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segunda-feira, 5 de maio de 2008

ENTREVISTA COM DONA LYGIA CUNHA

UMA ENTREVISTA COM DONA LYGIA CUNHA, NETA DE ZÉLIO DE MORAES E RESPONSÁVEL PELA CONDUÇÃO DAS SESSÕES NA TENDA ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA PIEDADE




No final do ano de 2007, descobri, por pura sorte, o perfil de um rapaz chamado Marcelo, que vinha a ser filho de Dona Lygia, neto de Dona Zilméia e bisneto de nosso já conhecido Zélio Fernandino de Moraes, a quem coube, ainda que alguns rejeitem, a CRIAÇÃO DE UMA NOVA RELIGIÃO, através da entidade que se apresentou como CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, nos idos de 1908, como já é do conhecimento de todos os que já passaram por este Blog ou leram esta parte da história da UMBANDA em outros lugares.


De início confesso que fiquei meio tímido para contatá-lo, tanto que levei alguns dias pensando se deveria ou não, como seria recebido, se teria alguma resposta, embora achasse que deveria fazê-lo pois, "viajando" por Comunidades como Orkut, MSN e outras, pude perceber que ainda são muitas as dúvidas que existem, não só sobre a figura de Zélio, do Caboclo e principalmente do CULTO RELIGIOSO que este batizou de UMBANDA. Além disto ainda havia encontrado, nessas viagens, as informações mais disparatadas sobre certos rituais que alguns afirmavam, até com "certa certeza"(?), que existiam nas práticas das Tendas fundadas por Zélio e o Caboclo Das Sete Encruzilhadas, a quem passarei a chamar de "CHEFE", como carinhosamente até hoje ele é tratado pela família e por aqueles que com eles se alinham.


Pois bem. Tomei coragem e entrei em contato com o Marcelo que me respondeu até além de minha expectativa, fornecendo-me endereços e telefones que, é óbvio, não serão aqui divulgados, de forma que eu pudesse me contatar com sua mãe, Dona Lygia Cunha, o que fiz. E quando o fiz pela primeira vez, por telefone, ela deve se lembrar que cheguei a me espantar por ficar sabendo que a família residira por muitos anos em um prédio bem defronte ao que eu moro (local em que ela estava neste momento e se preparava para a última gira do ano que ocorreria dois dias após) e, por coisas que a vida não explica, eu nunca soubera.


Conversamos por um bom tempo, minha proposta de preparar este questionário que se segue foi muito bem aceito e cheguei a combinar de estar presente nessa próxima sessão - o que infelizmente, por motivos particulares, não me foi possível - ficando eu de enviar-lhe as perguntas por e-mail para que sobre elas refletisse e escolhesse sobre o que gostaria de escrever, acrescentar, modificar ou não, e tivesse tempo suficiente para até mesmo, em caso de necessidade, buscar subsídios junto a sua mãe, Dona Zilméia, sobre assuntos de que talvez não tivesse conhecimento - coisas que teriam acontecido quando ainda muito jovem e não tinha assumido seu cargo atual dentro da Tenda.


Com todas as suas ocupações de mãe, avó, dona de casa, da Tenda, etc., etc., Dona Lygia, pacientemente, nos forneceu respostas às principais perguntas que, de acordo com minhas "viagens" antes citadas, me pareciam necessárias para melhores informações, já que como vemos, muitos têm os acontecimentos de 15 e 16 de novembro de 1908 como marco inicial da Umbanda, mas mesmo entre esses, uma grande parte não sabe como foi ou é a Umbanda preconizada pelo CHEFE.

As perguntas e respostas que se seguem foram as que de mais importância via eu no momento, e as estou colocando da mesma maneira que foram e vieram, ou seja, SEM INTERPRETAÇÕES PESSOAIS MINHAS.


Peço a todos que tiverem acesso a este Blog que leiam, pensem, repensem, comparem com o que têm lido por aí, compreendam e divulguem o valor histórico deste testemunho, bem assim como sua seriedade e agradeço verdadeiramente à Dona Lygia, seu filho Marcelo e sua esposa Simone, Dona Zilméia e toda a família por tão bem terem recebido esta proposta.


QUESTIONÁRIO




PERGUNTA: Há pouco tempo em uma revista de Umbanda saiu uma reportagem na qual D. Zilméia teria dito que matavam um porco para Ogum uma vez por ano e que isso era feito desde os tempos do senhor Zélio. Por tudo que já conhecia da Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilahdas, sempre soube que sacrifícios animais eram proibidos pelo Caboclo . Como se explica então essa "imolação de um porco para Ogum" , se nem seria este o animal adequado, de acordo com os rituais afro?


OBS: Esse comentário deu origem a diversos debates em que os africanistas afirmavam que o Caboclo das Sete Encruzilhadas também fazia sacrifícios.


RESPOSTA: O ritual para elaboração da comida de Ogum foi trazido por Orixá Malet (uma das entidades que atuavam junto ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, também através de meu avô) que seria obrigatoriamente um sarapatel.
O sarapatel era feito com os miúdos de um porco castrado, por isso usava-se o animal c/ esta característica. Ele era morto por uma pessoa de fora do terreiro, fora da TENSP, habilitado e contratado p/tal. A carne era usada como alimento para qualquer refeição.
Isto seria sacrifício?
Hoje não mais existe esta contratação e a comida é feita, como para todos os orixás, compra-se os ingredientes nos mercados.
E quanto a sua dúvida, não ser o porco adequado nos rituais afro, nada sei, nós estamos falando da Umbanda do Caboclo.


NÃO FAZEMOS SACRIFÍCIOS, qualquer dúvida é só visitar-nos.


PERGUNTA: Sobre Exus: Como eram e são agora compreendidos os Exus na visão da Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas? Já trabalham com eles? O que os fez mudar, se assim procedem?
Pergunto isso porque há um texto na Internet em que o próprio Zélio explicava como o CHEFE e ele viam os Exus e o porquê de não trabalharem com eles.


RESPOSTA: Os Exus eram e são compreendidos da mesma forma, desde a fundação da TENSP, não houve qualquer mudança. Não há sessões de Exus. Continuam sendo, como dizia o Caboclo, os soldados, os trabalhadores do nosso Terreiro, são chamados somente quando necessário, normalmente nas descargas ou em outros trabalhos de defesa contra a magia.


PERGUNTA: Iniciei em um Centro Espírita que, embora kardecista em sua raiz, tinha sessões de umbanda mesa branca e que dizia seguirem a Umbanda preconizada pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas. Nesse Centro não havia velas, atabaques, fumo ou Congá. Era assim na TENSP? O que mudou desde então para vocês que estão mais próximos da Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas?

RESPOSTA: A TENSP sempre trabalhou com velas, pemba, ponteiros, fumo, defumadores, temos gongá, que nada mais é que um altar c/ imagens de santos, nunca usamos atabaques. Trabalha-se também com pontos firmados que são usados nas sessões e os pontos cantados, sem qualquer acompanhamento instrumental, só voz. Para o nosso entender nada mudou na TENSP. Se houve mudanças em Tendas criadas por meu avô, isto não é de nossa alçada. Nós continuamos fiéis aos ensinamentos e preceitos do Chefe (como também chamamos o Caboclo das Sete Encruzilhadas) e esta será sempre a nossa luta.




PERGUNTA: Como é feita a iniciação de médiuns na Tenda? Quando eles são considerados prontos?

RESPOSTA: Existem na TENSP as chamadas Sessões de Desenvolvimento sob a responsabilidade de um Babá da casa, ajudado por outros médiuns antigos. As sessões dividem-se em duas partes, uma teórica e outra prática, na qual a incorporação dos médiuns em desenvolvimento é trabalhada. Após algum tempo participando desses trabalhos são considerados semi-prontos pela indicação do Guia Chefe. Após esta indicação, deverão ser burilados nas Sessões de Caridade, muitas vezes trabalhando como médiuns de atração, até receberem ordem p/ trabalharem na casa, dando passes.

Não há tempo marcado e cada um tem o seu tempo p/desempenhar tal tarefa.






PERGUNTA: Tendo a Umbanda do Caboclo das Sete Encruzilhadas tomado como ponto de partida os ensinamentos kardecistas, eu perguntaria em que momento as oferendas e/ou obrigações com comidas ou de outro qualquer tipo começaram a fazer parte dos rituais?

RESPOSTA: Apesar da primeira manifestação pública do Caboclo da Sete Encruzilhadas ter se dado na Sede da Federação Espírita de Niterói, as práticas da Umbanda não partiram de ensinamentos kardecistas, até porque os kardecistas de então, rejeitavam as manifestações de pretos velhos e caboclos por considerarem "espíritos pouco evoluídos". Aliás, o próprio Caboclo foi convidado a deixar o recinto na ocasião de sua incorporação. Não quero dizer com isto que rejeitemos os ensinamentos de Kardec. Os usamos para entender as questões relacionadas aos processos de evolução espiritual, reencarnação, etc. ... e temos profundo respeito pelas práticas dos kardecistas.
Nossas práticas partiram dos ensinamentos que foram trazidos pelo próprio Chefe, por Pai Antonio e posteriormente por Orixá Malet (entidades recebidas por meu avô).

E quanto a sua pergunta sobre oferendas, etc. ..., foi a partir da chegada do Orixá Malet (segundo informações da minha mãe ).

PERGUNTA: Orixá Malê - Vocês devem ter tido bastante contato com essa entidade. Poderiam me responder se era uma entidade ligada ao africanismo? Seria ele um desses que se acostumou a chamar de "capangueiro de orixá"? Ou apenas uma entidade da linha de Ogum Malê? Ele era um espírito (que tivesse vivido antes na terra) ou um elemental/orixá como compreendem os ritos de candomblé?

RESPOSTA: Eu infelizmente não tive muito contato com Orixá Malet, pois era muito jovem e não freqüentava assiduamente as suas sessões, os seus trabalhos.
Orixá Malet não era ligado ao africanismo, nem "capangueiro de orixá", como você questiona. Ele era malaio e se apresentou com este nome, foi o guia que veio p/ resolver "as demandas" do Centro e da própria Umbanda em seu nascedouro. Falava pouco e sua comunicação se dava predominantemente por gestos, era bastante rápido e exigente nas suas ações e nos trabalhos que realizava. Como se apresentava como malaio e pelas descrições de sua aparência, acredito que tenha tido uma existência terrena como o Chefe e Pai Antônio.

PERGUNTA: O que vocês teriam a dizer dessas falanges que estão aparecendo na Umbanda como: Ciganos, Malandros, Boiadeiros, Lixeiros, Mendigos, Caipiras ...?

RESPOSTA: Sobre as falanges que você pergunta:
Ciganos, malandros e boiadeiros------- temos conhecimento.
Lixeiros, mendigos e caipiras----------- nunca ouvi falar, nada sei sobre elas.

Na TENSP não trabalhamos com nenhuma delas, embora eventualmente alguma entidade possa se manifestar c/ trejeitos típicos de malandros e também com movimentos de um boiadeiro.

PERGUNTA: Qual a opinião de vocês quanto ao uso de paramentos, vestimentas que caracterizam certas entidades (boiadeiros, exus, caboclos), como cocares, chapéus de couro, chicotes, laços e outros dentro dos rituais de Umbanda?

RESPOSTA: Esta Umbanda com paramentos não conheço, não usamos e particularmente não vejo necessidade de roupas, adereços ou qualquer tipo de fantasias.


PERGUNTA: Qual a opinião atual de vocês sobre as vestimentas que devem usar os médiuns para trabalhos dentro da Umbanda? O que mudou desde o CDSE para cá?

RESPOSTA: A nossa Umbanda continuará a usar um uniforme simples, como é desde a sua fundação. Para as mulheres um vestido branco c/ comprimento normal complementado com um calção por baixo até o joelho e, os homens calça comprida branca e camisa branca. Por praticidade esta camisa vem sendo substituída por um jaleco branco simples.

