-lo. O Candomblé de Nação Efã é praticado principalmente nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. O Candomblé de Nação Ijexá é praticado principalmente na Bahia.(59)


O modelo de culto sudanês jeje é formado pelas nações Jeje-Fon e Jeje-Mahin. Tanto o Candomblé de Nação Jeje-Fon quanto o Candomblé de Nação Jeje-Mahin são praticados principalmente na Bahia, podendo ser encontrados também no Rio Grande do Sul, em Pernambuco e em São Paulo.(60)


Contando com a relativa liberdade religiosa dos séculos XX e XXI, os adeptos dos Candomblés de Nação procuram reproduzir em solo brasileiro a forma como suas divindades eram cultuadas por seus ancestrais africanos, o que levou alguns deles a realizarem pesquisas in loco em aldeias e templos na África para aprenderem os rituais que foram perdidos nas brumas do tempo da escravidão.

Os Candomblés de Nação Angola, Congo e Muxicongo cultuam um deus supremo chamado Nzambi ou Zambi (também conhecido como Nzambi Mpungu ou Zambiapongo) e a natureza deificada, personificada nas divindades chamadas Inquices. Os atabaques são tocados com as mãos e as cantigas possuem muitos termos em português.

Os fundamentos dos Candomblés de Nação do modelo de culto banto, muitos dos quais incluem ou são baseados nas histórias, lendas e mitos acerca dos Inquices, são passados oralmente pelos sacerdotes da religião, chamados de Tata Nkisi (masculino) ou Mametu Nkisi (feminino). Para se atingir o grau de sacerdote na nação Angola é necessário passar por sete rituais, os quatro últimos ligados ao tempo de iniciação na religião (1 ano, 3 anos, 5 anos e 7 anos), nos quais são ensinadas as tradições religiosas, as danças, as cantigas, o preparo das comidas sagradas, a cuidar de espaços sagrados 
e os votos de segredo e obediência. Completada esta etapa, o novo sacerdote deve renovar as obrigações maiores de 7 em 7 anos para conservar-se forte.
Além do jogo de búzios, os Candomblés de Nação Angola, Congo e Muxicongo utilizam um outro sistema divinatório chamado de Ngombo, cujo responsável pela prática é conhecido como Kambuna.
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58 - O termo nação associado ao nome da religião foi adotado pelos seus adeptos com o objetivo de distinguir a forma de
culto das divindades, associado a etnia africana da qual descenderiam.
59 - MANUELA, 2007.
60 - MANUELA, 2007.
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CONTINUA .....................
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

INICIANDO 2009

Iniciando mais um ano de nosso BLOG, vamos começar com u'a matéria de pesquisa do nosso amigo RENATO HENRIQUE GUIMARÃES DIAS (companheiro e participante ativo nas Comunidades: UMBANDA SEM MEDO no Orkut e CASA DO CABOCLO ARRANCA TOCO no Google Groups), que se dispôs a estudar, em várias fontes, as raízes dos SINCRETISMOS RELIGIOSOS NO BRASIL.

Essa é u'a matéria de e para estudos sérios, que aborda vários cultos anteriores à Umbanda no Brasil e os sincretismos (fusões de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos) que se viram obrigados a criar seus praticantes, entre os anos de 1500 (ano oficial do "Descobrimento" do Brasil) e 1908 (ano da Criação e Anunciação da UMBANDA NO BRASIL), persistindo muitos deles até os dias de hoje.

Neste estudo, em textos leves e atrativos, o leitor interessado poderá encontrar, sem se cansar, muitos subsídios importantes para u'a melhor compreensão de como tudo começou.

Vamos à leitura explicando desde já, que pela extensão da matéria, ela será colocada em diversas partes.

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INTRODUÇÃO


A partir de 1500, o território brasileiro tornou-se palco para o encontro de três grandes tradições culturais: a ameríndia, nativa da terra; a européia, trazida pelos colonizadores portugueses e a africana, trazidas pelos escravos bantos e sudaneses. Um encontro que foi desde o início marcado pela imposição da cultura européia às populações indígenas e africanas, refletida, principalmente, na imposição da religião cristã da Igreja Católica Apostólica Romana a esses dois grupos.


Essa tentativa forçada de aculturação sempre encontrou resistência, que acabou resultando em várias tentativas feitas por indígenas e africanos de conciliar os princípios de suas culturas e, por consequência, de suas tradições religiosas, a doutrina cultural e religiosa que lhes eram impostas.

Essas tentativas de preservação dos princípios e práticas religiosas indígenas e africanas, por meio da conciliação com os princípios e práticas católicas, acabou levando ao nascimento de várias religiões sincréticas em solo brasileiro, únicas no mundo, algumas delas existentes até os dias de hoje.



Infelizmente existem poucos estudos sobre a grande maioria delas. O que se fez aqui foi reunir, de forma sintética, informações que permitam fornecer uma idéia ampla de como elas são, como surgiram e se desenvolveram e os processos que levaram algumas delas a dar origem a outras.

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O INÍCIO DE TUDO: A RELIGIOSIDADE TUPI

Embora várias nações indígenas habitassem o território brasileiro durante os primeiros anos da colonização européia, nenhum grupo foi tão influenciado pelos portugueses quanto os tupis (1), que no século XVI dominava quase todo o litoral brasileiro e era formado pelas tribos Potiguar (2), Tabajara, Caeté (3), Tupinambá (4) , Tupiniquim, Temiminó e Tamoio (5).

Estudos antropológicos recentes levam a crer que os Tupinambá (incluindo aqui os Tamoio que também eram Tupinambás, apesar de receberem outro nome) eram a nação tupi por excelência e que as demais tribos seriam suas descendentes(6). A nomenclatura pela qual se denominavam parece indicar isso, uma vez que tupinambá significa o grande pai macho.



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1 Tupi significa “o grande pai”.
2 Potiguar significa “papa-camarão”.
3 Caeté significa “gente da floresta”.
4 Tupinambá significa “o grande pai macho”.
5 Tamoio significa “os anciões”.
6 BUENO, 2003, p. 19.
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Figura 01 – As tribos do litoral.(7)
Figura escaneada de BUENO, 2003, p. 18.






Embora o litoral fosse dominado por eles, os tupis não eram originários dessas terras. Pesquisas antropológicas, arqueológicas e linguísticas recentes indicam que o provável local de sua origem seja a Amazônia Centro-Meridional, mais especificamente a região entre os rios Amazonas, Madeira e Tapajós.
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8 Ilustração do livro Duas Viagens ao Brasil, de Hans Staden, 1557.
9 Ilustração do livro Duas Viagens ao Brasil, de Hans Staden, 1557.
10 Ilustração de Theodor de Bry.

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As pesquisas também indicam que em algum momento nos primeiros séculos da era cristã, por motivos ainda desconhecidos, eles iniciaram uma ampla migração religiosa em busca da “Terra Sem Males”, utilizando duas grandes rotas: uma pela litoral, que deu origem as tribos citadas acima e outra pelo vale do Rio Paraguai, que deu origem as tribos guaranis(11). Por volta do ano 1000 da era cristã, as tribos tupis já teriam conquistado quase todo o litoral brasileiro, exterminando ou expulsando para o interior os povos que consideravam bárbaros, que denominavam genericamente de tapuias (12).


