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sexta-feira, 22 de junho de 2007

EGRÉGORA PARTE II

Quando se "imanta" um otá ou itá (a pedra de assentamento), o que se está fazendo é envolvê-la com a energia do orixá para que ela a absorva e se torne um foco de atração para mais energia que se sintonize com a que ali "assentamos" e dessa forma possa servir como um elo de ligação entre o dono e a energia para a qual foi dirigida. Pelo amor de Deus não entenda, como muitos supostos "entendidos no santo" que ao assentarmos um orixá estamos colocando-o ali sentado, disposto a atender a todos os nossos anseios ! Tá rindo? Esse pensamento existe "mô fio"!

Se você é pai no santo ou médium freqüentador de algum terreiro, já deve ter pelo menos ouvido alguém dizer:


-"Olha a corrente, gente ! Vamos concentrar"!
Você sabe realmente o que isso quer dizer? Muita gente (até as que falam) não sabe!
O que é essa tal de "corrente"? Será uma corrente de ferro ou de fibras que se forma no invisível? Será uma corrente que vai prender os espíritos? Será? Será?


Na verdade, quando um dirigente (quando bem preparado) chama a atenção para a "corrente" é porque ele sentiu uma queda ou diminuição na energia ambiental (EGRÉGORA) que deve ser mantida pelos médiuns em um potencial elevado, de forma a manter os trabalhos em nível adequado, até mesmo por uma questão de auto-preservação.

Essa questão da "corrente" ou egrégora é tão importante que vamos nos aprofundar um pouco mais no assunto para que você possa perceber, se orientar e orientar a outros.

Vou tomar como exemplo uma gira de Umbanda, mas advirto que você pode adaptar minhas explicações para entender práticas espirituais, inclusive das Igrejas Evangélicas que fazem curas etc.


Vamos considerar um grupo de 10 pessoas e partir do princípio de que TODAS ESTÃO UNIDAS POR UM MESMO IDEAL. Isso é a base de tudo !

Criada a egrégora como já vimos antes (pela união dos pensamentos direcionadas aos mesmos fins), cada vez mais energias de mesma sintonia são atraídas para o ambiente. Essas energias somadas atuam imediatamente nas pessoas que ali estão e em alguns casos, se for bem forte já começam a operar alguns "milagres", desde que as pessoas estejam em estado de recepção (concentradas no ritual e ansiando por receberem um bem). As entidades (aí eu já estou falando de seres espirituais) afins penetram e até são atraídas para o interior. Entidades inferiores tendem a ser barradas por uma força invisível (a energia) que a princípio é incompatível com suas vibrações (isso se tudo estiver "correndo bem").

Se uma entidade inferior for atraída para dentro da egrégora, ela fica de certa forma subjugada pela força desta e desse modo se consegue lhes dar um melhor encaminhamento para outros planos espirituais.

As entidades afins usam parte dessa energia para auxiliar os que ali estão na medida de suas possibilidades.

A técnica usada nos terreiros de Umbanda e Candomblé para formar a egrégora inicial (quando os grupos são bem dirigidos) está baseada nos rituais de "abertura". Já nas Igrejas Evangélicas e outras, consiste basicamente nas pregações, que fazem com que os adeptos se concentrem ou dirijam seus pensamentos de acordo com a "pregação".

Se você for um estudioso e não carregar preconceitos, notará que nessas "pregações" há sempre um direcionamento do raciocínio dos ouvintes de forma a fazê-los pensar positivamente e acreditarem firmemente na possibilidade de alcançarem os bens que foram procurar. Nesse momento, embora nem saibam às vezes, estão gerando a egrégora.

Fazer com que a assistência participe ativamente, pensando positivamente, deve ser parte obrigatória de TODAS as giras de Umbanda. Essa no entanto é uma prática esquecida e o que vemos em muitos terreiros é uma assistência quase que sempre alheia, só participando em alguns momentos, de preferência quando vêm de encontro ao que lhes interessa.

Dessa egrégora, como já disse, são retiradas as energias para a realização dos trabalhos, o que vale dizer que se essa energia não for forte o suficiente, o mínimo que pode acontecer é acontecer nada.

Por outro lado, se a corrente ou egrégora das "giras" não for suficiente, várias complicações podem acontecer com o passar do tempo, sendo que, o(a) dirigente, por ser o centro maior das atenções e para quem convergem as maiores quantidades de energia ali geradas e mesmo as trazidas pelos assistentes, é quem sofre, por assim dizer, as maiores conseqüências dos trabalhos realizados sem a devida segurança.

Veja abaixo alguns tipos de complicações que podem ocorrer.

Complicações que podem ocorrer ainda dentro da sessão:

1) Médium dirigente e/ou médiuns auxiliares não conectados positivamente com suas entidades de guarda o que pode provocar de imediato incorporações insatisfatórias, e insegurança - ANIMISMO.
2) Perturbações por intromissão de entidades do Baixo Astral que encontram entrada fácil nesses casos.
3) Problemas com médiuns e/ou assistência com relação até mesmo à integridade física, pois não é raro em sessões dessa natureza, haverem manifestações turbulentas de entidades descontroladas e médiuns idem.
4) Cansaço físico de dirigente e médiuns ao final dos trabalhos pela perda energética sofrida. O normal é que quando se encerram os trabalhos, todo os médiuns se sintam em perfeitas condições físicas e, não se tratando de trabalhos de descarga e desobsessão, é normal até que saiam sentindo-se melhor do que quando chegaram, justamente porque conseguiram atrair uma grande quantidade de energia positiva da qual todos poderão desfrutar.
Observação: Existem mais situações que podem acontecer, mas vamos ficando por aqui pois só as citadas já darão como conseqüências as que vêm após.


Complicações que podem ocorrer com a continuidade dos problemas:

1)Enfraquecimento crescente dos contatos entidade/médium.
2) Corpo mediúnico cada vez mais inseguro.
3) Dificuldades crescentes para a realização de trabalhos.
4) Problemas começam a surgir na vida material de todos.
5) Discórdias entre o grupo começam a gerar desentendimentos maiores.
6) Formam-se grupos dentro do grupo dividindo a energia ao invés de somá-la.
7) Doenças e dificuldades começam a aparecer.
8) Como os contatos espírito/médium já não são tão positivos, torna-se difícil ou impossível a solução de problemas que antes eram nada (aí, não raramente começam a se consultar em outros lugares).
9) Para sintetizar: Todos serão altamente prejudicados por seus próprios atos e desunião e, como ocorre normalmente, ao final ELEGERÃO SEMPRE UM CULPADO - ou o dirigente ou a própria Umbanda (no nosso caso).


Ainda sobre a egrégora de terreiros de Umbanda, é preciso que se explique que ela, além de ser formada e nutrida com a energia gerada em cada reunião, também é favorecida pelas "firmezas" ou "assentamentos" que devem ser tratados, reforçados e respeitados.


Mais uma explicação.


Assentamento, como muitos podem crer, não é prática exclusiva das religiões Afro. Até mesmo elas "importaram" essa prática de Seitas e Religiões muito mais antigas.

Se os assentamentos estiverem bem "sintonizados" com as energias e entidades para os quais foram dirigidos, sabendo o/a dirigente acioná-los, eles serão de grande importância (caso contrário serão meros ocupantes de lugar) pois poderão trazer para o ambiente essas energias e entidades que beneficiarão sobremaneira a realização de trabalhos positivos.

Para resumir e ficar bem entendido, observe o seguinte:

1) Energia positiva atrai energia positiva (o oposto também vale).
2) Pensamentos (que geram energia) positivos atraem energias e fatos positivos (ou negativos...).
3) Medo, insegurança e discórdias quebram a rotina da criação e da ação de energias positivas.
4) Fé (certeza, convicção) provoca sempre a criação de energia e, quanto maior for, maior será a ação dessa energia.
5) Egrégoras são energias que podem ser geradas e fortalecidas a cada dia. Se elas serão positivas ou negativas, dependerá de quem as criará.
6) Egrégoras (se positivas) são de utilidade total em qualquer reunião para trabalhos mediúnicos. Quanto mais fortes, maior o auxílio que podem prestar.
7) Egrégoras formam-se até mesmo em sua casa, seu ambiente de trabalho etc. Só que nesses casos, como não costuma haver um direcionamento das energias que a formarão (a não ser em poucos casos) elas correm o risco de serem negativas.
8) Grupos desunidos, por mais forte que queira parecer o dirigente, estarão sempre a um passo da derrota em função de não conseguirem gerar o ambiente propício para a presença de Verdadeiros Espíritos Guias.


A disciplina e a união em torno de objetivos comuns são parte sólida da base que construirá o verdadeiro Templo - aquele onde comparecerão sempre os Verdadeiros Amigos Espirituais.