Trabalhamos descalço. Os médiuns usam uma fita vermelha na cintura e os cambonos uma fita verde.







PERGUNTA: O Ponto riscado do Caboclo das Sete Encruzilhadas é uma encruzilhada encimado por um coração transpassado por uma flecha?
Mais algum detalhe?


RESPOSTA: O ponto riscado do Caboclo é um coração transpassado por uma flecha somente.

PERGUNTA: Qual a opinião de vocês sobre essa volta do CDSE anunciada pela médium Adriana Berlinsky que escreveu recentemente dois livros aos quais ainda não tive acesso, que teriam sido psicografados pelo CHEFE?

RESPOSTA: O Caboclo continua tendo o seu Centro, a TENSP, com excelentes médiuns incluindo a filha carnal de Zélio de Moraes, sem qualquer mudança nas suas diretrizes e práticas desde a sua criação. Assim sendo me causa certo estranhamento que ele possa ter escolhido um médium sem nenhum contato com esta casa para se manifestar. Além disso, segundo informações recebidas através de outras entidades que com ele trabalhavam na TENSP, o Chefe, após cumprir sua missão junto a Zélio de Moraes, já estaria em esferas ainda mais elevadas do astral superior, não mais realizando trabalhos em nosso plano.

PERGUNTA: Após o falecimento de Zélio, já tiveram alguma notícia dele, do Caboclo das Sete Encruzilhadas ou de Pai Antônio, ou de qualquer outra entidade que com ele trabalhasse?


RESPOSTA: Sim, o meu avô já esteve conosco, a sua última mensagem foi em novembro de 2007 na abertura da Sessão do Amaci.
O Caboclo aparece para nós, em momentos muito especiais em nosso Terreiro e os médiuns videntes percebem sua presença manifestada na forma de um clarão de luz azul. Os seus recados são trazidos através de caboclos e/ou pretos em algumas ocasiões.
Pai Antônio já incorporou algumas vezes com minha mãe, também em nossas sessões, trazendo muita alegria e uma imensa saudade.


PERGUNTA: Há pouco tempo tive a oportunidade de ler em uma certa Comunidade do Orkut que talvez lhes interessasse (aos membros dessa comunidade) comprar a casa onde morou o Sr. Zélio, em Neves, para que ali fosse criado uma espécie de marco do início da Umbanda, mas que alguém que teria ido ao local teria se deparado com uma pessoa que, embora da família, seria evangélica e nada interessada em Umbanda ou qualquer coisa parecida. Vocês têm conhecimento desses fatos (da possível compra e da pessoa que lá reside)?


RESPOSTA: Freqüenta hoje o terreiro da TENSP uma das pessoas da comitiva que esteve em visita a casa. Existia sim esta idéia, mas não sei como surgiu. A pessoa que os recebeu é católica (sic) e não evangélica e é bisneta da tia Zilka (única irmã de meu avô). São os atuais moradores da casa, seus pais e irmãos.
O meu avô nunca foi favorável a qualquer culto a sua personalidade ou a valorização de algo material ligado a Umbanda, como um imóvel, por mais importante que seja para a nossa história.
Assim sendo nos arrepia a idéia de um "Museu da Umbanda" ou coisa parecida, com fotos, objetos de meu avô ou algo similar. Uma "casa de Umbanda" só tem sentido para nós se for para a prática da caridade e para isto, como diria o Chefe, basta a copa de uma árvore.


PERGUNTA: A que fatos ou interpretações vocês atribuem essa diferenciação tão grande de Umbandas hoje existentes e a essas afirmações de que: "Já existia Umbanda antes do Caboclo das Sete Encruzilhadas e que ele não teria criado a Umbanda e sim anunciado ou mesmo, como afirmam outros, socializado?".


RESPOSTA: Em relação às diferenças acredito no lema "cada cabeça uma sentença". A Umbanda não é dogmática porque o Chefe assim o quis. Não foi criada uma doutrina, talvez para permitir que aquele que seja dotado de mediunidade e afeito aos seus ideais possa se tornar um trabalhador de suas causas. A coisa mais importante é que paute suas práticas na humildade, no amor e na caridade.
Nós na TENSP procuramos manter as práticas como nos foram ensinadas pelas entidades recebidas por meu avô. Para cada uma delas existe uma razão, uma justificativa nem sempre muito clara.
Procuramos ser um esteio do que foi preconizado por estas entidades, entretanto sem termos a pretensão de sermos melhores que quaisquer outros.
Quanto a existência da Umbanda antes do Caboclo, só podemos falar por aquilo que está na nossa história e o que nos foi ensinado: A Umbanda é uma religião brasileira que incorpora elementos de todos os povos constituintes de nossa nação, especialmente do índio, do negro e do branco europeu, nascida por ordem do astral superior, através do Caboclo das Sete Encruzilhadas voltada principalmente para a prática da caridade. Seu nascimento se deu em São Gonçalo – RJ em 15 de novembro de 1908 no bairro de Neves.





PERGUNTA: Que tipo de mensagem vocês gostariam de deixar para os Umbandistas de todas as vertentes atuais?


RESPOSTA: Importante é que tenham pureza em seus corações. A fé é a maior alavanca. A Umbanda para nós sempre será baseada na simplicidade, no amor, na caridade e principalmente na humildade. Nunca se afastem desses ensinamentos.



Façam sempre suas orações pedindo orientação aos mestres espirituais.



Salve Oxalá e que Ele os abençoe.
Lygia Cunha





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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:



1- Todo este texto, após montado, foi remetido para Dona Lygia para que tivesse sua aprovação e recebesse qualquer emenda que bem achasse necessária.


2- As fotos que acompanham a matéria (algumas das muitas que foram enviadas à família) foram feitas em 26/04/2008, durante a Sessão em homenagem a Ogum e com permissão de Dona Lygia por quem fui muito bem recebido.

3- Que se observem, através das fotos, o tipo de indumentária utilizada pelos médiuns, bem como a ausência de atabaques no recinto do terreiro, o que desmente peremptoriamente muitos dos comentários expostos em mídias.

4- Como fiquei sabendo lá mesmo, em breve a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade terá seu Site na Internet e, assim que ficarmos sabendo o endereço, ele será aqui exibido.

Que OXALÁ NOS ABENÇOE E ILUMINE A TODOS, são também meus sinceros votos !
AINDA SOBRE A TENDA ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA PIEDADE, O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS E UMBANDA SIGAM LINKS ABAIXO:
E UM BOM TEMA PARA PESQUISAS
BOA LEITURA A TODOS!!

quarta-feira, 19 de março de 2008

FATOS INTERESSSANTES DE SEREM ABORDADOS

Estávamos a pensar noutro dia sobre algumas perguntas que recebo em relação a quais seriam os orixás que se cultua na Umbanda, assunto em que normalmente evito tocar, já que há Umbandas e Umbandas, todas com diferentes formas de entender e absorver ensinamentos que lhes chegam das mais variadas formas. No entanto, fazendo uma análise "fria e crua" do que vemos neste sentido, não só agora, mas desde há muitos anos atrás, também eu acabo ficando confuso (se me deixar levar pelas crenças) no meio de tantas afirmações "consistentes" de que a Umbanda tem que reverenciar este, esta, aquele, aquela e também aqueles outros orixás ... Isto confunde. Isto deixa qualquer neófito que resolva pesquisar, meio que "de orelha em pé", tal é a variação de "orixás" que se sugere às vezes, e se impõem outras vezes.

Encontramos Umbanda com 14 "orixás", com 16 "orixás" e às vezes até mais quando resolvem incluir mais alguns Inkices, Voduns, além dos "Orixás" que são Nagôs, mesmo sabendo que desde sua CRIAÇÃO ou ANUNCIAÇÃO o número 7 (sete) foi eleito como base para AS SETE LINHAS DE TRABALHO e não para SETE ORIXÁS ou DIVINDADES, embora esta terminologia ("orixá") tenha se infiltrado fortemente na crença umbandista posteriormente, principalmente com o advento do "VAI LÁ "FAZER CABEÇA" E VOLTA PRA TOCAR UMBANDA", como já dissemos em outras postagens. O pior é que mesmo estes que diziam ter ido "fazer cabeça", em sua maioria, o máximo que faziam era um BORI, porque para se "fazer cabeça" mesmo e receber ordem de chefia com o DEKÁ, teriam que passar pela obrigação de SETE ANOS de "feitura".

Mas qual ... foram instruídos de que bastaria se recolherem e colocarem um Oxu em seus camatuês que a "firmeza" estava pronta e já eram "pais di santu" ...

O fato é que com essas "idas e vindas", conceitos e mais conceitos sobre orixás, principalmente baseados em ITANS (LENDAS), foram introduzidos em muitas umbandas que acabaram por trocarem as LINHAS DE TRABALHO por ORIXÁS de Linha Nagô, resultando numa imensa confusão e até mesmo contradições quando se tenta saber "quem são os orixás da Umbanda"! Por causa disto vemos alguns afirmarem que cultuam em sua Umbandas "orixás" como Ewá, Tempo, Ossanhe, Oranian, Logun Edé, Wungi, Matamba, e até Egunitá que deixou até de ser qualidade ou espécie de Oiá pra virar "orixá" ... e por aí vai.

Sei que este é mais um tema crítico e por isso mesmo vou tentar encaminhá-lo da maneira mais serena possível.

Em primeiro lugar os Itans que tentam justificar ou explicar ou mesmo divinizar ex- heróis como "orixás", nada mais são que parábolas criadas pelos africanos e acredito que até mesmo já aqui no Brasil onde ouve a maior miscigenação com conseqüente mistura das crenças que vieram a compor os Candomblés, sendo que as de uns grupamentos afro eram absorvidas por outros, bem assim como suas divindades. Tanto é assim que Omolu/Obaluiaê e Nanã, de Nação Jêje (pra não falar de outros mais), nem eram divindades Nagôs, mas acabaram sendo também cultuados por eles e adquiriram aqui, Itans que os relacionavam com Orixás, o que, se pensarmos bem, não deveria ter acontecido.

Numa analogia para se entender porque não deveria ter acontecido, observemos que, por serem originários de outra Nação que não a Yorubá, juntá-los numa mesma crença seria mais ou menos como juntar Deuses Egípcios com Deuses Gregos e criar lendas para que PARECESSE que sempre estiveram em contato. E antes que alguém me venha falar de Gregos e Romanos, repare que neste caso os Deuses foram sincretizados e não existe, pelo que sei, nenhuma lenda em que Zeus interaja com Jupiter ou Aires (ou Ares) com Marte, ou seja, não existem lendas em que, os Deuses gregos interajam com Deuses Romanos - cada um de sua Nação tem suas próprias lendas.

Fato é que, com fins de adaptações e não perda de certos "poderes" que esses "orixás" teriam, foram feitas adições ao panteão e os Candomblés (tão brasileiros quanto a Umbanda), escolheram entre um número que ainda não se sabe bem ao certo (alguns falam de 400 e outros de mais de mil) de inkices, vodunces e orixás, os que deveriam aqui ser cultuados. E todos receberam essa nomenclatura - "orixás" - em número de 16 para os que se dizem de raiz Nagô.

Revendo então: Umbanda com suas SETE LINHAS e Candomblé com seus 16 "ORIXÁS"!

Aí é que começa toda a trapalhada porque as SETE LINHAS receberam nomes dos patronos (orixás E santos) numa clara demonstração, desde o início, de que nela haveria influências, tanto católicas quanto afro, mas com filosofia claramente espírita, inclusive com indicações claras, por parte do CDSE, para que os livros de Allan Kardec fossem lidos e tidos, desta forma, como base.
Aí danou-se! Parece que o CDSE já fez isto pra confundir mesmo!