Figura 05 – Provável área de origem e rotas de migração tupiguarani no Brasil. (13)
Existem registros bem documentados sobre alguns aspectos da vida dos tupis. Sabemos que eles possuíam duas espécies de líderes: o chefe da tribo, chamado de morubixaba e o líder espiritual, chamado de pajé. Entre as ferramentas que fabricavam, estavam as canoas, cestos, objetos de cerâmica, colares, braceletes, flechas, arcos, lanças, tacapes, machados de pedra e facas. 

Entretanto, é muito difícil tentar reconstruir com detalhes as tradições religiosas e crenças tupis à
época do descobrimento do Brasil, pois o que que sabemos sobre elas deve-se aos relatos feitos por europeus que por diversos motivos se estabeleceram aqui no início do período colonial, tais como o cronista Gabriel Soares de Sousa, o mercenário alemão Hans Staden e os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, os quais não se preocuparam em estudar e deixar registros detalhados das mesmas.

O que podemos apreender dos relatos dos primeiros colonizadores sobre a religiosidade tupi foi muito bem sintetizado no trabalho de Vagner Gonçalves da Silva:

“Seu ponto central era o culto à natureza deificada. O pajé e o feiticeiro ou xamã eram os que tinham acesso ao mundo dos mortos e dos espíritos da floresta, e geralmente a eles competia realizar rituais de cura de doenças, expulsar maus espíritos que se alojavam nos corpos das pessoas e desfazer feitiços mandados pelos inimigos. A ingestão de alimentos e bebidas fermentadas em muitos grupos tinha uma função ritual. Mesmo a antropofagia que caracterizou os tupinambás se revestia de um tom sagrado. Acreditavam que, comendo a carne dos seus inimigos, apoderavam-se de sua valentia e coragem. O uso de instrumentos mágicos, chocalhos (maracás) e adornos feitos com penas de aves, era indispensável para o cerimonial do pajé. A fumaça derivada da queima do fumo [tabaco] também assumia um papel ritualístico importante.”(14)


Tomando por base as crenças dos povos indígenas modernos, pode-se supor que os rituais comandados pelos pajés teriam um papel importantíssimo na vida dos tupis, pois seria através deles que ocorreria a união da humanidade com a natureza, os espíritos ancestrais e os deuses. Seria também por meio desses rituais que se reafirmariam os laços de parentesco e solidariedade que os uniam, além de servirem como meio de partilhar alimentos.



Os tupis possuíam uma divindade suprema do bem que denominavam Nhanderuvuçu, deus da criação, da luz e a quem competia o ato divino do sopro da vida. Nhanderuvuçu teria sua morada no Sol e manifestava-se nas tempestades através de sua voz, na forma de Tupã Cinunga (15) e de seu reflexo, na forma de Tupã Beraba(16). Segundo Câmara Cascudo e Osvaldo Orico, foi somente com o trabalho da catequese, e com a confusão feita pelos jesuítas, que Nhanderuvuçu passou a ser chamado de Tupã (17), em virtude das formas como essa divindade se manifestava durante as tempestades.(18)


Os tupis acreditavam também em outras divindades, como Guaraci (20), Jaci (21), Caapora(22), Uirapuru (23) e Iara (24) e em uma entidade civilizadora denominada Iurupari(25), filho da virgem Chiuci, que teria sido mandando a terra por Guaraci para reformar os costumes dos seres humanos. Segundo Diamantino Trindade (26), essa crença, que lembrava muito a história de Jesus Cristo, teria deixado os jesuítas apavorados.


De forma a tornar a religião católica mais fácil de ser assimilada pelos indígenas, os jesuítas associaram ao seu deus e santos os nomes de algumas divindades tupis. Foi assim, por exemplo, que Nhanderuvuçu passou a ser chamado de Tupã e foi transformado em Deus-Pai. Entretanto, na maioria dos casos, os jesuítas associaram os deuses indígenas aos demônios da doutrina católica. Foi o caso, por exemplo, de Iurupari, que teve sua imagem totalmente invertida e acabou sendo associado ao próprio diabo, embora sua história lembrasse muito a de Jesus.[realce meu]




Além de combaterem o culto a Iurupari e outros deuses, os jesuítas também combateram a autoridade dos pajés, o rito espiritualista de evocação dos espíritos ancestrais e o uso do tabaco como erva sagrada, apesar de adotarem seu consumo para uso pessoal.

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11 Guarani significa guerreiro.
12 Tapuia significa bárbaro.
13 Figura disponível em http://www.geocities.com/capitanias/indigenas.htm . As rotas são de autoria do ator deste estudo.
14 SILVA, 2005, p.24.
15 Tupã Cinunga significa “o trovão”.
16 Tupã Beraba significa “o relâmpago”.
17 Tupã significa “golpe estrondante”ou “baque estrondante”.
18 WIKIPEDIA, Tupã, 2007.
19 Dança Ritual dos Tupinambá, ilustração de Theodor de Bry.
20 Guaraci era o deus do Sol.
21 Jaci era a deusa da Lua.
22 Caapora era o deus da floresta.
23 Uirapuru era o deus dos pássaros.
24 Iara era a deusa das águas.
25 Iurupari significa o mártir, o sacrificado.
26 TRINDADE In OLIVEIRA, 2003, p.18.
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OS PRIMEIROS SINCRETISMOS SURGIDOS NO PERÍODO COLONIAL
SANTIDADE


Como afirmado no início deste capítulo, a tentativa forçada de aculturação sempre encontrou resistência dos indígenas, que procuraram conciliar os princípios de suas tradições religiosas à doutrina religiosa que lhes era imposta, levando ao nascimento de religiões sincréticas em solo brasileiro, únicas no mundo.



De acordo com registros históricos, a primeira religião sincrética surgida no Brasil ficou conhecida como Santidade, nome criado por Manoel da Nóbrega, em 1549, quando viu um pajé em transe pregando a outros indígenas.(28) Os primeiros registros dessa religião datam de 1551 em São Vicente, tendo ganhado força e se tornado mais expressiva no final do século XVI no sul da Bahia e na área do recôncavo baiano.(29) Como em alguns rituais tupis, as cerimônias da Santidade podiam durar vários dias e centravam-se no uso de trajes nativos (pena, arco, flecha, colares, máscaras), no uso do maracá, na fumaça derivada da queima do tabaco e no consumo de bebidas fermentadas, os quais induziam o estado de transe mediúnico que era denominado de Estado da Santidade, derivando daí o nome da religião.


Os adeptos da Santidade cultuavam um ídolo de pedra (chamado de Tupanaçu(30) na Santidade de Jaguaripe), que acreditavam possuir poderes sagrados, rezavam usando cruzes, terços e rosários, construíam “igrejas” e colocavam tábuas com desenhos de símbolos sagradas nelas, cultuavam alguns santos católicos e entoavam cantos em honra aos mesmos, faziam um ritual semelhante ao batismo e realizavam procissões.

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27 MULTIRIO, Ação dos Jesuítas: Catequese e Aldeamentos, 2007.
28 VAINFAS, 2005, p. 43.
29 MULTIRIO, A Santidade, 2007.
30 Tupanaçu significa deus grande.
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Seus líderes eram os payés-açu, os grandes pajés, que em alguns lugares se autodenominavam “papas”. Eles pregavam aos indígenas, ou enviavam missionários para isso, em aldeias, engenhos e missões jesuítas, visando difundir a nova religião e estimular formas de resistência aos portugueses, dentre as quais incluíam-se fugas e ataques contra os povoados, engenhos e plantações de cana-de-açúcar.