Texto Extraído do Livro Umbanda Sem Medo Vol I

Qualquer comentário, complementação, opinião, etc, para este ou qualquer outro texto aqui postado, pode ser colocado aqui mesmo, bastando para isso que cliquem em "comentário", ao final do texto.


segunda-feira, 18 de junho de 2007

EGRÉGORA - Parte I




Para que nossa "conversa" fique" melhor entendida daqui por diante, vamos falar mais especificamente sobre EGRÉGORA, adiantando desde já que não vou me prender às origens da palavra pois perderíamos muito tempo em explicações de menor importância. Importante é saber a que se dá esse nome, como se forma, para que serve, etc.
Sem medo das redundâncias: vamos começar do começo.
Nós não somos o que parecemos. Embora possamos nos tocar, nos ver, nos sentir, todos nós e tudo o que nos rodeia é energia. Tudo o que você vê e lhe parece sólido é na verdade uma forma de energia mais ou menos condensada.
Mas eu falei de energia e quem sabe você tenha alguma dúvida sobre o que é isto também? Vamos mais atrás ainda, embora essa afirmativa seja nenhuma novidade para quem é verdadeiro conhecedor das práticas espirituais, e até mesmo de pessoas comuns que acompanham apenas os progressos científicos !
A própria ciência já constatou que, por mais sólido que pareça um determinado corpo, se analisado através de instrumentos especiais mostrará que é formado por junção de partículas (células) que por sua vez também são formadas por junção de outras partículas (átomos) que por sua vez são formados por outras partículas etc., etc., etc. Isso nós aprendemos até um determinado ponto, nas próprias escolas.
Agora veja bem ! Quando você se expõe ao RAIO X por exemplo, o "raio" ultrapassa as camadas superficiais (e outras nem tão superficiais) de sua pele e choca-se com outras camadas de tecido no interior de seu corpo (justamente as que se revelam na chapa, como por exemplo os ossos). Uma parte desse "raio" atravessa seu corpo de um lado ao outro e tudo isso ocorre sem que você sinta nem uma pontinha de dor, sem que haja qualquer traumatismo. Como isso acontece? Como um "raio" pode atravessá-lo(a) e você nada sentir?
O que acontece, caro irmão, é que esse "raio" que não passa de uma forma de energia, consegue atravessar seus tecidos justamente pelos espaço que não vemos, mas que existem entre os átomos de suas células ( veja ilustração abaixo) e imprimir numa chapa fotográfica colocada do outro lado a forma dos tecidos que ele não conseguiu transpassar



No caso específico do chamado raio X, ele não consegue transpassar o tecido dos ossos porque ele é muito mais denso que os outros tecidos.
Quem já não ouviu falar também nos raios infra-vermelhos e nos ultra-violetas tão usados em curas de diversos males ? Eles também, embora mais densos que o raio X, atravessam as camadas superficiais de nossa pele e, justamente por serem mais densos atuam mais diretamente sobre os tecidos (pele, músculos etc.).
Citei esses exemplos apenas para mostrar que o que parece à primeira vista um corpo sólido, pode muito bem ser transpassado por alguma forma de energia menos densa (como os raios citados), pelo que se pode concluir não ser assim tão sólido. Na verdade, até o seu automóvel feito de chapas de aço pode ser atravessado por energias menos densas às quais a ciência dá nomes de RAIOS (gama, etc.).
Espiritualmente todos sabemos que somos seres com corpos muito menos densos que estes que usamos para habitar o Plano Terra e por isso, quando os abandonarmos por ocasião da "morte" não seremos mais notados pelos que ficam.
Essa matéria da qual nos utilizamos é verdadeiramente uma "capa energética" animada por uma energia muito menos densa (nós) capaz de mantê-la "viva" por um certo número de anos.
Por ocasião do "nascimento" o espírito, ainda que no Plano Astral pudesse ter pleno controle sobre seus pensamentos e atos, perde a consciência e, como quem cai num vazio e desmaia, perde total-mente o autocontrole energético por ficar restrito às capacidades físicas do cérebro animal que comanda mais diretamente as funções do corpo físico. Esse choque é tão grande que, mesmo depois de anos e anos de plena consciência na matéria atual, raríssimos são os que conseguem se lembrar de um passado antes do parto.
Os registros de seu passado no entanto, não deixam de existir. Na verdade ficam recolhidos em uma zona ainda pouco explorada da consciência ativa: uma zona chamada subconsciente que pode ser acessada por estados alterados provocados pela hipnose, por exemplo.
Em alguns encarnados os registros de suas vidas passadas começam a eclodir independente de sua vontade. Nesses casos podemos enquadrar as crianças que sentam à frente de um piano e, sem nunca terem recebido treinamento apropriado, tocam como mestres; ou aquelas que aprendem a ler e escrever sem que para isso tenham recebido instruções; sem contar com alguns casos já expostos pela mídia, de crianças que se lembraram de quem foram, quem eram seus familiares, o lugar onde viviam e, como os casos foram estudados "cientificamente", puderam ter comprovados esses dados através da visita aos locais indicados. São poucos os casos, infelizmente, mas já formam um bom começo para que futuramente se ponha fim total a essa idéia da inexistência da REENCARNAÇÃO.
Há que se observar dois fatos, embora não se possa dizer que são de regra geral, para se estudar casos como os acima expostos:
O enlace espírito/matéria não se configurou totalmente: Podemos reconhecer esse fato observando a saúde física dessas pessoas que costuma ser relativamente débil. Não raramente, indivíduos dessa natureza podem ter tendências neuróticas e/ou desajustadas - é como se sentissem que estão num lugar que não é o deles. Ainda pelo fato acima mencionado, podemos observar que a mente desses indivíduos costuma se mostrar superior à da média (justamente pelo fato da mente espiritual exercer um domínio maior sobre o cérebro animal), em compensação, a saúde física costuma ser mais frágil que a normal.
O espírito, por experiências adquiridas em vidas anteriores, consegue sublimar a mente carnal fazendo com que o subconsciente aflore e lhe traga experiências (ainda que ele não as identifique bem ) de vidas passadas: Poderíamos identificar esse caso, observando as tendências comportamentais desse indivíduo. Seres dessa categoria tendem normalmente ao equilíbrio, quase sempre são ávidos por novos conhecimentos e dão menos valor ao que há de material do que os seres considerados normais. Teoricamente esse espírito teria conseguido, pelo menos em parte, o domínio sobre as tendências rudes e animais da matéria em que habita. Nesse caso, por não ter havido "falha" no enlace, a saúde do indivíduo tende a ser normal.
Existem ainda situações patológicas que podem desencadear esse processo mas, sejam elas quais forem, terão quase sempre início, ou como causa primeira, o desequilíbrio entre espírito e matéria e consequentemente o desequilíbrio energético, o que pode provocar um sem número de doenças. Ao se instalarem, essas doenças podem fazer crer serem elas motivo e não apenas conseqüência de um processo energético desequilibrado que por sua vez, não tendo sido causado por qualquer agente físico (vírus, bactérias etc.), não deixa de ser também uma conseqüência de um enlace frágil.
Como energia que somos em essência, participamos ativa ou passivamente de todos os processos energéticos que compõem e/ou modificam o Universo, mas é claro, somos atuados mais fortemente pelas variações energéticas desse planeta ao qual estamos presos em matéria e até mesmo em espírito. O exemplo mais notável de que me lembro no momento é o da influência das FASES DA LUA nas marés, no ciclo menstrual feminino, no crescimento das plantas e até mesmo, como já se estuda, na alteração do comportamento de seres humanos.
Como energia dotada de consciência que somos, temos o privilégio de podermos, à nossa vontade e fé, manipular consciente e até inconscientemente outros tipos de energia à nossa volta para o que, há a necessidade de uma vontade muito forte e uma fé inabalável, ou seja : crer totalmente naquilo que pensa ou está fazendo (isso também era uma lição de Jesus, lembra-se ?). Mas a bem da verdade, o que posso afirmar com total segurança é que, mesmo que não haja tanta fé assim, nossos pensamentos sempre geram, por menores que sejam, pequenos focos de energia. Esses focos de energia, dependendo de quanto o pensamento gerou, podem até ser vistos por videntes sob a forma de pequenas massas energéticas às vezes na forma de bolas, outras vezes como pequenas "nuvens" à volta das pessoas.
Esses "foquinhos" energéticos, aos quais damos o nome de energia-pensamento, podem, pela força desse mesmo pensamento, tomar forma de maneira que, se uma pessoa pensa firmemente em outra, pela vidência ou outro tipo de sensibilidade, a presença dessa outra pessoa pode ser captada (ainda que ela não esteja "morta"). Nesse segundo estágio, chamamos essa energia de forma-pensamento.
Já vimos que a mente é capaz de gerar energia e até de dar forma a essa energia. Poderíamos nos estender mais um pouco discriminando aqui os prós e contras desse processo mas... É importante, no entanto, tocarmos em uma conseqüência a título de aviso aos desprevenidos (outras conseqüências deixarei por sua conta alcançar) até porque, sem saber desse processo, uma grande parte das pessoas tem a mania de falar de doenças e desgraças e, ao falarem, deixam que suas emoções sejam perturbadas pelo assunto. Há até mesmo aquelas que só se encontram com a gente para desfiarem o rosário de problemas de suas vidas. O mal que essas pessoas fazem a si mesmas é tão grande que há casos em que elas passam a ser suas próprias obsessoras. Cada vez que desfiam seus rosários de lamúrias (fora as outras nas quais não está falando, mas das quais certamente está se lamentando intimamente) elas geram os focos de energia e formas-pensamento relativas àqueles fatos que têm como verdade. No começo essas formas-pensamento se desfazem por si só. Na continuidade do processo essas energias vão se tornando cada vez mais fortes e passam a agir de volta na aura das pessoas, de forma que, quanto mais falam ou se lamentam sobre uma doença por exemplo, maior é a ação desta sobre a matéria, chegando às vezes numa situação em que "não há doutor que dê jeito".
Percebeu a importância de cultivar em sua mente e até mesmo se esforçar para só ter pensamentos positivos e procurar sempre estar em meio a pessoas positivas?
Essa forma-pensamento que não deixa de ser uma forma energética gerada (mesmo que inconscientemente) pela força de nosso pensamento, quando unida às energias geradas por outras pessoas formam um foco ainda maior imantada pelos sentimentos e emoções (muito mais pelas emoções) daqueles que a geraram.
Vou dar um exemplo direto:
Digamos que uma pessoa treinada em concentração e mentalização consiga gerar à sua volta uma boa quantidade de energia direcionada a um determinado fim - saúde por exemplo. Se esta pessoa se unir a mais uma ou mais duas e todas dirigirem seus pensamentos para um mesmo alvo ou objetivo, a energia gerada pela três se somará e formará uma grande quantidade de energia cuja ação será de saúde.
Como as três conseguiram formar um foco de energia, pela Lei das Afinidades (os iguais se atraem) esse foco atrairá (do plano astral e até mesmo do plano material) mais energia direcionada à saúde que se somará a esse foco e agirá com maior vigor nos três indivíduos geradores ou nos alvos para os quais forem apontados através da força do pensamento.
Veja bem: Eu já estou falando de Egrégora!
Acontece que essa energia formada pela força do pensamento das três pessoas de nosso exemplo, somada à energia que eles conseguem atrair já é uma Egrégora.
Juntemos agora a esses três geradores mais uns vinte ou trinta e teremos uma energia tão grande que dela muitos poderão se beneficiar.
Se considerarmos um Terreiro, uma Igreja ou qualquer outro lugar onde pessoas se reunam para cultos, veremos que todos esses lugares, após um determinados tempo, absorvem parte dessa energia insistentemente (e na maior parte das vezes, inconscientemente) gera-das por seus freqüentadores e, nesse caso, adquirem sua própria Egrégora que poderá ser boa ou má, de acordo com a tônica das energias que por ali são geradas.
Se você estranhou quando eu disse que o ambiente absorve as energias, vai aí a explicação:
Na verdade o que absorve as energias são os próprios elementos físicos que compõem o Terreiro, a Igreja etc.
Que elementos físicos?
- Paredes, cortinas, bancos etc, etc, etc.
Está estranhando?
Você não sabia que qualquer coisa material pode absorver, umas mais outras menos, as energias que as envolvem? Pois fique sabendo que até o ato de "tornar bento" um santinho se baseia nessa certeza de que a medalha absorverá a energia e poderá através dela proteger seu usuário.
Você já deve ter visto, ou aconteceu com você mesmo de, através de uma roupa ou objeto de uso pessoal de uma pessoa, poder-se sentir os problemas que a acompanham e até ajudar enviando, através da mesma roupa, energias positivas. Em qualquer Terreiro e hoje até em certas igrejas, essa prática é utilizada.
Você já deve ter entrado em algum lugar em que moram pessoas negativas ou que sofrem influências negativas de outrem e se sentido desconfortável, não? Pois fique sabendo que, independente da presença ali de entidades negativas, o próprio ambiente (veja explicação anterior) pode estar contaminado pelas energias ali geradas ou para ali enviadas.
Baseado também nesse princípio estão os "assentamentos" que se prepara em Umbanda e Candomblé.