Fato é, no entanto, que desde os primeiros passos da Umbanda, já se tentava codificar algumas coisas, o que, pelo que vemos hoje, não foi possível, exatamente porque nem à época e nem mesmo hoje, tenha-se conseguido irmanar cultos e religiões, ainda que uns usem ritualísticas, conceitos e até mesmo filosofias de outros, já que o ser humano, este "ser perfeito"(?), basicamente não admite que "sujem" suas crenças que normalmente tomam como "verdades indiscutíveis". Desse modo, mesmo tendo a Umbanda se utilizado de nomes africanos EEEE católicos para designar suas Linhas de Trabalho, também não consegue fazer entender a seus adeptos, tanto os mais europeizados (ditos cristãos), quanto os mais africanizados, que as Linhas de Santo/Orixá preconizadas pelo CDSE, não eram necessariamente nem Culto a Santo e nem Culto a Orixás e provavelmente foram adotadas em função do que mais se conhecia na época ligado a religiões e, principalmente, que essas LINHAS, seriam como por exemplo, divisões, setores ou grupamentos de espíritos, que viriam e trabalhariam, cada um com seus estilos e técnicas, em prol do que sempre foi objetivo desta Umbanda - CARIDADE ATRAVÉS DOS ESPÍRITOS.

Repare você que nos lê, que a figuras principais na Umbanda são OS ESPÍRITOS - gente que já viveu antes na Terra.

Fiquei pensando também, se do meio de todo esse povo que praticava Umbanda "nas antigas", além dos que foram FAZER SACERDÓCIO NOS CANDOMBLÉS, tivesse havido os que fossem se CONSAGRAR PADRES, seguindo a idéia de que a Umbanda, "por ser cristã e adotar os Santos Católicos", deveria ter sacerdotes deste naipe também, na mesma linha de pensamento dos que pensaram que, "por ser a Umbanda Africana e adotar orixás", teriam que bater cabeça nos Candomblés. Já pensou no que isso iria dar?

Voltando às tentativas de codificação, vimos que desde o início tivemos o já conhecido Leal de Souza que, tentando estipular quais seriam as Linhas de Trabalho da Umbanda, determinou-as assim: OXALÁ (Nosso Senhor do Bonfim), OGUM (São Jorge), EUXOCE/Oxossi (São Sebastião), SHANGÔ/Xangô (São Jerônimo), NHAN-SHAN /Iansã (Santa Bárbara), YEMANJÁ (Nossa Senhora da Conceição) e ALMAS.

Depois dele tivemos vários outros autores que tiraram as Almas de lado e colocaram Oxum, mais alguns que inseriram Ibejis, mais alguns que arrumaram um lugarzinho para Omolu que acabou dando entrada para Obaluaiê, mas antes ainda coroaram Nanã como sendo Santa Ana ... A partir daí abriram-se as portas e cada um elegeu seus orixás preferidos e passou a cultuá-los, esquecendo-se totalmente DAS SETE LINHAS DE UMBANDA. E mesmo cantando pontos de abertura como o que vem abaixo, esqueceram-se de observar que suas Umbandas JÁ NÃO TINHAM MAIS SETE LINHAS.

Quem está de ronda é Ogum, Megê
Quem rola pedra é Xangô, Kaô
Quem está nas matas é Oxossi, é!
E, é, é, Oxalá que é meu senhor.
SETE LINHAS DE UMBANDA
SETE LINHAS E ORIXÁS
Iansã na cachoeira, Yemanjá no alto mar
As crianças quando descem, vêm aqui pra saravá
Preto Velho quando arria, ele vem descarregar.

- "Pô, Claudio, aí "babou"! - diriam alguns - porque eu contei 8 citações neste ponto aí" ...

É, mas não "babou" não, porque as crianças são falanges de espíritos e não especificamente Linhas de Trabalho (se fossem estariam sempre presentes, atendendo aos necessitados, como fazem Caboclo e Pretos Velhos de diversas LINHAS) que sempre estiveram presentes em todas as Linhas, desde Oxalá até Exu, muito depois, quando começaram a adentrar aos terreiros de Umbanda, como já disse antes, apresentando-se como Linhas de Trabalho e não mais como apenas auxiliares/quimbandeiros. E Pretos Velhos eram separados e considerados LINHA DAS ALMAS - o que foi aproveitado, depois, para que inserissem Omolu, como o Senhor das Almas e responsável por todas as falanges de Pretos Velhos, numa adaptação de LINHA para ORIXÁ (que no caso deveria ser VODUN e não ORIXÁ).

Pode recontar agora que vai cair exatamente nas sete Linhas propostas por Leal de Souza.

Hoje sabemos que nossos Pretos Velhos não integram somente a Linha das Almas e podem vir por qualquer outra dessas Linhas de Trabalho que antes eram dominadas apenas por CABOCLOS e CABOCLAS. Mas que todos têm um pezinho nas Almas, lá isso têm!

Mas Oxum, Claudio? Como é que fica? E Nanã? E Obaluaiê? E Omolu? E ... ?

Pois é! Aí começamos a entrar pelo universo das inserções e começando a fazer da Umbanda Original um cabide de "Orixás", a ponto de jurarem que também Ossanhe, Ewá, Tempo, Logun Edé, Oxumaré, etc, fazem parte do panteão Umbandista. Neste ponto entramos fundo na UMBANDOMBLÉ que muitos até atacam, esquecendo-se de que estão nela inseridos, não só por adotarem panteões parecidos com os dos Candomblés, como também práticas ritualísticas de iniciação semelhantes.

Gente! Vamos pensar? Vamos parar para olhar mais para nós mesmos, nos corrigir e deixarmos de ver tão bem os possíveis defeitos, apenas dos outros?

Com todas essas inserções, dá pra se discutir Orixás, Santos ou Linhas de Trabalho?

-"Mas Claudio, eu não sigo essas Linhas de Trabalho e considero "Orixás" como parte importante da "minha Umbanda". Você está querendo dizer que eu não faço Umbanda"?

Aí é que está. Se você adota o culto e crença nos orixás africanos, é um direito seu, embora deva ficar ciente de que, como eu disse na postagem anterior, Orixá Africano tem formas bastante definidas para seus cultos que, muitas vezes, contrariam fundamentos da Umbanda original. Eu perguntaria antes de responder: Você sabe mesmo cultuar um Ogum africano? Você sabe mesmo cultuar um Oxossi africano? Você sabe mesmo cultuar um Logun Edé, um Ossanhe, Obá, etc?

Se sua resposta for sim, com toda a convicção, então não vejo mal algum de você levar sua fé por esses caminhos desde que se lembre sempre do objetivo principal da Umbanda: TRABALHOS COM ESPÍRITOS (ex-encarnados) PARA A CARIDADE! Porque se sua "umbanda" se voltar para fazer apenas CULTOS A "ORIXÁS", esquecendo-se que quem trabalha mesmo na Umbanda são ESPÍRITOS (e não Orixás) e para a CARIDADE ... aí deixou de ser UMBANDA.

Gostaria de reforçar aqui uma tese através da qual essa adoções de conceitos e práticas, seja de que religião ou filosofia forem, bem assim como estudos mais aprofundados sobre a mediunidade e suas formas de utilização, além da tão conhecida incorporação e seus consequentes usos, com a finalidade de facilitar o alcance dos objetivos propostos pela Umbanda, a meu ver deveriam ser muito bem vistos pela maioria dos Umbandistas, levando-se em conta, é claro, que tanto as práticas e técnicas ortodoxas, quanto as mais recentemente criadas em função de novas pesquisas no campo mediúnico, estejam dentro de conceitos aceitáveis e "testáveis" e, principalmente, que não firam ou deturpem a ortodoxia das crenças adotadas ou não se mostrem contraditórias em si, como no caso de alguns "ensinamentos" que hoje correm a "vento solto" como "verdades".

Mais do que nunca é necessário que se RACIOCINE, antes de ir aceitando quaisquer "novos rumos" para a Umbanda ou mesmo outras religiões, até porque, o que existe de espíritos querendo se mostrar, de lá pra cá, é uma enormidade e se um crivo honesto e radical não lhes for aplicado, veremos (como já vemos) muita gente "comendo gatos por lebres".

O que eu quero dizer com isso?

Que se você não tem vidência ou sensibilidade suficiente e aceitar uma entidade como " o Espírito Santo", por exemplo, só por assim querer crer, assim ela vai se apresentar;
Se como "Orixá", assim ela vai se apresentar;
Se como divindade egípcia, idem;
Se como a própria deusa Lua, idem.

Cuidado, irmãos:
Com o ANIMISMO;
Com as ILUSÕES e FANTASIAS;
Com as criações e alimentações de ELEMENTAIS ARTIFICIAIS;
Com as CRENÇAS CEGAS;
Com as MISTIFICAÇÕES DE ESPÍRITOS e ELEMENTAIS;

O trato com entidades (espíritos e elementais) do Astral, seja pela Umbanda, Kardecismo, Candomblé e outros é coisa séria para gente MUITO SÉRIA, porque, mesmo com boas intenções, estamos vulneráveis a presenças não indicadas, principalmente se nos deixarmos levar pelos "EFEITOS ESPECIAIS" neste blog já citados.

Quando começam a aparecer as doenças curáveis e até incuráveis, os atrasos de vida em geral, os conflitos em família e outros entraves, está na hora de repensar sobre quem ou o que está realmente ao nosso lado nos orientando, como pensamos, ou sobre o que podemos estar fazendo de errado, barrando com isso, a influência de VERDADEIROS GUIAS ESPIRITUAIS - os que podem realmente nos conduzir por caminhos evolutivos, SEM PREJUÍZOS DE NOSSA VIDA MATERIAL.

Que OXALÁ ilumine, hoje e sempre, seus caminhos!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

IMOLAÇÃO NA UMBANDA?

Volta e meia nos deparamos com aquela velha ladainha de que a Umbanda é africana, tem raízes africanas e cultua orixás (que também são africanos) e ainda mais: por cultuar "orixás" tem o direito (ou seria dever?) de imolar animais de 2 ou 4 patas em louvor a estes. É claro que essas afirmativas nos são apresentadas por pessoas, ou que praticam o africanismo (candomblés, umbandomblés) ou que deles são simpatizantes, e mesmo os que nada entendam do que pretendem pregar, mas acham tudo um fascínio e pretendem justificar imolações como um Culto à Natureza Divina dos "Orixás".

Se eu tiver que voltar ao assunto "Umbanda no Brasil e sua Criação pelo CDSE" a leitura vai ficar enfadonha, mas quem nos acompanha já percebeu pelo menos alguns pontos básicos:

1- A UMBANDA ORIGINAL foi criada e fundamentada em bases cristãs e espíritas com alguma conotação africana relativa tão e somente ao nome DAS LINHAS DE TRABALHO que tiveram como PATRONOS, nomes de alguns "Orixás"assemelhados imediatamente a Santos Católicos;

2- Que mesmo tendo sido usados nomes de alguns "Orixás Nagôs" como PATRONOS das Linhas de Trabalho, não existia qualquer tipo de CULTO A ORIXÁS determinado pelo CDSE;

3- Que essa correlação primeira que o Caboclo fazia entre "Orixás" e "Santos", provavelmente tinha como objetivo criar uma espécie de ponte entre duas religiões totalmente distintas mas que poderiam, ao longo do tempo, tornarem-se irmãs, além do fato claro de que naquela ocasião, tudo o que não fosse cristão (como o espiritismo de Kardec, por exemplo) era perseguido política e policialmente. Inclusive o fato que levou o Caboclo a batizar suas primeiras tendas de TENDAS ESPÍRITAS e não de TENDAS UMBANDISTAS (observaram isto?), se prendia ao fato do Espiritismo não ser tão perseguido (tinha até Federação - FEB) e depois, durante a ditadura Vargas, isto SER OBRIGATÓRIO, sendo o Espiritismo, que era Cristão, até apreciado por Vargas, segundo o que se conta.