Em 1610, segundo relato do governador Diogo de Menezes, existiam no recôncavo baiano mais de 20 mil indígenas e mestiços vivendo em aldeias onde se praticavam os rituais da Santidade. Relatos da Visitação do Santo Ofício, de 1591, contam que alguns senhores de engenho (por exemplo Fernão Cabral de Ataíde) também teriam aderido a nova religião e permitido a celebração dos rituais da Santidade em suas fazendas.(32)




Como forma de reprimir os constantes ataques feitos por adeptos da Santidade aos povoados e engenhos coloniais, Portugal declara, em 1613, guerra de extermínio a essa religião. Esses combates militares, somado aos combates religiosos que já eram empreendidos pela Igreja Católica, leva em poucos anos ao desaparecimento total da Santidade. A última referência específica a ela data de 1627, quando um grupo de indígenas atacou o engenho de Nicolau Soares, matando escravos, saqueando a propriedade e levando os índios ali residentes.(33)





Infelizmente não encontrei em minhas pesquisas nenhum material que pudesse utilizar para identificar possíveis diferenças existentes entre a Santidade do sul e a do nordeste do país. Acredito que essas diferenças tenham existido, uma vez que nessas regiões os elementos da tradição religiosa tupi que foram sincretizados ao Catolicismo eram oriundos de tribos diferentes.

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31 MULTIRIO, A Santidade, 2007.
32 MULTIRIO, A Santidade, 2007.
33 MULTIRIO, A Santidade, 2007.

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TORÉ



Devido às crescentes guerras entre portugueses e os tupis do litoral nordestino brasileiro a partir do início do século XVII, muitos desses acabaram migrando para o interior tentando preservar sua liberdade, cultura e tradições religiosas, entre elas a Santidade. Tal deslocamento levou os antigos habitantes do litoral a viverem entre as tribos indígenas do interior (principalmente tribos das nações Jê e Kariri), o que ocasionou o contato entre culturas e tradições religiosas relativamente distintas e a consequente interação entre elas, que se traduziu, entre outras coisas, na adição de elementos da Santidade à religiosidade ameríndia, levando ao surgimento da religião sincrética conhecida principalmente pelo nome de Toré.

O Toré é uma religião que ainda existe nos dias de hoje, sendo encontrada principalmente no interior do nordeste brasileiro, principalmente entre os diversos povos indígenas que lá habitam. A exemplo da Santidade, nos rituais do Toré são encontrados orações e imagens de santos, cantos e danças, o uso de trajes nativos (pena, arco, flecha, colares, máscaras), o uso do maracá, a fumaça derivada da queima do tabaco e o consumo da bebida fermentada chamada jurema (ou vinho da jurema), feita a partir da casca e das raízes da árvore de mesmo nome, que auxiliam na obtenção do transe mediúnico e a entrar em contato com os espíritos. Em algumas aldeias, rituais que guardam semelhança ao Toré são conhecidos pelos nomes de Ouricuri, Praiá e Particular.(34)




O Toré pode ser entendido como uma religião em que seus adeptos buscam uma maneira de amenizar ou extinguir seus sofrimentos, reequilibrar suas energias e harmonizar seus relacionamentos, sendo utilizado para isso ervas, cantigas e danças ensinadas pelos pajés quando em contato com os espíritos de juremados(36) e caboclos, através do transe mediúnico. No Toré acredita-se que muitos dos caboclos que se comunicam sejam indígenas ou mestiços indígenas-brancos que se encantaram, isto é, que deixaram de ter uma existência corpórea sem terem morrido, vivendo escondidos no mato ou em aldeias longínquas ou míticas. É dessa crença que surgiu a expressão “Caboclos Encantados” para designar esses seres especiais.



Existem dois tipos de rituais no Toré: o público e o “particular”. O primeiro ocorre em dias e locais predeterminados, é aberto à qualquer público (daí sua designação) e tem por objetivo a reunião da comunidade e a divulgação das tradições indígenas aos visitantes, podendo ocorrer ou não o consumo da jurema. O segundo é praticado apenas na aldeia, é restrito aos iniciados e poucos convidados e é nele que ocorre o contato com os Caboclos Encantados, a utilização do fumo como elemento de defumação e o uso da taioba (saia) e do pujá (tocado) elaborados com fibra de caroá.(37)




Pelo Toré pode-se ter uma idéia da importância que a jurema, das espécie preta (mimosa hostilis benth) e branca (vitex agmus castus), tinha como árvore sagrada para os indígenas do interior do nordeste. Apesar do consumo da bebida feita a partir dela ter sido combatido pela Igreja Católica, chegando inclusive a ser proibido em lei pelos portugueses (muitos foram presos por desobedecer a essa lei), seu uso ritual sobreviveu a séculos de repressão e acabou sendo legado a todas as demais religiões que surgiram nessa região do Brasil.

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34 PEREIRA, 2008.
35 PEREIRA, 2008.
36 Juremados são espíritos em processo de “caboclização”, ou seja, de se tornarem caboclos.
37 PEREIRA, 2008.

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Assim como outras religiões sincréticas, nesta não existe um padrão escrito que torne todos os rituais idênticos em cada local de culto. Além dos fundamentos básicos dessa religião, que são comuns a todos os locais de culto, existem pequenas variações ritualísticas nesses lugares, as quais estão intrinsecamente relacionadas aos seus dirigentes, o que faz de cada um deles único em seu formato ritualístico.



PAJELANÇA


Com o início dos trabalhos de catequese na região amazônica no primeiro quartel do século XVII, a partir da cidade de São Luís do Maranhão, iniciou-se um processo de sincretismo entre a religiosidade ameríndia local e o catolicismo, semelhante ao que ocorrera no litoral tupi, levando ao surgimento da religião sincrética conhecida pelo nome de Pajelança.


Embora o termo pajelança acabe sendo usado para designar todo e qualquer ritual ameríndio, ele possui aqui um outro sentido. O termo Pajelança (com a letra P maiúscula) designa aqui a religião sincrética de caráter mágico-curativa que existe nos dias de hoje na região amazônica, sobretudo nos estados do Pará e do Amazonas.



A exemplo da Santidade e do Toré, nos rituais da Pajelança são encontrados o uso de trajes nativos (pena, arco, flecha, colares, máscaras), cantos e danças, a fumaça derivada da queima do tabaco e o consumo de bebidas fermentadas, que permitem ao pajé entrar em transe místico e ter visões e incorporar espíritos. Em algumas Pajelanças pode-se encontrar também a devoção aos santos católicos.



Uma característica marcante da Pajelança é que além de incorporarem os espíritos dos antepassados das tribos e de antigos chefes do culto, os pajés também incorporam espíritos animais, sejam eles reais (jacarés, botos, cavalos-marinhos, cobras) ou imaginários (mãe d'água, cobra-grande), por meio dos quais descobrem a causa das doenças de seus consulentes e os remédios para eles.(39)



Assim como outras religiões sincréticas, nesta não existe um padrão escrito que torne todos os rituais idênticos em cada local de culto. Além dos fundamentos básicos dessa religião, que são comuns a todos os locais de culto, existem pequenas variações ritualísticas nesses lugares, as quais estão intrinsecamente relacionados aos seus dirigentes, o que faz de cada um deles único em seu formato ritualístico.