Texto Extraído do livro Umbanda Sem Medo Vol I do autor desse blog

Continua brevemente

sexta-feira, 8 de junho de 2007

FANATISMO

No dicionário (Michaelis) encontramos os seguintes significados para essa palavra: excessivo zelo religioso, dedicação excessiva, adesão cega a uma doutrina ou sistema.
Enfocando, principalmente a última parte, vemos que "adesão cega", seja a que doutrina ou sistema religioso for, já caracteriza o FANATISMO.
Mas será que existe fanatismo apenas ligado aos sistemas religiosos?
Estou perguntando isso porque é sempre a primeira lembrança que nos acorre fazendo-nos esquecer que, seja em relação a uma religião, a uma idéia, seja até mesmo em relação a um time de futebol ou sistema político, em grande número percebemos os fanáticos, tendenciosos e até mesmo selvagens, nas pregações ou defesas de suas "verdades" às quais defendem cegamente, sem um mínimo de raciocínio sobre o quanto de mal possam estar fazendo a si próprios e/ou às pessoas à sua volta.

É verdade ou não é? São inconseqüentes por natureza!
Com esse padrão comportamental anormal, que na verdade não depende ou está realmente influenciado pelas idéias ou pontos de vista que dizem defender, mas muito mais do que isso - são reflexos de seus descontroles emocionais projetados em qualquer idéia que achem, ou lhes implantem nas mentes como "verdades", saem por aí pregando e gritando (sim, porque têm que gritar bem alto para se convencerem de que têm às "verdades" em suas mãos) regras, leis, comportamentos, fundamentos religiosos ... são doentes !
Politicamente, vemos "seres humanos" se digladiando em defesa de idéias preconcebidas, sobre os mesmos assuntos, mas com compreensões totalmente diferentes - isso se explica quando vemos também a diferença entre os níveis intelectivos (não necessariamente educacionais) dos que se propõem a "representar seus eleitores"(será?) e por eles são agraciados com seus votos, muitas vezes também fanáticos.
Futebolisticamente, vemos "seres humanos" se agredindo por causa de um time, ou um grupo de jogadores que, ainda que se matem os torcedores, continuarão a receber seus salários e "bichos", cada vez maiores (exatamente porque existem os torcedores fanáticos), e mais: seja GANHANDO OU PERDENDO, aquele Campeonato "tão importante"! Aliás, tão importante que, "possivelmente faria com que seus torcedores até mesmo tivessem seus salários melhorados"... eu acho! Ou melhor: Eles devem achar para justificarem tantas lutas, sofrimentos ...
Religiosamente, então, a coisa passa pela surpresa, alcança a comicidade e chega às raias da loucura total quando vemos até mesmo pessoas que chegam a se auto-flagelar ou matar (suicídio) porque um deus ou sei lá o que, "lhes disse que o mundo vai acabar no dia tal".
Permanecendo apenas nos primeiros dois níveis (surpresa e comicidade) já que o último seria o extremo, percebemos, também aqui, "seres humanos" que, "em nome de suas religiões" ou de "seus deuses" (será mesmo?) buscam vencer batalhas Quixotescas, criadas por suas mentes desatinadas e povoadas por deuses e demônios em uma batalha mortal e milenar, que muitas vezes não se importam de estarem "pagando o maior mico", desde que sejam ouvidos, desde que consigam passar suas idéias e palavras adiante.
Esse é o lado jocoso (engraçado) para não chegarmos ainda à tristeza dos fatos.
Mas não é só com esses que o fanatismo reside, não!
Há ainda, dentro das mesmas seitas religiosas, cismas e divisões que, em grande parte das vezes levam esses mesmos "humanos" a saírem de umas e entrarem em outras, com a mesma doutrina básica, mas com interpretações diferentes e depois, acabarem combatendo o que muitas vezes defenderam antes, com unhas e dentes. Percebeu?
E aqueles outros que mudam até de doutrina e fazem o mesmo - acabam "pichando" o que defendiam e praticavam antes?
Agora uma reflexão básica: Já pensou se os representantes e filhos de TODAS as seitas e religiões fossem para as ruas pregando sua "verdades" ao mesmo tempo? Já pensou no que se tornariam as ruas, bairros, cidades ...? E se levarmos em conta os dissidentes que aclamam umas e depois aclamam outras e atacam as de antes?
Onde quero chegar com isso tudo?
Você já tinha pensado sobre isso, e um montão de outros também?
Pois bem!
Quantas vezes ouvimos falar que a religião tal é fábrica de fanáticos? Quantas vezes nos antipatizamos com essa ou aquela "religião" por conta de seus adeptos que inclusive nos param nas ruas tentando nos enfiar goela a dentro as "verdades" que eles mesmos não conhecem - apenas pensam que conhecem? Quantas vezes, mesmo dentro da Umbanda ou Candomblé, vemos pessoas que, sem prática alguma, mas com idéias que lhes foram imputadas pela tal de "Tradição Oral" (aliás, base de muitas outras religiões e seitas), sem terem testado ou conhecido outras idéias, outros procedimentos, outros fundamentos, se põem a guerrear entre si, exatamente porque a tal "Tradição Oral" que lhes chegou aos ouvidos foi interpretada diferentemente por outro(s) que, por conseguinte, lhes deram novos encaminhamentos?
Antes de chegarmos a conclusões sobre o fanatismo religioso em si, vou lhes propor um joguinho de salão, de forma que possam avaliar o quanto essa tal de "Tradição Oral" (na verdade a transmissão boca a boca) pode ser prejudicial para quem nela enraíza suas crenças.
Se numa festa ou salão, houver 10 ou mais pessoas, proponha o jogo e escreva num pedacinho de papel uma pequena e mesmo inverídica situação, mas com o máximo de detalhes possível. Deixe o primeiro lê-la e faça esse texto passar de boca em boca, e sempre de forma a que ninguém mais ouça, a não ser aquele que estará ouvindo a mensagem no momento, cada um de uma vez.. O último participante deverá relatar, em voz alta, a história que lhe chegou aos ouvidos e, pasmem: em 100% dos casos, a história será quase que completamente diferente, se não for antagônica ou cheia de fantasias acrescidas durante as passagens do "boca a boca"! E veja que isso se deu em um pequeno espaço de tempo. Imagine essas histórias que se conta de séculos e séculos atrás, todas carreadas pela "Tradição Oral".
Por favor, não saia rebatendo antes de tentar o jogo que propus. Isso só vai mostrar que você também é um fanático e que não admite ser contradito! Teste por você mesmo, mas seja honesto na transmissão das mensagens - elas não podem vazar.
Voltando agora ao tema inicial, e por tudo o que já disse antes, precisamos entender que o fanatismo, tanto político, quanto futebolístico, quanto religioso, não é provocado pelas idéias que os fanáticos dizem defender e sim por algum tipo de doença psicológica (ou até mesmo encosto "brabo") de seus seguidores, o que os faz estar sempre nos extremos da cada situação. É uma doença psíquica e mereceria tratamento como o de qualquer outro vício, já que eles mesmos, se inquiridos e responderem honestamente, dirão que "não conseguem viver sem as "verdades" em que acreditam e pregam"!
Em outras palavras: ESTÃO DOENTES ... VICIADOS!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