4- Que desde o início qualquer tipo de sacrifício animal era combatido pelo CDSE e seus seguidores de UMBANDA;

5- Que como já afirmamos antes, após a divulgação do nome UMBANDA, seu fortalecimento através da Federação (1936), do primeiro Congresso (1941), ou até antes, muitos foram os cultos que se rotularam como tal, possivelmente até mesmo para escaparem da perseguição policial que invadia terreiros e casas de cultos, animalescamente, como estão tentando fazer ainda hoje alguns fanáticos pseudo cristãos, acontecendo no entanto, que mesmo se rotulando como de Umbanda, permaneciam nas práticas africanistas e até mesmo outras (sei lá) que nada tinham a ver com o que foi determinado pelo CDSE.

Foi bem a partir desta auto-rotulação, que começaram a acontecer o que hoje chamamos as "diversidades umbandistas". Não que a Umbanda Original permitisse tantas, pelo que já se pôde ler aqui, mas como se proliferaram os "CULTOS UMBANDISTAS POR AUTO-ROTULAÇÃO", todos acabaram sendo reconhecidos como Umbanda - é aquele fato de que se repetirmos e repetirmos, quase tudo acaba virando "verdade".

No meio destes "cultos umbandistas" (as macumbas) existiam (e ainda existem) aqueles fortemente africanizados que não pretendiam deixar suas raízes culturais e seus Cultos a "Orixás" da forma que aprenderam e sempre cultuaram. Esse fato, se não me engano, foi um dos que induziu o famoso Tata ti inkice, senhor Tancredo da Siva Pinto a trazer para o Brasil, como dizem, o Culto Omolocô que em sua base já era um culto onde havia trabalhos com entidades ditas de Umbanda (Caboclos, Pretos Velhos) e Culto aos Orixás através dos rituais ensinados pelos africanos, com direito a imolações, borís, feituras, etc. - provavelmente o primeiro Umbandomblé oficial verdadeiro no Brasil.

Nos dias de hoje, até mesmo o Omolocô Original sofreu tantas modificações, tanto em seus rituais como em sua filosofia, que já vemos alguns Terreiros ditos de Omolocô até mesmo meio "esoterizados", com culto aos elementais e mais alguns que se rotulam de Umbanda Omolocô - isto não é uma depreciação e sim uma constatação, já que em minha opinião pessoal seria até melhor que todos os tipos de culto de raizes afro que se rotulassem Umbanda, deveriam se rotular também com suas raízes (Umbanda Omolocô, Umbanda Jêje, Angola, etc.) evitando essa generalização que confunde a maior parte, tanto de iniciantes como de antigos.

Por que disso?

Porque está exatamente aí a confusão que se faz quando se diz que em UMBANDA (generalizando) existe imolação de animais. É devido a essa generalização aplicada ao vocábulo UMBANDA que acontece essa confusão, e para que não aconteça para quem nos lê, vamos deixar bem claro que em UMBANDA NÃO AFRICANIZADA (acho que fica melhor assim) NÃO EXISTE IMOLAÇÃO DE QUALQUER TIPO DE ANIMAL, seja para trabalhos de demanda, de saúde ou outros quaisquer, principalmente para Culto a "Orixás" ou Feituras que também não existem nessas Umbandas.


Quando você encontrar uma "Umbanda" em que o elemento sangue (ejé, menga) por imolação esteja presente em qualquer um de seus rituais, pode ter certeza de que você estará de frente para uma Umbanda Africanizada ou Umbandomblé com raíz em alguma "Nação Afro" ou até mesmo uma Quimbanda auto-rotulada de Umbanda.

E por que não se usa imolação nas outras Umbandas?

Em primeiro lugar, exatamente pelo fato delas não seguirem tradições dos cultos afro e se adaptarem mais a outras filosofias e técnicas de trabalho em que o ejé e a energia contida nas vísceras deixam de ser necessários.

Em segundo lugar, porque, mesmo que alguns creiam assim, não cultuam "ORIXÁS NAGÔS OU VODUNS JÊJES" que têm suas formas de serem cultuadas bem definidas pelos africanos e sempre ou quase sempre com a presença do ejé. Neste caso, para que cultuassem Orixás Nagôs ou os Voduns Jêje teriam, obrigatoriamente, que fazê-lo como o fazem os africanistas, ou será que podemos acreditar que cultuamos um Ogum Nagô sem lhe oferecer sangue no seu assentamento?

Será que ele (o Ogum Nagô) entende que o umbandista é diferente e por isso passa a aceitar assentamentos ou firmezas sem sangue? Só com flores e velas? Perfumes? Seria muito estranho, não?
Vamos raciocinar?

A respeito disso, li um comentário sobre o Jeová Bíblico que era um adorador de ejé da melhor qualidade, para o qual se matava não UM animal, mas DEZENAS de cada vez, sendo inclusive a bíblia, (Antigo Testamento) um almanaque em que até o ritual de imolação nos é ensinado.


Dizía-nos o postulante, tentando nos fazer crer que seria possível cultuar os mesmos "orixás" mas sem sangue na Umbanda, que o Jeová Bíblico, que antes adorava sangue, depois do mito Jesus e sua crucificação, deixou de gostar e que os que acreditavam em Jesus como filho de Deus adoravam o mesmo Jeová de antes... sem imolações!

Bem, se for assim, coitados dos israelitas judeus que continuaram dando sangue pra Jeová muito tempo depois da crucificação, não? Estavam matando bois e carneiros pra quem tinha virado vegetariano?

Até a Bíblia pretende confundir seus seguidores quando tenta passar esta idéia de que Jeová e o Deus (ABBA) de Jesus eram o mesmo DEUS. Basta uma releitura dos ensinamentos Crístãos (nos 4 Evangelhos) e uma comparação com o que era pregado como "palavras de Jeová" (Torah ou Antigo Testamento) para percebermos o quanto eram até contraditórios, sinalizando claramente a troca de "deuses", bem assim como da própria doutrina.

Sintetizando então: nem o Deus-Pai de Jesus era o mesmo Deus dos Judeus e nem Umbandistas não africanistas cultuam orixás nagôs ou voduns jêje. Tudo é muito diferente e afirmar isto é pura "forçação de barra"!

Agora nos prendendo especificamente à Umbanda, vemos que a maioria entende serem os "orixás" seres ou energias de "muita luz", querendo dizer com isso que são seres ou energias de um padrão vibratório muito além do nosso em evolução ou proximidade com o criador. Estou certo?

Pois muito bem. Com essa idéia acima, como podemos então entender que esses seres iluminados, essas energias quase que vizinhas ao próprio Deus Maior, aceitem ou peçam, como oferenda, sangue animal que como todos devem saber (ou deveriam) entra em decomposição quase que imediatamente após sua retirada e por seu padrão energético vibratório atrai os elementais mais elementares - vampiros astrais - para sugar-lhe a "energia viva"?

Como entender que "meu orixá"(o senhor de minha cabeça), sendo um iluminado (segundo a crença acima citada), precise ser fixado com sangue, tanto na minha cabeça como em suas "ferramentas" (assentamentos)? Se eu aceitar isso como natural, vou ter que aceitar também que todos os "iluminados" (espíritos e elementais) que estão do outro lado têm também essa necessidade e que, no futuro, quando EU (ou você que lê agora) estiver lá na luz, também terei essa necessidade e provavelmente estarei, servindo de encosto e pedindo que me matem umas galinhas, uns patos ...

E mais ainda: Se for verdade que os "iluminados" precisem de sangue, acho que podemos afirmar que se não fôssemos nós e os animais a serem imolados, eles (os "iluminados") provavelmente não existiriam ou teriam que caçar suas próprias vítimas e por isso nos mantém aqui, encarnados, para serví-los ...!

Mas será que não podemos RACIOCINAR junto com nossos irmãos UMBANDISTAS passando pela premissa de que, se formos considerar que os nossos GUIAS, os Espíritos de LUZ, os ORIXÁS, os "Medalhões do Espaço", os que se dizem MAIS EVOLUÍDOS, MAIS "ILUMINADOS", OS QUE JÁ TERIAM ALCANÇADO A GLÓRIA DOS CÉUS precisam receber oferendas de sangue para poderem atuar, então é porque os instintos animais, as necessidades animais, se perpetuam no espaço e em todos os Planos de Existência, inclusive os divinos?

Estranho, não?

Com todo o respeito pessoal a quem pretende continuar a pensar assim, mas nada vejo de verdade nisso aí. Nada há de racional, em minha opinião, em "possibilidades" como estas.

Deuses, Guias, Mentores, Orixás, Santos ou sei lá mais o que, para que SEJAM REALMENTE e NÃO SOMENTE SE ALARDEIEM COMO TAL, têm que estar DESLIGADOS, NÃO DEPENDENTES, do que de material (terráqueo) existe, até porque, se a matéria de que precisam não está lá onde eles estão, então devemos repensar essa tal de EVOLUÇÃO, não acham?

Mas ainda há uma corrente de pensamento afirmando que não se imola para os "orixás" e sim para nós mesmos e que o ejé sobre o ori seria uma forma de fortalecimento deste ... Não é não!

O ejé e outras coisas mais que compõem o oxu (sobre o que não cabe aqui falar) tem como objetivo (por crença) fazer nascer ou acordar o orixá individual ou o gênio individual (usando-se outra nomenclatura) como pensam alguns, ou atrair o orixá (também gênio particular) individual para aquele ponto sobre a cabeça do iniciando, como pensam outros. Por isso acontecem outros fatos nesse tipo de iniciação, que também não cabem aqui, mas que deixam bem claros seus objetivos.

A "feitura" no Candomblé é uma sintonização vibratória, uma afinação da coroa para que a energia densa do que chamam de "orixá" se conecte ao ori (cabeça) do iniciando que, fundamentalmente, a partir daí, só receberia energias através desta canalização, o que excluiria, naturalmente, a presença de todo e qualquer egun (espírito, catiço) dessa situação - esse é o fundamento e o ejé é um dos elementos sintonizadores.

E ainda há uma outra corrente que nem aceita as Umbandomblés, mas acreditam que às vezes é necessário uma mengazinha aqui ou ali para que determinados trabalhos surtam efeito.

Aqui já encontramos fundamentos de Quimbanda e quem costuma se utilizar desta TÉCNICA DE TRABALHO são os Exus e Pretos Velhos ou Caboclos QUIMBANDEIROS desde priscas eras, já que, na maiorias das vezes, trabalham sob regime de trocas (escambo) - dando ao obsessor vampiro o que ele quer, para afastá-lo e conseguir seu(s) intento(s).

No africanismo do Candomblé, pelo que sei, só se imolava em casos de "feituras", "boris", "assentamentos" e fortalecimento, tanto das "obrigações" quanto dos "assentamentos", nos casos de pedidos a serem alcançados, MAS SEMPRE NA INTENÇÃO DOS DITOS "ORIXÁS". Essa situação de trocas, dando-se ao obsessor para que se afaste, (comprando-se a liberdade de alguém) já é prática proveniente das Quimbandas adotadas por algumas Umbandas e também por alguns Candomblés e Umbandomblés mais recentemente.

Em relação ainda ao sangue, encontramos uma "linha de pensamento" em que afirmam serem também as plantas (ervas) seres vivos e que portanto a retirada destas para banhos e amacis tornar-se-ia também uma forma de imolação na intenção ...

Irmãos! Até onde se sabe, a seiva (que seria o sangue vegetal no entender comparativo) não contém hemoglobina, leucócitos ou outros componentes que fazem parte da composição do sangue animal; não dá vida a um ser claramente mais evoluído, com claros sinais de reações emocionais, direcionais, comportamentais e muitos até mesmo, ainda que rudimentares, sentimentos, e, principalmente, não possibilita a criação (por degenerescência da matéria) da "energia viva" (tipo ectoplasma) que é a utilizada pelos "obsessores vampiros" para, às vezes, até mesmo se materializarem - nunca se soube de obsessores pedirem, por exemplo, um prato do suco de alguma planta para seus "delírios".