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38 Figura disponível em http://www.ayahuasca-info.com/data/images/jurema1.jpg
39 SILVA, 2005, p. 89.
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CONTINUA .....................
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

SOU MÉDIUM E AÍ? - PARTE IV E FINAL

... CONTINUANDO ...

Agora vamos voltar lá atrás, onde dissemos : "Quando você sintoniza 1200MHz, você recebe a estação que vibra ou envia seu sinal nessa freqüência. Se sintonizar em 95,5Mhz, receberá outra e nem perceberá que existe a de 1200MHz, entendeu? E isso não quer dizer que a onda de 1200MHZ não esteja presente no seu lar, ao seu lado etc., é o seu rádio, com seus circuitos osciladores internos, que cria uma situação favorável à entrada da onda de 95,5Mhz ou a de 1200Mhz ".

Assim como diversas ondas de outras emissoras estão presentes no ambiente e não são percebidas por seu rádio que está sintonizado numa estação só, várias outras entidades, de diversos outros padrões vibratórios estão circundando sua matéria dentro de uma Gira, por ocasião de sua incorporação.

Então você poderia perguntar:

-"O que me faz receber essa e não aquela entidade? Será que eu não corro o risco de estar sendo influenciado(a) por mais de uma entidade de diferentes Padrões Vibratórios? Não foi você mesmo quem disse que elas até se "atropelam" nos Terreiros sem que uns sintam os outros"?

Excelentes perguntas: dignas de quem está realmente raciocinando enquanto lê.

Em primeiro lugar, nesse caso, há vários fatores a serem considerados, sendo que, o primeiro deles é exatamente sua organização espiritual, ou seja, como seus protetores e guias coordenam o trabalho sobre sua cabeça e, é muito por isso que sempre afirmo e afirmarei que uma "cabeça" não pode ter, como chefe espiritual, uma entidade na categoria de Exu ou outra no mesmo padrão evolutivo, por mais amigo ou evoluído que nos possam parecer. Em um caso como este, fatalmente o médium, além de ficar preso às vibrações mais pesadas, mais densas do Plano Astral, ainda estará correndo o risco de não vir a desfrutar nunca dos verdadeiros ensinamentos espirituais e de evolução. Já expliquei o porquê disto em volumes anteriores.

Quando um médium recebe orientação adequada e busca o contato positivo com entidades mais evoluídas (sem desprezar as outras, é claro) está buscando ajuda para a organização correta de sua guarda espiritual e, por conseqüência, de toda a sua vida espiritual e material pois, ao conseguir seu intento, terá a certeza de que estará entregando sua cabeça e a orientação dos menos evoluídos que o acompanham, para aqueles que realmente saberão o que fazer. Desse modo, se a cabeça recebe orientação de quem sabe fazê-lo, no instante da incorporação só entrará aquela entidade que realmente tiver de fazê-lo, pois toda a sua guarda estará trabalhando em comum acordo. Num caso assim, se estiverem cantando para a falange dos Pai Joaquim por exemplo, esse médium poderá ter certeza de que a entidade que estará chegando será, ou um Pai Joaquim ou um falangeiro seu, mas com certeza uma entidade que estará chegando sob comando e com a licença dos seus Guias maiores.

Em caso diferente, quando o médium está em desenvolvimento e não sabe ainda com quem trabalhará, realmente estará correndo o risco de receber alguém que nada tenha a ver com o que está sendo chamado e, em ocasiões específicas, até mesmo a tentativa de incorporação de mais de uma entidade ao mesmo tempo, o que provoca, não raramente, o tal "choque de vibrações" já descrito e uma "surra" no aparelho que sacoleja, se estrebucha e acaba por levar tombos no caso da segurança bobear. Nesses casos costuma-se dizer que o orixá tal está em guerra com o outro orixá pela cabeça do médium. Coitadinho dele ! (PURA LENDA)

A mediunidade de incorporação, talvez seja a forma mais passiva de contato com entidades e energias do Plano Astral porque, nessa técnica, para que a incorporação seja a melhor possível, o médium deve basicamente focalizar sua mente na falange ou entidade que pretende que incorpore e relaxe o mais possível. Todo o restante é feito pela entidade que chega e vai tomando os pontos a serem comandados – pernas, braços, mente ...

Por ser uma forma de contato passiva, o médium tem que confiar na entidade que se aproxima e, praticamente, entregar-lhe o corpo e a mente.

A dificuldade, em médiuns iniciantes, de conseguirem uma incorporação o menos traumática possível ou mais segura e positiva possível, vem exatamente desse medo natural de ver-se, de uma hora para outra, comandado por uma mente que não a sua.

Então, voltando às perguntas, sintetizemos que, em primeiro lugar, a certeza de estar recebendo exatamente essa ou aquela entidade depende primeiramente de quem está comandando a sua coroa.

No caso de não haver uma entidade sua com real comando sobre sua coroa (seu desenvolvedor), então caberá a(o) Dirigente do Grupo (encarnado) ou ao Guia Chefe do Terreiro verificar e orientá-lo(a) no sentido de encontrá-la.

-"Mas digamos que eu não esteja no Terreiro e não possa contar com essa cobertura do Guia Chefe ou do Dirigente. O que devo fazer para ter essa certeza"?

Veja bem, porque essa questão é clássica, mas a resposta sempre é semelhante. Se você não sabe ainda quem é o seu desenvolvedor (essa entidade que coordena sua coroa) ou ele(a) não está firme em suas incorporações, é melhor que você nem tente "dar santo" fora do Terreiro que escolheu para acolhê-lo. Pode ter certeza de que estará correndo um risco enorme de que algum kiumba se apresente se dizendo isso ou aquilo e se passando por entidade positiva. O pior disso tudo é que, se livrar de um kiumba não é coisa muito fácil não, principalmente se você, como médium, for enfeitiçado pelo que podem criar de "milagres" no Plano Físico. Já falamos bastante sobre isso no primeiro e segundo volume.

E como é que se sabe quem é esse "desenvolvedor" ?

Esse desenvolvedor ou desenvolvedora, costuma ser sempre, no caso de Umbanda, um(a) Caboclo(a) ou Preto(a) Velho(a) e, em alguns casos menos comuns, até mesmo uma Criança (menino ou menina) que, se deixarem ou buscarem com eles, vêm ensinando e trazendo informações sobre as melhores formas de se lidar com a mediunidade de seu "cavalinho". São eles que, costumeiramente, transmitem os melhores tipos de banhos a serem tomados, informam os possíveis problemas pelos quais o médium esteja passando, se há choques de vibração (as tais "brigas de orixás"), se ele pode ou não trabalhar com demandas e descarregos, etc., etc., etc. Mas é claro que isso acontece se o médium permitir e tiver uma boa incorporação, sem medos e pré concepções principalmente pois, em ocasiões como essa, a mensagem da entidade tem que ser o mais pura possível, o que vale dizer, estar a incorporação o mais segura possível.