OS ESPÍRITOS E OS ENCARNADOS PARTE II

Vamos falar agora um pouco mais sobre os espíritos que transitam pela Lei de Umbanda.

Como já disse antes esses espíritos têm o dever de ajudar aos seres encarnados, sejam eles quem forem, ainda que tenham sido seus inimigos em uma encarnação passada. Essa é a verdadeira essência da Lei : Ajudar a todos igualmente e na medida do possível, crescer interiormente pelo cultivo do amor a si mesmo e ao próximo.
Estranhou essa afirmação de "a si mesmo e ao próximo"? Pois não devia. Essa é uma Lei Bíblica, se lembra? "Amar ao próximo como a ti mesmo".
Como amar ao próximo se você às vezes nem entende bem o que é amar a si mesmo? E é bom que se explique também que "amar a si mesmo" em entendimento espiritual, está longe de envolver qualquer sentimento narcisista, o que seria a apoteose do culto à vaidade. Muito ao contrário, o amor a si mesmo envolve a compreensão de que todos estamos aqui para somar experiências e aprendermos com elas. Envolve também a compreensão de que o crescimento interior é o que realmente interessa alcançar e é esse o principal objetivo das sucessivas reencarnações (até porque após o que chamamos de morte essa será nossa única posse). Portanto, amar a si mesmo, terá sempre como conseqüência imediata a aprendizagem da compreensão e o amor ao próximo.
Nem vou me estender mais porque desse tema pode sair outro livro.
Quando me refiro a espíritos da Verdadeira Umbanda, quero me referir àqueles que realmente foram ordenados para trabalharem dentro dos padrões Umbandistas e que perseguem seus objetivos dessa forma pois, se há mistificação (espíritos querendo se passar pelo que não são) em outros lugares, também os há nos terreiros de Umbanda, Candomblé e até mesmo em determinados grupos que insistem estarem recebendo o "espírito santo" com urros e piruetas que dariam inveja a qualquer produtor de filme de terror de 3ª categoria.
A grande diferença é que os espíritos da VERDADEIRA UMBANDA podem se identificar, como já dissemos, não só pela fala, mas também, e obrigatoriamente, por pontos riscados e cantados.
Se o dirigente de um Terreiro for bem preparado e resolver "tirar a prova" sobre a real identificação de uma entidade, ele terá ao seu dispor para julgamento (estou considerando que o médium esteja bem incorporado, porque senão...), o nome que a entidade diz ter recebido, o que determina de certa forma a vibração original ou raiz, o ponto cantado que funciona como um "cartão de visitas" no qual normalmente confirma a linhagem (ou vibração orixá padrão) e dá mais algumas dicas, e o ponto riscado que é a "assinatura" dessa entidade, pelo qual o dirigente poderá reconfirmar tudo além de verificar o elemento predominante nos trabalho (se água, ar, fogo ou terra). Como? Pergunte ao seu "Pai no Santo"!
Dessa análise pode-se chegar à conclusão de se uma entidade é mesmo o que diz ser, ou é um esperto querendo se passar por, ou ainda uma "baita confusão" da cabeça do médium em estado consciente de atuação (ou até sem atuação alguma).
Pelo amor de Deus !
Cuidado com aqueles "pontos riscados" pré-fabricados que vemos em alguns livros de "umbanda(?)" que quase nada querem dizer e jamais, ainda que fossem corretos, poderiam ser usados por todas as entidades, ainda que se utilizassem dos mesmos nomes.
Vou tornar a dizer : Entidades de Umbanda recebem um "nome fictício" de acordo com a falange ou grupo de espíritos com que vão trabalhar, e, ponto riscado é uma assinatura individual, não podendo portanto, um ser igual ao outro, a menos que a entidade, o espírito ali presente seja o mesmo. Ainda assim, há vezes em que uma mesma entidade atuando em dois médiuns diferentes modifica seu ponto em função apenas da "COROA" do médium em que está incorporada, ou seja, coloca em seu ponto riscado um ou alguns sinais referentes à coroa daquele médium em que está atuando.
Numa certa ocasião, fui visitar um Terreiro "muito bom" no dizer de um amigo que me levou. Na gira seguinte haveria confirmação de entidades conforme anunciou o dirigente. Nesse dia, determinados médiuns teriam que estar aptos a permitirem que seus protetores pudessem riscar e cantar seus pontos, já que todos tinham dado seus nomes de falange. Teria sido até louvável se esses mesmos médiuns não tivessem à mão, para consulta, um belo exemplar de um certo livro com 1500 pontos riscados e cantados para que naturalmente, pudessem procurar ali o ponto riscado das entidades que diziam receber.
Você duvida que isso aconteça ? Pois saia por aí em visita a alguns terreiros, leve consigo um livro destes e compare os "pontos riscados" de certas entidades. Alguns pontos lhe darão a impressão de que ali está incorporado o desenhista do livro, ou talvez o gráfico que o imprimiu.
Se os Umbandistas querem ser respeitados, têm que começar por respeitarem as pessoas que deles dependerão um dia e, principalmente às VERDADEIRAS ENTIDADES DE UMBANDA.
O que acontece em casos como esses é que os espertos enganam a muitos despreparados como ele e fatalmente afastam de si os verdadeiros protetores que, com certeza, não compactuam com esse tipo de atitude até porque, se o indivíduo quer enganar a si e a outros nesse ponto, com certeza quererá enganar em outros mais.
Os Verdadeiros Espíritos de Umbanda se afastam como já disse pois, seja na Umbanda, no Kardecismo, no Candomblé ou qualquer outro tipo de culto, o Livre Arbítrio de cada um tem de ser respeitado. Observe que você só conhece verdadeiramente uma pessoa se a deixa agir por conta própria. Enquanto existir alguém ao seu lado ditando regras de comportamento e conduzindo seus passos, o verdadeiro Eu jamais será revelado. A partir do momento em que os grilhões se rompem, se essa pessoa vai seguir ou não o que lhe foi ensinado, estará por conta do que foi realmente aprendido e principalmente compreendido, além é claro, da própria índole que poderá ser boa ou desviá-la para o uso do que aprendeu erroneamente com todas as conseqüências posteriores.
De qualquer forma, estar com as rédeas do caminho de quem quer que seja, determina que a pessoa em questão não esteja progredindo por seus próprios meios e sim alavancada por alguém (matéria ou espírito) que lhe dirige os passos.
Verdadeiros espíritos de Umbanda compreendem isso perfeitamente.
Sabem que os ensinamentos devem ser passados, os conselhos devem ser dados, mas sabem também que somente "o filho" poderá, por suas próprias atitudes, mostrar-se merecedor ou não de maiores e melhores ensinamentos, além é claro, da presença junto a si, de entidades de maior ou menor grau evolutivo.
O que acontece quando os reais protetores se afastam? É simples ! Basta raciocinar!
O "Baixo Astral" está fervilhando de entidades "doidas para poderem se manifestar" seja de que forma for. Com o afastamento dos protetores cria-se um vácuo que será naturalmente preenchido por qualquer uma ou várias dessas entidades, principalmente as que comunguem com o tipo de comportamento assumido pelo médium. Para não espantarem, comportar-se-ão de forma semelhante aos antigos protetores (até porque nem precisarão riscar o ponto - se for preciso o médium riscará por eles). Dependendo de seus objetivos, começam como todo obsessor a transmitir ao médium em questão uma certa sensação de poder através de alguns feitos até "miraculosos".
Se forem espertos farão tudo para fazerem crescer no médium a VAIDADE de ter consigo entidades "tão poderosas", ao mesmo tempo em que irão, sem que se torne perceptível a princípio, sugando o incauto de diversas formas podendo levá-lo futuramente a atos totalmente inconseqüentes com perdas materiais, afetivas e familiares.
O mais interessante nesse processo é que, estando uma pessoa nessas condições, por mais que você lhe chame à atenção dando-lhe conselhos (se conseguir) ou reprovando-lhe atitudes fora dos padrões de correção e justiça e até mesmo de lógica, para ele o errado será sempre você, até que um dia "acorde" e saia por aí em busca de outros grupos pondo a culpa de sua ruína NOS ESPÍRITOS que ele mesmo desmereceu. Aliás essa tem sido a prática de muitos ex-adeptos não só da Umbanda mas também de outros grupos religiosos que hoje, GRAÇAS A DEUS, estão se enganando em outros lugares.
É muito mais fácil culpar uma religião ou a uma outra pessoa do que aceitar ser ele mesmo o culpado de sua queda.
Como falamos de falange, é bom que expliquemos aqui como é que funciona esse negócio.
Falange em Umbanda é o nome que se dá a um grupo de espíritos que trabalham juntos, uns auxiliando os outros. Essas falanges formam-se normalmente pela semelhança do tipo de trabalho que deverão desenvolver, de idéias e ideais etc. Na espiritualidade, como na matéria, as entidades tendem a formar grupos que compactuem em forma de ver, pensar e agir - "os iguais se atraem", lembra-se?
Unidos pelos mesmos ideais, grupos de um sem número de espíritos assumem para trabalho o nome de sua falange. Isso quer dizer por exemplo que, quando um espírito se identifica como Pai Francisco, ele está dizendo o nome da falange que assumiu por ter se identificado melhor com esse grupo.
Quando digo um sem número, é porque em toda a andança que tive em 34 (agora 38) anos de pesquisa por vários Terreiros, nunca tive a confirmação absoluta quanto àquela história de que o primeiro da falange dá origem a sete e que cada um dos sete dão origem a mais sete etc, etc.
Se alguém tem provas disso que levante a sua bandeira.
Compondo essas falanges estão espíritos de diversos graus evolutivos. Alguns são mais evoluídos do que qualquer ser encarnado, outros têm evolução correspondente e outros mais são ainda menos evoluídos chegando-se aos classificados como Exús que quando trabalham seguindo a Lei de Umbanda e respeitando àqueles que lhes são superiores são auxiliares de grande valia. Um médium terá sempre acesso mais fácil aos espíritos que se assemelhem a ele em grau evolutivo, podendo, por esforço próprio, alcançar alguns níveis acima do seu e, por estar no plano terra a terra, alcançar facilmente qualquer espírito mais inferior.
Quando tudo acontece dentro da normalidade, os espíritos mais inferiores (mas não só eles) de uma falange trabalham como auxiliares daquele que está incorporado. Quando você vê aquele caboclo realizando seus trabalhos ou aquele preto velho (na verdade você vê mesmo é o médium) sentado no toco, não imagina que à sua volta, e prontos para trabalharem em conjunto, estão vários outros auxiliares. Mas é o que acontece. É por isso que não raramente, por ocasião de sua chegada, uma entidade faz saudações ao local e à sua falange, ou seja, os amigos que vão trabalhar com ele (ou ela).