Mas vamos ao significado radical da palavra IMOLAR.

Segundo o Houaiss seria "Matar em sacrifício a uma divindade";
Segundo o Aurélio, seria: "Matar em sacrifício; sacrificar, Oferecer em sacrifício";
Segundo o Michaelis seria: "Matar vítimas para as oferecer em sacrifício".

Se levarmos criticamente os significados acima em consideração, veremos que a retirada de uma planta para um amaci, ou banho, por exemplo, NÃO SERIA IMOLAÇÃO, já que, nesse ato, não se oferece a planta a divindade alguma, mas o oferecimento de flores para Yemanjá ou outro santo qualquer, aí já seria, como também seria o oferecimento de frutos a qualquer divindade, já que ao retirarmos os vegetais de suas fontes de vida já os estaríamos "matando" para oferecê-los a "divindades"e nesse caso, nossas passagens de ano, com farto oferecimento de flores no mar, não passaria de um ritual "holocáustico" devido às milhares de "mortes" de flores de todas as espécies ... em oferecimento às divindades.

Se você quiser pensar assim, o lívre arbítrio é seu, mas convenhamos que se continuarmos nessa linha de raciocínio, até matarmos insetos (baratas, cupins, mosquitos, por exemplo) poderá ser considerado um absurdo.

Vamos à conclusão.

1- O sangue cerimonial que é usado ainda quente por quem imola é apenas o do animal que, estando vivo, é abatido na hora, com técnicas específicas - esse sangue deteriora e projeta ectoplasma a ser utilizado ;
2- O sangue frio (a seiva) não atrai elementos do baixo astral, não produz ectoplasma, podendo, no entanto, atrair larvas astrais se a deixarem apodrecer;
3- A Umbanda não africanizada não se utiliza de sangue animal (e portanto não imola) para quaisquer de seus rituais;
4- E os que ainda acharem que ao oferecerem flores e frutos também estarão imolando, então que parem com isso, até porque, se alguma divindade realmente necessitar de flores para sua subsistência, então vamos cair exatamente naquela pergunta: Será que lá no Plano em que estão não existe o material energético que os mantenha existindo? Se evoluirmos também vamos ficar assim, ... dependentes?


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LEIA TAMBÉM : SACRIFÍCIO DE ANIMAIS NA UMBANDA PARTE I (É só clicar no link)
E

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domingo, 30 de dezembro de 2007

PARA TODOS VOCÊS

PARA TODOS VOCÊS QUE NOS VISITARAM DURANTE ESSES MESES EM QUE ESTE BLOG ESTÁ NO AR, E TAMBÉM PARA OS QUE AINDA VIRÃO, DESEJO UM SUPER, HIPER, ULTRA FELIZ ANO NOVO.

QUE EM 2008 ACONTEÇAM TODOS OS DESFECHOS DE SITUAÇÕES ESPERADAS

P - O - S - I - T- I - V -A - M - E -N - T - E

QUE EM TODOS OS SETORES DE SUAS VIDAS, SEJAM ELES O MATERIAL, FAMILIAR, ESPIRITUAL, ETC., VOCÊS TENHAM ÊXITOS ABSOLUTOS.

QUE A GRANDE ENERGIA CÓSMICA QUE NOS GEROU À QUAL DAMOS DIVERSOS NOMES
(DEUS, OLORUN, TUPÃ, JEOVÁ, ALÁ, ZAMBI, ETC.,)
POSSA RESPLANDECER INTENSAMENTE EM SUAS VIDAS, ILUMINANDO CADA PASSO DE SUAS CAMINHADAS POR ESTA PRESENTE ENCARNAÇÃO, DE FORMA A QUE NÃO SE PERCAM JAMAIS E ENCONTREM SEMPRE, AINDA QUE DURANTE AS MAIORES TEMPESTADES, O ABRIGO CERTO ONDE POSSAM DESCANSAR O CORPO E A MENTE, PREPARANDO-SE PARA OS NOVOS RUMOS QUE VIRÃO!

LEMBREM-SE QUE SUAS MENTES, SUAS CONSCIÊNCIAS SÃO PRESENTES DIVINOS E, DESSE MODO, TRABALHEM-NAS SEMPRE E SEMPRE PARA QUE CRIEM ENERGIAS POSITIVAS PARA VOCÊS E ÀS SUAS VOLTAS E, POR DECORRÊNCIA, POSSAM ATRAIR AINDA MAIS ENERGIAS POSITIVAS, TANTO PARA VOCÊS QUANTO PARA OS QUE COM VOCÊS SEGUEM NESSA CAMINHADA.

MANTENHAM-SE ALERTAS!
NÃO SE DEIXEM LEVAR APENAS POR IDÉIAS MAL PENSADAS! REFLITAM ANTES DE AGIREM !

EVITEM TANTO QUANTO POSSÍVEL, DEIXAREM-SE DOMINAR PELAS IRAS, PELAS INVEJAS, PELOS SENTIMENTOS DE VINGANÇA - ISTO SÓ LHES TRARÁ MALES FÍSICOS E PSICOLÓGICOS, ALÉM, É CLARO, DOS ESPIRITUAIS.

PARA VOCÊS, NESTE FINDAR DE 2007 E INICIAR DE 2008, DEIXO ABAIXO, MAIS UMA VEZ, ESTAS PALAVRAS DE UM HUMILDE PRETINHO VELHO AMIGO MEU QUE NA SUA BRANDURA, NA SUA POUCA FALA, SEMPRE MANSA E QUASE SEMPRE SUSSURRANTE, DEMONSTRA O TANTO DE SABEDORIA QUE PODE EXISTIR NOS MAIS HUMILDES.

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SE QUERES SER FELIZ


Não deixes que de teu coração partam para outrem sentimentos que não gostarias que partissem para ti;

Não deixes de "tocar a lama" se for em proveito de ti ou de alguém que o mereça;

Não recues diante das dificuldades senão por momentos, enquanto sabiamente te recuperas e aprendes como vencê-las;

Não deixes que de tua boca saiam palavras que levem o gume afiado da espada que fere - se nada tens de bom a dizer, cala-te sabiamente e reflete;

Não procures ouvir àqueles que de outros e da própria vida só trazem palavras amargas - eles são negativos e ao se achegarem a ti, procuram apenas alguém que com eles comungue em pensamentos e obras;

Procures ser sempre um instrumento de paz e concórdia;

Evites discussões que certamente te levarão a nada, principalmente com pessoas de idéias pré-concebidas;

O que eles querem é provar a si mesmos uma superioridade e segurança que não existe, e que no fundo, sabem ser uma real inferioridade.

Eles alardeiam suas idéias em altos brados procurando convencer a si próprios de que carregam consigo a verdade das verdades;

Fales apenas o necessário e sobre assuntos de que tenha real conhecimento;
Combatas sempre que possível o ódio com o amor;

Evites deixar-te levar pelo rancor - ele só lhe trará distúrbios de conseqüências imprevisíveis;

Procura na tua fé, no teu credo, a comunhão com DEUS e com os exemplos deixados por seu filho amado, nosso mestre JESUS;
E desse modo... tu serás feliz !

Pai Congo de Aruanda



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domingo, 25 de novembro de 2007

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Ao iniciar este Blog, em maio deste ano (2007) tinha como objetivo criar algumas páginas inovadoras, mas não a ponto de desfigurar a Umbanda ou qualquer outro culto com possíveis delírios oníricos, fantasias e crenças absurdas, como já tive a oportunidade de expor, ainda que nas entrelinhas.

Inovadoras no sentido de expor, tanto para iniciantes quanto para pessoas com mais "tempo de santo", parte das experiências que tive (e ainda venho tendo) na convivência (poderíamos dizer assim) com entidades espirituais bem assim como com encarnados necessitados ou não.


Por conta disso tudo criei esse Blog no qual tento desenvolver textos com palavras fáceis e reflexões o mais explicadas possível. No entanto, UMBANDA e a MEDIUNIDADE não são coisas muito fáceis de se entender e, por mais que tentemos, sempre ficam algumas dúvidas pelo caminho.

As perguntas e respostas que estão abaixo foram escolhidas de uma série feitas aqui mesmo (e não publicadas por conterem e-mails) e em outros lugares virtuais e não virtuais. Espero que sejam respostas que sirvam, senão para todos, pelo menos para uma boa parte dos que já fizeram deste Blog um de seus favoritos.

Em outra oportunidade, se houver mais perguntas aqui não colocadas mas que sejam de interesse geral, possivelmente outra página como esta será aberta.
Espero que as respostas aqui colocadas possam sanar algumas dúvidas de quem as tiver.

Sobre PONTOS RISCADOS.

1- Como posso obter o Ponto riscado do Caboclo Cobra Coral, por exemplo?R: Você não pode. Se trabalha com o caboclo, aguarde até o momento em que ele vai poder riscar, através de você mesmo, o seu próprio ponto que será a princípio sua assinatura - uma forma de você e outros saberem que quem está ali, incorporado, é ele mesmo. No entanto, é muito importante que, se você for médium muito consciente, não risque jamais esse ponto por você mesmo. O Ponto Riscado de uma entidade é tão importante que ela NÃO O RISCA COMPLETAMENTE na frente de todos e a razão está em que, se assim o fizer, num futuro próximo alguém vai poder estar imitando e dizendo estar "tomado(a)" pela mesma entidade. Já pensou isso numa Gira da IURD? Seria a PIRATARIA dos Pontos Riscados.

2- "Meu" Caboclo riscava um ponto antes a agora, que mudei de terreiro, ele modificou o ponto dele. Por que?R: Modificou muito? Ou apenas acrescentou ou retirou algum detalhe?
Essas perguntas, em resposta, cabem porque não é comum uma situação destas e parece até estranha. No entanto, pode ser (apenas pode ser) que no caso de inserção ou retirada de algum símbolo, se deva à sua nova forma de trabalhar junto às entidades do novo local bem assim como à egrégora. Se trocou o ponto todo, aí isso tem que ser estudado mais a fundo porque o que parece é que a entidade espiritual não é mais a mesma, ainda que dê o mesmo nome de falange.

3- "Meu" Preto Velho já risca ponto há muito tempo. No entanto, tem vezes que ele risca uns símbolos a mais e quase sempre diferentes uns dos outros. O que isso significa?
R: Significa que ele está usando seu próprio Ponto de Força para, com algumas modificações, movimentar energias e elementais para trabalhos diversos. Isso não é raro quando tratamos com entidades de fato e que detém o conhecimento de como atuar no mundo astral através de seus Pontos Riscados.

4- Minha criança nunca riscou ponto. Isto está certo?R: Se está ou não está, é uma decisão dela, levando-se em conta que você seja médium preparado e outras entidades até já tenham riscado seus pontos através de você. Em verdade mesmo, eu nunca vi criança riscando ponto de fundamento mesmo. Já vi até ensaiarem alguns riscos no meio daquelas brincadeiras que sabem muito bem fazer, mas riscar mesmo, como Caboclo e Preto Velho, eu ainda não vi, ainda que alguns autores insistam em dizer que riscam.

PERGUNTAS GENERALIZADAS
1- Exu Mirim é criança de Umbanda?