Esse(a) desenvolvedor(a), como se poderá observar, vai se mostrando dentre os demais que chegam no médium, com o passar do tempo e o desenvolvimento da mediunidade, ou seja, é pelo trabalhos e atitudes que as entidades apresentam que se vai identificando o(a) desenvolvedor(a) bem assim como as entidades de demanda, os possíveis magos, os "educadores" (doutrinadores) etc., a não ser que ele ou ela se identifique verbalmente.

Com certeza absoluta, esse(a) desenvolvedor(a) é uma entidade diretamente ligada à Coroa Maior do médium e, desse modo, quando o reconhecemos, automaticamente estaremos conhecendo o Pai ou Mãe de Coroa.

Veja bem, porque é preciso que fique bem claro: essa entidade não é o Orixá ou Pai ou Mãe de Coroa, mas sua Vibração Original, a energia sob a qual vem trabalhar, sempre será a mesma.

Uma característica que pode ajudá-lo a identificar essas entidades é que, não raramente se preocupam com o estado geral do médium bem assim como seu comportamento dentro e fora das Giras. Nas entrelinhas ou mesmo escancaradamente, estão sempre a deixar recados para que seu "cavalinho" melhore aqui ou ali, faça isso ou aquilo, etc. ... Eles às vezes chegam a ser "chatos" em seus cuidados com o "cavalinho", diferentemente do comportamento de outras entidades que, como se poderá observar, estarão muito mais preocupadas em atender a outros, em realizar seu trabalhos ou darem suas consultas ou enfrentarem suas demandas ...

Costumam ser eles os presentes quando, por qualquer situação ocorrida, mesmo nas Giras, o médium precisa de um descarrego a mais ou uma orientação sobre o que deve ser feito para a melhora.

Se souberem explorar a sabedoria de uma entidade como essa, mesmo em se tratando de Crianças, poderão aprender muito sobre o médium, sua mediunidade e até mesmo coisas que, acontecendo com o médium, podem vir a acontecer com qualquer um.

Com o passar do tempo e o melhoramento da sensibilidade mediúnica, não só o(a) desenvolvedor(a) mas todas as entidades que com você vierem a trabalhar, ao se achegarem emitirão sinais particulares para que você os possa identificar. Algumas entidades, como já falei, chegam cantando seus Pontos ao seu ouvido e, quando digo "seus Pontos" não quero dizer os Pontos Cantados de caráter geral, mas sim os particulares de cada um, aqueles que pertencem somente a eles.

Explico: Assim como cada entidade tem seu Ponto Riscado como uma assinatura, tem também seu Ponto Cantado Particular, independente daqueles que cantam para sua falange. Se por exemplo você recebe um Pai Joaquim que chega quando se canta aquele Ponto de chamada geral ("Pai Joaquim, ê, ê/ Pai Joaquim, ê, á/ Pai Joaquim veio de Angola/Pai Joaquim é de Angola, Angolá... ) ele estará respondendo, no momento, a um chamado à sua falange mas, a ENTIDADE PARTICULAR que trabalha com você sob esse nome de falange (esse não é o verdadeiro nome do espírito) também tem seu Ponto Cantado no qual se identifica e não raramente explica a que Vibrações Orixá está ligada enquanto nesse tipo de trabalho com você.

Esse Ponto você não verá outra entidade, mesmo da mesma falange, cantar – ele é particular dessa entidade . É mais uma forma de identificação da entidade com seu aparelho mediúnico ou seu "cavalinho" que, em caso de necessidade poderá chamá-la cantando-o como se fosse uma oração e, claro, aguardando a resposta.

Outras entidades, além do Ponto Cantado ou mesmo sem ele, se utilizam de sensações específicas no corpo material do médium e, dessa forma, alguns lhes assobiam no ouvido ou nos ouvidos (é diferente, pode crer), outros lhes dobram um certo dedo da mão, outros lhe dão uma pontada em uma outra região do corpo, enfim, se utilizam de sinais que para eles e o médium se tornam característicos de suas presenças. Reconhecendo então o médium, esses sinais característicos, e neles confiando, passa a criar em si, condições que propiciem à entidade uma boa incorporação, relaxando e voltando sua atenção totalmente para aquele(a) que se achega.

-"E o papo das freqüências, das entidades que se atravessam...?"

Deixei bem claro isso porque há situações em que você, como médium em estado semi- consciente, poderá perceber que, mesmo não havendo os choques de vibração, estará sendo influenciado sim, por mais de uma entidade, como já citei por alto no Primeiro Volume desta série.

- "E de que maneira isso pode se dar? Não vai dar uma confusão danada?"

Na verdade, como já explicamos várias vezes as entidades em Umbanda costumam trabalhar em FALANGES e isso tem um significado muito maior do que "TRABALHAR COM A TURMINHA", sacou?

Quando uma entidade trabalha com sua Falange estará trabalhando com falangeiros que vão desde os mais evoluídos (dentro do possível) até os menos e não somente entidades que, por merecimento já tenham recebido o nome da falange.

Explico melhor: Numa falange de Caboclo Aymoré, por exemplo, de um certo nível evolutivo para cima, todas receberão o mesmo nome de falange quando incorporadas, por já terem esse mérito. Acontece no entanto que, junto a essa falange, estarão trabalhando também os Exus e BUGRES (em um nível evolutivo mais baixo) que, na verdade, acabam sendo aqueles que "botam a mão na lama" (em sentido figurado) quando "a coisa fede".

Esses Exus e Bugres não recebem o nome da falange dos Aymorés – têm seus próprios nomes de falange e podem ser falangeiros também de outros Exus Maiorais como Sete Encruzilhadas, Marabô, Tiriri, etc. e terem exatamente esses nomes de falange, mesmo trabalhando temporariamente na falange do Caboclo Aymoré.

Em casos assim, digamos que uma entidade, falangeira de Aymoré esteja em terra e um consulente lhe faça perguntas sobre algo acima de seu conhecimento. Estando presente um outro falangeiro que tenha conhecimento sobre o assunto, este pode ser e é consultado pela entidade incorporada. Em casos especiais a entidade incorporada se afasta levemente e permite que essa outra entidade passe as respostas requeridas. Esse procedimento é totalmente sem traumas, sem sacolejos, exatamente por serem essas entidades de padrão vibratório muito próximos e, por isso mesmo, muitas vezes só percebido pelo médium em estado de semi – consciência ou alguém que tenha sensibilidade para captar.

Veja bem que a entidade primeira não sai para que a outra se ligue, entendeu? Ela apenas afrouxa suas ligações com o médium e permite a entrada da segunda.

Numa outra situação, a essa mesma entidade incorporada se achega alguém com sérios problemas de encosto ou cargas negativas (densas) com as quais ela já não tem mais necessidade de mexer. Nesse caso, a entidade se afasta ligeiramente e dá passagem para um Exu ou Bugre que, nesse caso, passa a trabalhar sob a influência energética dela e usando os mesmos canais de contato. Também essa mudança não é percebida pelos leigos porque durante ela não há sacolejos ou mudança de postura como normalmente existem na incorporação do Exu puro e isso porque, esse Exu (consideremos uma segunda estação ou onda) entra na faixa vibratória do médium, mas esse não sai da faixa vibratória da entidade que antes estava atuando - é um tipo de permissão especial que o Exu ganha para o trabalho específico que deve ser realizado.

- "Caraca! Mas isso não vai dar uma confusão danada na cabeça do médium semi – consciente?"