Aí você vai lá e "tira sua consultinha!"
Se o médium é realmente preparado (seja consciente, semi-inconsciente ou inconsciente) e você está se dirigindo à entidade, acontecem coisas imperceptíveis (aos que não têm sensibilidade para a captação) mas importantes para serem analisadas
Não sei se alguém já escreveu sobre isso, mas não estou tentando inovar nada.
Tenho certeza de que, mesmo que não se tenha escrito, muitos já devem ter percebido o que vou descrever.
De acordo com o trabalho que deverá ser executado ali naquele momento, embora o médium permaneça com quase as mesmas características da entidade que o acompanha, muitas vezes há uma troca de entidades (normalmente entre espíritos da mesma falange). Para o consulente parece que nada mudou, mas aquele que "tem olhos de ver" ou sensibilidade mais trabalhada percebe perfeitamente a transição. É realmente linda essa forma de trabalho. Você pode inclusive estar se dirigindo a um Exú dessa falange sem se aperceber disso.
Muitas vezes, em debate com médiuns honestos que trabalham em estado de consciência e semi-inconsciência obtive deles confirmação para o acima exposto. Alguns até sentiam essa transição mas não entendiam e não comentavam "por medo de estarem falando besteiras". Quando viram que não acontecia só com eles, puderam se sentir mais aliviados.
Mas se cada falange tem mesmo um sem número de espíritos, como se dá a escolha de um determinado espírito para trabalhar com um determinado médium ?
A resposta ainda aqui está Lei das Afinidades.
Vamos tentar exemplificar para que fique bem clara essa "história" sem que tenhamos de entrar ainda pelas explicações mais científicas. Observe no entanto que tudo isso é relativo, ou seja, não é regra fixa, até porque depende da EGRÉGORA do ambiente em que vai se dar o desenvolvimento mediúnico do indivíduo.
Numa situação normal, onde a egrégora é positiva e favorável, durante o período de desenvolvimento (ou treinamento mediúnico) um médium costuma ter um espírito que chamaremos "desenvolvedor" que começa a se apresentar como que abrindo os canais mediúnicos para futuros melhores contatos. Esse espírito pode se apresentar como Preto-Velho ou Caboclo de qualquer falange, mas sempre terá ligação direta com a chamada COROA do médium, ou seja, será uma entidade ligada à Vibração Original que rege a Coroa desse médium. Essa entidade tem um padrão evolutivo quase sempre maior que o do médium (em casos normais, volto a dizer) embora não seja de seu feitio querer fazer demonstrações. Durante esse período o médium receberá também a atuação de outras entidades, mas caberá sempre ao desenvolvedor permitir ou não essas atuações. Se o período de desenvolvimento transcorrer naturalmente, esse desenvolvedor terá condições de trazer sempre as orientações necessárias ao progresso e não aquelas padronizadas em determinados terreiros que têm "uma única fórmula" para todos."
É importante, e muito lógico, que se entenda de uma vez por todas que cada médium é um médium, e que seu desenvolvimento deve seguir, na medida do possível, os padrões que seus verdadeiros protetores determinarem (se existirem protetores realmente incorporando), até porque não existe quem veja melhor a situação mediúnica de um médium que seu próprio protetor. Esse caminho pode ser mais demorado em função do vacilo por medo do próprio médium que, se for grande, acaba por interferir e bloquear as mensagens do espírito (lembra do que contei de mim mesmo ?), mas por outro lado,
se o médium tem medo de transmitir uma orientação dada por seu protetor visando seu próprio bem, como poderia estar preparado para transmitir mensagens a possíveis consulentes?
Cansei de me deparar por aí com médiuns que "davam consultas espetaculares", eram "feitos" na casa de Fulano desse ou daquele orixá, ajudavam às pessoas necessitadas e no entanto, quando precisavam dessa consulta para si, buscavam outros médiuns e até outros Pais no Santo.
Isso não tem lógica !!!
A única explicação, levando-se em consideração que o médium seja honesto, é o medo, pois, se uma entidade sua, estando incorporada seja em que estado de consciência for, tem condição de "dar consultas" e saber do que os outros precisam, é impossível que essa ou essas entidades não saibam o que é preciso para seu próprio aparelho (ou cavalo, como quiser).
Quero deixar bem claro esse aviso aos Chefes de Terreiro : A pressa em "coroar" determinados médiuns para que possam logo trabalhar, pode vir a ser nefasta para ele. Um médium confirmado, coroado, que não consegue se entender com seus protetores, jamais poderia ser considerado um médium confirmado de fato. Isso chega a ser covardia pois lhe dá a falsa impressão de que está preparado para a batalha e ele só vai perceber a falha (se perceber) quando sua vida começa a "virar de cabeça para baixo" em virtude das cargas que receberá por trabalhos mal executados.
Cabe decididamente aos Pais no Santo orientarem seu Filhos no Santo no sentido de que, enquanto as mensagens de suas entidades não se tornarem claras e com real significado dentro dos rituais, enquanto pelo menos um de seus protetores (normalmente o que é responsável pelo desenvolvimento é quem faz isto) não cantar e riscar seu ponto de acordo com a Lei, ele não terá condições de ser considerado médium pronto. Ele não poderá "dar consultas" e muito menos dirigir trabalhos que envolvam demanda. Se o fizer estará correndo riscos por sua própria conta.
É também importante que o dirigente honesto explique a "seus filhos" que,
se seus protetores podem atender aos outros, têm obrigação de atender a eles, pois é a eles que mais conhecem e portanto, podem melhor orientar.
Vou relacionar abaixo algumas atitudes que vemos em médiuns que se dizem prontos para trabalharem e que até mesmo já "abriram terreiros" que são totalmente ilógicas se analisarmos friamente. Antes porém que pessoas de outros grupos possam vir a ler esse capítulo e se acharem no direito de julgar, adianto que essas coisa não acontecem só na Umbanda. Quero deixar bem claro que minhas pesquisa e apreciações foram feitas também em centros ditos Kardecistas e Roças de Candomblé, sempre com os mesmos resultados (não são problemas das Seitas ou Religiões - são problemas dos humanos que dizem "seguir as regras").
O médium é considerado pronto, dá consultas e, para si, prefere "tirar consultas com outros" - Isso já mostra insegurança.
O médium recebe entidades que nunca riscaram um ponto ou se identificaram convenientemente e estão lá dando consultas e passando mensagens.
O médium "está pronto" (ou foi considerado como tal, sabe-se lá porque), abre terreiro (ou Roça ou organiza sua "mesa") e mesmo como "Chefe", procura tirar consultas particulares em outros terreiros (ou Roças etc.). Isso tem lógica? Então me expliquem porque eu não a vejo!
O médium "abre terreiro de Umbanda" e depois vai "fazer cabeça" na Roça de Candomblé porque "suas entidades pediram(?)". Não tenho nada contra o Candomblé. Tenho amigos que praticam e dirigem rituais e portanto não estou falando de Candomblé de forma pejorativa, muito pelo contrário. Só não consigo entender essa história de Chefe de Terreiro de Umbanda ter que "fazer cabeça" ou "dar obrigações" seguindo rituais do Candomblé. Isso para mim se assemelha à história de um padre católico ter que receber a "unção" dos evangélicos para continuar rezando suas missas. O que explica esse fato é o total despreparo, o total desconhecimento dos ensinamentos ocultos (esotéricos) da verdadeira UMBANDA que orientariam esse "pai no santo(?)", ainda que ele tivesse que mexer com energias afins, ou então o fato de que ele deveria estar mesmo dentro do Candomblé por serem suas entidades afins, o que deveria ter sido observado antes de abrir um terreiro e dizê-lo como de Umbanda, pois a partir daí, se o Terreiro continuar a funcionar, será mais um dos que chamamos "umbandomblé" pela mistura de rituais que começam a fazer.
O médium "está pronto", sai por aí encarando o baixo astral como se fosse invulnerável e, repentinamente, vê sua vida se "entortar". As entidades que tanto ajudavam aos outros parecem não escutar suas preces, não receberem suas oferendas, etc, etc. Daí ele corre para outro pai no santo igual a ele, "faz obrigações" daqui, dali, sacudimentos, "deita para o santo" e continua se danando todo. Quando isso acontece, pode-se com certeza procurar nas atitudes desse médium (como médium ou simples humano) a razão para essa falta de socorro total. Nem vou me aprofundar muito por aqui. Pelo menos não agora.
Quero frisar que não estou tentando radicalizar coisa alguma. O que vejo nessas atitudes é uma total incoerência se acreditarmos que essas pessoas sejam realmente médiuns preparados e com suas entidades incorporando positivamente. Posso até considerar o fato de um médium ir de vez em quando procurar alguém que ele ache melhor preparado (seu pai no santo por exemplo) para melhor orientá-lo na realização de determinado ritual. Admito que ele possa buscar auxílio na corrente ou egrégora de um terreiro para se fortalecer e permitir um melhor contato entre ele e seus protetores de forma que eles possam se apresentar e lhe transmitir a mensagem apropriada (não está incluído nessa hipótese o médium que se considera "pai no santo", tem seu terreiro ou abaçá e portanto dispõe da egrégora deste para se beneficiar, a menos que não seja tão pai no santo como pensa), já que às vezes trabalha em casa, apenas com consultas o que fatalmente lhe é prejudicial. Agora, admitir situações como as acima enumeradas.... não dá para acreditar !
Médium Umbandista (e acredito que de outros grupos também) para se meter a dirigente ou pai no santo, tem que saber sobre a responsabilidade que está assumindo. Tem que ter não só a preparação mediúnica (incorporação ou outros dons positivos) mas conhecimento suficiente para livrar a si e, desde que abriu terreiro, seus seguidores também, dos ataques do Baixo Astral. Tem que saber que, ao abrir um terreiro que objetiva o trabalho para o bem, automaticamente adquiriu inimizades no astral inferior daqueles que objetivam outras coisas e, para isso, ele tem que estar preparado e muito firme com sua "banda". Tem que saber que se não for totalmente honesto com seus protetores, mais cedo ou mais tarde vai se ver livre deles e muito bem acompanhado por outros imitadores com sabe-se lá que intenções.
Texto Extraído do Livro "Umbanda sem Medo Vol I", do autor desse blog