R: Exu Mirim, o nome de falange já diz: é um Exu (uma entidade nessa categoria) que se apresenta como criança mas faz parte, evolutivamente, das falanges de Exus. São conhecidos também como Erês da Poeira e nessas falanges se apresentam ELEMENTAIS e ESPÍRITOS HUMANOS que habitam Planos Vibratórios bem próximos ao nosso. Costumam ser "da pá virada" e se não doutrinados, criam situações não muito agradáveis, tanto para seus médiuns como para quem os assiste. Podem, no entanto, vir a ser trabalhadores muito positivos, desde que tenham aprendido a trabalhar dentro das regras da Umbanda, junto às demais crianças e sob a tutela de um Preto Velho, Caboclo ou Exu de Lei. Uma característica geral bem marcante dos Exus Mirins é a de que fazem de tudo para aparecerem - são carentes de afeto, principalmente.
Crianças que sofreram maus tratos quando em vida, que se "perderam na vida" ou tiveram sérios traumas sentindo-se revoltados com isso; que não tiveram acesso à Educação no sentido de dominação de instintos e reações, costumam fazer parte dessas falanges.
Pelo lado dos Elementais Naturais (Encantados) que também povoam esse nível, costumamos encontrar aqueles que, ainda em fase de formação inicial de suas existências extra físicas, não separam bem de mal ou não reconhecem situações como bem ou mal (como quaisquer uma de nossas crianças nas fases mais elementares de suas vidas encarnadas). Eles apenas reagem de acordo com o que sentem ou agem de acordo com o que necessitam, por puro instinto. Esses elementais (ou encantados) assumem formas diversas e, numa vidência, podem nos aparecer como figuras, se não estranhas, pelo menos interessantíssimas, até mesmo de diabinhos, se esperam que assim sejam mais apreciados.

2- Por que Preto Velho e Caboclo fumam nos Terreiros?
R: Eu não diria que fumam porque eu nunca vi ENTIDADE DE LEI tragar, seja cachimbo ou charuto. O que acontece, na verdade é que eles se valem desses "artifícios" para defumarem, espargindo no ambiente e nos consulentes, a energia que sai do médium, modificada pelo aroma dos fumos específicos. Existe uma modalidade de "passe" que é chamado de "passe de sopro". Nessa modalidade, tanto o doador encarnado quanto o desencarnado incorporado, sopram para o paciente, a energia ectoplásmica da qual ele necessita. Você já deve ter visto isso nas baforadas dos Pretos Velhos e Caboclos, não?

3- Por que entidades de Umbanda bebem?
R: A bebida tem uma aplicação especial quando comedida e não exagerada. Essa aplicação está baseada no fato de que a bebida alcoólica principalmente, atua no médium de diversas formas que acabam facilitando a incorporação mais firme de certas entidades. Vamos tentar compreender: Em primeiro lugar o álcool modifica o estado psíquico de qualquer pessoa provocando, inicialmente, mais relaxamento - um dos comportamentos pedidos a médiuns para que as entidades possam melhor chegar e se assentar. Dando-se continuidade ao ato de beber, esse estado psíquico vai se alterando mais ainda até chegar num ponto em que até mesmo a atenção e certas "travas" que temos de âmbito psicológico, vão se relaxando e, com isso, permitindo que a personalidade espiritual, que não está sentindo os mesmos efeitos, possa se expressar melhor e mais nitidamente, com cada vez menos interferência do médium. Em maior quantidade e se for por conta da entidade mesmo e não pela vontade do próprio médium, este chega até mesmo ao ponto de se anular e permitir uma incorporação quase que total, com inconsciência e tudo.
É fácil de entendermos se observarmos os "bebuns" de plantão na vida normal, não mediúnica. Perceba como eles vão passando por vários estágios desde que começam a beber e, se abusarem, começam a falar demais (nesse estágio seus "freios" já estão soltos) e na continuidade acabam até "apagando". Nesse caso específico, quando não há entidade incorporada, o sujeito pode até mesmo, em certa fase, exteriorizar seu estado psicológico e anímico a ponto de sair falando sobre coisas de que nunca falou antes.
Algumas entidades aproveitam-se dessa vulnerabilidade da matéria e, "bebendo", abrem caminho para incorporações quase que sem barreira alguma.
Pelo lado espiritual, percebemos que, ao beber, acontece um relaxamento de AURA, permitindo dessa forma, que a entidade incorporante tenha mais facilidade de se conectar aos centros mediúnicos do médium já que naquele estado ele perde os medos e pode chegar até a "apagar".
É claro que todo esse processo tem que ser muito bem controlado pela entidade que assim age porque, conseqüentemente, ela se torna responsável pela condição em que vai deixar o médium após. E é claro também, que não só entidades de Lei conhecem essas formas de fragilizar as defesas do médium. A diferença é que os obsessores forçam o humano a esses comportamentos INDUZINDO-LHES A VONTADE E O USO CONTÍNUO, enquanto entidades de Lei só o fazem enquanto incorporadas, sem deixar "vontades posteriores" no médium.

4- E essas entidades que já chegam bêbadas. O que você teria a dizer sobre elas?
R: Essa é uma resposta que eu pensei muito se daria ou não, porque certamente envolve a crença de muitos que vêem em entidades desse tipo, verdadeiros mitos, quando não são. E porque digo que não são? Vamos a um raciocínio lógico partindo do princípio de que estejam realmente bêbadas e isso não seja teatro delas?
Vamos lá: Quem deu de beber a esses espíritos antes deles chegarem? Se a resposta foi ninguém, então é sinal de que eles, para poderem absorver álcool, ou tiveram que se encostar em alguém ou absorver esse álcool até mesmo de algum armazém ou encruzilhada. E que tipo de entidade se encosta, aqui ou ali pra absorver a essência do álcool no intuito de manter "em morte" o que provavelmente mantinha em vida? É só uma questão de raciocínio e eu nem vou me alongar mais nessa análise. Só vou dizer que entidades deste tipo ALÉM DE NÃO SEREM DE UMBANDA, têm que ser muito bem encaminhadas ou doutrinadas no caso de seu médium ter realmente que com elas trabalhar, caso contrário ...

5- Mas e quando chegam, nem bebem e deixam o médium bêbado?

R: Mais uma razão para que o responsável pela Gira as chame de volta (se "tiver na unha", como se diz) e as obrigue a deixar o médium em perfeito estado, fazendo-as aprender desde cedo, que ali naquele Terreiro de Umbanda ELES SÃO APRENDIZES E NÃO PROFESSORES.

6- Abri meu Terreiro de Umbanda e, quando por ocasião da visita de um babalorixá, fiquei sabendo que tinha que mexer nos fundamentos da casa para enterrar uma coisas e firmar o orixá regente. Tenho que fazer isso mesmo?

R: Meu caro. Se o seu Terreiro é de UMBANDA e não de CANDOMBLÉ, você não tem que fundamentar a casa da mesma maneira que fazem por lá. Os fundamentos de uma casa de UMBANDA estão nas firmezas que os GUIAS CHEFES (quando GUIAS DE FATO) determinam e em seus PONTOS RISCADOS (que não existem por lá) específicos para isso que devem estar nos locais também por eles indicados.

7- Mas ele me disse também que para preparar médiuns eu teria que "raspar pro santo". O que faço?

R: Continuo dizendo: Se o seu Terreiro é de UMBANDA, você não tem nada a fazer em termos de raspagem. Se você recebeu ordens para abrir Terreiro, lembre-se de que isso é uma enorme responsabilidade, principalmente quando se tratar de preparar novos médiuns, mas não quer dizer que você tenha que cumprir rituais de Candomblé para praticar Umbanda. Seria o mesmo que os pastores terem que se sagrar padres para poderem ser pastores evangélicos, já que a ICAR é muito mais antiga que a IURD e ambas se fundamentam nos mesmos livros, com interpretações diferentes, é óbvio!

8- Fui num Terreiro e fiquei sabendo que vou trabalhar com o Caboclo Pena Verde. Queria saber do que ele gosta e como ele se veste porque estou com um dinheiro em sobra e pretendo aproveitá-lo pra ir logo comprando o que for preciso.

R: Eu chamo isso de "botar a carroça na frente dos burros". Pegue o seu dinheiro e bote numa caderneta de poupança ou outra aplicação qualquer, já que não tem uso pra ele no momento. Quem disse que o seu Caboclo Pena Verde vai ter que ser igual a qualquer outro? Quem lhe disse que ele vai querer usar isso ou aquilo? Ou será que já temos uniformização de entidades na Umbanda também?
O caso é o seguinte: Você nem sabe, com toda a certeza se vai trabalhar com essa entidade porque nem começou a desenvolver. Daqui a algum tempo, depois que a entidade se manifestar mesmo e puder falar através de você, pergunte a ela. Acho que se for ela mesma a falar, você vai ter uma surpresa enorme.

9- Tenho uma entidade que se diz Cigana das Almas mas que nas giras de Cigana se apresenta como Sulamita. Afinal de contas, quem é ela? Sulamita ou Cigana das Almas?

R: Pois é! Está aí uma encruzilhada legal! Ela deve se apresentar como Pomba Gira Cigana das Almas em Giras de Umbanda, certo? Se for é porque ela é realmente uma Pomba Gira da linhagem dos ciganos que, no entanto, quando se trata de Sessão de Ciganos, especificamente, pode se apresentar com o outro nome porque nessas giras "não baixam Pombas Giras", ou pelo menos assim acreditam.

10- Meu pai de santo disse que eu tenho um oriental que pode trabalhar com curas e que eu deveria procurar outro lugar já que ele não trabalha com a linha do oriente. O que você tem a dizer?

R: Em primeiro lugar que o termo correto é PAI NO SANTO e não DE SANTO porque ele é "seu pai" (orientador) na linha de santo e não pai de qualquer santo
Desculpe-me, aproveitei pra dar uma explicação sobre uma terminologia errada mas que, mesmo errada continua a ser difundida.
Em segundo lugar, achei seu Pai NO Santo muito honesto, não pretendendo prendê-la em seu Terreiro e abrindo-lhe a porta para que você procurasse um lugar que pudesse lhe dar melhores informações sobre o seu "carrêgo espiritual" que, como ele mesmo diz, não está dentro de sua alçada.

Perfeito! Você pode continuar amiga de seu Pai NO Santo (porque ele é honesto) e continuar seu caminho com outro(s) orientador(es).

11- Já estou num terreiro há dois anos e nunca recebi nada. O que faço?

R: Você é médium de incorporação? Tem certeza? Se for, então é porque o Terreiro em que você está não agrada seu carrêgo espiritual e, provavelmente, se você lhe der chance, vai encaminhá-lo futuramente para outro lugar. Simples assim.

12- Com quanto Exus eu posso trabalhar?

R: Êta perguntinha danada, sô! Para explicar tenho que fazer uma introdução de alguns conceitos.
Vejamos: Você recebe, desde o nascimento a influência maior de uma ou duas Vibrações Originais, ou de Raiz ou de Orixás. Tudo bem até aí?

Pois bem. Essas Vibrações Originais que são na verdade as ENERGIAS que mais lhe afetam e estão mais em sintonia com suas glândulas pineal, pituitária e outras, permitem que, através de você, se apresentem diversos tipos de entidades espirituais de diversas classes e padrões evolutivos, desde os mais altos até os mais baixos. Numa determinada faixa vibratória encontramos os nossos amigos EXUS e POMBA GIRAS que também podem atuar em você através dessas canalizações energéticas.
Pois muito bem. Digamos que você esteja sob influência maior da Vibração Original a qual damos o nome de OGUM que, por conseqüência do que já foi dito, lhe permitiria, por exemplo, a atuação de Tranca Ruas, Rompe Fogo, Pimenta e outros. Nesse caso você poderá, de acordo com a gerência de sua coroa, trabalhar incorporando um deles e ter até outro, da mesma vibração (orixá), como dirigente ou chefe. Como não recebemos apenas a influência de uma Vibração Original, então temos o que chamamos o segundo santo, o terceiro, o quarto ... e cada um deles permite a canalização de outros tipos de Exus de acordo com seus padrões vibratórios, de forma que, talvez, você venha a trabalhar com um Exu do "primeiro santo" (primeira VIBRAÇÃO ORIGINAL) e mais um do segundo ou terceiro ou até mesmo que venha a trabalhar com um do terceiro e resguardo dos outros. O que vai decidir mesmo é a regência de sua Coroa. De uma forma geral e teoricamente, você poderia trabalhar com um Exu ou Pomba Gira de cada Vibração Orixá que lhe atua mais fortemente, até o terceiro santo ou quarto na hierarquia de sua Coroa, no entanto, o que acontece mesmo é que se venha a trabalhar incorporando, um ou dois deles e os outros fiquem como que de guarda, só por fora. Trabalhar (incorporar) com meia dúzia de Exus, não é nada certo!