Daria se ambas as entidades resolvessem disputar quem ia falar mais ou trabalhar mais, como seria no caso de ondas de rádio que se sobrepõem, entende? Como esse tipo de trabalho é praticamente combinado entre eles, a entidade que abre caminho permanece apenas em estado de vigia mas sem interferir no que a outra está fazendo ou falando, a não ser que haja necessidade. Mas mesmo nesse caso, como ela permanece no comando, pode retirar o Exu do ar sempre que precisar.

É claro que não estou pretendendo que todos acreditem que isso possa acontecer até porque, para que creiam mesmo será preciso que vivenciem a experiência ou tenham sensibilidade para ver e/ou sentir ou mesmo lhes seja narrado por médiuns mais experientes situação de igual teor. Realmente os médiuns iniciantes não costumam perceber esses fenômenos e muito menos aqueles que, mesmo experientes, sejam apenas "cavalos de guias". A idéia de expor esse tipo de fenômeno aqui é exatamente para que, se você perceber estar acontecendo com você ou alguém de seu conhecimento que, por algum motivo sinta e não compreenda, tenha motivos para entender e até mesmo explicar que é um fenômeno TOTALMENTE NORMAL. É só manter sua mente aberta para novos conhecimentos e observar, observar, observar ...

Esse é um exemplo de como você poderá estar sendo atuado por mais de uma entidade ou, em outras palavras, mais de uma energia de padrões vibratórios distintos ou mesmo, mais de uma estação transmissora diferente.

Vamos mais além um pouquinho, agora nos tais choques de vibrações que acabam sendo compreendidos como "surra de guia" e/ou "briga de orixás" para que você entenda que, na verdade não é nada disso – essas colocações são feitas apenas para que não se tenha que dar explicações de cunho mais profundo e menos acessíveis à compreensão da massa popular que acorre aos Terreiros.

Vamos considerar que um indivíduo médium tenha capacidade (pela sintonia de seus Chakras) de receber bem entidades que vibrem numa freqüência entre os 1000Hz (ou 1Khz) e 3000Hz (ou 3Khz).

Se sua mente só é capaz de sintonizar bem dentro dessa faixa vibratória, então, para que se comuniquem, as entidades espirituais terão que baixar seus padrões ou aumentá-los (dependendo de seus próprios padrões) para que se sintonizem bem com uma ou algumas das freqüências suportadas pois, fora delas o médium é cego, surdo e mudo (espiritualmente falando). Entendeu bem até aí?

Antes ainda de entrar direto no assunto devo chamar a atenção aqui para o fato de que, se a entidade não conseguir entrar na faixa do médium e mesmo assim forçá-lo numa incorporação verdadeira, terá que atuar em seu sistema nervoso, acelerando-o ou freando-o, até que ambos entrem em sintonia numa freqüência "X". Em ambos os casos o médium estará sendo sacrificado e provavelmente sofrerá conseqüências antes e/ou após a partida da entidade. Essas conseqüências podem se traduzir em um intenso esgotamento ou mesmo numa taquicardia (aceleração descontrolada do coração) passando por enjôos, formigamentos pelo corpo, visão turva, etc. Nada que deva causar alarme se o médium estiver preparado para esses baques, porque as sensações tendem a irem se diluindo caso ele saiba relaxar por alguns minutos. Em casos mais graves será preciso a atenção de uma entidade que com ele já esteja acostumada a trabalhar para que seja recomposto – seu ou sua desenvolvedor(a) por exemplo.

Isso não acontece, no entanto, em caso de outros tipos de mediunidade em que a entidade não precisa tomar o corpo do médium, comunicando-se mais telepaticamente (visual ou verbalmente) com este.

Isto me faz lembrar da primeira vez em que recebi a influência de Seu Tranca Ruas (só fiquei sabendo depois que era ele) estando ainda como assistente de um grupo espírita. Ao se afastar, sendo "puxado" por um médium, deixou-me em estado de total torpor, com formigamentos que iam dos pés até a raiz dos cabelos e, claro, com o medo que fiquei, até falta de ar acabei sentindo. E olha que não cheguei a incorporar não, foi só a aproximação, talvez numa tentativa de chegada.

Voltando ao assunto.

Você deve saber que, médiuns, principalmente os de mediunidade Cármica, costumam ter à sua volta, um grupamento de espíritos e/ou elementais com os quais já se comprometeu a trabalhar, antes mesmo do reencarne, não? Acontece que nesses casos, quando o médium, ou está atrasado no cumprimento de seu Carma ou mesmo por ansiedade dessas próprias entidades, ao chegar no Terreiro, é quase que "invadido" por uma ou mais de uma entidade que "quer logo garantir seu lugar". Pode parecer brincadeira mas não é! Se acontece uma situação dessas, há vezes em que mais de uma entidade tenta "entrar" na faixa vibratória disponível desse médium ao mesmo tempo. Como nem ele, nem essas entidades têm ainda treinamento para fazê-lo, acabam por provocar esse choque de vibrações com violentos choques na matéria, sacolejos e mesmo tombos que acontecem, mesmo que você não acredite, de ambos os lados (médium e entidades). As entidades praticamente se "trombam" na ânsia de assumirem um lugar ou se definirem como presentes.

Pela inexperiência dessas entidades em flexibilizarem seus padrões vibratórios ou a densidade de seus Corpos Astrais, acabam as duas, criando o choque de Auras que, além de afetar o médium acaba por afetá-las da mesma forma.

Em casos como esse, cabe a(o) Dirigente do Terreiro ou ao Chefe Espiritual, a doutrinação dessas entidades no intuito de ensiná-las que não pode ser dessa forma – ficar dando oferendas para esse ou aquele orixá e não ensinar aos três (médium e duas entidades) como devem proceder, de nada vai valer até porque, numa situação como essa, poder-se-á estar dando força à entidade sob vibração errada.

Explico de novo: Em casos como esses, quando entidades e não ORIXÁS e nem enviados desses (porque se o fossem não estariam "brigando") estão tentando chegar um na frente do outro, a não ser que se queira "mandar um chute", fica difícil até mesmo para um vidente, saber exatamente qual delas deveria ser a primeira e, nesse caso, pode-se correr o risco de se alimentar a Vibração Orixá a que uma delas pertence, erradamente, dando força para que entre na faixa do médium a entidade e a Vibração Orixá erradas.

Claro que médiuns que sofrem esse problema têm que ser melhor assistidos pelo(a) seu(sua) Dirigente até que a "demanda" do outro lado se resolva e todos possam chegar em paz.

No outro caso, quando o médium parece estar sendo "surrado" por apenas uma entidade, podem estar acontecendo duas coisas:

1 - Ele estar mesmo sendo "surrado" por alguma besteira que tenha feito ou produzido;
2 - Estar havendo choques de vibração entre sua Aura e a da entidade que tenta se achegar.

O primeiro caso eu nem vou comentar mas, o segundo é importante porque nem sempre é o primeiro caso que está acontecendo e, por desconhecimento dos próprios Dirigentes, às vezes o médium é exposto a situações não muito cômodas, quando todos acabam por pensar que ele deva estar fazendo alguma "M..." e por isso estar apanhando de seu protetor, fato que, às vezes, causa até revolta do próprio médium que não entende o porquê de estar levando aquela surra, já que nada teria feito para tal – o que normalmente não é acreditado por todos. Pode notar os sorrisos maliciosos nessas ocasiões!