OS ESPÍRITOS E OS ENCARNADOS PARTE I

Eu sei que a esta altura, já enchi sua cabeça com diversos conceitos e forma de observação bastante inovadoras. Talvez não ! Talvez tudo sobre o que escrevi antes já tenha lhe chamado a atenção em algum momento da vida. Não importa. Meu principal objetivo é fazer com que você raciocine enquanto vai lendo. Quero que você pense!
Vamos falar agora sobre esses espíritos que transitam pela UMBANDA e outros grupos de espíritos.
Já vimos que na Umbanda, tenha sido o espírito um grande senhor ou um pequeno lavrador, terá que se apresentar numa das três formas escolhidas pelo "Comando Superior", o que de certa forma despersonifica a entidade e evita (ou deveria evitar) a vaidade do médium e a tentativa de determinadas entidades de se apresentarem como grandes "medalhões" e com isso influenciarem e dominarem os incautos seres encarnados, pela tendência que temos normalmente de MITIFICAR (transformar em mitos) as grandes personalidades.
Só para ilustrar, preciso contar aqui um episódio por mim assistido quando ainda nos primeiros anos de peregrinação pelos meios espíritas, que envolve exatamente esse tipo de mitificação de espíritos que se apresentam como "luminares".
Freqüentava eu em determinada época, um grupo espírita dirigido por pessoas muito bem intencionadas, porém (como se poderá notar) com pouca experiência no trato com os espíritos e principalmente, vulneráveis aos valores que certas entidades alardeiam serem detentoras.
Certa vez foi-nos anunciado que teríamos uma visita ilustre (um amigo de uma das pessoas que dirigiam o grupo) que ostentava o título de Comendador. Para espíritas experientes e voltados tão somente às causas espirituais, esse fato não deveria ser de alarde pois como já vimos, nada importa ao espiritismo ou aos espíritos o "status social" de qualquer indivíduo.
Lembre-se disso : Se em qualquer lugar onde se prega a religiosidade você perceber que há por meio dos praticantes e (no caso de serem espíritas) às vezes até de "supostas entidades", uma tendência a valorizar o "status social" de um ser encarnado, comece a colocar sua "barbas de molho"! Diante dos verdadeiros Emissários da Luz não há e não pode haver diferenciação por condição social entre os encarnados. Essa diferença existe sim, mas nas camadas inferiores (ou planos inferiores, como quiserem) de evolução, jamais nos planos mais elevados.
Voltando à nossa história, o Comendador (vou chamá-lo assim para evitar nomes) foi convidado, mesmo sendo sua primeira visita, a fazer parte da MESA.
Abro aqui outro parêntese para explicar que eu, "engatinhando ainda pelos meios espíritas", não tinha conhecimentos suficientes para analisar o que se passou, e também não via o trato com os espíritos da forma que vejo hoje.
Iniciada a Sessão como de costume, era feita uma pausa para que todos "dessem passagem" (como era dito) aos seus protetores - uma tática normalmente utilizada para preparar o ambiente e o "corpo mediúnico".
Qual não foi minha surpresa quando, atuado (e em estado consciente) pelo Preto Velho (nessa mesa era permitida a presença de entidades de Umbanda) comecei a perceber uma agitação estranha em meu sistema nervoso. Era como se a entidade que atuava em mim estivesse incomodada com alguma coisa que eu não alcançava.
Repentinamente, do outro lado da mesa, o comendador "deu passagem" ao seu protetor. A agitação aumentou.
Consciente, eu buscava controlar a vontade que tive de ir desacatá-lo e, compreendendo cada vez menos aquela sensação que não podia ser minha, passei a dar mais atenção ao que se passava ao redor.
Nada demais! O comendador, atuado por seu protetor, identificava-se como "fulano de tal" vindo do oriente e saudava as "energias divinas" que de lá estariam sendo trazidas por sua falange.
Pensei cá comigo : - "Tem alguém maluco aqui - ou eu, ou esse Preto Velho".
O fato é que, o Preto Velho que normalmente me trazia muita calma e permanecia atuando por muito pouco tempo, nesse dia parece que demorou uma eternidade. Só me deixou quando o tal "oriental" se foi. Em continuidade nada mais aconteceu de anormal naquele dia, mas é lógico que eu fiquei com "a pulga atrás da orelha".
Mais um parêntese (eu sou mestre nisso) !
Vou tentar dar uma explicação simplificada sobre esse estado de mediunização consciente em que me encontrava porque sei que será interessante para muitos que passaram e passam por essa experiência sem se darem conta de que estão parcialmente mediunizados (ou incorporados) e que isso é bastante normal até mesmo em pessoas com anos e anos de prática mediúnica.
Embora nesse estado consciente eu pudesse sentir as emoções da entidade, identificar sua energia, ouvir o que se falava ao redor, eu não conseguia me livrar da atuação, mas conseguia evitar que falasse por mim, e desse modo acredito que estava criando um certo conflito pois, enquanto eu raciocinava e ouvia o que me parecia bonito e normal (a fala da entidade) meu pé direito batia no solo sem controle, como se "eu" estivesse reprovando aquela fala. Enquanto meu consciente aceitava as frases do "oriental" como vindas de um ser celestial, uma energia se agitava dentro de mim como se quisesse dizer : "Não é nada disso"!
Taí ! Deu pra entender ? Se não, eu espero explicar melhor quando me aprofundar no tema.
Continuando.
Tudo isso voltou a acontecer numa outra Sessão em que o comendador esteve presente, só que desta vez a agonia foi tão grande que, como o comendador ia continuar a freqüentar o grupo, achei por bem eu me afastar, até porque poderia perder o controle e sem saber porque, sair dizendo sei lá o que para a tal entidade.
O que mais incomodava é que eu não tinha nada contra a presença do comendador que era até uma pessoa agradável.
Bem, como se diz na gíria : "Cantei prá subir"! Afastei-me do grupo dando por desculpas a falta de tempo, indisposições etc.
Passado algum tempo, lembro-me de ter encontrado na rua a filha de um dos dirigentes e também freqüentadora que me relatou o acontecido em uma das reuniões. Parece que o tal "oriental" que saudava "os focos de luz do oriente" resolveu se trair e, como saudação final deixou escapar um "Salve a minha Quimbanda"!
Estava então explicado para mim, a suspeita que já tinha mas que não admitia : debaixo daquela aparência celestial havia um Exú . Isso mesmo ! Um Exú que "entrou na gira", passou-se por luminar, foi respeitado como tal, mas era um Exú.
E aí ?
Como os protetores do local deixaram-no fazer isso?
Por que nenhuma entidade que atuava sobre médiuns muito mais experientes que eu sequer deu o alarme?
Poderia ser um "baita Quiumba" e provavelmente teria sido acolhido como espírito elevado pelo teor de sua fala. Se mal intencionado, sabe-se lá que carga de bobagens poderia ter ensinado.
Por que eu digo que era um Exú?
Porque nenhum "medalhão espiritual" faria saudações à "sua Quimbanda" que como bem sabemos é Linha de Trabalho Mestra de Exú e Pomba Gira ("abrasileirado" de bombogira que é a palavra correta).
Ainda bem que nesse episódio o mal maior apenas serviu de lição para aqueles que vão "abrindo guarda" para entidades aquilatando-as pelas palavras que muitas vezes são ocas (como diria um certo amigo).