13- Exu é diabo, afinal de contas?

R: Diabo, maninho, é o que ALIMENTAMOS dentro de cada um de nós quando nos desviamos dos caminhos do bem e partimos para engambelar outros, tirar dinheiro dos pobres, dar golpes nos amigos e nos não tão amigos, etc, etc.
O Diabo é o lado negro de nossas próprias personalidades.
Exu pode sim, ser o diabo, como qualquer um de nós também pode, mas originalmente, para a UMBANDA, os Exus são entidades que, tendo vindo da Quimbanda, ainda não atingiram um grau evolutivo que os envie para Planos Dimensionais Superiores, provavelmente por seus comportamentos nada indicados quando ainda em terra. São irmãos espirituais em evolução como qualquer um de nós e se aceitam os princípios de UMBANDA e passam a trabalhar dentro deles, já é sinal de que evoluíram o suficiente para entenderem que precisam se esforçar para melhorarem seus caminhos. Isso quando se tratam de espíritos. Quando se tratam de Elementais, não deixam de ser entidades em evolução, só que essa evolução ocorre paralelamente à nossa e eles nunca chegarão a encarnar, ou seja, todo o trabalho evolutivo deles é pelo lado de lá mesmo.

14- O que são elementais e qual a diferença deles para os espíritos?
R: Não complicando muito. Espíritos humanos são aquelas entidades que já tiveram alguma vez encarnados em terra ou que ainda estarão e Espíritos elementais (os naturais e não os falsos) são entidades que também habitam os Planos imateriais mas que têm um Plano de Evolução paralelo ao nosso - nunca encarnaram e nunca vão encarnar, como os orixás de Candomblé, por exemplo.

15- Os elementais então são esse que chamamos gnomos, salamandras, silfos e ondinas?

R: Esses são os que fazem parte da cultura popular de alguns países e foram "importados" aqui pro nosso "Brasilzão". No entanto, podemos dizer que há um sem número de tipos de elementais de várias espécies e também com os mais diversos graus de elevação. Os mais "terra a terra" são os que se alimentam de sangue de animais abatidos ou mortos naturalmente, enquanto que os mais elevados que se conhece, alimentam-se de energias muito menos densas do que possamos imaginar.

16- O que é isso de elementais falsos?

R: Falsos Elementais são aqueles que acabamos criando através de nossa própria mente, desejos e medos, figurando entre eles muitos desses que nos aparecem como diabos, de chifre e tudo, que nada mais são do que exteriorizações e condensações energéticas de formas ou figuras simbólicas que tememos e por isso mesmo estamos sempre a imaginá-las.
No livro Umbanda Sem Medo Volume II tem um capítulo que explica melhor isso.

17- Minha mediunidade está aflorando e eu tenho vidência. O caso é que só me aparecem espíritos pedindo orações, chorando, sofrendo ... Como posso lidar com isso?

R: Esse é quase um caso clássico. A vidência vem aparecendo e só aparecem "coisas ruins" pra se ver.
Normal quanto à vidência e anormal quanto ao que você está vendo pois, se assim está ocorrendo, é porque a sua sintonia ( a sua antena - pineal e pituitária) está voltada para esse nível espiritual onde só há esse tipo de entidades. O que você tem a fazer é procurar um bom orientador que faça com que sua vidência saia desse nível (ou até permaneça também) e alcance outros níveis vibracionais e com isso você possa ver que nem tudo o que existe do outro lado é só miséria e gente sofrendo. Resumindo: É uma questão de sintonizar sua antena mediúnica abrindo-a para uma gama maior de freqüências.

18- Meu pai de santo diz que meu caboclo tem que bater cabeça pro dele e ele não faz. Aí ele diz que eu sou teimosa. Ele está certo?
R: Minha cara, essa é uma situação difícil de ser analisada assim, por correspondência. Existe um sem número de fatores que podem levar a essa situação e eu não teria condições de, de longe, analisá-las perfeitamente. Experimente "bater um papo" com seu Pai NO Santo e entender, dele, o porquê de seu Caboclo ter que bater cabeça para o dele, ok?

19- Fui num Terreiro de Umbanda em que o Chefe era Seu Zé Pelintra e gostei muito. Ele me chamou pra desenvolver lá e disse que a gente tinha um longo caminho pela frente. O que acha disso?

R: Em primeiro lugar, se o Chefe era Seu Zé Pelintra esse Terreiro não era de Umbanda, ainda que assim se rotulasse. Se ele a chamou para desenvolver, será decisão sua ir ou não e será decisão de seus amigos espirituais, continuar ou não lá, desde que tenha começado. Enfim, essa é uma pergunta sobre uma particularidade que para ser respondida seria preciso sabermos umas tantas outras também particularidades. O melhor é você buscar dentro de si mesma ou junto a alguém que realmente tenha "santo" e esteja mais perto de você, as respostas para isso.

20- Seu Zé Pelintra é Exu, Mestre ou Caboclo?

R: Na Umbanda é EXU, no Catimbó, onde se originou, é MESTRE e na Quimbanda eu não sei, mas me parece ser mestre também. Como Caboclo eu nunca vi!

21- Quando montei meu grupo pedi a um sacerdote de Umbanda pra ir lá e me dar umas orientações. Ele foi e firmou minha tronqueira da forma que disse ser a correta. Estou passando a chefia do Terreiro para um dos médiuns e não sei o que fazer com a tronqueira, já que o sacerdote foi morar longe e eu perdi contato com ele.

R: Minha amiga. Essa é uma situação básica: Se outro médium vai assumir a direção de seu grupo, naturalmente o(s) Exu(s) dele deverá(ão) estar firmado(s) na tronqueira. Se é assim, converse diretamente com o(s) Exu(s) desse médium e peça a ele(s) e não a qualquer sacerdote de fora, a forma correta dele(s) ser(em) firmado(s) na tronqueira. Se o médium está preparado para assumir tão grande responsabilidade, tem que estar preparado também para dar passagem positiva a seu(s) Exu(s), de forma a que ele(s) possa(m) dizer exatamente o que deve ser feito. Se isso não acontecer é porque o médium não está tão preparado assim.

22- Você acredita em Jogo de Búzios?

R: Se você quer saber, eu nem sei se posso acreditar em Jogo de Búzios como verdadeiro jogo de tradição mesmo porque, ao longo do tempo, tudo o que era fundamento vem deixando de ser e, portanto ...
Vejamos: O Opelê Ifá era um jogo que só poderia ser feito através de autênticos babalawôs (homens) preparados especificamente para essa missão. Os Irindinloguns (agora chamados mirindinloguns) o jogo com 16 + 1 búzios era originalmente realizados apenas por sacerdotes (homens). Hoje tudo mudou e às mulheres também foi dado o direito de fazerem seus jogos. O que mudou? Foi o fundamento ou a tradição?
Tirando esses fatos de lado, mesmo que sejam constatação de fatos verídicos, acredito que algumas pessoas - homens ou mulheres - dotadas de sensibilidade mediúnica possam alcançar informações vindas do outro lado e que a "caída dos búzios" já não signifique tanto assim, valendo mesmo o melhor contato psíquico com o(s) mentor(es) que respondem, considerando-se aqui contatos realmente positivos e não certas engambelações que existem por aí.

23- Mas não é esse o único modo de sabermos nossos orixás?
R: Essa é uma crença difundida por alguns de nossos irmãos africanistas, com uma certa intenção de dizerem, nas entrelinhas, que sem sacerdote de Candomblé (que jogue búzios) não se pode conhecer as Raízes Espirituais de alguém. Em outras palavras: que sem africanismo a Umbanda não vai. Pensando melhor sobre isso, dei de cara com a seguinte situação:
Em cultos afro de raíz (e só os de raiz mesmo) isso pode ter mesmo fundamento, já que orixá nenhum fala, se exprime e tem até que aprender a dançar, se expressar razoavelmente depois de ter sido "feito" na coroa dos yawôs, precisando, talvez sim, de uma forma diferenciada para transmitir seus desejos e fundamentos. Mas quem responde na Umbanda são espíritos totalmente conhecedores da palavra, sabem se expressar (se o médium assim lhes permite) e, se de Umbanda mesmo, conhecedores, tanto das Energias/Vibrações Originais (Orixás), quanto de suas formas de serem tratadas, atraídas, fixadas. Portanto, no caso de Umbanda com mediunidade de fato, os jogos de búzios são totalmente dispensáveis, o que se prova, na prática, quando vemos que a maioria dos Terreiros ditos de Umbanda não têm ninguém que jogue búzios - são as próprias entidades que alcançam a coroa de seus protegidos.

24- Comecei há pouco num Terreiro e quando sinto o espírito se aproximar acho que fico tenso e não sei se sou eu ou é o espírito que está ali presente.

R: Essa é a dúvida de todos os que se iniciam no desenvolvimento da mediunidade de incorporação, principalmente se essa mediunidade não é karmica (ou cármica) - quando por isso mesmo, as entidades tendem a vir "abrindo espaço" desde o outro lado, ao mesmo tempo em que a "vida rola", de uma forma que, quando o médium chega a ir a um Terreiro, acaba "recebendo" logo na primeira ida e com toda a força.
Acontece que, em grande parte das vezes e até mesmo por este "temor" que existe naturalmente, os médiuns vão sendo "tomados aos poucos" e de acordo com a perda desse medo e sua entrega psíquica à entidade incorporante. Dessa forma, somente aos poucos e com bom e muito treino, a mente vai se embotando na presença da entidade ao mesmo tempo em que ela vai assumindo mais e mais controle, inclusive sobre o corpo físico.
Quanto de controle a entidade vai precisar ou vai se utilizar é que depende muito de inúmeros fatores, sendo que, até para existir a possibilidade destes maiores ou menores controles, será preciso que o médium tenha tido preparação adequada em seus treinamentos e isso demanda tempo.

25- Como se faz pra ficar inconsciente?

R: Não se faz! 
Melhor dizendo: Não existe uma fórmula especial para se alcançar a inconsciência imediatamente. O que existe é tempo e dedicação aos treinamentos mediúnicos com as entidades e suas energias. Para a inconsciência temporária ou total será necessário um perfeito entrosamento energético e psíquico entre entidade e médium.

26- Afinal de contas, tem ou não tem atabaques na Umbanda?
R: Sabe que eu já não sei? 

Tem tanta gente que diz que os atabaques são peças importantíssimas, indispensáveis, enquanto outros os acham totalmente dispensáveis e até mesmo sinal de selvageria ...
O que posso lhe explicar, e mesmo assim "por cima", é que SONS de qualquer natureza podem influenciar a mente consciente e até mesmo a inconsciente de muitos de nós, provocando estados de "transe"(alteração da consciência e estados mentais). Se partirmos dessa premissa, podemos concluir que o barulho dos atabaques pode fazer o mesmo, principalmente por se tratarem de sons repetitivos e orquestrados dentro de certas cadências. Nesse caso, se bem utilizados, os atabaques cumprem a tarefa de colocar as mentes dos médiuns em estado de transe passivo, receptivas a influências externas. Agora se é obrigatório a utilização de atabaques ... sei não!
Eu, pelo menos, iniciei em um Centro que nem de longe queria saber de atabaques e nem por isso os médiuns deixavam de se desenvolver ou trabalharem.

Na UMBANDA ORIGINAL a nós trazida pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, os tambores nunca foram usados.