Para ficar bem entendido é preciso que se entenda, de novo, que tudo é energia vibrando em diferentes formas e freqüências e, por causa disto, algumas energias se tornam intransponíveis para outras, dependendo em que faixas de freqüência ambas se situam. Dessa forma, se uma entidade se achega com um padrão vibratório "X" e o médium está vibrando a um outro padrão vibratório "Y", as energias que compõem suas Auras naquele momento, podem estar tão destoantes que uma cria uma barreira para que a outra possa penetrar, formando-se, desse modo, uma barreira entre o médium e a entidade espiritual, seja por medo (quando a Aura normalmente se fecha), ou problemas emocionais mesmo, e até a presença de energias elementais na Aura desse médium. Nesses casos, como a entidade vai acabar tentando penetrar à força, fatalmente se chocará com essa barreira que, impedindo-a, vai acabar por se transformar em uma espécie de "pára-choque", sobrando o tranco final, não só para o médium como em muitas vezes para a própria entidade que não esperaria a reação.

Uma idéia disso você poderia ter quando tentasse penetrar sua mão em uma vasilha de água e depois, quando essa água se condensasse, numa vasilha de gelo.

A Aura comprimida seria a água em estado de gelo. A água em seu estado normal tem um padrão vibratório "X", enquanto que em seu "estado de gelo", seu padrão vibratório é muito mais baixo que "X". Aliás, como é mesmo conhecido pela Física, todos os sólidos têm padrão vibratório menor que o dos líquidos que, por sua vez, têm menor padrão vibratório que os gasosos e por aí vai ... mas ABSOLUTAMENTE TODOS ELES TÊM SUAS MOLÉCULAS VIBRANDO.

Uma das formas de acelerar o padrão vibratório de um sólido, por exemplo, seria exatamente o de aquecê-lo, ou seja, fornecer-lhe uma ENERGIA QUE CHAMAMOS CALOR para que suas moléculas se acelerem, se agitem e ele passe do estado sólido para o líquido, e daí, talvez para o gasoso ...

Observando essa situação, o(a) Dirigente deverá também dar especial atenção a esse médium que, se for novato, deverá se aprimorar mais em seus treinamentos, e em rituais que o ponham em contato melhor com seus protetores e guias e, se for um médium dado como "pronto", deverá buscar em si, os problemas que possam estar criando esse acontecimento (problemas psicológicos, por exemplo), bem assim como passar pelos rituais de banhos ou amacis ou outros, sempre de acordo com a linha espiritual que segue o Terreiro.

É aconselhável que não freqüente Giras públicas de atendimento nesses casos, pelo fato de haver o perigo de ver seus problemas piorarem.

Muito bem! Acredito que já tenhamos entrado muito mais nesse assunto de MEDIUNIDADE, com conceitos quase nada divulgados. Provavelmente ainda vá me reportar a partes desse texto no decorrer dos outros capítulos porque, sem mediunidade não há Espiritismo, Umbanda, Candomblé, Umbandomblé, etc., etc.

Vemos dessa forma que esse assunto é básico para tudo o que você e seus amigos passam e vão passar enquanto estiverem usando a mediunidade como forma de se contatarem com o invisível.

Mas ainda tem mais, ... muito mais, pode ter certeza!

sábado, 13 de dezembro de 2008

SOU MÉDIUM, E AÍ? - PARTE III

..... CONTINUANDO ...........

SUGIRO A TODOS QUE ANTES DE COMEÇAREM A LER ESTA E A PRÓXIMA POSTAGEM, LEIAM OS COMENTÁRIOS FEITOS NA PARTE II DESTA SEQÜÊNCIA


Primeiro ponto a ser observado.

Ao chegar no Terreiro para um dia de trabalho – isso depois da preparação que deve ter sido feita antes, com banhos etc. – evite aquelas conversas sobre assuntos do dia a dia, seus problemas, suas amarguras, ou mesmo as amarguras de outrem. Busque, desde sua chegada, entrar em contato com a energia que ali existe (EGRÉGORA) e que foi criada por todos os que ali freqüentam. Para tal, prefira o silêncio aos papos desnecessários, a introspecção (observação de seus próprios processos mentais), ao invés de ficar observando o comportamento alheio, mesmo que de irmãos de corrente seus. Cabe à Dirigente ou ao Dirigente verificar se estão ou não em acordo com o que pretende o Terreiro e seus Mentores Espirituais.

Nesse estado de introspecção, de preferência de olhos fechados, o que ajuda bastante, tente ir sentindo, não o que ocorre a seu lado fisicamente, mas "no ar"; a seu lado; espiritualmente.


Relaxe o mais que puder e tente com isso, abrir ou expandir sua Aura à volta de todo o seu corpo, para que a sensibilidade para outros Planos seja facilitada. Você pode, durante esse processo, já ir tentando contato com suas entidades protetoras e guias, ainda que sem incorporações (através de orações, por exemplo) – apenas para que elas se acheguem a você e estejam tão próximas quanto possível durante todo o tempo de Gira.

Faça isso e, talvez não consiga na primeira ou segunda vez, mas chegará a um ponto em que sentirá a presença deles quase que fisicamente, se bem que alguns prefiram se fazer notar transmitindo-lhe mentalmente, ou seu Ponto Cantado ou alguma coisa mais que os identifiquem. Só você é quem vai, na medida em que isso for sendo treinado, sentindo mais e mais. E veja bem: ANTES MESMO DE SE INICIAR A GIRA.

Saber usar a egrégora (energia padrão) do Terreiro com a finalidade de melhorar seus dons é coisa que poucos fazem. Acontece que essa egrégora, sendo uma energia forte, facilita esse intercâmbio entre você e o Mundo Astral que circunda seu Terreiro através dos Vínculos (lembra-se?) que essa egrégora tem com todas as entidades que ali trabalham.

Todos os exercícios que se possa fazer visando melhorar os dons mediúnicos, se forem executados dentro de um ambiente onde haja uma egrégora forte e bem vinculada, sempre terão melhores efeitos que de outra maneira.

Não podemos aqui expressar em quanto tempo cada um vai sentir e/ou ver melhor o que ocorre "do outro lado" ou mesmo "dar melhores incorporações" porque isso vai depender de cada um e de seu próprio esforço nesse sentido, mas que essa simples mudança de comportamento antes das Giras pode melhorar acentuadamente todos os seus processos mediúnicos, disso você pode ter certeza!Deixe seus problemas lá fora!

O simples fato de evitar conversas sobre doenças, problemas, dificuldades, etc., já será um primeiro passo para sua melhora, mesmo que você esteja passando por problemas que julgue "escabrosos". Já explicamos em Volumes anteriores que, quanto mais pensamos nos problemas, mais os solidificamos à nossa volta, não foi? Então, para que a resolução desses problemas seja mais fácil ou menos difícil, é preciso que você treine sua mente, não pensando neles, mas buscando ajuda para si, de forma que os problemas vão deixando de existir na medida em que você cresce espiritualmente e com isso ganha mais e mais amigos do outro lado. Esses, por conseguinte, sabendo-o(a) com esses problemas, com certeza trabalharão em prol de sua resolução.