Aliás esse fato comporta uma segunda lição que tem a ver com a presença do comendador na mesa que, como se sabe, funciona nessas reuniões como o foco central de energia e por isso deve ser constituída por pessoas treinadas e preparadas para tal. Nessa ocasião o comendador só foi convidado para compor a mesa porque era comendador e amigo de um dos dirigentes, ou seja, foram levados em conta seu "status social" e sua amizade com o dirigente em detrimento de sua preparação ou não para ali estar.
Um outro fato que demonstra bem o perigo desse encantamento com possíveis "luminares" aconteceu bem antes, quando eu ainda estava pensando se entrava ou não nesta Seara.
Estávamos se não me engano, no ano de 1969 e eu freqüentava como assistente às Sessões de um Centro Espírita de raízes Kardecistas (porta pela qual eu entrei no espiritismo). Havia uma reunião às quintas feiras dirigidas por um senhor, dono de uma clarividência e clariaudiência realmente invejáveis. Vamos chamá-lo de Senhor M.
Senhor M era capaz de colocar várias pessoas da assistência sentados em duas fileiras de cadeiras e sair dizendo sem errar, o problema que as levava até ali. Senhor M descrevia o problema que era em seguida confirmado pelo freqüentador e, na medida do possível, dirigia os trabalhos no intuito de ajudar às pessoas em questão. Posteriormente ele dava explicações sobre o ocorrido a todos. Era uma verdadeira Escola da qual eu sinto saudades !
Numa dessas reuniões, foi levada por uma freqüentadora, uma amiga que passava por grandes perturbações emotivas. Médium não preparada, ela recebia em casa uma entidade do tipo "luminar" que inclusive falava em três ou quatro línguas. É isso aí ! Uma entidade poliglota !
Paralelamente a isso, sua vida era um inferno! Problemas, problemas e mais problemas!
Colocada em uma cadeira especialmente deslocada para ela, foi de pronto alcançada a mola-mestra de seus problemas: Era justamente a tal entidade que se tornou seu obsessor e que, a despeito de todo o seu potencial lingüístico, queria a senhora só para ela.
Essa entidade foi chamada, tentou-se convencê-lo de que estava errado (se apresentava como homem) em se meter na vida material dessa senhora e decidindo sobre o que ela poderia fazer ou não, ou com quem poderia estar ou não, infelizmente sem muito êxito.
Antes de prosseguir : É importante se dizer que o fato de dar incorporação a uma entidade poliglota, de uma certa forma preenchia o Ego dessa senhora pois, afinal de contas "era um ser tão iluminado que era capaz de falar diversas línguas". Esse fato, o de se sentir "aquinhoada pelos deuses" que lhe permitiram "tão grande honra(?)", e o provável sucesso que fazia quando atuada, alimentava-lhe a vaidade fazendo crescer mais e mais os elos que os prendiam (entidade espiritual e ser encarnado). Ora, tentar convencer a alguém que a razão de seus problemas é justamente o que acha ser o melhor de sua vida é como dizer a um esfomeado que o único prato de comida que conseguiu está envenenado. Ele não acredita! Ele vai comer!
Ela foi orientada no sentido de não dar prosseguimento às incorporações. Foi-lhe recomendado também que retornasse na semana seguinte porque o trabalho de doutrinação (como era chamado) deveria continuar.
Para encurtar a história.
Na quinta feira seguinte, quando ainda nem havia iniciado a Sessão, a amiga que levara a tal senhora chegou trazendo a notícia de que a tal entidade, estando incorporada, (ela não acreditou e por isso não obedeceu) fez com que a senhora se atirasse pela janela do edifício onde morava, matando-a consequentemente.
Veja bem!
Qualquer obsessor, por mais burro que seja (e normalmente eles não são nada burros) se tem em mente dominar uma pessoa, vai facilitar-lhe sempre aquilo que ela ache que mais precisa - nesse caso a admiração de tantos quanto cercavam essa senhora. É desse modo que ele ganha confiança! É desse modo que ele vai conseguindo aos poucos estreitar os laços que o unem ao ser encarnado até chegar ao ponto de se tornar imprescindível em muitos casos a sua presença. Anote isso!


Texto Extraído do Livro "Umbanda sem Medo Vol I", do autor desse blog

sexta-feira, 18 de maio de 2007

UMBANDA - UMA SEITA AFRO?

POR QUE É IMPORTANTE SABERMOS QUE O TERMO UMBANDA, COMO CULTO OU RELIGIÃO, PERTENCE AO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS

A importância da divulgação desse tema se prende a fatores que, embora possam parecer fúteis, a uma primeira vista,(e apenas a UMA PRIMEIRA VISTA) na verdade coloca freios em muita gente que insiste que faz Umbanda e que, além de não conhecer suas orígens, NADA FAZ DE UMBANDA - é isso que incomoda e faz com que muitos tentem MINIMIZAR ou até mesmo DESQUALIFICAR a importância que Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas tem para o que ELE chamou UMBANDA.
Vou tentar explicar os meandros e as segundas intenções desse tema de debate que muito se vê pelas comunidades do Orkut, MSN e outros..
1º PONTO - NUNCA, NINGUÉM HAVIA CHAMADO DE UMBANDA A NENHUM TIPO DE CULTO ANTERIORMENTE. O que tentam fazer hoje, é aproximar o termo embanda (afro) que quer dizer curandeiro para uns (e chefe de culto para outros) e NÃO ALGUM TIPO DE CULTO como esse que o Caboclo chamou UMBANDA - O CULTO;
2º PONTO - O Caboclo deixou algumas informações precisas sobre o que seria UMBANDA, e isso é o que incomoda mais porque, se observarmos essas diretrizes, aí sim, veremos que alguns grupamentos não poderiam se chamar de Umbanda, o que leva alguns outros a "desconhecerem", muito propositalmente, o texto que será apresentado abaixo e chegarem a dizer que o que o Caboclo fez foi apenas uma "socialização" do que já havia antes, o que, para qualquer um que saiba ler (e nem precisa interpretar) vai perceber que não poderia ser.
Vamos ver o que o Caboclo nos deixou de informações sobre o CULTO que ele mesmo dizia INICIAR-SE NAQUELE DIA.

PRESTE ATENÇÃO PORQUE AQUI SE DEFINE O QUE É A UMBANDA DO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS :
(PALAVRAS DO CABOCLO)

"Aqui inicia-se um novo culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que desencarnaram não encontram campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria e os índios nativos da nossa terra, poderão trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que seja a cor, raça, credo ou posição social. A pratica da caridade no sentido do amor fraterno, será a característica principal deste culto, que tem base no Evangelho de Jesus e como mestre supremo Cristo".

Percebemos então, nestes 3 trechos em azul que:

a) Esse era UM NOVO CULTO - O Caboclo afirmou SER UM NOVO CULTO E NÃO UMA CORRUPTELA DE ALGO JÁ EXISTENTE;
b) Que esse NOVO CULTO se distanciava das seitas negras deturpadas e dirigidas para a feitiçaria, porque os próprios Pretos Velhos africanos e os índios Nativos de nossa Terra (Os chamados Caboclos) não encontravam Campo de Ação (possibilidade de trabalharem) nesses grupamentos - Isso era o que existia antes e era disso que a UMBANDA, ENTÃO CRIADA, DEVERIA SE DISTANCIAR.
c) Esse seria UM CULTO EMBASADO NO EVANGELHO DE JESUS, reconhecendo-o, inclusive, como "MESTRE SUPREMO".

Por que eu lhe afirmo que DIVULGAR ISSO, inclusive até mesmo a existência de Zélio e do Caboclo, não se torna interessante para uma grande parte?