27- Nossos guias são sempre mais evoluídos que nós?
R: Se forem GUIAS DE FATO mesmo, são sim. O que vemos muito na atualidade é uma imensa maioria aceitar que porque chega no Terreiro e incorpora então já é GUIA, o que está muito longe da verdade.
Somente podem ser considerados GUIAS DE FATO, espíritos que, além de se preocuparem em fazer caridade para outros, cuidam de seus médiuns, principalmente no que concerne a princípios de crescimento espiritual, comportamental e éticos. Os VERDADEIROS GUIAS são nossos MENTORES ESPIRITUAIS e não todos os que, através de nós, descem à terra para praticarem a caridade e com isso aprontarem a própria evolução - a estes damos a classificação de ESPÍRITOS PROTETORES, quando o são realmente.
O VERDADEIRO GUIA preocupa-se com seu "cavalo", "aparelho", médium e traz ensinamentos, não só sobre a vida carnal, mas também sobre a espiritual, com um detalhe que muitas vezes passa despercebido mas que deveria ser levado em alta consideração: NÃO TENTAM INTERFERIR NO LIVRE ARBÍTRIO.

Eles ensinam e esperam a resposta de compreensão de seus "filhos". Se não a vêem, depois de algum tempo nessa tentativa, acabam por "irem ao ló" em busca de quem os compreenda, sendo substituídos até mesmo por outras entidades da mesma falange mas em grau de PROTETORES.
Espíritos protetores têm ações diferentes em relação à mesma situação - incompreensão, "ouvidos de mercador" por parte dos médiuns.
Eles costumam avisar, avisar e, depois, se for importante para eles, criam algumas situações às vezes até "meio doidas", através das quais o médium entenda que está indo contra a correnteza, podendo até, no caso da compreensão de alguns deles, "domarem o cavalinho" com algumas "surras".
E por que essas atitudes tão diferentes de um e de outro?

Simples. ESPÍRITOS GUIAS, MENTORES, são mais evoluídos que os médiuns que ELES escolhem para orientar - por isso mesmo podem GUIÁ-LOS pelos caminhos da espiritualidade - e não dependem só deste ou daquele médium.
Não está na caridade que possam fazer a todos as suas missões e sim, principalmente, no que podem ensinar a este ou aquele ser vivo, já que suas missões são de ORIENTADORES e não mais de trabalhadores braçais (embora não fujam quando têm que encarar as batalhas), enquanto que os PROTETORES precisam desses médiuns para poderem fazer caridades através deles, razão pela qual, tentam "domá-los" quando estes não colaboram.
Em síntese: PROTETORES podem ser mais evoluídos ou não que o médium, enquanto que GUIAS, se forem GUIAS mesmo, SEMPRE SÃO MAIS EVOLUÍDOS que o médium. O problema é saber separar quem é GUIA de quem é PROTETOR.

28- Existem guias mais fortes que outros, ou todos são iguais?
R: O que existem são entidades que têm maiores experiências espirituais, mais conhecimentos ou fazem parte de falanges mais guerreiras ou menos guerreiras em termo de força como tendemos a compreender, porque isso também é bem relativo pois, dependendo do tipo de trabalho que deva ser realizado, haverá entidades e falanges que a uma primeira vista nos parecem frágeis (povo das águas, por exemplo) que realizam trabalhos que as falanges guerreiras não conseguem.
A respeito disso, observando uma vez uma Preta Velha que recebia um trabalho feito na Linha de Exu para ser desfeito, ela simplesmente invocou o povo das águas e com eles trabalhou, o que me causou curiosidade.

Quando pude e perguntei, obtive como resposta: -"Exu não é fogo? Com o que se combate fogo, mô fio?" Calei-me, claro!

29- Você afirma que as entidades de Umbanda são os Caboclos, Pretos Velhos e Crianças. Então o que devemos fazer em relação a outras falanges que se apresentam, como boiadeiros, baianos, ciganos? Devemos repeli-los?

R: Olha só! As falanges diferentes que ora estão já incluídas na Umbanda, vieram, ou dos Candomblés, ou da Quimbanda, exceto essas de Ciganos que, pelo menos nos Candomblés que conheço e nas Quimbandas, nunca se apresentaram. Todas essas entidades, ainda que não se apresentem como tal, trabalham e sempre trabalharam em Giras de Umbanda e até mesmo nas Mesas Kardecistas, su-til-men-te, humildemente, como entidades auxiliares "INVISÍVEIS", sem incorporarem e sem que se fizessem festas ou cultos para eles.
No caso de Terreiros, quem manda é o Chefe Espiritual (aquele que determina as regras) que, se pelo menos tender a ser de Umbanda vai ser, ou um Caboclo e/ou um Preto Velho (e não algum dessas falanges auxiliares). Esse Chefe Espiritual e sua falange é que, através de seus conhecimentos, suas formas de trabalhar, suas preferências, determina que tipo de entidades podem ou não podem fazer parte de sua Egrégora e, nesse caso específico, nem o médium chefe pode se intrometer já que esse tópico é de exclusiva determinação espiritual. No entanto, é preciso que fique bem claro que, sendo aceitas em uns Terreiros e outros não, em qualquer caso essas entidades estão ali para aprenderem e trabalharem de acordo com a Lei de Umbanda e sob comando. O que não pode é quererem ditar regras e passarem por cima do Chefe Espiritual, porque nesses casos, na maioria das vezes as raízes de onde vieram vão "gritar mais alto" e aí ...

Acontece mais ou menos assim: Você tem uma classe afinada (admitindo que seja professor ou professora) com alunos aplicados, de bom comportamento e índole e num determinado momento você admite nesta classe alguns alunos vindo por exemplo, de uma FUNABEM. Não deixam de ser seres humanos e devem ser tratados como tal, mas o principal motivo para que ali estejam é o de que, em contato com os de melhores níveis comportamentais, com eles vão aprendendo e se socializando, ou seja: os antigos e bons alunos (povo de umbanda) são os exemplos em que os novos (os agregados) devem se basear e unir de uma forma que TODOS cresçam por igual.
Se no entanto isso não acontecer e por qualquer motivo O CHEFE (você) não conseguir colocar os freios e passar os ensinamentos que esses novos alunos deveriam receber, torna-se claro que ao invés de SE modificarem tentarão modificar os antigos alunos e tudo mais à sua volta, inclusive os hábitos da classe (os rituais), de forma a que, toda a classe, ao invés de melhorar, desça ao nível deles, com o risco dessa classe acabar virando uma sucursal da FUNABEM, entendeu? Nesse ponto o Chefe (você) já deixou de ser o Chefe e só pensa que é.

30- Meu Exu disse que já podia ter passado para o lado dos Guias mas preferiu continuar o trabalho duro nas trevas porque ali sente que poderá ajudar mais. O que acha disso?

R: Partindo do princípio de que ele esteja agindo assim por esta razão mesmo, existem, tanto Exus quanto Oguns e outros, que trabalham ao nível de umas espécies de UMBRAL (uma porteira ou uma porta dimensional, como queiram) que tanto dão passagem para níveis inferiores, quanto inversamente. Nesses portais existem as entidades que trazem outras das trevas e as que as recebem e encaminham.
Seu Exu tem todo o direito de trabalhar de qualquer um dos dois lados, por que não?

31- Afinal, já existia Umbanda antes do Caboclo das Sete Encruzilhadas, ou não?

R: Parece-me que essa pergunta é sempre fomentada pela dúvida quando escutamos ou lemos que antes do CDSE já existia UMBANDA NO BRASIL, e isso já está mais que provado que NÃO É VERDADE. Nos tópicos do Blog com títulos: "Umbanda - Uma Seita Afro?" e "Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade (Regimento Interno)" creio que já deixei bem explicado. Mas, para reforçar ainda mais, lembremos também o livro de João do Rio, publicado em 1904, no qual descreve todos os cultos e seitas e cujas práticas assistiu, NÃO CITANDO UMA VEZ SEQUER, O TERMO UMBANDA.
Veja bem: O que vemos por parte de alguns é que não conseguem aceitar que o que lhes ensinaram, não condiz com a realidade e, por mais que se provem, por documentos, testemunhos ou quaisquer outros meios, continuarão fazendo "ouvidos de mercador" e afirmando que já faziam uma coisa que não existia antes
O que fazer com os cegos que não querem ver?

32- Os orixás batem em seus médiuns?

R: Para lhe responder a essa questão seria interessante que eu soubesse o que você considera orixás:
a) Se são algum tipo de entidade espiritual ou elemental com raciocínio e forma humanizada própria ou não;
b) Se são energias provenientes da energia criadora (Vibração Original ou de Raíz) e portanto sem forma física e não incorporantes;
c) Se são entidades elementais que nunca tiveram experiências entre os humanos e por isso precisam aprender, com eles, a se comunicarem ...
De qualquer forma, sendo eles entidades ou energias não existe isso de baterem em médiuns. Entidades que "batem" em médiuns, dependendo da(s) besteira(s) que possa(m) estar fazendo, são entidades espirituais em nível ou grau de obsessores, Protetores e muito raramente Guias (observe a resposta à pergunta nº28).
Agora, se você está se referindo àquelas "sovas" que costumam acontecer quando alguns médiuns em inicio de aprendizagem costumam levar, elas se devem a uma não doutrinação das entidades (não orixás) que tentam incorporar à força e também à falta de sintonia entre elas e o médium que, com medo normalmente, acaba criando barreira psíquica e energética para a entrada das energias que tem que receber antes mesmo do processo de incorporação.
Melhores explicações sobre esse tema no Livro Umbanda Sem Medo.

33- O que representa a Encruzilhada para os Umbandistas e os Exus?

R: A encruzilhada é, basicamente, um símbolo da indecisão, de uma inércia à princípio, seguida de uma tomada obrigatória de posição mais adiante. Quando chegamos a uma podemos, nos casos em que não tenhamos certeza absoluta do caminho a tomar, acabar escolhendo a pista errada com conseqüências às vezes desagradáveis. Quando chegamos a uma encruzilhada física ou psicológica em nossas vidas e nos sobrevêm as indecisões, costumamos apelar para uma ajuda física, psicológica e até mesmo espiritual no intuito de nos auxiliar na escolha do caminho ou das decisões certas a serem tomadas para que possamos continuar no rumo certo de nossas vidas.
A figura de Exu e Pomba Gira como "donos das Encruzilhadas" nos remete à ideía de que essa ajuda (no caso dela vir a ser espiritual) nos possa ser revelada por essas entidades que, por existirem em Planos Espirituais bem próximos ao nosso - o físico - também têm maior facilidade de comunicação com os encarnados e, por causa disto, poderem ser eles os que mais facilmente nos encaminhariam para o lado certo a nos dirigir.
Oferendas eram e são feitas em encruzilhadas quando é necessária uma tomada de posição radical em relação a determinado assunto, justamente buscando, ao agradar o "dono" ou "dona", trazer para o nosso lado a amizade e a boa orientação e até, porque não dizer, uma "forcinha". Mas se por um lado podemos encontrar nas encruzilhadas físicas das ruas bons Exus, também corremos o risco de, ao estarmos tentando nos comunicar, o façamos com o que costumamos chamar de kiumbas, rabos de encruza, etc, que por ali também transitam. Por isso, nunca é demais realçarmos que trabalhos em encruzilhadas podem também ser "facas de dois gumes", pricipalmente para ingênuos que acham que só por estarem ali com suas oferendas, já estarão acompanhados de bons amigos ... Não é bem assim não e muita firmeza anterior é bom que seja feita junto aos Guias e Protetores que, aí sim, nos acompanharão até lá, se for o caso.

Ficamos por aqui por enquanto. Quaisquer outras dúvidas e/ou complementações podem ser adicionadas clicando-se no link COMENTÁRIOS, logo abaixo.
Meu Fraterno Saravá a Todos.

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EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE I
EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE II
EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE III
EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE IV
EXU na Umbanda o Grande Mistério. Um Mistério? PARTE V
PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE EXUS
PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE EXUS (continuação a ser complementada)

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