Busque se elevar acima dos problemas e, com isso, alcançar melhores e mais evoluídos amigos espirituais. Você terá respostas breves, seja por entidades incorporadas ou não, por intuições, por sonhos ... mas o mais importante é saber manter a mente relaxada e aberta para que, vindo essas mensagens, você possa reconhecê-las como para seu auxílio. Se você permanecer dentro dos problemas, tal qual uma pessoa que se afoga, é capaz de nem ver o salva-vidas que lhe jogaram.

Aliás (olha só eu com meus adendos), é muito importante que você saiba até orar ou rezar ou pedir aos céus. A oração deve ser sempre dividida em duas partes: na primeira você eleva seus pensamentos aos Guias, Protetores ou deuses e, através de uma mentalização ativa e mesmo pedidos orais, transmite firmemente aquilo que pretende alcançar e às vezes repete e repete e repete as invocações, como já vimos no Volume II; na segunda parte você dá como por entregue seus pedidos e também se dá um tempo, relaxando e tentando esvaziar sua mente para que, no caso de uma resposta através de uma intuição, por exemplo, possa estar em atitude de recepção e captar essa mensagem.

Às vezes, o que vemos, são pessoas que pedem, pedem, pedem e, logo depois dos pedidos, nem esperam para verem se há uma resposta, o que infelizmente, minimiza os possíveis vínculos que possam estar tentando criar ali.

Começou a GIRA. E agora? O que faço?

Mantenha-se o mais possível, em estado de relaxamento mental, tentando mentalizar (criar mentalmente a imagem) o que cada Ponto Cantado diz.

Os Pontos Cantados têm, como objetivo primeiro, o de desviar a atenção dos médiuns dos problemas que o envolvem no dia a dia e concentrar suas mentes nos rituais que vão se proceder.

As letras dos Pontos Cantados, de uma forma geral, induzem-nos imagens de seres e situações e locais que fortalecem nossas crenças e nos dão a certeza de estarmos bem assistidos pelo lado de nossos amigos – mas isso em se tratando de Pontos Cantados mesmo, com fundamentos e não alguns sambas enredo, modinhas e sambas de roda que, não sei bem porque, resolveram incluir no hinário de certos Terreiros como se fundamentos tivessem.

Em se tratando de Pontos Cantados de Fundamento, tente mentalizar os acontecimentos que ele descreve, por exemplo:

"Defuma com as ervas da Jurema/ Defuma com arruda e guiné/ Benjoim alecrim e alfazema/ Vamos defumar filhos de fé".

Durante um Ponto Cantado como este, sua mente deverá, ao invés de ficar prestando atenção na saia da amiga ou no pé do outro médium, estar MENTALIZANDO (criando imagens mentais) de, por exemplo, energias negativas sendo levadas pela fumaça que sai do turíbulo. Ao ser defumado(a), mentalize que nesse "banho de fumaça" está recebendo uma nova energia e que estão saindo de você todos os desconfortos físicos e mentais que podiam estar lhe acompanhando até então.
Vamos ver agora um outro Ponto Cantado para exemplo:

"Abrindo a nossa Gira/ pedimos a proteção/ De nosso Pai Oxalá/ Para cumprirmos, nossa missão".


Imagens como a de Pai Oxalá (como você entende que seja) se aproximando do Terreiro e dos médiuns e cobrindo-os com uma espécie de manto de luz seriam de muito bom gosto. Lembre-se de que, mesmo que isso não esteja acontecendo no Astral, você estará criando para si a Forma Pensamento positiva que atrairá, pelo menos para você, energias de luz como a que está criando mentalmente, entendeu? Se todos os médiuns forem treinados igualmente, é claro que essa Forma Pensamento vira egrégora e a influência da energia criada será muito mais forte sobre todos. Mas aí dependerá do(a) Dirigente se interessar em incentivar esse treinamento no grupo.

Vamos a mais um exemplo para que fique bem clara a idéia. Digamos que o Chefe de Terreiro seja, por exemplo, Seu Arranca Toco e que para ele se cante esse Ponto:

"Vem meu Pombo Correio/ Dos Jardins de Nossa Senhora/ Vem trazer a mensagem de Pai Oxalá/ Caboclo Arranca Toco vai chegar"

A imagem de um pombo chegando de um céu limpo e muito azul trazendo a mensagem ou abrindo uma passagem para que Seu Arranca Toco venha se apresentar, ou alguma outra parecida, deve ser a escolhida nesse momento.

Agora vamos expor as vantagens desse trabalho mental voltando sempre sua mente para o que está ou deveria estar acontecendo no Astral, dentro do Terreiro.

1ª vantagem: Sua mente estará sempre ocupada com pensamentos e mentalizações positivas, evitando se deixar levar pelo cotidiano ou mesmo por pensamentos e fixações negativas;

2ª vantagem: Sua mente estará criando condições que propiciem a criação de energias de teor positivo que fatalmente agirão sobre sua própria mente, seu corpo físico e seu estado psíquico;

3ª vantagem: Pelo efeito das duas vantagens anteriores, sua Aura estará sendo relaxada, mais expandida, o que o(a) fará mais propenso(a), pela sensibilidade nesse caso, tanto a incorporações menos traumáticas (menos "sacolejadas") como mais seguras, ocorrendo o mesmo no caso de vidência e clariaudiência;

4ª vantagem: Como sua mente vai estar voltada para criações de imagens de teor positivo, mesmo com o relaxamento de sua Aura as entidades de menor evolução terão dificuldade ou mesmo ficarão impossibilitadas de nela penetrarem, o que por si só, já será um filtro contra o Baixo Astral;

5ª vantagem: Sua mente estará sendo trabalhada em cada sessão, por você mesmo(a), ainda que não perceba de imediato, para focalizar Planos e Energias de cada vez mais alto teor vibratório, o que equivale a dizer que estará ampliando seu Padrão Vibratório e, nesse caso, sintonizando-o(a), pouco a pouco, com Energias e Entidades pertencentes a níveis superiores de Evolução.

É claro que essa sintonia com os níveis superiores não se dará "da noite para o dia" , como se costuma dizer – levará mais tempo ou menos tempo, de acordo com seu próprio esforço. Mas nunca é tarde para se começar até porque, às vezes, mesmo sem o sabermos, já estamos na metade do caminho, ou mais.

Já chamamos sua atenção nos dois volumes anteriores sobre o trabalho positivo de nossa mente em auxílio ao trabalho das entidades e a nós mesmos. Agora voltamos a afirmar que você sempre será aquilo que mentaliza ser. Os caminhos de sua vida, tanto materiais como espirituais, poderão e deverão estar sob seu comando desde que você se aperceba claramente disso e ponha "mãos à obra" no sentido de sua evolução.

Ainda estando dentro do Terreiro, você verá que práticas como as que citei, que podem parecer à primeira vista coisas simples demais, com certeza não são não. Se fossem, você veria em todos os Terreiros comportamentos de médiuns mais ou menos como os que sugeri. Será que vemos isso freqüentemente nos Terreiros e suas Giras?

Pode ser por desconhecimento? Pode sim!

Mas mesmo não o sendo, quando temos Dirigentes conscientes dos trabalhos que devem realizar junto aos seus médiuns, passando-lhes ensinamentos semelhantes, veremos que, quase na maioria das vezes o comportamento do grupo é bem diferente do de uma grande maioria de outros Terreiros. É ou não é?
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PARTE FINAL EM UMA SEMANA