Porque, após a CRIAÇÃO e não SOCIALIZAÇÃO OU CODIFICAÇÃO DO QUE JÁ EXISTIA, muitos dos inúmeros grupamentos já existentes, (como acontece até hoje), passaram a se auto-denominar UMBANDA, mesmo passando por cima desses PRECEITOS DEIXADOS PELO CABOCLO, criando-se então, a confusão que encontramos hoje, inclusive com alguns afirmando que a Umbanda tem que se afastar dos ensinamentos cristãos e abraçar mais os fundamentos afro.... Mas como isso poderia ser, se a UMBANDA foi criada em cima de bases Cristãs?

O que se percebe então? Percebe-se que há um movimento deturpatório do que foi deixado pelo CDSE, em função das "vontades" daqueles que resolveram ir fazer cabeça no Candomblé e depois vieram "bater Umbanda", como gostam de dizer. Ora ... bater Umbanda, como se Umbanda fosse Candomblé?

Em Candomblé sim, "se bate para os orixás" porque os Xirês são nada mais do que festividades, TOQUES, como também chamam, em louvor aos orixás e nunca foram giras de CARIDADE. Todos os atendimentos em Candomblés de Raiz só são feitos pelo Babalorixá ou Yalorixá e através dos jogos de buzios, opelês (em menor quantidade) e obis. Não há consultas dentro dos Xirês e, nos que HOJE há, é porque já se modificaram e se distanciaram de suas raízes, até porque, quem bate papo e dá consultas são os EGUNS ou CATIÇOS, como são chamados alguns tipos de Caboclos e entidades intermediárias. E vejam que até hoje, os PRETOS VELHOS, que seriam remanescentes dessa mesma crença, por "terem sido escravos, negros e africanos" ainda não são aceitos na maioria dos Candomblés. Alguns aceitaram alguns Caboclos porque muitos ainda crêem que eles também são ENCANTADOS.

Minimizar, ou não divulgar o que era a VERDADEIRA UMBANDA, a DE RAIZ, a DO CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS é, e sempre será importante para os que têm medo da verdade e pretendem abrir Terreiros com fundamentos estranhos, de matanças, feitiçarias, amarrações, etc, e se anunciarem como Umbanda.

No meu entender, o mais honesto seria que cada grupamento que hoje se diz apenas de Umbanda, se intitulasse, como outros que já o fazem, por exemplo: Umbanda Omolocô, Umbanda Cabula, Esotérica, de Angola e outras mais, já que fogem às Regras básicas que o Caboclo deixou para o SEU NOVO CULTO (ou seja: não são de bases cristãs), para não deixarem aqueles que nada entendem disso sem saberem, afinal, a que tipo de Umbanda estão adentrando.

O que essas pessoas têm que colocar na cabeça é que o nome UMBANDA, COMO CULTO, pertence ao CDSE (ainda que ele não a tenha registrado) e mesmo eu ou você, que praticamos a UMBANDA TRAÇADA (que é diferente da UMBANDOMBLÉ embora muitos confundam), temos que reconhecer que não seguimos a linha doutrinária determinada pelo CDSE - UMBANDA COM BASE TOTALMENTE CRISTÃ - o que não nos tira qualquer valor ou mérito, já que os objetivos finais - CARIDADE E AMOR FRATERNO - também são buscados, apenas por caminhos diferentes.

O que essas pessoas têm que pôr na cabeça é que devem assumir o tipo ou sub-grupo de Umbanda que seguem e, jamais quererem mudar o principal da Umbanda que é a fé, a caridade, o amor ao próximo e, principalmente, também devem assumir que, se estão ligados a espíritos e encarnados que só sabem fazer feitiçarias, mandingas, amarrações, intrigas, então, nem o nome UMBANDA deveria ser usado em seus cultos, já que, desde a criação, isso foi contrariado pelo Caboclo.

Escrevi acima que Umbanda Traçada é diferente de Umbandomblé e, para muitos isso pode parecer estranho, mas não é. Acontece que existem, generalizando, três tipos de umbanda e as explico abaixo:
1- UMBANDA - A que foi criada pelo CDSE, com bases claramente CRISTÃS - até os Terreiros que foram criados pelo Caboclo tinham nomes de SANTOS CATÓLICOS. Os praticantes dessa Umbanda não admitiam (e acho que ainda não admitem) bebidas ou atabaques em seus rituais. Quando muito, o fumo das entidades;
2- UMBANDA TRAÇADA - A que admitiu (a princípio ou posteriormente) a presença (como trabalhadores) dos Exus e Pomba Giras, personagens da QUIMBANDA que eram até temidos no início e hoje já viraram guardiães, e outras entidades intermediárias, trabalhadores de excelente performance, sempre visando a CARIDADE, porque, se assim não for, não podem se considerar Umbanda. É chamada de TRAÇADA ou CRUZADA porque nela existe o cruzamento (ou entrelaçamento) de dois tipos de trabalhadores: os de UMBANDA (Caboclos - índios nativos - e Pretos Velhos) e os de QUIMBANDA (Exus, Pomba Giras, Bugres, malandros, etc.);
3- UMBANDOMBLÉ - Todas as Umbandas que praticam em seus cultos, os ritos absorvidos dos Candomblés, seja de que nação forem. Nessas Umbandas há "toques" para orixás, costumam usar brajás ao invés de guias, recolhem "filhos de santo", usam quelês, sacrificam e colocam "oxu" nos oris de seus adeptos ... e por aí vai. O que as assemelha à Umbanda original e as afasta do Candomblé de Raiz é o trabalho com entidades tipo Pretos Velhos e Caboclos e mesmo Exus infiltrados (porque esses não são os orixás-exu das nações) que vêm, ...... aí sim, trabalhar para a CARIDADE.

As Umbadas TRAÇADAS ou CRUZADAS não absorveram, necessariamente, ritos e práticas afro, e essa é a grande diferença delas para a Umbandomblé. Algumas até absorveram mais algumas entidades de Catimbó e outros grupamentos de raizes nordestinas e outras ainda, preferiram "cruzar" seus ensinamentos com os dos "mestres orientais".

Eu colocaria ainda, como sub-grupo das Umbandas Traçadas ou Cruzadas, as Umbandas Esotéricas e mesmo as Iniciáticas, já que nelas, além dos trabalhos com as entidades já citadas, existe a adaptação de ensinamentos e até mesmo de entidades tidas como "orientais" e sábios de outras nações que não as africanas.

E diria mais ainda: Em termos de abertura para novas aprendizagens, a Umbanda Traçada é a que mais se encontra nessa posição, já que as outras duas tendem a se prender muito em suas raízes (ou cristãs, ou afro) e desmerecerem alguns dos conhecimentos mais modernos que nos chegam através de outras correntes de espíritos e mesmo da ciência.

Que isso não seja tomado como desmerecimento para qualquer tipo de Umbanda pois, guardadas as devidas proporções e se o culto visa A CARIDADE, O AMOR FRATERNO E A FÉ, então todas têm em si a semente de UMBANDA, ainda que não sejam exatamente a que o CDSE CRIOU.

Agora, se alguém cria um agrupamento para misturar cultos "ao deus dará", explorar a caridade, impingir medos aos seus seguidores, sair matando cães e gatos pra saciar suas sedes de sangue e de impressionismo ... aí, pelo amor de deus, ....... isso não pode ser chamado de UMBANDA!!!

Custa muito as diversas Umbandas se identificarem por suas Raízes ou suas doutrinas para que nem tudo seja apenas Umbanda? Vão ficar menos Umbanda por causa disto?

Vamos a um raciocínio?

Imaginemos que você que agora me lê, através de uma entidade ou não, venha a criar amanhã, um NOVO CULTO espiritualista, digamos ... ALABANDA, e nos diz que este será UM NOVO CULTO que só fará trabalhos através dos CIGANOS E BOIADEIROS, por exemplo e também será voltado EXCLUSIVAMENTE para as práticas ciganas e a magia dos boiadeiros.
Depois de alguns anos você vê que alguns outros grupos passaram a se auto-denominar ALABANDA, trabalham com mineiros, com orixás de Nação e suas "obrigações", com Exus, Caboclos, Pretos Velhos, baianos, malandros, tentam decifrar o que seria ALABANDA mas não ousam perguntar a você, que foi o(a) criador(a), o que seria, e ainda por cima, depois disso tudo ainda começam a discutir porque acham que Alabanda deveria "voltar às raizes afro" já que os "orixás" são afro.

O que você diria, HONESTAMENTE?

Foi isso o que aconteceu com a Umbanda criada pelo Caboclo das Sete Ecruzilhadas.

Não seria melhor que cada Alabanda dessas que se formou após, se identificasse convenientemente?

Eis aí o porquê de, desde muitos anos atrás (isso não é de hoje), já se falar de codificação de Umbanda e até hoje, ninguém saber exatamente qual das Umbandas se vai codificar - todas não dá mesmo!

De minha parte posso lhes dizer que a Umbanda que eu pratico é totalmente Cruzada e praticamente nada nela existe de Ritual de Nação Afro, embora tenha que conhecer alguns fundamentos para casos em que certos problemas mediúnicos tenham origem em entidades específicas . Talvez a melhor descrição para ela seria de UMBANDA ABERTA. Sempre aberta para melhores conhecimentos e aprimoramentos ritualísticos que realmente possam ter fundamento, venham de onde vierem.

Aceito comentários, críticas e complementações.